segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Como não sofrer? Desidentifique-se!

 

Estamos aqui sempre falando de algo que não pode ser colocado dentro do próprio conhecimento. Não podemos traduzir essa experiência que, na verdade, não é uma experiência no sentido que, também, damos a esta palavra. 

Poderíamos chamar Isso de uma experiência intraduzível, algo intraduzível para o conhecimento. Satsang nos aponta para a percepção da Verdade última, daquilo que não pode ser alcançado, obtido, realizado pelo intelecto. Falamos de uma "experiência" intraduzível. Falamos de uma Realização que o conhecimento não alcança, que a palavra não traduz.

Por mais absurdo que isso possa nos parecer, eu tenho para lhe dizer que a grande dificuldade é este hábito que a mente "traz" de conceitualizar, e essas conceitualizações nos impedem de olhar diretamente para aquilo que se apresenta. 

Não temos contato com a realidade como ela é, porque a mente funciona como um véu. A mente está profundamente condicionada, aprisionada dentro de suas racionalizações, presa dentro de sua intelectualidade, de sua lógica, e aqui estamos falando de algo que vai além da lógica, do intelecto. Não podemos colocar isso em termos de ideias, porque aqui a dialética não funciona; a Verdade não é assim.

A verdade se encontra além do racional, do explicável. Nosso convite, único, é o silêncio. Só temos este convite. Nós nunca convidamos você para uma troca de ideias. 

Estamos aqui, apenas, tentando algo impossível, compartilhando com você uma "experiência" intraduzível. Esta é a Verdade do Amor, da Felicidade e da Liberdade... A Verdade da Sabedoria... A Verdade dessa Realização Divina, da Realização de Deus.

Estamos sempre falando sobre a Natureza Real de cada um de nós; sempre tratando disto aqui: a Natureza Real, a Natureza Essencial de cada um de vocês, que é felicidade. Não essa felicidade que experimentamos, que, como uma experiência explicável, vem e vai. Uma felicidade que deriva de experiências externas, que se levantam em razão de experiências externas agradáveis, é a felicidade de mais uma experiência; é a experiência de mais um momento de felicidade. É algo temporário, que experimentamos quando a mente se acalma. Sempre que qualquer desejo encontra um preenchimento, a mente se acalma, e é quando você vivencia a experiência de uma felicidade temporária, momentânea.

Este assunto chamado “despertar”, “realização”, que é intraduzível, é realmente fascinante. Estamos tratando dessa arte, a arte da felicidade, a arte da Consciência, a arte de Ser.

Estamos falando sobre essa liberação, sobre a libertação da mente egoica. Nós podemos passar uma vida toda lendo, estudando e aprendendo sobre isso, mas, depois de todo esse tempo, ainda estaremos no campo da lógica, do conhecimento, da teoria. Esta Felicidade, esta Liberdade, o Ser, a Consciência é algo disponível aqui, nesse instante, porque esta é a sua Natureza Real, é a sua Natureza Verdadeira. 
 
Esta é a natureza da Realidade... É a natureza deste “Eu Sou”. O que nos traz a Satsang é este momento de reconhecimento Disso que somos. Na mente vivemos esquecidos, e por isso você está esquecido de sua Real Natureza, identificado com pensamentos, com experiências mentais. A investigação, em Satsang, remove este esquecimento, que não é parte de sua Natureza Real. O "esquecimento" de quem você É não está em seu destino; não é Real em sua Natureza Verdadeira. Você não está destinado a viver neste esquecimento. Você tem a liberdade, total liberdade, desta lembrança. Ouviram isto? Isto é muito importante. É muito importante saber que você tem esta Liberdade, e que não está destinado a viver neste esquecimento. Isto é algo que você pode realizar, é algo presente aí, com o poder de decidir.

Este é o único poder real que você tem: assumir a sua Natureza Real, que é Felicidade, Amor, Paz, Sabedoria, Deus!

Você tem toda liberdade de se desidentificar do corpo e da mente - das atividades da mente e do corpo. Você tem toda liberdade de ir além desse "esquecimento", e desidentificar-se das ideias ''eu sou o corpo'', "eu sou esses pensamentos", "eu sou esses sentimentos", e "eu sou essas emoções", que é onde ele está. Você tem a liberdade de não se confundir com as ações do corpo e com o movimento da mente.

A cada momento você tem essa liberdade, a Real Liberdade de não sofrer. Para não sofrer, basta não se identificar com as experiências do corpo ou da mente. Você não pode culpar Deus por seu sofrimento. O seu sofrimento é só uma escolha de permanecer identificado com a ilusão, com aquilo que não é você... A escolha de estar identificado com a mente, em seus desejos, com a mente egoica e suas escolhas. Você não pode culpar a Verdade, a Realidade! Você não pode culpar Deus... Não pode culpar Aquilo que É por essa ilusão de estar identificado com historinhas mentais, com crenças.

O que estou dizendo é que essa liberdade é a Liberdade da Consciência, a Liberdade da sua Natureza Verdadeira! Se você está identificado com a mente, já fez uma escolha. Se está identificado com os desejos, você já fez uma escolha, que é a escolha da suposta entidade separada, da ilusão de "alguém". Portanto, não pode culpar Deus por isso.

Procurem observar isso em si mesmos, e logo perceberão o quanto são indulgentes com a mente egoica, com a mente e seus padrões de desejos; o quanto são indulgentes com "o esquecimento" da Felicidade, da Liberdade, da Consciência que é o seu Estado Real, o Seu Estado Natural.

