quinta-feira, 25 de junho de 2015

Investigando a Natureza da Ilusão


Muito bom estarmos juntos mais uma vez nesse encontro aqui pelo Paltalk. Nós estamos investigando a natureza da ilusão. Essas falas em Satsang, todas elas, estão apontando para a Realidade, para a Verdade. 

Satsang significa encontro com o que É, encontro com a Verdade. No entanto, esse encontro com a Verdade é a investigação da natureza da ilusão. Investigamos a natureza da realidade presente, momento a momento. Então, nós estamos investigando essa realidade virtual que a mente está constantemente fazendo brotar. As pessoas estão sempre vivendo nessa confusão, se identificando com essa verdade virtual, que é aquilo que a mente está fazendo aparecer. Nós chamamos isso de “viver neste sono”, viver nessa identificação com essas aparições virtuais. Estamos dando realidade a todas essas aparições. A pessoa se sente em sua realidade virtual, nessa realidade que a mente egoica faz brotar; sente-se filho, marido, pai, irmão, mãe, filha, avóEssa é a verdade da mente.

O sentimento de “pessoa” é forte para esse organismo, esse mecanismo, esse corpo-mente. Nessa realidade virtual que a mente faz brotar, em alguns momentos estamos tristes, e, no momento seguinte, alegres; em outros momentos estamos de bom humor, ou de mau humor. Nessa realidade virtual que a mente faz brotar, nós temos certezas e incertezas, nós sabemos e não sabemos, e assim nos sentimos especiais, para mais ou para menos. Especial para mais é quando estamos nos sentindo poderosos, hábeis, capazes, inteligentes; e para menos é quando nos sentimos incapazes, ineficazes, impotentes, vencidos.

Essa é a realidade da mente: aceita alguns e rejeita outros; gosta de uns e não gosta de outros; tem amigos e tem inimigos. E tudo isso nesse mundo virtual da mentea mente e o seu mundo, privado, particulara mente e o seu mundo pessoal. A mente é a “pessoa”, a “pessoa” é a mente, acontecendo sem tomar nenhum conhecimento desse mundo virtual, particular, privado, mental e pessoal. É nele que você está em miséria, sofrendo; é nele que você se sente diminuído ou grande, sábio ou tolo. A alta autoestima faz parte disso, e a baixa autoestima também, bem como o sentido de abandono, de solidão, de rejeição; tanto a depressão quanto a ansiedade fazem parte disso.

Podemos ficar analisando cada um desses sentimentos, e mesmo toda essa análise também faz parte disso, porque é a mente analisando, estudando, conhecendo e explicando a mente. Os terapeutas se ocupam com isso, e terapia significa a mente sendo tratada, cuidada e restabelecida. Quando ela é restabelecida, esse restabelecimento da mente significa “uma mente mais saudável, mais equilibrada”; em outras palavras, um mundo virtual mental mais harmonioso, menos estressante, menos infeliz. Então, ficamos num círculo, num círculo vicioso de repetição. Podemos ter um ego mais saudável, mais equilibrado, menos estressado, mas a ilusão continua, esta que é a ilusão desse mundo mental separado da realidade, dessa mente separada da realidade. E, aqui, “separada da realidade” significa fazendo uma interpretação, uma leitura, particularizando experiências, sendo pessoal em suas experiências. Nesse gostar ou não gostar, querer ou não querer, nessas escolhas e trocas, trocamos do tênis para o sapato, os tipos de camisa, as cores da bermuda, e assim trocamos, também, de relacionamentos, de crenças, de opiniões e de conclusões.

A mente, em sua procura, está sempre em busca de algo, que ela mesma projeta, algo que brota nesse seu mundo particular, seu mundo virtual. Está sempre viajando dentro desse círculo. Todos acompanham isso? E, apesar de todo esse movimento, ela continua lá. E tudo o que ela sabe fazer bem é se encrencar, é se meter em encrencas, é produzir confusões e mais confusões. Ela nunca acerta, nunca tem a escolha perfeita, e está sempre insatisfeita: menos infeliz, mas ainda infeliz; menos estressada, mas ainda estressada; menos preocupada, mas ainda preocupada. Essa insatisfação constante, essa inadequação constante, esse medo constante, é a natureza da mente, é a natureza da ilusão. Isso está assentado na base de ser “alguém”.

Participante: Mestre, tenho observado que em Satsang e pós Satsang sua Presença é forte aqui, não tem espaço para a pessoa, e só fica a sensação de bem-aventurança, paz e ausência de medo. Aos poucos vou perdendo sua Presença. Toda essa miséria que o Senhor diz de rejeição, solidão, gostar, não gostar, fica presente. Por que isso acontece? É a minha falta de atenção?
 
Mestre Gualberto: aqui o ponto é que, durante muito tempo, se tornou comum a mente assumir o lugar do Estado Natural, nesse movimento de fazer surgir, brotar, esse mundo particular dela própria, onde há toda essa miséria, solidão, rejeição, gostar, não gostar, etc. Esse mecanismo aí, esse corpo-mente está muito bem-adaptado a esse estado de inconsciência, de sono; ao estado dessa mente ilusória, separatista. E é claro que a mente busca se recompor novamente, para assumir o espaço que ela usurpa, a palavra é esta. A mente egoica, como foi falado, há alguns dias, em um dos encontros, é uma usurpadora. Uma vez que você tenha percebido que esse não é o seu Estado Natural, nunca mais ficará conformado com isso, esse estado mental, porque agora você sabe que há algo fora de toda essa miséria da mente egoica e separatista. É quando começa, de fato, esse trabalho de olhar, de novo, de novo e de novo, para essa verdade de sua Verdadeira Natureza, que é o que nós temos em Satsang.

Sua Natureza Real é Silêncio, é Liberdade, é Paz, é Bem-aventurança, é Amor. Sua Natureza Real não carrega nenhuma forma de conflito. Neste trabalho você se torna cada vez mais apto, cada vez maior é essa prontidão, para não mais se perder e identificar-se com esse mundo ilusório, virtual, que a mente produz. É por isso que estamos, constantemente, falando para vocês sobre a importância de estar em Satsang. Sem Satsang isso fica teórico, meramente conceitual, e é só mais uma crença. Se ler bastante sobre isso, você vai aprender muito sobre isso, entretanto será a mente adquirindo informações, mais conhecimento sendo adquirido, ainda dentro do próprio circuito da mente egoica.

Realização, ou Despertar, é o fim da mente, é o fim de todo conhecimento. Aqui se trata de desaprender e de assumir sua Natureza Real, sua Natureza Verdadeira. É o fim dessa mente ilusória, com todas as suas produções. É o fim de todas crenças, opiniões, julgamentos e condicionamentos. A minha recomendação portanto é: continue em Satsang, continue nessa proximidade, mergulhe. Você encontrou uma fonte! Mergulhe nela, desapareça nessa fonte. Vamos ficar por aqui. Mantenha-se no coração. Namastê!

*Extraído de uma fala via Paltalk na noite de 22 de Julho de 2015
 Encontros online todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 22h - Participe!

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