segunda-feira, 1 de junho de 2015

A oportunidade de descobrir que você é essa Consciência

Em Satsang, você está diante daquilo que é tudo, e eu gostaria que você não se esquecesse disso. Satsang é um espaço, um momento, onde compartilhamos com você aquilo que representa, abarca, preenche tudo: falamos da Consciência. Não há nada fora do lugar, não há nada errado. Durante toda a sua vida, você se irritou muitas vezes, se deprimiu, se aborreceu, se contrariou, ficou chateado, triste, angustiado, assustou-se, simplesmente, porque viu o mundo girar de uma forma diferente do seu gosto. Para você, algo está fora do lugar, ou esteve, ou poderá futuramente estar, e isso não está certo.

É assim que nós interpretamos a vida acontecendo, o mundo girando. Não é o que acontece que está fora do lugar, não é esse ou aquele acontecimento, esse ou aquele evento, essa ou aquela situação. A ilusão de que algo está fora do lugar é pura projeção mental, é a sua mente vendo o mundo girando de uma forma diferente do que você gostaria. Você é essa mente conflitando com a Consciência. A Consciência é aquilo que representa o que acontece,  que significa o que acontece e onde tudo acontece.

A mente egoica, você, o sentido de alguém presente, esse sentido pessoal, com seus gostos e aversões, com seu “querer” e “não querer”, vê o erro, o defeito, o mundo fora do lugar, quando o que acontece o atinge de forma particular e direta, quando atinge a sua visão pessoal da vida, a sua visão predileta do mundo, seus conceitos de certo e errado, dentro desse “gostar” ou “não gostar”. Eu quero que você se lembre disso.

As cenas que acontecem num palco teatral, todas elas, são ensaiadas. Tudo ali já está previsto para acontecer, e, na visão do diretor da peça, só sai tudo certo se acontece exatamente como ele planejou. Essas cenas acontecendo nesse palco, quer sejam engraçadas ou dramáticas, de alegria ou de tristeza, aparentando dor ou prazer, só agradam ao diretor da peça se saem perfeitamente como ele planejou. Tanto na visão do autor da peça quanto do diretor, ou daquele que produz, tudo está certo. Não importa como a plateia interprete ou sinta isso, tudo está certo. Essa plateia é a mente egoica; esse escritor/diretor da peça é a Consciência. Eu quero que você não se esqueça: você não é a plateia, você é o escritor, o diretor, o autor, o cenário, esses atores, e você inclui a observação da plateia também. Nada está separado de você como Consciência. Quando você se esquece disso e se identifica com a plateia, sorrindo, chorando, ficando triste, se deprimindo, se angustiando, você se esquece de que tudo é somente uma encenação, uma aparição temporária neste cenário, que também é temporário.

A beleza de estar em Satsang, de mergulhar em si mesmo, é ter a oportunidade de descobrir que você é essa Consciência, onde tudo acontece, onde tudo está no lugar. Inclusive o que parece estar fora do lugar, está no lugar. Eu não sei se você já viu patos nadando numa lagoa... Não importa a quantidade de água que caia sobre eles, a água não gruda em suas penas, ela desliza, e eles estão sempre secos. Os patos estão sempre secos enquanto nadam na lagoa, a água em suas costas não os molha. É exatamente assim quando um filme está acontecendo:  para   a   tela,  não    importa qual cena, imagem ou quadro estejam aparecendo, e ela não se move, não é tocada por isso. A “água” do filme não “molha” a tela. O incêndio de casas ou de aldeias no filme não queima a tela, assim como a água nas costas do pato não o molha. Tudo continua perfeitamente no lugar.

O que estou dizendo é que você não é quem acredita ser. Você não é a plateia assistindo a peça teatral, não é um personagem, um quadro, uma cena, ou uma imagem neste filme. Você não está sofrendo ou desfrutando. Você é Consciência! Você é aquela Consciência na qual tudo aparece e depois vai embora. Não leve a sério a sua vida, porque sua vida é só a ilusão de uma vida privada, pessoal, particular; é só um filme que não toca a tela. São bilhões de filmes, porque são bilhões de personagens, cada um vivendo seu próprio filme, e a tela é uma só. Os filmes se entrelaçam naquilo que chamamos de relacionamento, mas, na verdade, é um único filme, em uma única tela. Há apenas a crença de que existem muitos filmes, cada um deles com a sua própria realidade, sua própria verdade, sua própria vida individual e particular. Tremenda ilusão! Nada disso é real.

Real não é o que parece acontecer, real é o que acontece, e o que acontece é Consciência. A Consciência é como a tela: assim como a tela não tem graça sem um filme, a Consciência se diverte com as suas aparições. Alguns de vocês me perguntam: "por que tudo isso acontece"? A minha resposta é: não tem nada disso tudo acontecendo, só tem a Consciência. Ela está acontecendo nisso tudo, isso é completamente diferente. Não há isso tudo acontecendo, nem um porquê disso tudo acontecer, há apenas a Consciência acontecendo nisso tudo.