O que estou dizendo é: traga Consciência para este momento; desidentifique-se! É aí que está a ação da Presença, da Graça, da Consciência. A Graça é algo sempre presente! A Presença é algo sempre presente!

Você passa a maior parte do seu dia identificando-se com os pensamentos, perdendo-se em pensamentos, e confundindo-se com eles. Esta é uma escolha equivocada. Trabalhe isso! Solte isso! Desidentifique-se! Portanto, solte essa identificação, até que este Estado Natural se assente e assuma completamente o lugar Dele; esta entrega é fundamental! A investigação da natureza ilusória do pensamento é fundamental! Esta desidentificação é fundamental!

Participante: Observar de fora...

Mestre: Nada de observar de fora, pois isto é mais um pensamento. Essas técnicas não funcionam. Abandonem tudo isso que vocês aprenderam antes de chegar a Satsang. Não é nada disso que estou falando, e sim outra coisa. Essas técnicas não funcionaram para vocês até agora. Portanto, não façam nada - este é o ponto. O trabalho de vocês é ficarem quietos, não identificados. Quando vocês se colocam para fazer alguma coisa, mais uma vez estão se identificando com "alguém" na ação.

Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro! Namastê!


*Transcrito a partir de uma fala de um encontro online no dia 24 de Agosto de 2015
Encontros todas as segundas, quartas e sextas feiras as 22h - Participe!

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O tempo que não se move

 


Maravilha estarmos juntos em mais este encontro.

Nesses encontros, nós estamos falando sobre a sua Essência Verdadeira, sobre aquilo que Você é, tentando essa coisa impossível que é colocar em palavras aquilo que elas não podem definir. Estamos falando desse Amor, dessa Paz, dessa Liberdade, dessa Felicidade que é a sua Essência Verdadeira, sua Natureza Verdadeira, na qual os opostos não aparecem. Portanto, a guerra, o conflito e a infelicidade jamais aparecem naquilo que Você é, em sua Natureza Divina, em sua Natureza Real, que é essa prodigiosa e indescritível Graça Divina, que contém o mundo e, também, esse “eu”, como aparições sem qualquer importância. Mesmo esse ilusório mundo, que surge com esse ilusório “eu”, aparece em sua Essência Divina, assim como uma imagem aparece no deserto. Ela pode ser vista, mas, no entanto, é somente uma miragem. Assim é essa aparição do “eu” e do mundo nessa Essência de Amor, Paz, Liberdade e Felicidade, nessa Essência Verdadeira.

Aqui, o ponto é que essa ilusória aparição é a negação por parte da mente. É aqui que nós nos deparamos com esse aparente conflito dual, com essa aparente dualidade. Por isso, existe essa constante busca – a mente em busca de mais alguma coisa – que é sempre a mesma coisa, que é somente uma negação, por parte da mente, dessa grande e prodigiosa Graça. É a mente negando aquilo que está neste instante, surgindo como uma aparição nessa Graça.

A mente está em busca de uma resposta. Talvez, no futuro ela consiga – assim ela acredita – e aí ela cria sempre novas perguntas, em busca de novas respostas, sempre acreditando que, no futuro, encontrará uma resposta. É a mente em busca de uma resposta dentro dela mesma e, então, ela cria esse futuro, nessa negação da Graça, da Verdade presente neste momento, neste instante. Não há nenhuma resposta no futuro, e não há nenhuma pergunta real acontecendo neste instante. Tudo o que a mente faz é criar essa ilusão, essa negação. A única resposta é aquela que reside nesse instante, e não é uma resposta da mente, nem para a mente. A resposta reside aqui e agora, a resposta dessa Verdade, dessa Essência, a Verdade dessa Essência, da sua Natureza Divina, que é Graça. O Amor está presente neste som; a liberdade e a felicidade estão presentes neste som; exatamente neste momento, nesse simples e ordinário momento.

A mente passa bem longe disso. Ela passa no que poderia ser, no que poderia acontecer, ou naquilo que acontecerá. Ela está sempre no futuro ou na imaginação do passado.

 
A Verdade é algo sempre presente neste instante, neste exato momento, sempre agora, neste “tempo”, que não é um tempo, porque isso não se move. Estamos falando de um tempo que não é um tempo, de um agora que não é um agora, porque isso não se move. Aqui, portanto, está este Amor, esta Liberdade, esta Felicidade e esta Paz. Isso é algo bastante óbvio, algo claro, mas o que é óbvio e claro está bem longe da mente.

É tão lindo tudo isso! É tão real! Mas isso está fora da mente. Essa prodigiosa Graça revela esse instante, esse momento, esse tempo que não se move, esse tempo que a mente não alcança, que a mente não revela. Você está aqui apenas para tomar ciência disso. Essa é a realização daquilo que Você é. Pura Graça, pura liberdade, pura Consciência!

 
A Verdade se mostra como o Amor presente, como a Liberdade presente, nessas cores que os olhos contemplam nesse instante, nesse som que os ouvidos escutam nesse instante, nessa percepção que os sentidos têm desse instante, porque tudo isso é um acontecimento dessa prodigiosa Graça, nesse “tempo” que não se move. Portanto, não é o tempo no sentido que a mente conhece. Esse “Tempo” não é o tempo da mente. O tempo da mente é a imaginação; esse “tempo” é a Presença. O tempo da mente é passado, presente e futuro; esse “Tempo” é Consciência, Pura Presença, Meditação. É esse Silêncio, onde esse som está acontecendo, as cores estão sendo vistas, e os sentidos estão inteiramente livres para operar sem a intervenção e a sobreposição do pensamento – sem essa sobreposição que o pensamento traz, produz, sobre a realidade, sobre isso que acontece. Isso que acontece sem a intervenção do pensamento, sem esse ilusório tempo criado pela mente, é a pura Realidade dessa prodigiosa Graça, desse instante. A mente, a imaginação, o pensamento, o conflito e a dualidade não entram aí. Esses contrastes entre os opostos não têm nenhuma importância aí – a luz e as trevas, o certo e o errado, o que é sagrado e o que não é, nada disso entra ou arranha Isso, que é essa prodigiosa Graça, sua Natureza Real, sua Natureza Verdadeira. Aqui, cada um de vocês nada mais é que este “Eu Sou” que sou. Este é o “Eu Sou” que Você é! Por esse motivo é que a fala não alcança Isso. A mente passa muito longe, o pensamento não tem nenhuma referência disso. A Meditação é a sua revelação.

 
A Meditação é essa habilidade de estar com essa Felicidade, com esse Amor, com essa Paz, com essa Liberdade desse som, sem qualquer ideia sobre isso. Significa escutar totalmente, sem fazer, sem ter, sem conceber qualquer ideia. É como ouvir o som que o vento faz quando corta as folhas de uma árvore próxima: nenhuma ideia, nenhuma interpretação, nenhum conceito sobre isso. Da mesma forma, é ver as cores e os objetos diante dos seus olhos sem nomeá-los, sem etiquetá-los, rotulá-los. Simplesmente formas e cores são todos esses objetos, são todas essas aparições diante deste olhar, diante deste instante, neste momento presente, neste “tempo real” que não se move. Um olhar e um ouvir sem ego. Um ouvir sem um fundo que interpreta, que avalia, que julga, que compara, que está preso em afirmar ou negar, em aceitar ou rejeitar. Isso é Meditação, o Estado Natural do Ser, o que Você é em sua Natureza Real, essa Paz sem opostos, esse Amor e essa Liberdade que não têm opostos.

Esse Amor que não tem opostos não é o amor que contém a ilusão do “amor-ódio”; essa Paz sem opostos é a que não tem a ilusão da “paz-guerra”; essa é a Liberdade que não contém a ilusão da “liberdade-prisão”; é este “EU” que não contém essa ilusão: o “Eu não-eu”. Eu falo desse “Eu Sou”, anterior à ideia desse “eu sou”.

Hoje essa fala é sobre esse “tempo” que não se move, a realidade atemporal. Essa é a sua Natureza Divina, essa é a sua Natureza Real, a Verdade da “não-separatividade”, a Verdade do “não-sofrimento”. Essa Verdade significa “não-medo”, significa “não-tempo”. Durmam com Isso! Acordem com Isso! Vivam os seus dias com Isso!

 
Vamos ficar por aqui? Até o próximo encontro. Namastê!


 *Transcrito de uma fala via Paltalk no dia 03 de Agosto de 2015
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 22h - Participe! 

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A Única Verdade




Mais uma vez juntos! A coisa importante aqui não é bem o conteúdo da fala. Não é aquilo que a fala pode significar, não é o significado das palavras, não é todo este conteúdo da fala, mas o Silêncio, a Presença e a Consciência por detrás dessa fala. 

Essa Realização, ou esse Despertar, é a Consciência, é a Presença, é o Silêncio, é o significado Real. É o significado além de todos os significados verbais e de todas as representações do pensamento. Essa indicação, através da fala, é para além da fala. 

Assim, o que realmente importa é estarmos juntos, é aplicarmos todo o nosso coração a esse Silêncio, a essa Presença, a essa Consciência. Toda essa simbologia, todo esse simbolismo, toda essa representação da linguagem, embora tenha aqui um certo lugar, não ocupa o lugar da Presença, da Consciência, do Silêncio.

Esses momentos de pausa entre as falas, entre uma palavra e outra, estão carregados dessa Graça, dessa coisa indizível. O Silêncio é o poder da Presença, e esta Presença está cheia desta Graça! Isto se revela no silêncio, e este silêncio revela isto. O intelecto está viciado em palavras, está constantemente em busca de um significado. A vida é o seu próprio significado, e não está contida nas palavras. A vida é a Verdade, e a Verdade não está contida dentro das palavras.
Quando você é capturado por um pensamento, por uma imagem criada pelo pensamento, a palavra se torna muito importante para desenhar aquela imagem, mas ela está tratando apenas de uma limitação; ela está apenas desenhando, vendo aquilo que é conhecido, que está dentro dessa dimensão do conhecido. Seu Ser é aquilo que permanece desconhecido, assim como a Verdade permanecerá sempre desconhecida.

Seu Ser não alcança a Verdade, porque seu Ser é a Verdade. E essa Verdade está além da mente, do pensamento e de toda experiência humana, que é a experiência do conhecido, como o desejo, o medo, o pensamento e a imaginação. Toda e qualquer experiência pode ser descrita, fazendo parte do conhecido, enquanto que o Ser, Consciência, Verdade não é parte do conhecido. Ser, Consciência, Verdade é esta Presença, e este momento revela o Silêncio, a Presença... Este momento revela o desconhecido, que é a Natureza da Verdade, a Natureza do Ser.

A mente vive dentro dessa limitação, enquanto que a Consciência permanece com Aquilo que é indescritível, inominável e impensável. Em Satsang você tem a oportunidade de reconhecer a si mesmo, como Consciência, Silêncio, Ser, Presença. É um reconhecer de uma natureza diferente, que é um constatar o desconhecido, se abismar no desconhecido. Você não pode descrever a experiência de Ser, a experiência do Silêncio, porque ela não é uma experiência no sentido de uma lembrança, de uma imagem, ou de um pensamento do qual você se recorda, é sim a Verdade na qual essa experiência aparece.

