segunda-feira, 27 de julho de 2015

A Voz do Silêncio


Não há mais qualquer possibilidade  de constatação quando nossas convicções estão presentes. Assim, fica impossível a investigação de nossas certezas. Afinal, elas são a prova suficiente de que precisamos.

É assim que paramos de ouvir e questionar nossas próprias experiências, conclusões e motivos. O que não percebemos é que já fomos capturados pelo conhecimento de uma "verdade",  pela força da própria autoridade, e estamos dispostos a provar a outros aquilo em que confiamos como sendo bastante real.

Isso é válido para todos os lados na discussão, nessa troca de meras palavras. Enquanto que a liberdade da Verdade, do Silêncio, do Ser, não se encontra no terreno das palavras, mas se mantém quieta e sem nenhuma necessidade de força de expressão, pois não tem qualquer desejo de afirmar, convencer ou provar qualquer coisa. Como teria? Tudo isso é ainda mental. É aí que se mantém a força da mente egoica, que transformou palavras em certezas, e convictas afirmações, puramente verbais, em "sabedoria", mas que não passam pelo verdadeiro teste do viver.

Nosso propósito, nestes encontros, não é o de polemizar, provar, afirmar ou convencer, e sim ver a futilidade dessa habilidade do intelecto, que se torna um maravilhoso instrumento de refúgio para essa ilusão, a ilusão do "eu", e que agora é um "não-eu"  sábio, entendido e realizado. 

Assim, lhe recomendamos: se o seu real interesse é o Silêncio da investigação, seja bem-vindo ao Satsang. Esse espaço tem apenas esse único propósito. Esses encontros são apenas para essa investigação dos truques de continuidade da "mente". Portanto, quando não sabemos, podemos ouvir; no entanto, quando já sabemos, não estamos mais para ouvir, e sim para ensinar, e/ou ver confirmadas as nossas ideias. Mas, para aqueles que não se importam em saber, e sim em investigar, é o seu momento em Satsang, onde o propósito não é esse de ensinar, aprender ou debater experiências e ideias.

Aqui, nossa ênfase é o silêncio, e não as palavras; é o não-saber ao invés do saber; a não-certeza no lugar da certeza; é a não-mente no lugar da mente. Aqui, o silêncio na autoinvestigação, meditação e entrega é altamente considerado. Assim, faça perguntas e traga sugestões de falas, mas se já tem as respostas para suas perguntas - e plena certeza delas - não é preciso fazer qualquer pergunta. Ou se o que quer mesmo é mais conhecimento, também não faça perguntas, porque não nos ocupamos com o saber e não temos interesse em conhecimentos. Os livros estão cheios deles. Além disso, se sua intenção é a de polemizar e provar o poder e a força de seus argumentos, Satsang não é o lugar indicado.

*Fala extraída de um encontro presencial em Março de 2013

 

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