sexta-feira, 19 de junho de 2015

Isso não é algo que possa ser conquistado




Nós não vamos conseguir obter isso! É a primeira coisa a ser dita aqui para vocês. Isso não é algo que possamos obter, como alguma coisa que ganhamos na vida e a fazemos ser nossa. Então, não se faz necessário trilharmos um caminho, adotarmos algum método, alguma disciplina, nos ajustarmos a algum sistema, a alguma linha de conduta, porque isso não é algo que possa ser conquistado, obtido.

Então, a nossa primeira intenção aqui deve ser examinar isso, senão entraremos nessa ilusão de que algo precisa ser feito, e é aí que falhamos, porque a natureza da mente é ser aquisitiva – em sua insatisfação natural, ela busca uma satisfação na aquisição. Ela, que agora acredita desprezar a aquisição mundana, busca a aquisição espiritual, fazendo-nos cair nessa armadilha da busca, de caminhar em uma trilha, adotar alguma prática, alguma disciplina, para poder realizar Isso. E nada melhor para a mente do que se apoiar nos escritos e nas palavras daqueles que a própria mente pressupõe que “realizaram” Isso, que “conquistaram” Isso, para sustentar essa tese que ela tem de que precisa fazer algo.

Não sei se vocês vão conseguir agora ver o quanto isso é simples comigo. É preciso simplicidade para que a simplicidade possa ser constatada. Nós queremos aplicar nisso aqui as mesmas técnicas, os mesmos meios que utilizamos para realizar alguma coisa do “lado de fora”, como disciplina, esforço, dedicação, estudo, aprimoramento... Nós acreditamos que Realização seja também algo assim e, então, a mente se aplica ao estudo dos livros sagrados, ao estudo das escrituras. Como é inútil isso! Talvez você pergunte: por que é inútil? Pela mesma razão porque isso não pode ser conquistado. É simplesmente inútil porque você já é Aquilo que procura do lado de fora; porque não há como você conquistar Isso que você já é. Não é necessário. A mente só conhece acúmulo, coleção, ajuntamento de mais e mais informações, experiências, conhecimentos... A natureza da mente é caminhar para algum lugar, se mover do ponto A ao ponto B. Por isso, ela fica profundamente desorientada quando falamos disso aqui, porque isso quebra toda a sua ambição e apela para um novo modo de aproximação. Aqui, se trata de olharmos isso por nós mesmos, para compreendermos Aquilo que somos aqui, neste instante.

Não temos que nos mover um milímetro, não temos que abarrotar nosso cérebro com informações sobre o que disse Jesus, Krishna, Buda, Osho, Ramana, Krishnamurti, ou qualquer outro. Na realidade, é preciso um esvaziamento desse conteúdo, de todas essas teorias. É sobre isso que estamos falando: dessa verificação direta, dessa compreensão direta daquilo que Você é agora. É a sua vivência, o seu experimentar, o seu dizer, o seu sentir... É o seu Ser! É isso que Você é!

Assim, não se trata de encontrar isso do lado de fora, de realizar isso por um método, um caminho, uma técnica, uma disciplina. É algo simples assim, algo encontrado agora, aqui, neste instante, neste momento, quando olhamos para dentro de nós, para aquilo que se passa em nossa mente e em nosso coração.

Não há nenhuma necessidade de ouvir outros sobre isso, de ler isso em alguma parte, em algum lugar. Isso não vai dar certo, não vai funcionar. Nosso desafio aqui é o contato direto consigo mesmo, com aquilo que você é nessa relação com o mundo à sua volta, com eventos, situações e pessoas. Esse é o seu espaço de descoberta, o seu templo, o seu lugar sagrado de encontro com a Verdade Divina, e não os livros, conferências, palestras. O seu Satsang real é esse encontro que você tem com Aquilo que Você é. O encontro consigo mesmo é o seu verdadeiro Satsang.

Então, mais uma vez, eu quero dizer isso a você: nada a conquistar, nada a realizar, nada a obter. Ninguém pode lhe dar isso. Não são as palavras de Buda, de Jesus, de Krishna, de Ramakrishna, Ramana Maharshi, Krishnamurti, ou Osho, ou de quem quer que seja. É o seu momento, é a sua descoberta, é a sua constatação, sua realização. É você mesmo com você próprio, agora mesmo, aqui mesmo. É isso aí.

*Extraído de um encontro no mês de Março de 2012 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações