segunda-feira, 29 de junho de 2015

Estou dando a chave para você viver sem ego!


Diante de pensamentos, não se importe com eles - são só pensamentos. A coisa mais difícil não é se livrar do sentido de virtude, mas sim livrar-se do sentido de culpa. Você fica muito mais vivo na culpa do que na virtude. O ego ama muito mais ser culpado do que ser o herói. A culpa demora muito mais tempo para ser desfrutada pelo ego. Ser herói é uma coisa rápida, pois logo todos esquecem. Porém, ao ser culpado você vai poder trabalhar muito por isso, além de ter muito ganho em cima disso.

Participante 01: Quando a gente vê a mente como uma coisa só, fica mais fácil perceber que os pensamentos não são seus. Não são produção “minha.”

Mestre Gualberto: Não tem "minha" mente ou a "sua" mente. Só tem a mente. É só a mente. Não é a "sua" mente. Não foi você, pois você é uma fantasia; é essa "pessoa" que se sentiu culpada ou se sentiu mal por isso. Não tem uma pessoa sentindo-se mal por isso; é uma fantasia de "alguém" sentindo-se mal por isso.

Participante 02: Mestre, também não tem "alguém" para sentir vergonha do que pensa, não é?

Mestre Gualberto: absolutamente! Não dá para ter vergonha. Você tem que ser alguém importante demais para ter vergonha disso. Você tem que ser "alguém" muito importante e trabalhar forte por isso, para ter essa vergonha. Ao ser sem ego, você não tem ganho nenhum. Ser ego dá muito ganho; dá o ganho da vergonha, da culpa.

Participante 02: Mestre, esse pensamento vem de onde?

Mestre Gualberto: Esse pensamento vem da mente. De onde vem essa mente? Da Consciência. De qualquer forma, ainda não é problema de alguém particular.
Participante 01: Os pensamentos de culpa, de arrogância, de inveja, libido estão todos passando. Só surge o arrogante, o libidinoso e o culpado quando você se apossa de um desses pensamentos.

Participante 03: Os pensamentos estão passando, mas parece que eles são adequados a cada um, a cada mecanismo.

Mestre Gualberto: Sim, por um tempo, porque há um condicionamento de cada mecanismo para sempre acolher, como essa suposta identidade, esses pensamentos. Se esse vício começa a cair, já não são mais acolhidos, começa a haver uma configuração nova na máquina, e isso para de se repetir. Esse processo para de se repetir, e é por isso que cai, desaparece. Esses pensamentos são viciosos e estão aparecendo para um viciado, mas, se o viciado já não está mais presente, eles vão perder a força, desaparecer, procurar outro corpo. Vai haver um exorcismo aí, porque você, como Consciência, estará exorcizando essa suposta entidade separada. Sem essa entidade separada, os pensamentos são convidados não gratos, porque eles terminam não sendo aceitos, hospedados, e vão desistir de você. 

Você não mata o ego. O ego é uma ilusão. Se você para de alimentar a ideia de um ego presente, os pensamentos desaparecem. Você não pode matar o ego, mas pode sustentar a vida de um ego, sustentando pensamentos - pensamentos como esses ou como aqueles. 

Estou dando a chave para você viver sem ego. Agora, você tem que usar essa chave. Quanto mais você a usa, mais fácil fica para ela entrar na fechadura; ela amacia. Cada vez fica mais fácil abrir a porta, mas tem que trabalhar isso. Esse trabalho não é seu, porque você não está aí. É um trabalho da Consciência, da Graça, de Deus... um trabalho do Mestre. É um trabalho que acontece naturalmente.

Participante 02: Mestre, quando o Senhor diz que não é um trabalho nosso, eu percebo claramente que não é nosso. Mas a gente constata as coisas acontecendo. Seria a mente constatando isso? Se isso acontece pela mente, ainda, é a mente se analisando?

