sexta-feira, 12 de junho de 2015

Crenças, Padrões, Compulsões e Vícios (1ª Parte) - Satsang



 
Mestre Gualberto: Alguma crença?

Participante: Muitas…. todas…. (risos)

Mestre Gualberto: É curioso como vocês têm crenças e não têm perguntas. Ou você não tem consciência da crença? Pergunte se o que você aceita como real para si mesmo é confiável?

Participante: Mestre, e sobre as distrações?

Mestre Gualberto: Qualquer coisa que lhe facilite “deslizar” para padrões de condicionamento é prejudicial, como, por exemplo, fumar e beber. Tudo isso é um ótimo refúgio para alguns padrões egoicos, porque desafoga esse ego e não deixa a dor vir à tona. É uma ótima distração. Tudo o que a mente sabe fazer bem é se manter em continuidade.

A mente egoica é expert em se manter na continuidade, e ela vai fazer de tudo para distrair você. Ela vai levar você para o sexo, o alcoolismo, o tabagismo, ou para drogas, como a cocaína, maconha. Ela vai fazer qualquer coisa, e aquilo que pode ser um simples ato do corpo se torna um ótimo refúgio para o ego. Se isso está aí retroalimentando essa fuga, seja radical, deixe o corpo morrer de inanição. Sexo é a mesma coisa, pois, se é um padrão obsessivo, vicioso, ou uma dependência, um refúgio, é uma miséria. Você não é o corpo. Isso se aplica também a tipos de comida que te fazem mal, até o “tal” do cafezinho. Eu vejo pessoas que dizem: eu não aguento ficar sem meu cafezinho que me dá dor de cabeça….

Participante: E como a gente identifica o que é ato natural, comum, do que é empecilho para esse trabalho?

Mestre Gualberto: Simples, simples. Você está vivo ali, refugiado ali, ou é só um ato do corpo? Vê em que estado emocional, sentimental, você se encontra? Vê o que isso está alimentando? Você tem que ter consciência do que é você, do que se passa aí. Ninguém melhor do que você mesmo. Isso é trabalho interno, isso é trabalho de consciência. O que se torna um refúgio, para uma suposta entidade separada, é uma dependência a favor, ou um instrumento poderoso do ego. A própria prática da meditação pode ser um vício tão terrível quanto a cachaça ou a maconha.

Participante: Mestre, a bebida sempre fez e ainda faz parte da minha vida, só que agora de forma diferente. Antigamente havia uma necessidade de beber, porque diante de uma tensão ou incômodo eu percebia que a bebida anestesiava isso e me fazia relaxar. Nessa época, a bebida era uma fuga, era uma válvula de escape. Então, é claro que o ego estava sobrevivendo ali e se aproveitando desse recurso. Hoje em dia, eu continuo a beber uma quantidade que não altera a percepção, como se estivesse bebendo água, um ato simples, natural. Mas para que eu chegasse até aqui eu precisei ficar quatro anos sem beber, em abstinência, porque eu não sabia lidar com aquilo.

Mestre Gualberto: Você tem duas formas de lidar com essa questão. Ou você é radical, corta tudo e para de beber, ou você traz consciência para aquele instante e deixa de usar aquilo como instrumento de fuga. Então, fique um tempo sem consumir e observe como o ego se comporta. Se realmente você não conseguir, você é um compulsivo. Ou quebre o movimento do hábito: se você fuma dez, passe a fumar um. Deixe o corpo e a mente brigarem; o sistema nervoso entrar em abalo e o corpo entrar em abstinência. Deixe o ego entrar nessa loucura toda, pois isso não vai te matar, não.

Você vai notar uma coisa: o padrão de comportamento compulsivo vai mudar. Na verdade, todos são muito compulsivos e não têm consciência dessa compulsão. Vocês não podem ficar identificados com o corpo. Esse trabalho vocês têm que fazer.

Tudo o que o corpo pede você dá, só que, na verdade, não é o corpo pedindo. É uma suposta necessidade do corpo, que, na verdade, é uma ilusória necessidade mental, egoica. O problema de tudo isso é um só: você não tem consciência de que isso é só o corpo. Você fica tão identificado com o corpo, que não percebe o quanto está valorizando esse “eu sou o corpo”. O problema está na ideia de que você é “alguém” ali. Aí você está na miséria, num problema muito sério, porque você está muito identificado com o corpo. O Estado Natural é um estado livre da identificação com o seu corpo.

Participante: Mestre, havia um padrão aqui que incomodava muito, que era um padrão compulsivo por sexo. Mas, aqui em Satsang, há uma disponibilidade muito grande de entrega, que permite colocar todos os padrões às claras e olhar para todos eles. Quando eu reclamava sobre isso, você não me falava para eu parar de transar, e sim de que isso era um problema do corpo. E simplesmente mostrava que eu não estava focado naquilo que Você estava me apontando. Hoje, esse padrão ainda existe aqui, mas com muito menos força. Não me sinto responsável por esse padrão, não fui eu quem criou esse padrão.

Mestre Gualberto: Isso precisa ficar muito claro para vocês. Não é gerar uma culpa, achando que você pode fazer alguma coisa para mudar o padrão. Tudo o que você precisa fazer é se permitir a deixar o padrão quebrar; não precisa ser impiedoso quanto a um padrão, apenas ver e soltar, ver e soltar. Solte a compulsão, deixe o corpo brigar, deixe a mente chorar... Tudo o que você precisa fazer é se permitir e deixar todos esses padrões soltos, disponíveis a Graça. Entregue isto para Deus e Ele cuidará disso.



*Extraído de uma Fala em um Satsang Presencial em São Paulo - Setembro de 2014


OBS: Segunda parte desta transcrição: http://marcosgualberto.blogspot.com.br/2015/06/crencas-padroes-compulsoes-e-vicios-2.html

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