Aqui eu falo de uma experiência sem a ideia de "você" presente dentro dessa experiência. A experiência, sem a ideia de "alguém" presente, é o puro experimentar, algo que acontece neste instante, neste presente momento. É isso que nós chamamos de Meditação. Meditação não é uma prática. Meditação é essa Consciência, Aquilo que não tem nome, plena Consciência, e o que prevalece é o Silêncio. Tudo o que aqui triunfa é a Verdade. Eu triunfo! E não significa uma vitória sobre alguma coisa, não é o triunfo de uma vitória. Este triunfo é essa autofulgência do Ser, essa autofulgência divina, Presença... A Verdade, a Liberdade, a Paz e o Amor, o Amor sem o seu contrário.

Não é do "amor" que tem o seu contrário, que "carrega" o ódio e não é o real Amor, de que estamos falando. A liberdade que carrega o seu oposto, como escravidão, não é essa a liberdade de que estamos falando. A paz que carrega o conflito, como o seu contrário, não é essa a paz de que estamos falando. Não estamos falando de uma não-mente, que seja contrária à mente. Essa não-mente é algo inteiramente diferente, fora de toda ideia, de todo pensamento sobre isso, que não tem oposto, não tem contrário. Esta liberdade não tem contrário, este amor não tem contrário, esta verdade não tem contrário. E tudo isto é você em sua Natureza Real, livre do ego, e livre de todos os problemas, conflitos, desejos e medos, receios, anseios, preocupações e aflições, estes que o sentido de separação, o desejo de vir a ser, a ilusão, a crença e esse "alguém" conhecem.

Então, é possível realizar Isto. É possível viver Isto e viver Isto significa a própria vida. A própria vida é aquilo que acontece neste instante, quando todo o passado e futuro morrem, e não se carrega mais nenhuma forma de crença e de preconceito, nenhum medo e desejo... É quando acontece nesse instante a morte para este segundo que passou, e somente nessa morte há o renascer, que não é o renascer de alguém que morreu.

Renascer não é uma palavra adequada aqui, pois não é o que morre que renasce; este renascer é o sentido da própria vida, é a própria vida, acontecendo momento a momento. Apenas a mente conhece o passado e o futuro, enquanto você em sua Natureza Real, que é Silêncio, Presença, Ser, Verdade, Amor, Liberdade, Vida, permanece agora, neste instante, como aquilo que é imutável, aquela coisa atemporal, indescritível, inominável. Aquilo não tem nome. Aquilo é Um, como um único espaço, onde as aparições, as formas e os nomes aparecem, e, no entanto, isso permanece imutável.

Essa é a única forma, a única maneira, não há nada que você possa fazer. A única coisa aqui é se aquietar e relaxar, e assim poder respirar Isto: esta atmosfera de Pura Consciência, de Pura Presença e de Pura Graça. Sinta isso, e fique nesse puro experimentar direto, sem nomeá-lo. Esta fala nasce deste Estado fora de todos os estados, da Presença, da Graça, do Silêncio, e este escutar e o sentir acontecem neste mesmo lugar.

Nesses encontros você é tocado por esta Presença, pelo poder desta Graça. Como nos colocamos agora no início, não é a fala, o conteúdo da fala, que importa, pois não há nada sendo dito. Não são as palavras, o verbalmente manifesto, que importam, e sim Algo presente além da fala. Há tantos palestrantes no mundo, existem tantas palavras nos livros, existem tantos livros, tantas falas, mas não é isso.

Sem quaisquer pensamentos, sem qualquer palavra, sem qualquer ideia, é possível permanecer assim, e então Essa Coisa imensurável se revela como a Única Verdade.

 Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê!



*Transcrição de uma fala de um encontro online no dia 19 de Agosto de 2015
Encontros segundas, quartas e sextas-feiras às 22h - Participe! 


sábado, 22 de agosto de 2015

A chave para a real libertação

 

O Guru, o Mestre, destrói absolutamente todas as suas crenças, inclusive, e principalmente, aquelas das quais você não tem nenhuma consciência que estão aí: todos os tabus, preconceitos, paradigmas, conceitos formados; todos os condicionamentos, absolutamente todos! 

Você só é livre na sua Natureza Real. Enquanto houver uma sombra de mente, a ilusão está presente, o medo está presente. O meu trabalho, aqui, com você, é lhe mostrar o que significa ser absolutamente livre!

Aquele que é absolutamente livre não pode mais ser capturado pelo mundo, nem por este mundo, nem pelos outros mundos. Na verdade, estes outros mundos são, todos eles, um mundo da mente egoica, que cria um corpo, ou um veículo, para se expressar no "seu" mundo - o mundo de suas realizações, de suas conquistas, de seus desejos. Então, não importa que qualidade tenha esse mundo, porque, por ser fabricado pela mente, ele é uma prisão do próprio ego e algo construído por ele. 

No ego, nessa ilusão, você está vinculado ao objeto do desejo: a família é um objeto do desejo; bens materiais são objetos do desejo; a busca da autoafirmação e do autopreenchimento, desta ou daquela forma, é objeto do desejo. Essa vinculação cria necessidades ilusórias para uma suposta identidade. É a ilusão do desejo, do prazer, e de encontrar preenchimento no objeto. Seu "amor" é uma prisão e não precisa ser inteligente para perceber isso, porque, quando esse amor é afastado, a dor está presente. Se a dor está presente naquilo que você chama de "amor", é apenas mais um objeto vinculado ao autopreenchimento; é mais um objeto do desejo.

