quinta-feira, 18 de junho de 2015

A base de todo sofrimento humano - Paltalk Satsang


Juntos, estamos prontos mais uma vez para essa investigação da Verdade, para atender, neste espaço, neste vivo e ilimitado espaço, algo sem palavras. Eu quero começar dizendo a você que nunca houve uma separação. Se você achar que tem algum problema comigo, e se eu achar que tenho algum problema com você, entre eu e você, o único problema será só um pensamento. Não há dois; nunca houve dois. Se estou em guerra com você, com o mundo, com a vida, se isso produz ansiedade, desespero, aflição, dor, sofrimento, medo, isso ainda é só um pensamento. Quando esse “eu” cai fora, esse “você” também cai fora, assim como esse "mundo" que "me" aflige, porque esse mundo particular é só um pensamento acontecendo, conflitando com a vida em seu próprio movimento. Quando não houver mais a ideia deste “mim” que eu acredito ser, então a ideia desse “você” – que é a ideia que tenho de “alguém” – já não poderá mais gerar nenhum desconforto, nenhum sofrimento, nenhuma aflição e nenhum medo.

Você tem medo da vida, tem medo de Deus, de mim, do outro, mas é só um pensamento de “alguém” aí criando essa ilusão. Na ilusão da separação, você tem um nome, eu tenho um nome, ela tem um nome, todas as coisas à nossa volta têm um nome. Como os nomes são diferentes, surge a ideia – que é só um pensamento – de que tudo esta separado, e esse “eu”, que eu acredito ser, se sente ameaçado por isso. Essa é a base de todo sofrimento humano. Alguém acredita ser budista, o outro acredita ser cristão, o outro muçulmano, e o conflito está presente nesta crença, neste pensamento. O pensamento cria essa separação, e aí começa todo o conflito. Isso ocorre na religião ou fora da religião, um grupo contra outro grupo, uma ideologia contra outra ideologia, minhas crenças contra as suas... o que eu sinto é diferente do que você sente, e, então, está presente o que nós chamamos de violência. Isso não termina nunca!
 
Tudo isso é um jogo maravilhoso do pensamento, é o que a mente pode imaginar, o que ela pode construir. Tudo é uma grande projeção, uma grande criação mental. A coletividade é um pensamento, a individualidade é um pensamento, o social é um pensamento, o não social é um pensamento... Um jogo de aparências, um jogo de aparições. A Única forma, a Real forma, a Real Liberdade –  a forma que a Liberdade assume – está nessa libertação do pensamento, deste que cria esse “eu” separado de tudo. Quando esse “eu” é visto apenas como uma fantasia, uma imaginação, uma ilusão do pensamento, o conflito, o sofrimento e o medo terminam, porque esse mundo que o faz sofrer termina.

Como soa isso para você? Muito complicado? Ou é tão simples que você não pode acreditar e precisa acreditar em alguma outra coisa? O que também seria só um pensamento – mais pensamentos sobre um outro pensamento. Seu medo é pensamento. O pensamento cria o mundo, o seu mundo particular, o mundo particular de um “eu privado”. Quando o pensamento termina, a luz e a sombra continuam, o nascer e o morrer continuam acontecendo; vem o sol, e, quando ele se põe, as nuvens desaparecem; então você olha para o céu, e, agora, tem lá a lua brilhando. Não é um dia ensolarado, não é um dia com nuvens no céu, é uma noite enluarada. Você se levanta pela manhã e, se estiver numa praia, olha para o mar, aquela imensidão de águas, debaixo do sol... Parece que tudo continua no mesmo lugar sem o pensamento, e que a única coisa que desapareceu foi o conflito de uma identidade pessoal, que é só uma crença para conflitar com o outro, com a vida, com a existência. Parece que tudo continua muito bem sem o pensamento.