Mestre Gualberto: Onde o constatar acontece? Será que a mente pode constatar “ela mesma”? Constatar é uma coisa, analisar é outra. Você constata e deixa solto. Se você analisa, você captura, está aí, é o ego – e já foi capturado. O constatar é um trabalho da Consciência. Não é você, é a Consciência. Não é você ego, é você como Consciência.

Então, o trabalho, realmente, é só seu, mas não é do ego, não é da pessoa. Constatar é um trabalho da Graça. Todo o meu trabalho com você em Satsang é exercitar essa chama chamada Consciência. A gente passa dois dias aqui exercitando isso. Amanhã a gente faz um retiro, exercitando Consciência. Exercitar Consciência é só exercitar esse poder de perceber, e isso basta.

Você apenas percebe, não salta sobre esse pensamento, não veste a carapuça. Pronto! O trabalho é esse. Esses pensamentos “vindo” é o que na Índia eles chamam de Vasanas, que são as tendências latentes da mente. Elas podem ser acolhidas ou podem, apenas, ser presenciadas. Se forem somente presenciadas, elas vão terminar cansando de aparecer e vão desaparecer, porque elas não terão uma casa para se hospedar.

Chega um tempo em que a vasana não bate mais na porta. Enquanto ela estiver batendo na porta, OK!... paciência, paciência e paciência. Chega um momento em que ela não bate mais. Assim é quando você começa a descobrir que sumiu esse ou aquele padrão, mas nem sabe para onde foi. E por que não sabe? _ Porque você não estava lá... Ele nunca foi seu mesmo. Trabalho de quem? Da Graça, da Consciência ou do Mestre - dá no mesmo. Por isso quando se diz que é o Mestre quem lhe dá a Iluminação, é Ele mesmo. É a Consciência.

Então, vamos lá. Constatar é um trabalho da Consciência. Apoderar-se daquilo que está aparecendo é trabalho seu. Esse “seu trabalho" é o trabalho de ser "alguém", e é aí que fica essa coisa: “me senti mal, me senti bem”. Porque passou um segundo, a "coisa" já capturou você... Aí, pronto, começa a análise...

Participante 02: Só que isso é muito rápido. Quando você vê, você já está capturado.

Mestre Gualberto: Muito rápido. Ver um pensamento e não se identificar... Ver uma sensação e não se identificar... Ver uma história e não se identificar... Isso não é trabalho seu, e sim trabalho da Graça. Aqui, você fica dizendo assim: “é muito claro diante do Mestre, é muito claro Isso!”. E você pergunta: “por que lá fora não é claro?” - Porque você está muito viciado em "ser alguém" lá fora. E aqui, o poder dessa Presença é tão grande, que isso desmonta e você diz que aqui é fácil e lá não. Aqui, basta Eu olhar para os seus olhos e desmonta, porque há muita Presença aqui.

Sabe aquele fogo que vem queimando tudo? É isso. Você aqui está sob um fogareiro. Eu estou trazendo você para o fogo. Sua mente se distrai, e eu trago você para o fogo. Então, não tem espaço para o ego, porque você não me encontra no ego, você me encontra como Consciência. Você está lidando com a Consciência na forma. E isso é muito atrativo.

*Extraído de um encontro presencial ocorrido na cidade de São Paulo em Dezembro de 2014

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Você pode acolher tudo nesse amoroso abraço?


Qualquer pensamento, sentimento ou sensação aí é um acontecimento sem a sua escolha. Apesar de acreditar estar no controle, você não está no controle de nada, e, portanto, não se importe com nada disso... Não se importe com os pensamentos que aparecem e logo vão embora. 

A pergunta que lhe faço é a seguinte: você pode permanecer nesse espaço onde eles surgem? Eu digo: você não está separado disso. Sabendo ser esse espaço, você pode acolher tudo nesse amoroso abraço?

