terça-feira, 28 de julho de 2015

A verdade da vida

Estamos mais uma vez juntos.

Este trabalho aponta para algo muito simples, muito direto, e por ser algo tão simples e direto nós não conseguimos admitir, tomar ciência disto. Quando nós falamos da realidade, da verdade, estamos apontando para algo direto, e muito, muito, simples. A verdade é algo muito simples e direto. Por que não conseguimos admitir isso?

Um dia uma mulher, com a idade aproximada de 25 anos, havia acabado de perder sua filha, bem jovem, que teve um ataque do coração e faleceu. Essa jovem senhora, que era uma devota fervorosa de Ramana Maharshi, de repente foi assaltada por uma forte dor, uma grande tristeza, e procurou por Ele. No Ashram, entre o meio dia e duas horas da tarde, eles deixavam Ramana sozinho, pois era um momento que Ele ficava descansando, após o almoço, e foi a hora que ela chegou ali. Havia uma proibição, do pessoal, de entrarem na sala nesse horário, e ela teria que ir embora logo. Como ela não tinha condições de ficar na parte da tarde, entrou no salão. Ramana estava de olhos fechados, ela se aproximou, e ele continuou de olhos fechados, e, em meio aquela dor de ter perdido sua filha, ela perguntou a Ramana: _ Onde está Deus? Onde, Mestre? Onde está Deus? Ramana permaneceu, aproximadamente, por mais quinze minutos de olhos fechados e, sem abrir os olhos, falou bem baixinho: _ Deus é aquilo que acontece.

Eu li esta história hoje e é algo, de fato, muito claro. A resposta de Ramana foi: Deus é aquilo que acontece. Aqui, nós nos deparamos com uma afirmação muito simples, bastante real, e que a mente não pode admitir, porque a natureza do pensamento é sobrepor a realidade deste instante às suas ideias, às suas imagens, ao seu padrão de realidade.

Neste encontro, neste espaço, neste momento, eu convido você a ficar com aquilo que é direto, simples e real. O que é real é: Deus é o que É. Se você puder ficar, neste instante, sem nenhum pensamento diante daquilo que acontecer, você estará diante da Verdade. A Verdade só pode ser o que acontece neste instante, neste presente momento. A natureza da mente é conflitar com isto; é sobrepor a isto uma imagem, uma crença, e essa imaginação é a natureza da mente. É o pensamento que diz se as coisas estão no lugar ou fora do lugar, e que as coisas não deveriam ser como elas são. É o pensamento que conflita com a realidade presente, com a realidade deste instante. Conflitar com a realidade deste instante é resistir, e essa resistência faz surgir um cenário na ilusão da separação entre “o que é” e “o que deveria ser”; a ilusão da imaginação entre “aquilo que é” e “o que poderia ter sido”, ou “que poderá ser”.

É assim que funcionamos, quando nós nos identificamos com o pensamento. Quando se identifica com o pensamento, você perde a visão da realidade, a simples e direta visão daquilo que acontece. Não há verdade nisso, não há liberdade nisso, não há paz nisso, não há inteligência nisso. Nesse mundo das formas, nesse mundo de aparições, as formas estão tomando novas formas e as aparições estão desaparecendo. Essa é a realidade de Deus. Portanto, se o pensamento não aparece para traduzir isto em seus termos, em suas próprias condições, dentro de suas avaliações, o conflito não surge, o sofrimento não surge e o medo não se levanta.

Satsang é um encontro com O que é. Satsang é um encontro com a Realidade. Satsang é um encontro com Deus. É tomar ciência da Verdade, da única Realidade presente fora do pensamento. Aqui reside a Liberação, o fim da ilusão da ignorância. A ignorância aparece como uma ilusão, que é essa ilusão da sobreposição do pensamento à realidade. Sem a sobreposição do pensamento à realidade, não há ignorância, não há sofrimento, não há medo. O medo é fruto da resistência, que nada mais é que uma avaliação, um julgamento, uma interpretação da realidade presente, que é algo que o pensamento faz, e se isto não está o medo não está. Quando o medo e a ilusão não estão presentes, Deus é a Verdade, e a Verdade é Amor, é Paz, é Felicidade.

A constatação e a vivência direta de tudo isso, que é tão simples, tão natural, é Meditação, que é não se confundir com o pensamento, nem dar mais qualquer confiança a ele. É abandonar as convicções e as certezas, das quais o ego tanto se orgulha; é abandonar a segurança das experiências, a arrogância que o conhecimento dá, toda a vaidade do saber e o poder da imaginação. Meditação é abandonar todas as crenças... É ter uma aproximação nova, real, daquilo que acontece.

O que estou dizendo é que as coisas são como são, e “o que acontece” acontece, porque acontece. A vida não lhe dá nenhuma satisfação. A Verdade não tem nenhum interesse de preencher suas expectativas e seus desejos - isto é pura arrogância, é pura ignorância. Esta é a tal da ignorância, que tem base na ilusão. Não pense sobre a vida, viva. Viver é algo muito simples. Pensar sobre a vida é algo muito complicado. Aquilo que é complexo é complicado. Aquilo que é simples é natural. Pensar sobre a vida é pura complicação e isso requer muito esforço... O esforço para ser infeliz, para ser miserável. Felicidade é a arte de Ser, e isto significa não pensar sobre a vida, apenas viver. Viver sem pensar sobre a vida é a arte da felicidade. É algo natural demais para a mente egoica, para a mente treinada em sua arrogância, em sua expertise, em suas experiências e conhecimento.

Assim, eu quero concluir essa fala dizendo isto: “Deus é O que é. E O que é, é o que acontece”. Não pense sobre isso... Não pense sobre isso.

Namastê!

*Fala de um encontro online via Paltalk no dia 27 de Julho de 2015
Encontros online às segundas, quartas e sextas às 22h - Participe

 

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