Todas as relações que vocês têm, sem exceção, são armadilhas da mente; algo criado pela mente para satisfazer e preencher a si própria. 

A mente, em sua prisão, vincula-se a uma autossatisfação egoica, se preenchendo nessas, assim chamadas, relações. Há relações com coisas, seja com o carro, a casa de praia, o apartamento; seja com um presente que ganhou, um jarro, um jogo de talheres de prata, ou com joias. Há a relação com espaços geográficos, essa forte necessidade de se preencher estando em lugares especiais, em ambientes especiais, fazendo a diferença no que você sente estando no campo e na cidade; você gosta desta cidade e não gosta daquela outra; ou nesta daqui você se sente bem, na outra sente-se mal. 

E há a famosa relação com gente, e com animais, também. Existem aqueles que não gostam de pessoas, não gostam de gente, mas amam os animais; como, por exemplo, aquela madame que cria quinze cachorros, mas não suporta crianças.

Aquela senhora que tem quinze cachorros sabe que nenhum deles vai ofender o ego dela; podem até irritá-la, ao fazer xixi, ou cocô, e ela ter que cuidar disso, mas não irão irritar o seu ego a nível pessoal - isso não vai afrontar a pessoa que ela acredita ser. É assim a relação com animais, ambientes, espaços, lugares: enquanto eles nos oferecem algo, nós queremos. É assim a relação com coisas: enquanto há prazer, você guarda aquilo; quando para de lhe dar prazer você despreza. Todas as relações são assim, e assim são as relações pessoais. 

Não há verdade, não há liberdade, não há amor em relações humanas; só há medo, e esse medo se expressa na ambição, na posse, no domínio, no poder, etc. Eu sei que é um quadro triste, negativo, mas é assim. Você não pode ter nada além disso, neste mundo construído pela mente, pelo ego; estou falando deste mundo que a mente egoica produz.

Chamei isso de "labirinto da mente": não tem entrada, nem saída; um labirinto sem porta... só um labirinto. A mente é somente um labirinto sem entrada e sem saída. 

Talvez você, escutando isso, não veja o quanto isso é prático, mas isso é absolutamente prático. No pensamento, você pode buscar uma resposta, ou pode desistir do pensamento e nunca mais confiar em nada, que se passa aí dentro, produzido pela mente. Aí, nesse momento, você deu um salto em sua sadhana, em seu trabalho do despertar. 

Eu tenho esse primeiro passo, como o último passo. Você não tem que dar mais nenhum passo, só esse: nunca mais, absolutamente nunca mais, confiar em construções mentais. 

Todo pensamento na sua cabeça é uma mentira, porque o pensador por trás dele está mentindo; todas as certezas e incertezas, avaliações e conclusões, também. É uma mentira toda confiança que se dá nessas relações diversas, com coisas, pessoas e lugares; com sentimentos, emoções e pensamentos. Ou seja, todas as relações ligadas e atreladas a essa ilusão básica: a mente é uma falácia; tudo nela é uma mentira.

O que há de positivo nisso, em toda essa abordagem, que nos parece, tão negativa da vida? O que há de positivo nisso é que o agricultor, antes de semear a semente, tem que limpar, afofar e adubar a terra, além de tirar as pedras, deixando-a preparada para que a vida possa florescer, que a semente possa germinar ali. 

O que há de positivo é que a gente tem que limpar o "terreno", e é só o que a gente faz em Satsang: limpar o terreno, tirar o lixo e escombros, pois está ruindo, caindo, desabando tudo, e não podemos fazer nada. A gente vai tirando o que já desabou, caiu, vai limpando e fica olhando para aquilo que está caindo, desmontando, porque, ainda, não caiu tudo. Parece que a cada Satsang você tem uma surpresa com você mesmo, vendo o quanto ainda tem preconceitos e crenças instaladas no sistema, na "máquina"; os "programas" não podem rodar com facilidade, está cheio de vírus, e em cada Satsang você percebe o que está emperrado, o quanto ainda tem coisa emperrada aí. Parece que você tem que se dar tempo para ver isso.





*Fala transcrita em um encontro na cidade de Fortaleza em Junho de 2015

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A ilusão do destino




Participante: Mestre, em um trecho de uma fala de Ramana, ele fala que o único meio de você sair do destino é pela Realização. Ontem nós falamos um pouco do destino, que não faz sentido ter destino, uma vez que só existe o presente. Poderia falar um pouco mais sobre isso.

Mestre: O que, aí, vê presente, passado e futuro?

Participante: A mente!

Mestre: Presente, passado e futuro são coisas que a mente vê. Onde a mente aparece? Onde ela aparece como um fenômeno? Na Consciência. Só pode haver mente quando há Consciência de sua presença. Essa presença de tempo – de presente, passado e futuro – que chamamos de movimento mental, só pode ser percebida porque há uma Consciência que percebe. Então, onde está o determinismo, o livre-arbítrio ou o destino? Onde estão as aparições ligadas, atreladas, à noção de tempo e espaço? Onde isso está surgindo? Na mente, mas a mente só está presente nessa Consciência que percebe, nessa Consciência que está atrelada a destino, a não destino, a determinismo, a livre-arbítrio, a presente, passado, futuro... Então, quem aqui nasce? Quem aqui morre? Quem é que renasce? Quem vai para o céu, purgatório, inferno? Então, quem é que vive o destino ou o livre-arbítrio? Quem está reinando nisso? A mente.