Não percebe o que estou dizendo? Você não pode deixar de ser O que é porque um pensamento, sentimento ou sensação está aí agora, neste instante. Isso não muda O que você É, o seu Estado Natural de Ser, que é esse espaço onde tudo isso acontece; esse Estado que não é um estado,  e sim o Estado livre de todos os estados, ou a única experiência livre de todas as experiências, o que podemos chamar do que quisermos: Liberdade, Beatitude, Paz, Amor, Felicidade… Esse Estado no qual os estados acontecem e as experiências aparecem para depois desaparecerem. Tudo isso é Você em sua Verdadeira Natureza; a Única e Ilimitada Presença se desdobrando neste presente momento.


*Extraído de uma fala em Satsang ocorrida no mês de Julho de 2012

 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Investigando a Natureza da Ilusão


Muito bom estarmos juntos mais uma vez nesse encontro aqui pelo Paltalk. Nós estamos investigando a natureza da ilusão. Essas falas em Satsang, todas elas, estão apontando para a Realidade, para a Verdade. 

Satsang significa encontro com o que É, encontro com a Verdade. No entanto, esse encontro com a Verdade é a investigação da natureza da ilusão. Investigamos a natureza da realidade presente, momento a momento. Então, nós estamos investigando essa realidade virtual que a mente está constantemente fazendo brotar. As pessoas estão sempre vivendo nessa confusão, se identificando com essa verdade virtual, que é aquilo que a mente está fazendo aparecer. Nós chamamos isso de “viver neste sono”, viver nessa identificação com essas aparições virtuais. Estamos dando realidade a todas essas aparições. A pessoa se sente em sua realidade virtual, nessa realidade que a mente egoica faz brotar; sente-se filho, marido, pai, irmão, mãe, filha, avóEssa é a verdade da mente.

O sentimento de “pessoa” é forte para esse organismo, esse mecanismo, esse corpo-mente. Nessa realidade virtual que a mente faz brotar, em alguns momentos estamos tristes, e, no momento seguinte, alegres; em outros momentos estamos de bom humor, ou de mau humor. Nessa realidade virtual que a mente faz brotar, nós temos certezas e incertezas, nós sabemos e não sabemos, e assim nos sentimos especiais, para mais ou para menos. Especial para mais é quando estamos nos sentindo poderosos, hábeis, capazes, inteligentes; e para menos é quando nos sentimos incapazes, ineficazes, impotentes, vencidos.

Essa é a realidade da mente: aceita alguns e rejeita outros; gosta de uns e não gosta de outros; tem amigos e tem inimigos. E tudo isso nesse mundo virtual da mentea mente e o seu mundo, privado, particulara mente e o seu mundo pessoal. A mente é a “pessoa”, a “pessoa” é a mente, acontecendo sem tomar nenhum conhecimento desse mundo virtual, particular, privado, mental e pessoal. É nele que você está em miséria, sofrendo; é nele que você se sente diminuído ou grande, sábio ou tolo. A alta autoestima faz parte disso, e a baixa autoestima também, bem como o sentido de abandono, de solidão, de rejeição; tanto a depressão quanto a ansiedade fazem parte disso.

Podemos ficar analisando cada um desses sentimentos, e mesmo toda essa análise também faz parte disso, porque é a mente analisando, estudando, conhecendo e explicando a mente. Os terapeutas se ocupam com isso, e terapia significa a mente sendo tratada, cuidada e restabelecida. Quando ela é restabelecida, esse restabelecimento da mente significa “uma mente mais saudável, mais equilibrada”; em outras palavras, um mundo virtual mental mais harmonioso, menos estressante, menos infeliz. Então, ficamos num círculo, num círculo vicioso de repetição. Podemos ter um ego mais saudável, mais equilibrado, menos estressado, mas a ilusão continua, esta que é a ilusão desse mundo mental separado da realidade, dessa mente separada da realidade. E, aqui, “separada da realidade” significa fazendo uma interpretação, uma leitura, particularizando experiências, sendo pessoal em suas experiências. Nesse gostar ou não gostar, querer ou não querer, nessas escolhas e trocas, trocamos do tênis para o sapato, os tipos de camisa, as cores da bermuda, e assim trocamos, também, de relacionamentos, de crenças, de opiniões e de conclusões.

