quarta-feira, 3 de junho de 2015

Isso É Algo Maravilhoso - Satsang

Quando você olha de forma cuidadosa e atenciosa, consegue perceber o que você tem sido, o que está sendo, a prisão que é a “mente”, e, então, tem uma real possibilidade de se livrar disso. Mas, se não se atentar para isso, se não olhar para isso com esse olhar direto, continuará nessa atitude autocentrada, autodefensiva, autorreservada, autoprotetora.

Essa é a famosa atitude egocêntrica, centrada nos seus próprios desejos, na sua própria vontade, no seu próprio querer, no intuito de ajustar o mundo à sua volta. E, quando eu digo “mundo”, estou me referindo às situações e aos outros, à forma que você quer que eles sejam. Nessa atitude, você quer ser senhor deles, de tudo, estar no controle de tudo.

Portanto, essa atitude egocêntrica é profundamente violenta, e produz, naturalmente, esse autoisolamento, esse isolacionismo, que depois é reclamado como solidão. A mente, assim, acredita que essa solidão é algo que está do lado de fora, enquanto que, na verdade, é algo que está dentro, nascido dessa mesma atitude, desse mesmo tipo de postura.

Então, o que é que está sendo visto aqui? A possibilidade de você abrir mão disso. Sempre uso uma expressão assim, ou parecida, como: “largar”, “deixar”, “abandonar”, “livrar-se”... É esse o significado. Não é o esforço de “alguém” em fazer, mas é a constatação da presença disso. A própria constatação “quebra” isso, desfaz esse padrão, “cria” essa liberdade. É o que significa “abrir mão”, “largar”, “deixar”, “abandonar”.

Você não precisa de nenhum elemento externo lhe apontando isso. Se não houver essa atitude interna cuidadosa de observar, de ver, você também não dará ouvidos a nenhum elemento externo lhe apontando isso. Nada que alguém lhe aponte servirá, pois você é que tem que ver isso, que tem que enxergar isso em você, dentro de você, por si mesmo. Assim, essa atitude cuidadosa de ver desfaz isso, mas se não há essa atitude cuidadosa, tudo se mantém; esse sentido de personalidade, de "alguém" controlando, manipulando, ajustando, continua. Está acompanhando? Quando você vê isso – não quando alguém lhe aponta – e, nesse constatar, tem a disposição de não dar continuidade a esse tipo de atitude, então esse sentido de alguém “quebra”, “parte”, é anulado. Isso é algo maravilhoso!

Você só é livre quando assume a sua liberdade, o que significa assumir a sua Verdade, a sua Real Natureza, a Verdade que é Você, não essa mentira, essa fraude, esse embuste, essa ilusão, esse padrão, esse condicionamento. Repare o quanto isso é profundo e, ao mesmo tempo, simples. O laboratório é você, e tudo que está presente nele também. Tudo que é utilizado no laboratório está aí, já pronto, e o cientista é você, descobrindo por si mesmo, olhando por si mesmo, vendo por si mesmo: “quem sou eu?”

E, assim, perceba onde esse sentido do “eu” se faz presente, nessa conhecida “sua” vida, nesses “seus” relacionamentos, “seus” posicionamentos, “seus” desejos, “seu” poder, “suas” resoluções. No momento em que isso é visto, nesse mesmo momento, isso termina, porque essa atenção presente, esse cuidado presente, esse envolvimento total da mente e do coração nesse trabalho, põe fim a esse padrão, a esse condicionamento, a esse projeto de autoexpressão habitual.


*Extraído de uma fala de um encontro Presencial em Março de 2012 

 

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