Participante: Então, enquanto estivermos na mente, sim, existirá destino?

Mestre: A identificação com a mente, a Consciência perdida na ilusão de ser a mente, mantém a ilusão do destino. Então, o destino é tão real quanto a mente é real, enquanto ela for real. O renascimento, o céu, o purgatório, a morte, a reencarnação, isso tudo é tão real quanto a mente o é, enquanto ela assim for. Nós achamos que saímos do estado de sono para o estado de vigília, e depois voltamos a dormir e entramos no estado de sonho. Não é assim? Isso é real? Na mente é real, na Consciência não, porque o estado de vigília, o estado de sonho e o estado de sono profundo são a mesma Consciência, que é imutável, que presencia esses três estados, como presencia nascimento e morte, como presencia a reencarnação, o céu, o inferno e o purgatório. Então, não existe um estado depois do outro.  Isso implicaria a realidade do tempo, e a Consciência não conhece essa coisa chamada tempo. Assim, você não sai de um estado para o outro. Identificado com a mente, você está perdido na ilusão de estar existindo nesses três estados, quando, na verdade, você não existe. Você é aquilo no qual a existência aparece, o tempo aparece, o passado, o presente, o futuro, a vida pós-morte, a reencarnação, o céu, o inferno, o purgatório, o que quer que tenha que aparecer nessa mente maravilhosa em imaginar o seu mundo, a sua experiência particular.

Participante: A fala, então, é que a coisa toda está aqui e agora; mas não é aqui, é em toda a parte; não é agora, é fora do tempo. Então, são símbolos usados que a mente pega.

Mestre: São símbolos do tempo para definir algo nele. Esse algo nele, com os símbolos dele, faz parte da mente no tempo, na ilusão do tempo, na ilusão da imaginação do tempo e do espaço. É a mente que imagina o tempo e o espaço. A beleza deste encontro que vocês têm com o Guru, com o Mestre, em Satsang, é que vocês estão saindo da matrix, saindo do tempo. Vocês estão saindo dessa definição de pessoa que vocês acreditam ser. Isso tem significativas implicações. Uma delas é que você sempre resiste em aceitar que você não é uma pessoa. Você não é uma menina, não é um menino, não é mãe, não é pai, não é filho... Você não tem, e nem lhe faltam, coisas. Isso tudo está nessa implicação da ideia de ser alguém, que é só imaginação da mente. É a mente que produz o corpo, para desfrutar de suas imaginações. Essa pretensão dela é o ego, é o sentido de separação. Isso “escraviza” a Consciência nessa limitação de ser alguém e, então, cria-se essa contração nessa indiscutível Presença, que é Deus, que é Você, que é sua Natureza Real. Essa contração é o sentido de ser alguém capaz de determinar, controlar, realizar, para viver essa noção de tempo e espaço, e de medo – esse sentido de pessoa fazendo, controlando, realizando... Vocês teimam em segurar isso, em se confundir com o corpo dizendo “eu”. Todo o problema está aí: “eu”, “eu”, “eu”... na hora em que o corpo diz: “eu”. É assim.

Participante: Mestre, Annamalai dizia que aprendeu com Ramana essa coisa do destino, que desde a primeira até a última respiração, todo destino desse mecanismo, desse corpo-mente, já está traçado; que tudo que tiver que acontecer, vai acontecer, e tudo que não tiver que acontecer, também não vai acontecer. Aí um discípulo dele perguntou: “então, não há nada que se possa fazer, nunca?” Ele disse: “tem uma coisa que você pode fazer, e é a única: esse movimento em direção ao Despertar” – o que eles chamavam de autoinquirição. Enfim, esse “olhar para isso” nós procuramos fazer aqui, e ao mesmo tempo ouvimos você dizer que não podemos fazer nada. Será que você pode falar um pouco sobre isso, desse não poder fazer nada, ou dessa única coisa que podemos fazer?

Mestre: É... Você só tem isso para fazer, e você não pode fazer nada. A única coisa que você pode fazer é ficar quieto. Ficar quieto não é fácil para essa ilusão de ser alguém fazendo alguma coisa. Você não sabe, não percebeu ainda, mas todo meu trabalho com você é para aquietá-lo! É um trabalho enorme, e o trabalho é meu, não é seu! É para aquietar você... O único trabalho que você pode fazer é ficar quieto, mas você não faz, então eu tenho que fazer. Toda a noção que vocês têm é a noção do fazer. Seu único trabalho é o de não se confundir com a ideia de alguém na ação, e isto é ficar quieto; mas você não sabe o que é ficar quieto! Tudo que, hoje, você faz, tudo que eu o coloco para fazer, é para aquietá-lo, para você parar de se confundir com alguém que está sempre interpretando, querendo, desejando, buscando, determinando, escolhendo, etc. É assim.

*Fala transcrita a partir de um encontro Presencial na cidade de Itaipava - RJ em Junho de 2015

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A única possibilidade de a vida florescer



Mestre: Como falávamos agora, qual é o seu medo? É o medo comum, é o medo de algo ser tirado de você, não é? Mas o que pode ser tirado de você? Só o que não é você! E se pode ser tirado de você, um dia você vai perder mesmo. Então, não é melhor ficar sem isso logo, agora? Isto porque no dia em que você perder porque foi tirado, e não porque você entregou, a dor estará lá! É uma dor que vai se repetir porque você não tomou consciência daquilo que não era seu, e continuará acreditando que é seu. Mas, você quem? Então, o jogo continua - esse joguinho no tempo... Não é melhor cair fora do tempo, para não ter mais o que perder? Sim ou não? Enquanto houver o que pode ser perdido, "alguém" aí para perder. 

