sexta-feira, 17 de julho de 2015

Satsang significa Meditação


O que nós tratamos dentro de Satsang, o assunto que, de fato, nos interessa, não é algo que possamos definir ou descrever. Não podemos ter uma aproximação direta disso através de ideias. Assim, nossas falas são sempre limitadas.

É preciso a simplicidade natural de uma mente inteiramente aberta, pois, assim, ela se torna capaz dessa aproximação. É apenas a aproximação da investigação que nós, de fato, podemos ter dentro de Satsang. Nós podemos investigar isso, esse movimento confuso, esse movimento da mente. Aqui, uma mente aberta é uma mente desarmada, e essa é a simplicidade dessa aproximação. Dessa forma, o que ela pode fazer é se abrir para esta investigação, em simplicidade, e, quando isso acontece, essa limitação dela fica exposta. É quando, então, temos um toque real da Consciência, um toque real dessa Presença, nesse processo de desconstrução da mente em sua confusão e limitação.

Por muito tempo você tem se identificado com essa limitação, com essa confusão, com essa desordem, com toda essa tagarelice da mente. Você tem se identificado com esses pensamentos, sentimentos, sensações e emoções. Assim, neste momento, essa mente aberta significa o coração aberto, desarmado, para averiguar tudo isso, diante da constatação dessa inquietude, dessa limitação, dessa confusão. Com isso, acontece um rompimento, um desligamento, uma desidentificação da crença de um “eu” presente. Quando há essa desidentificação, esse mundo especial criado pelo pensamento, pelas imagens, por crenças, julgamentos, opiniões, desejos e por todo esse medo, desaparece. Nesse momento você se depara com o silêncio, com o fim da mente.

A natureza da mente é sempre estar ocupada, envolvida com alguma coisa. Assim é todo esse processo da imaginação. É esse o mundo que termina; o mundo que, quando constatado e visto, desaparece. Nesse momento, você pode repousar, descansar, no coração. Assim, essa abertura traz esse descanso, essa constatação permite o relaxamento e a quietude, e esse silêncio está dentro da Meditação.

Agora mesmo você pode acompanhar essa fala acontecendo, todas essas palavras sendo colocadas em Satsang. Quando você acompanha isso dessa forma, esse investigar, que é apenas um olhar sem pretensão alguma para esse movimento da mente, faz com que o sentido do “eu” fique inteiramente desarmado, e, sem resistência, ele termina desaparecendo.

Então, há este observar sem se confundir, sem se embolar com a mente. É como tomar ciência de que as nuvens no céu estão sempre passando... Enquanto o céu permanece, as nuvens passam. Assim, esse céu da Consciência, dessa Presença, desse Silêncio, dessa atenção sem qualquer escolha, permanece, enquanto pensamentos, sensações, sentimentos e emoções passam. Essa Meditação é o seu Estado Natural, que não está ligado a absolutamente nada. Assim, você permanece sem se ligar a pensamentos, ideias e crenças. Permanece como essa Presença que presencia tudo isso, agora mesmo, enquanto você está aqui.

Escutar essa fala é como se tornar ciente de um pensamento presente. Você é a Presença se tornando ciente desse pensamento; você é a Presença nesse ouvir dessa fala. Sempre, em Satsang, você está sendo conduzido a essa constatação do seu Estado Natural, que é Meditação. Satsang significa Meditação. Não se trata de refletir sobre ideias e pensamentos, mas sim permanecer desidentificado de ideias, crenças e pensamentos. Significa permanecer nesse silêncio do seu Estado Natural, agora, não mais preso a nenhuma ideia, nenhum pensamento, sentimento ou sensação particular. Isso significa estar neste testemunhar, além da ideia do testemunhar. Significa permanecer como Consciência, além da ideia de uma consciência – nesse estado sem pretensão.

Permaneça, neste momento, como Consciência presente, como Presença presente, sem intenção, desejo, motivo, ou tentativa de segurar alguma coisa... nessa lembrança sem pensamentos. Essa constatação é a lembrança desse silêncio presente, como Consciência do seu Estado Natural. Meditação é isso. Meditação é o seu Estado Natural.

O que todos anseiam profundamente é essa lembrança: a lembrança do Estado Natural, desse estado livre do medo, livre de conflitos, livre de todo esse desespero, de toda essa aflição, de toda essa resistência que o pensamento produz. Essa é a realização da liberação!

Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro, por mais este momento juntos. Até o próximo encontro.

*Extraído de um encontro online via Paltalk ocorrida no dia 15 de Julho de 2015 

 

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