Dentro dos pensamentos, surgem as crenças, as ideias sobre o que deveria ser, sobre o que não deveria ser, sobre o certo e o errado, sobre as escolhas de uma suposta identidade presente, desse “mim” que está contra "você" – esse “você” que "me" assusta. Eu quero dizer a você que esse bando de pessoas aqui na sala, todos contando variações de uma historia única, a história de alguém, é uma grande ilusão. Somos um bando de pessoas em uma sala com versões diferentes de uma única história: a história de uma suposta pessoa que acreditamos ser, e isso não é verdade. Tudo isso é só o pensamento. Se você é uma pessoa nesta sala, e está muito preocupada com essa coisa chamada Libertação, Realização, Iluminação, isso é só pensamento nublando tudo, nublando o céu. A Liberação, a Libertação, o Despertar, a Realização, ou o nome que você queira dar para essa Consciência livre da ilusão, é algo que está sempre presente. Isso não é para pessoas, muito menos para um bando de pessoas.

O problema com vocês é que se identificam muito com os pensamentos, com crenças, e isso provoca conflito, provoca todo tipo de resposta de ordem pessoal. O ego entra em autodefesa. Vocês estão sempre me falando de problemas, e todos eles são imaginários, são só crenças mentais. Você cria a ilusão de alguém do lado de fora a quem temer, de quem se defender. Nós estamos falando sobre a importância de soltar isso tudo, do colapso, do abandono, do desabar disso tudo, de todo esse jogo. É um jogo sem propósito, algo sem significado.

Participante: Mestre, é impossível me livrar dessa “pessoa” sem a Sua Presença. Quando o meu coração está conectado com Você, não tem espaço para pensamentos e problemas. Isso é lindo, mas percebo que tem que ter um esforço para manter essa atenção. Quem é que está tendo essa atenção?

Mestre Gualberto: Repare que para estar nessa Presença não há esforço. Estar conectado não requer esforço. A Presença é essa Consciência de sua Natureza Real, que está presente neste relaxar, na não ideia, na não crença, no não movimento do pensamento. Isso é algo que acontece naturalmente, e isso é a Real Atenção. Essa Real Atenção é a Consciência da Presença. Isso é possível nesta desidentificação com o pensamento, com todo esse conjunto de crenças, com esse vício de ser alguém. A Atenção Real, que é essa Presença, que é essa Consciência, não requer esforço. O sentido de separação aparece com o pensamento criando conflito, quando ele quer alterar, mudar, quando se vê separado como esse “eu”, com o “outro” do lado de fora. Então, o pensamento, essa ilusão de ser alguém, essa identificação com esse sentido de ser alguém, está em conflito, e isso é a desatenção. Aqui se trata de abandonar esse vício de ser alguém. A questão é essa! A mente sustenta esse sentido de ser alguém, pois essa mente egóica precisa desse significado. Até mesmo o sofrimento, por mais intenso que ele seja, é apenas um pensamento. Isso não precisa dar um significado para esse sentido de alguém, mas o ego está viciado em encontrar significado, em encontrar sua autoimportância, principalmente no sofrimento. “Eu estou sofrendo”. Esse é um pensamento poderoso, do qual esse “eu” não está disposto a abrir mão. O ego ama o sofrimento, pois lhe traz o sentido de existência, lhe dá um sentido de vida; ele se energiza com esse sofrimento e fortalece essa identidade: “aquele” que sofre.

Participante: Como ver a preguiça, Mestre?

Mestre Gualberto: Você tem que ir ao zoológico. Lá tem preguiça, tamanduá, e muitas espécies de animais. Estou falando sobre a ilusão do pensamento, dessa ilusão daquele que sofre. O sofrimento segura uma identidade, fortalece uma identidade.

Participante: Não sei como colocar as palavras certas.

Mestre Gualberto: Não se preocupe com as palavras, elas são só pensamentos também. Se você entrar comigo naquilo que estou colocando, irá ganhar mais do que fazendo perguntas sobre tamanduá, preguiça, ou qualquer outro animalzinho da floresta. Estou falando para vocês que nessa ausência do pensamento, da valorização do pensamento, existe essa Liberdade. A mente não pode alcançar isso, não pode produzir isso pelo pensamento. Se você puder ver Isso, esse é o fim do sofrimento, pois é o fim do “eu”, o fim da ilusão da separatividade, o fim das escolhas.


*Extraído de um encontro via Paltalk no dia 15 de Junho de 2015

 

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