A mente, em sua procura, está sempre em busca de algo, que ela mesma projeta, algo que brota nesse seu mundo particular, seu mundo virtual. Está sempre viajando dentro desse círculo. Todos acompanham isso? E, apesar de todo esse movimento, ela continua lá. E tudo o que ela sabe fazer bem é se encrencar, é se meter em encrencas, é produzir confusões e mais confusões. Ela nunca acerta, nunca tem a escolha perfeita, e está sempre insatisfeita: menos infeliz, mas ainda infeliz; menos estressada, mas ainda estressada; menos preocupada, mas ainda preocupada. Essa insatisfação constante, essa inadequação constante, esse medo constante, é a natureza da mente, é a natureza da ilusão. Isso está assentado na base de ser “alguém”.

Participante: Mestre, tenho observado que em Satsang e pós Satsang sua Presença é forte aqui, não tem espaço para a pessoa, e só fica a sensação de bem-aventurança, paz e ausência de medo. Aos poucos vou perdendo sua Presença. Toda essa miséria que o Senhor diz de rejeição, solidão, gostar, não gostar, fica presente. Por que isso acontece? É a minha falta de atenção?
 
Mestre Gualberto: aqui o ponto é que, durante muito tempo, se tornou comum a mente assumir o lugar do Estado Natural, nesse movimento de fazer surgir, brotar, esse mundo particular dela própria, onde há toda essa miséria, solidão, rejeição, gostar, não gostar, etc. Esse mecanismo aí, esse corpo-mente está muito bem-adaptado a esse estado de inconsciência, de sono; ao estado dessa mente ilusória, separatista. E é claro que a mente busca se recompor novamente, para assumir o espaço que ela usurpa, a palavra é esta. A mente egoica, como foi falado, há alguns dias, em um dos encontros, é uma usurpadora. Uma vez que você tenha percebido que esse não é o seu Estado Natural, nunca mais ficará conformado com isso, esse estado mental, porque agora você sabe que há algo fora de toda essa miséria da mente egoica e separatista. É quando começa, de fato, esse trabalho de olhar, de novo, de novo e de novo, para essa verdade de sua Verdadeira Natureza, que é o que nós temos em Satsang.

Sua Natureza Real é Silêncio, é Liberdade, é Paz, é Bem-aventurança, é Amor. Sua Natureza Real não carrega nenhuma forma de conflito. Neste trabalho você se torna cada vez mais apto, cada vez maior é essa prontidão, para não mais se perder e identificar-se com esse mundo ilusório, virtual, que a mente produz. É por isso que estamos, constantemente, falando para vocês sobre a importância de estar em Satsang. Sem Satsang isso fica teórico, meramente conceitual, e é só mais uma crença. Se ler bastante sobre isso, você vai aprender muito sobre isso, entretanto será a mente adquirindo informações, mais conhecimento sendo adquirido, ainda dentro do próprio circuito da mente egoica.

Realização, ou Despertar, é o fim da mente, é o fim de todo conhecimento. Aqui se trata de desaprender e de assumir sua Natureza Real, sua Natureza Verdadeira. É o fim dessa mente ilusória, com todas as suas produções. É o fim de todas crenças, opiniões, julgamentos e condicionamentos. A minha recomendação portanto é: continue em Satsang, continue nessa proximidade, mergulhe. Você encontrou uma fonte! Mergulhe nela, desapareça nessa fonte. Vamos ficar por aqui. Mantenha-se no coração. Namastê!

