sexta-feira, 3 de julho de 2015

Aquilo que é Real não pode desaparecer


Eu sei que é um pouco desafiador para vocês, e eu estou sendo bem modesto aqui, bem recatado em dizer que é um pouco desafiador. E eu quero jogar para vocês isso: é muito desafiador. Na verdade, é arrasador para vocês essa coisa de terem que ouvir essa fala em Satsang, escutar, se dispor a ouvir isso. Por incrível que pareça, isso se dá até involuntariamente, porque você não é voluntário para vir aqui. Tudo só está acontecendo a você. Por você mesmo, você nem viria aqui. Isso por quê?

Porque o seu desafio é descobrir que você não é confiável. Ou seja, não continue nessa ideia de que você tem escolhas, decisões, resoluções - e uma delas foi vir, ouvir e estar em Satsang. Então, é realmente uma "avalanche", nessa assim chamada "sua vida", esse tipo de encontro, porque isso entra fazendo "descer a montanha inteira". E você não sabe se sobrevive a isso, bem como se essa, assim conhecida, "sua vida" vai continuar ainda "sua vida", nesse padrão tão comum, tão ordinário, tão conhecido.

Relaxe Naquilo que você é, jamais confiando naquilo que você acredita ser, e, assim, fica simples aceitar aquilo que você também não pode rejeitar. Por terem tentado rejeitar isso durante todos esses anos, o conflito, o sofrimento, o medo, a ilusão e a ignorância acompanham cada um de vocês, isto porque vocês acreditam em si mesmos. Esse acreditar em si mesmo é ter crenças e ideias acerca de si próprio, além dessa autoconfiança, baseada toda ela na história mental que vocês chamam de "minha vida", a vida de cada um de vocês. Aí a gente se encontra aqui em Satsang por essa Presença, por essa Graça, por essa decisão que esta além de você.  

E você aqui escuta a importância de desistir, de não confiar, de não acreditar... a importância de relaxar no não saber, no não ser, no não ter segurança e confiança, no não ter crenças, para simplesmente ficar quieto. 

Ficar quieto... A fala em Satsang é um retrato do estado de Meditação, do estado de não mente, de não confiança, de não segurança, de não resolução, de não autoimagem. A fala em Satsang é ficar neste ponto, que é o ponto do "não ser", do "não saber", do "não ter", do "não segurar". E isso é algo semelhante a uma avalanche, que chega rolando e aumentando na razão em que desce, e que, como numa montanha, passa sobre você, sem nenhuma garantia de que você vai sobreviver, manter-se ainda com vida. Que assim seja, e que assim seja...

Alguns ficam um tanto fascinados com essa coisa chamada Despertar, Realização, Iluminação... Fascinados só enquanto estão ocupados com leituras, lendo os livros, criando uma enorme quantidade de fantasias a respeito disso. A pessoa acha que, a esse estado conflituoso, estreito, medíocre, infeliz e miserável de existência, nessa autossegurança, autoconfiança e autoimagem, somará o chamado Estado de Iluminação, que é o Estado Glorioso de Beatitude, Paz, Alegria, Felicidade, Liberdade. 

Pura fantasia! Pura fantasia! Você não pode acrescentar a essa ilusão, que você acredita ser, algo que seja real. 

Aqui, não se trata de encontrar alguma coisa e acrescentar Isso, que você encontrou, àquilo que você acredita ser, mas de despir-se, largar-se, nesse olhar direto de que tudo isso é uma grande ilusão. E quando há o desfazer completo desse sentido de "ser alguém", de ter alguma coisa, dessa autoconfiança, dessa autoimagem, ou seja, quando tudo isso cai, desaparece, nesse constatar, aí sim Aquilo que Você é aparece, porque a "avalanche" desceu e pôs fim a esse estado chamado "minha vida". Assim, Aquilo que É realmente floresce, desponta, desperta, e Isso é Você em beatitude, em paz e em silêncio, em liberdade, em felicidade. 

Isso é Você, quando você não tem mais nada, não sabe mais nada, não confia em mais nada, não precisa acreditar em mais nada, e quando não precisa configurar, a partir de si mesmo, uma imagem de "ser alguém".
 
Aí, pronto! Está tudo certo, no seu lugar, porque tudo é o que é, nisto que Você é. E nisto que Você é, tudo está no seu lugar, a vida é Paz, Liberdade, Amor e Beatitude. E isso é Realização, isso é o Despertar; é a completude no seu Estado Natural de ser. Isso é você, e você é Isso. 

Então, deixe essa "avalanche" vir, permita essa assim chamada "sua vida" desaparecer no meio de tudo isso. Aquilo que é real não pode desaparecer. Se algo pode desaparecer é porque apareceu um dia, então não é real.

Você, em sua Natureza Real, é imperecível, jamais apareceu e, portanto, jamais poderá desaparecer. Aquilo que você é como Vida Real não pode vir e ir, não pode nascer e morrer. 

Essa constatação Daquilo que você é, é tudo... É tudo... É tudo...


*Trecho de um fala de um encontro em Junho de 2012

 

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