domingo, 21 de junho de 2015

Isso não existe no Estado Natural - Satsang


Participante: O Mestre tinha dito que é tudo, e que está em todo lugar. Como fica essa relação com os olhos do corpo? O Acordado não precisa dos olhos do corpo? O Acordado, então, não precisa dos olhos. Se o corpo ficar cego ou, então, se ficar de olhos fechados... Como fica essa visão do mundo para um Acordado? Mestre, se você vê a partir dos olhos, como você se vê sendo essa planta, essa parede, tudo isso?
Mestre Gualberto: Os sentidos físicos em nós não são diferentes dos sentidos físicos de um Acordado. Então, essa percepção sensorial do mundo é a mesma em todos. Eu vejo o mundo como você vê. Eu escuto os sons como você escuta.
Eu sou cego e eu vejo tudo. Como Consciência eu vejo tudo, como Consciência eu sou cego. Na Consciência tudo é visto, na Consciência nada é visto. Ela só vê a Si mesma. Como é que eu vejo tudo em mim? Porque eu não vejo nada separado desse mundo que Eu sou.
Por isso que tudo é visto em mim, mas não tem coisas do lado de fora. Aí é que a sua pergunta fica clara. Eu não vejo essa planta do lado de fora, eu a vejo nesse “Eu Sou”. Nesse “Eu sou” não tem “eu” do outro lado, só tem “Eu Sou”. Isso é a Consciência. Mas isso não é no meu caso em particular, é no caso de todos vocês. É que vocês sobrepõem à realidade da visão do que se apresenta uma suposta entidade na experiência. Isso já não existe mais aqui. Então, foi isso que caiu fora.
Você é a mesma Consciência que eu Sou. A mesma percepção do mundo, da vida e de tudo à sua volta é a que eu tenho. A diferença é que não há um experimentador aqui na experiência do ver, do ouvir, do falar e do sentir. Só tem o sentir, o falar e o ouvir...
Participante: Não tem interpretação?
Mestre Gualberto: Nenhuma!
Pergunta: Mas o Senhor vê a partir dos seus olhos? Desse mecanismo?
Mestre Gualberto: Não, eu não vejo a partir dos meus olhos, há só o olhar. Nesse olhar, o que parece estar lá é você. O que parece é irrelevante, nesse sentido de que sou “cego”, e é tudo no sentido de que “sou Eu”.
Eu estou falando de forma diferente a mesma coisa que acabei de dizer agora há pouco. Eu sou cego, não vejo nada, e eu estou vendo tudo. O tempo todo, e em momento algum, eu não estou vendo nada. Eu não estou vendo nada em momento algum, e eu estou vendo tudo o tempo todo nessa Consciência, da qual não tem nada separado. Isso sou Eu. Mas Isso não sou Eu, Isso é Você!
Essa sequência de interpretar a vida, essa sequência de interpretação, não existe aqui. Eu não estou interpretando nada, não estou vendo nada através de uma interpretação. Não tem um experimentador interpretando, é só uma coisa acontecendo, como essa fala. Não tem alguém falando. O sentido de dualismo ou de separatividade é só isso.
Agora, quem aí está me vendo aqui? Tem alguém me vendo? Tem alguém me ouvindo? Não! Só tem o ouvir e o ver. Nesse sentido, esse ouvir e ver é surdo e cego, porque não tem o experimentador. Então, quando você pergunta assim: Você está vendo tudo? Eu estou cego para tudo o tempo todo. Eu sou tudo, então eu não tenho o que ver. Eu sou tudo, não tem um experimentador nesse ver, não tem um experimentador nesse ouvir.
O sentido de separação, que é o sentido do “eu”, do ego, do "mim", da pessoa, é a crença de que tem alguém aí, que está sempre classificando, julgando, comparando a experiência, dizendo "gosto", "não gosto", "isso está certo", "isso está errado". Isso não existe no Estado Natural. 

*Extraído de uma fala de um encontro presencial em dezembro de 2013 em São Paulo 

 

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