Então, quando eu o convido a Satsang, eu o convido ao Despertar, à realização de sua Natureza Real, sua Natureza Verdadeira, que é Consciência, não esse filme particular que você chama de “minha vida”. Confundir sua vida particular com a Vida é como o personagem da tela, no filme, se confundindo, acreditando que a vida dele esteja separada do filme, separada da tela. Nenhum personagem do filme é real sem o filme, muito menos sem a tela. Você não pode separar o personagem de um filme do próprio filme, como não pode separar o filme da tela. Tudo ainda é essa tela, tudo ainda é essa Consciência. 

É preciso Meditação. Meditar não é ponderar, refletir, tentar entender – sentido em que essa palavra é usada geralmente – ou, ainda, tentar esvaziar a mente do seu conteúdo através de uma técnica de respiração ou cantando mantras. Quando falo de Meditação, falo da lembrança de sua Real Natureza, que é Consciência, que é essa Presença, essa tela em que o filme e seus personagens aparecem, que aquilo que você chama de “minha vida” aparece, mas que não é sua vida, é só o filme na tela; é só a vida da Consciência aparecendo como esse movimento de sonho, onde coisas boas e ruins estão acontecendo.

Se essa ilusão de ser alguém, de ser um experimentador, de ser um personagem, cai, se ela entra em colapso e termina, estamos diante do Despertar. Não é o despertar de alguém, não é o despertar de um personagem, de uma pessoa, é o despertar dessa Consciência. É essa Consciência reconhecendo a Si mesma, assumindo por si própria o que Ela é neste organismo, neste corpo-mente. É isso que chamamos de Iluminação, ou de Realização de Deus, ou Despertar. Para a tela, ciente dela própria, não há nenhum problema com o filme, nenhum problema com os eventos, com os incidentes, os acontecimentos, os fatos, as coisas acontecendo. Para a tela, o filme não é nenhum problema.

Eu quero dizer algo a você: enquanto essa ilusão permanecer, a ilusão de uma pessoa aí dentro do corpo vivendo uma vida pessoal, uma história pessoal, não haverá Consciência, não será possível Consciência. É da natureza do personagem sofrer e desfrutar, amar e odiar, nascer, adoecer, envelhecer e morrer. A pessoa jamais será diferente disso. Enquanto a pessoa estiver presente, os problemas estarão presentes. Pessoa significa problema, ego, sentido de separação, alguém na ilusão de moldar, acertar, resolver, controlar a vida. Isso é a ilusão de ser alguém, é estar dormindo. Somente a pessoa pode estar inconsciente; inconsciência é para a pessoa.

Consciência é o Todo, Consciência é a Vida Real. Por isso comecei a fala dizendo que está tudo no lugar, pois não há nenhum problema para a Consciência, não há nada errado para Ela. Não há nada como um mundo girando e nele acontecendo coisas fora do lugar, coisas erradas, e nem coisas certas. Coisas erradas e coisas certas estarão sempre acontecendo para a pessoa, para um personagem dentro do filme. O filme será sempre assim,  pois tem que ter comédia, drama, ação, suspense, terror, senão não tem graça. A vida tem que carregar um lado e outro, o bem e o mal, o certo e o errado, o positivo e o negativo, mas nada disso é real nesta Presença, nesta Consciência.

Participante: Então, estamos em um filme; o filme da vida.

Mestre Gualberto: Você diz: “estamos em um filme”. Não é verdade. Não estamos em um filme; um filme está acontecendo em nós. Você não é tocado pelo filme enquanto o filme acontece; é somente a ilusão de que estamos em um filme que faz com que nos sintamos tão miseráveis, tão sofredores, tão carentes, tão necessitados, tão problemáticos. Você diz: “o filme da vida”. Nada disso! A vida é só a vida, enquanto o filme é a ilusão de uma vida, isso é outra coisa. Você é esta Presença, esta Consciência, esta tela, em que, não só este filme, mas todos os filmes estão aparecendo.

Participante: Então, o filme está em nós.

Mestre Gualberto: Mas você não é “nós”, você é esta Consciência, este Eu Sou. É neste Eu Sou que o filme aparece, que todos os filmes aparecem.

Aqui, o ponto é: vá além dessa ilusão da pessoa e, então, o sofrimento termina. A partir daí, já não importa se o mundo continua girando dessa ou daquela forma, pois não há mais alguém inconformado, deprimido, angustiado, ferido, revoltado, magoado, ofendido, porque o mundo assume essa ou aquela forma de acontecer. Isso não é mais problema seu, porque você caiu fora! Aqui, não se trata de mudar o mundo, de mudar a vida, de mudar o que acontece, se trata de desaparecer. Só há Felicidade Real, Paz Real, Verdade, Sabedoria, Amor, quando o mundo está sem você. Não é a tela sem filme, é o fim da ilusão de que um personagem dentro do filme está no controle de tudo.


*Texto extraído de uma fala via Paltalk Senses no dia 11 de Maio de 2015


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