Participante: Mestre ouvi uma frase do Huberto Rohden, que fala isso: "Você tem que buscar a morte voluntária, antes da morte compulsória". 

Mestre: Bonito isso, não é? Aceitar a morte voluntária antes da morte compulsória, porque todos vão morrer, não é assim? A morte é parte do nascer! Se você não entregar voluntariamente, compulsoriamente, a morte tira. O que você prefere? Morrer antes de ser morto ou ser morto e ter que voltar a morrer de novo? E por quantas vezes? O que você prefere, assumir a Consciência de que você não nasceu ou continuar acreditando que precisa nascer vez, após vez, após vez, para resgatar o que perdeu? E quem é que faz isso? É você? Não, claro que não! É o sonho, é o sonhador no sonho, somente o sonhador no sonho... Agora há pouco, eu falei algo assim: que não tem o depois; você não sai daqui para dormir e daqui a pouco sonhar; então, você não sai daqui em um estado de vigília, depois vem o sono profundo, seguido do sonho... Não é assim - não há essa sequência de tempo. Essa sequência de tempo, toda ela, é somente o pensamento que produz. O pensamento adora produzir isso, porque esse é o trabalho dele. Então, não é melhor sair do sonho, ou melhor, não é melhor acordar e um sonho aparente continuar? Mas, em um sonho aparente, se você está acordado, não está mais como um sonhador dentro do sonho; se você está acordado, a morte compulsória não pode lhe tirar o que essa morte voluntária lhe abriu. Acompanham isso?

Então, é necessário morrer voluntariamente, antes de ser morto compulsoriamente; é melhor entregar a suposta vida, antes da fatalidade da morte alcançá-los. O que é que vocês estão fazendo aqui? Aceitando voluntariamente a morte! A morte vai matar esse “alguém” que estiver vivo, mas ela não pode alcançar a Vida! Então, é melhor a Vida do que ser “alguém vivo”, não? O que você prefere? A Vida é a própria Imortalidade! Imortalidade não porque se tornou eterna, e sim porque nunca conheceu a morte ou a vida; mas os vivos sempre vão conhecer a morte e serão mortos! Isso é inevitável.

Somente a Vida não conhece a morte! O Sábio é a Vida! Ele não pode morrer! Eu não vou morrer, Eu estou além da morte, Eu nunca nasci! Como vocês podem ter medo de Mim? A única coisa que não pode perturbá-los, o único que não pode perturbá-los, afligi-los é Esse que Sou, Esse “Eu Sou, O que Sou"! Eu falo do que está dentro e falo do que você, agora, olha e vê aqui do lado de fora: essa figurinha do Mestre. Eu não sou aquilo que possibilita a sua morte compulsória; Eu Sou Aquilo que possibilita a sua morte voluntária, que é a única possibilidade da Vida florescer, para Você nunca mais morrer! Por que quem morreria? Como pode Aquilo ou Aquele que não está vivo morrer? Só pode morrer o que é mortal, e só é mortal o que está vivo! A Vida não! Eu Sou a porta da Vida, nessa morte voluntária, do vivo que você acredita ser. E agora?

Ver-se como alguém vivo é temer o fim desse “ser vivo” que você acredita ser. Eu, aqui, nem um pouco me preocupo com aquilo que você acredita! Eu trato Daquilo que é “O que É”, e não com a crença de nenhum tipo! É assim e ponto final. Tudo isso é limitação, que é criada pela imaginação do pensamento; pensamentos que distinguem entre vivos e mortos, entre animados e inanimados, entre humanos, animais, vegetais e rochas... Mas é o pensamento que faz isso. "Solte o pensamento", eu digo; solte-o, deixe-o ser só o que ele é: uma imaginação sem o imaginador. Aí, acabam todas as crenças. (Silêncio)

Me fale sobre isso! Como é que você vê isso? Que espaço ficou agora, aí, para você? Você está com medo do que? Ficou espaço para que agora? Do que você pode ter medo? Quem é você? Alguém comente isso... Vamos lá...


Participante: Mestre, você disse que o estado de sono profundo é o Estado do Ser... 

Mestre: De vigília também, e o de sonho também, mas continue... 


Participante: Para mim, que não sou esse Ser no corpo, em vigília e em sonho, no sono profundo eu não lembro... 

Mestre: Quem diz “eu não lembro”? Quem está dizendo “eu não lembro”? 


Participante: A mente. 

Mestre: Ela estava lá? 


Participante: Acho que não. 

Mestre: Então, quem é que está respondendo agora? Quem está respondendo que não lembra, senão a mente? Pois eu concordo com você: a mente não estava lá, mas algo aí pode lembrá-lo de que a mente não estava lá. E o que é esse algo? É Aquilo que não muda! Percebe que ele está aqui no estado de vigília, também, assim como estava lá no sono profundo? Você não pode ser uma outra pessoa diferente da que dormiu, a noite passada, nem pode ser uma aqui e uma ontem, pela manhã, e uma nessa madrugada entrando em sono profundo; você tem que ser a mesma, percebe? O Ser permanece nos três estados. O Ser, através da mente, se lembra do estado de vigília e de sonho, e sem a mente se lembra de que não havia mente no estado de sono profundo. Não é genial? A mente é algo que aparece e desaparece, mas o Ser – não a mente – aparece no estado de vigília e no estado de sonho. Entretanto no estado de sono profundo a mente não tem o direito de aparecer, e Aquilo onde ela aparece permanece Imutável – o que é Ser Consciência! Você nunca deixa de Ser Consciência, e apenas sobrepõe uma crença à realidade desse, assim chamado, estado de vigília; sobrepõe-se à crença de uma entidade separada, que você chama de “eu”, mas esse “eu” não é real. 


