sexta-feira, 24 de julho de 2015

A vida é um desafio?

Esses encontros nos mostram qual deve ser a nossa atitude, qual a resposta que precisamos ter a esse desafio que é viver (para a maioria de nós é um grande desafio). 

Satsang significa encontro com a Verdade, e é uma oportunidade que nós temos de confrontar esse desafio. A vida, em si, não é um desafio, mas para a maioria de nós ela assim se constitui, e continuará dessa maneira por um bom tempo, até que compreendamos como atender de uma forma adequada esse desafio, até que ela não seja mais isso. Para o sábio, a vida não é um desafio. 

O desafio é aquela proposta para a qual temos que encontrar uma adequação. Assim é a vida para a maioria de nós. No caso do sábio, aquele que está assentado em sua Natureza Real, assentado em Si mesmo, assentado em seu próprio Ser, nessa Consciência, nessa Presença, a vida não é um desafio, a vida é uma misteriosa Graça, uma misteriosa celebração divina. Até que isso se revele dessa forma para cada um de vocês, estaremos em Satsang trabalhando essa aproximação real. 

A maioria se encontra nessa posição. É uma posição de espanto, e não de admiração. A vida, como um mistério, como uma Graça Divina, é uma admiração, enquanto que, como desafio, é um espanto. A posição da mente é sempre a posição do susto, é a posição da perplexidade. Para a mente, a vida é uma coisa que espanta, que assusta, que apavora, que amedronta, daí tanta luta - a luta da vida. 

Na não-mente há festa; na mente há luta. Na não-mente há celebração e dança; na mente há luta, dor, medo e conflito. Esse é o desafio: ir além dessa condição comum à mente, a este "eu". Aqui, a liberdade de se deparar com pensamentos e com condicionamentos, crenças, opiniões, ideias, julgamentos, sem firmar uma identidade em tudo isso, é um grande desafio. 

Geralmente, este "eu", este "ego", esta ilusória identidade é um cabide, onde toda essa roupa é pendurada, uma espécie de gancho, onde todo tipo de coisa vem sendo pendurada. As crenças, os conceitos, os preconceitos, os desejos, os medos, as opiniões, os julgamentos, os condicionamentos, todos são pendurados nesse cabide, ou apoiados nesse gancho. Esse gancho é essa ilusão de uma identidade presente para viver tudo isto. 

Enquanto essa ilusão, esse condicionamento, esses pensamentos, crenças, julgamentos, e assim por diante, permanecerem, então lá estarão o cabide e suas roupas, o gancho e as suas coisas penduradas. Dessa forma, a vida é difícil, uma tarefa árdua, uma batalha, uma constante busca de preenchimento e realização pessoal. A tentativa de vencer, de ganhar, e todo o medo estão presentes nessa coisa toda, e este é todo o desespero humano, toda miséria humana. 

Você, definitivamente, não é obrigado a isso, a viver dessa forma, a conhecer a vida apenas dessa forma. Essa é a maneira comum. Se não estiverem atentos, percebendo a importância desse despertar, dessa realização, tudo se manterá da mesma forma pelos próximos 20, 40 ou 50 anos. Sem o despertar, o que prevalece é a inconsciência. Nessa inconsciência, essa ilusão sustenta tudo isso... uma vida sem amor, sem liberdade, sem sabedoria, sem felicidade. 

Em seu Ser, você é livre! Portanto, você não é obrigado a continuar sustentando toda essa miséria, a vida nesse formato estreito e tão medíocre. A única porta para o fim dessa ilusão, de toda essa miséria, de todo esse conflito, desespero e luta, de todo esse desafio da vida, está nesse Despertar. 

Isso significa estar em seu Estado Natural. Significa constatar a si mesmo em seu Estado Natural, em seu Estado Real, além da mente, como pura Consciência, sem esse cabide, ou esse gancho, que sustenta essa identificação com essa programação. Então, é possível a vida, não como um espanto, como um susto, como uma luta, como o medo, mas como admiração, celebração, em seu mistério, como pura Graça. Ou essa liberdade nessa Consciência, ou, nessa inconsciência, o medo. Quando a vida é real, não há morte. Quando a vida é real, a morte acontece momento a momento... a morte da ilusão, a morte desse sentido de separação, a morte do espanto, a morte da morte. A morte da morte é a vida sem morte, a Vida Real. Só pode morrer, desaparecer, terminar, aquilo que não é real. Essa é a morte da morte! A Vida Real é isso! Sem a ilusão de se identificar com o corpo, com uma história pessoal atrelada a um nome, aquilo que está presente é a Vida, e ela não está localizada, não está situada em crenças e condicionamentos, ou em pensamentos; ela não está em um suporte como um gancho, como um cabide, ela está além disso, livre de tudo isso, sem princípio e sem fim. Essa é a Vida Real, além dos opostos viver e morrer, aparecer e desaparecer. 

Alguma pergunta? 

Essa vida em celebração, a Vida Real, a vida em admiração, é algo fora da noção de tempo e espaço, dessa noção mental de localização. Nesse sentido, não é mais um desafio, não carrega toda essa complexidade, toda essa inquietude, agitação e estresse, toda essa inveja e ambição. Em seu próprio ritmo, em seu próprio movimento, a vida flui sem qualquer esforço, sem qualquer obstáculo, sem qualquer dificuldade.  Essa impessoal, indescritível e anônima Consciência se apresenta nisto, que aqui estamos chamando de vida.

Tudo isso se revela nesse despertar, nessa realização, nessa constatação, nisso que Você é, além do corpo e da mente. 

Participante: Mestre, não sei como deixar de fazer isso, de sustentar toda essa farsa de ser alguém, que me cansa tanto. Já estou saturada de fazer isso, e não sei como não fazer.

Mestre Gualberto: Todo esse fazer é automático. Não há como deixar de fazer isso enquanto a ilusão de autoria estiver presente. Enquanto você continuar acreditando que está aí dentro do corpo, não há como deixar de se comportar como "alguém" acreditando fazer alguma coisa. Aqui, a primeira coisa é abandonar essa ilusão, mesmo que a princípio isso seja visto apenas através de uma aproximação intelectual. Se puder aceitar o fato de que você não é o nome e esse corpo, de que você não controla absolutamente nada... o coração está batendo, a respiração e a digestão acontecendo, o sono vem quando quer, os pensamentos aparecem e você não escolhe; os sentimentos também vem e vão, e você não pode se livrar deles quando quer, nem controlá-los, assim como não pode controlar as batidas do coração, a digestão, o momento de ir ao banheiro... se puder ao menos ficar com essa base tão clara de que há algo que move esse mecanismo, esse organismo, e que esse você aí fazendo isso é só uma ilusão, já é um ótimo começo. Se pode aceitar isso, para começar, só lhe resta agora investigar toda essa ilusão do condicionamento, das crenças, das opiniões, das ideias. Assim, você investiga esse Eu Sou, que é a sua Natureza Real.

Aqui, a questão é que você não pode fazer isso sozinho, ou já teria feito. Portanto, venha ao Satsang. 

Participante: Estarei em Sampa.

Mestre Gualberto: Ótimo! Faça isso!  Todo esse trabalho é da Graça. Nesse sentido, o trabalho não é seu, é do Mestre. Eu costumo dizer que o único trabalho que vocês fazem é o trabalho de atrapalhar. Vocês conseguem atrapalhar bastante isso, são ótimos para atrapalhar essa coisa. Fazem isso muito bem. 

Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro. Namastê!
 *Fala ocorrida durante um encontro online via Paltalk no dia 22 de Julho de 2015

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