Participante: Eu tenho a sensação de que "no sonho em vigília" a gente tem a experiência e isso parece que é o “eu”, mas, como no sono profundo, não tem experiência; parece que não tem nada.
Mestre: No sono profundo você tem a experiência da “não-experiência”, do fim de todas as experiências.


Participante: Isso dá medo.
Mestre: O que dá medo? Não ser "alguém"? Mas você nunca é "alguém". No sono profundo você tem algum medo?


Participante: Quando eu lembro que não teve nada, dá uma sensação estranha de vazio.
Mestre: Mas é medo, ou, pelo contrário, você ama dormir? Quem aqui não ama dormir? Você tanto ama desaparecer em um sono profundo, que coloca um travesseiro macio, cria todo um conforto para poder desaparecer! Você pode estar deitada ao lado do homem mais lindo do mundo, que é seu marido, ou a sua mulher, mas não quer mais saber dele, ou dela, porque você prefere desaparecer! A mãe ama a criança; quando está no colo dela, amamentando-a, ela adora sua criança – como vocês todos que adoram os seus filhos – mas, quando ela deita para dormir, manda todo mundo embora, livra-se de todos eles, não sente falta nenhuma deles, e dorme tranquila! Então, todos nós amamos o sono profundo, porque nele não há o experimentador de nenhuma experiência; só há a experiência do sono profundo, assim como, agora, só está acontecendo a experiência. Você é quem está criando a ilusão de que tem alguém nessa experiência do falar, do ver, do ouvir, mas nada alterou, nada mudou e tudo continua na mesma. Onde é que está o medo? O medo é uma ilusão do pensamento, que imagina o fim de uma entidade que ele mesmo inventou! É como se você tivesse medo do Pato Donald não existir ou do Mickey Mouse não ser real, do Zé carioca não ser o Zé Carioca... Então, você fica em uma confusão criada só pelo pensamento, mas você está sempre nessa clareza de Consciência, de “não-entidade”, de “não-pessoa”, no estado de vigília, no sonho e no sono profundo. Deu para acompanhar isso que estou dizendo?

A sua experiência do sono profundo é a experiência sem o experimentador, mas ela está lá! Não podemos negar a experiência! A experiência transcrita, revelada, descrita, é a experiência do experimentador, e essa é irreal! Toda experiência é irreal, quando há um eu para descrever aquilo, mas a experiência nela mesma era só experiência. O Ser, a Consciência, permanece como “O que É”, não importa se a ilusão de ser alguém está presente ou se essa ilusão termina. Você continua sendo Amor! Você já é Consciência, Você já é o Cristo, Você já é Deus. Seus medos não são seus medos, são os medos que a mente imagina.

Participante: A memória está atrelada à mente egoica? Se não tiver mente egoica, não existe memória?
Mestre: Se não tiver mente egoica, o experimentador na memória deixa de existir, mas a memória não. A memória tem toda a liberdade se ser o que ela é: só uma imaginação do pensamento... algo inofensivo. O experimentador nisso é que é aquele que quer ter continuidade no tempo, que é um fantasma, que é um personagem criado pelo pensamento. A memória não é o problema; a memória é uma função do cérebro. O cérebro precisa e depende da memória. A memória tem sua funcionalidade no tempo, onde o cérebro no corpo funciona, mas isso não é Você! Você não está na memória! O que você tem, agora e aí, como memória, é só uma imaginação do pensamento! Você não está nisso.

Vocês acreditam que têm filhos, mãe, pai, família... Vocês acreditam que moram em Recife, em São Paulo; vocês acreditam que moram lá... Lá onde? Onde está isso? Tudo imaginação... o poder da mente de criar um mundo separado! Assim, ela cria um mundo separado: cria seres para viver nesse mundo; cria filho, marido, mulher, casas, prédios, aviões para transportarem vocês de um lado para o outro. Vocês vieram em um suposto veículo chamado carro, vieram em um veículo, supostamente chamado, real, supostamente chamado carro e estão aqui como se tivessem mudado, saído de algum lugar!

Vocês não saíram do lugar! Ninguém saiu do lugar, nem está em lugar nenhum!

Não tem carro sem pensamento. Com o pensamento aparecem todos os lugares, seres animados e inanimados; os vivos, para morrerem... os que nascem... os que morrem; surge o medo de perder coisas... A projeção criada pelo pensamento “eu”...

Participante: Então é como a Matrix, mesmo?
Mestre: É Matrix mesmo, entretanto um pouquinho mais elaborado! Aquilo ali está fraco perto dessa Matrix aqui.

Participante: Tudo o que a gente conhece é o que é irreal. Por isso que dá medo, porque a gente não conhece a Verdade.
Mestre: Onde está o espaço para o medo? No sono profundo, você tem medo de que? Um doente terminal, quando acorda pela manhã e vê o corpo sendo consumido por um câncer, fica apavorado, porque ele "tem" muitas coisas. Ele "tem" muitas coisas porque não morreu voluntariamente antes da morte compulsória chegar, e, então, fica apavorado! Mas você, que já está entregando tudo, vai ter medo de que? Você vai ter medo de que? No sono profundo você tem medo de que? Como é que a Vida – que é sinônimo de Realidade, Consciência – pode ter medo? Medo de que? 
 

*fala extraída de um retiro ocorrido na cidade de Itaipava em Junho de 2015


Compartilhe com outros corações