*Extraído de uma fala via Paltalk na noite de 22 de Julho de 2015
 Encontros online todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 22h - Participe!

terça-feira, 23 de junho de 2015

A Vida em Sua Graça


É sempre algo maravilhoso essa oportunidade de investigarmos qual é o significado real disso, dessa coisa chamada Liberação ou Libertação. O Paltalk é uma ferramenta extraordinária! Essa é a facilidade da tecnologia. Que bom estarmos juntos. Nesse momento você tem esse encontro consigo mesmo. 
 
Deixe-me falar um pouco sobre a relação daquilo que permanece imutável, que é intocável, indescritível, desta coisa que nós chamamos de Consciência, com a mente, com essas impressões passageiras, intermitentes, conhecidas, como sensações, emoções, impressões dos pensamentos...

Quando você se depara com esse trabalho, quando é atraído por essa Graça a esse trabalho, você está sendo convidado, por essa Presença, a se reconhecer como Consciência. Essa relação entre Consciência e mente é como a relação entre o filme e a tela. As imagens e quadros que aparecem na tela estão sempre mudando. Os quadros mudam e as imagens mudam, sejam imagens de festa, de luto, de alegria, de tristeza, imagens em um rápido movimento e imagens em movimentos mais lentos, de cenas tristes e cenas alegres. É esse o movimento da mente, é esse o movimento do filme. Assim como a tela permanece intocada e imutável, essa Consciência também permanece intocada e imutável. 
 
Quando você vem até esses encontros, eu lhe falo sobre a sua Natureza Verdadeira. O seu foco, todo ele, está disperso nessa coisa de se confundir, de se identificar, de se ver como essas imagens. Então, você acredita que está pensando, que está sentindo, que está emocionado, que está em movimento, que está na ação. Seu foco está disperso, você está disperso nessa multiplicidade de aparições. Dessa forma, quando você se aproxima, está todo identificado e perdido nessas aparições, pois tudo o que sente, pensa e acontece para você é algo de sua responsabilidade, algo do qual você é o autor, é o pensador. A expressão alguém, ou pessoa, descreve isso. Assim, quando você vem, está disperso. O seu foco é todo esse, pois você está condicionado a confiar nisso, a acreditar nisso. 
 
Ao chegar aqui em Satsang, que é o encontro com a Verdade, o encontro com o que É, você se depara com este trabalho, que é muito estranho. Todo ele é fazê-lo questionar essa suposta realidade, essa assim chamada realidade da sua vida. Isso, a princípio, é muito desconfortável, porque eu questiono as suas certezas, as suas crenças, eu duvido delas e o ajudo a também duvidar; eu não fico sozinho nisso. Isso é tão habitual, tão forte, tão intenso, tão verdadeiro para você, que você não quer soltar isso. Você se agarra com unhas e dentes para se manter, para permanecer, para continuar em suas certezas. Esse Despertar, essa Realização, é o fim dessa coisa toda. 
 
Um Mestre vivo é algo muito estranho, é aquele que aparece nesse momento na sua vida. Ele está olhando para a tela presente e você está olhando para o filme. Todo o seu foco está nas aparições, nas intermitentes, mutáveis e limitadas aparições. Ele está vendo outra coisa, ele está olhando para a tela. Ele não o vê como uma pessoa, não o trata como uma pessoa, ele não reconhece a pessoa, não dá importância a isso. Embora ciente da tela, ele sabe que o filme também aparece, ele releva isso, mas não dá muita importância, enquanto que o seu foco, o seu enfoque, é na aparição. O Mestre é algo estranho, porque ele aparece nesse seu filme, mas não é parte dele. Ele é um portal para o reconhecimento dessa tela. Isso significa o fim desse seu próprio filme, dessas aparições intermitentes, dessas limitadas aparições, de toda essa confusão. Toda sua confusão, toda desordem que é sua vida, todo conflito existente aí, todo sofrimento presente, está nesse movimento intermitente de pensamentos, sensações, sentimentos, emoções, de ações, acontecendo nessa historinha de vida. Acompanham isso? O Mestre é aquele que aparece e aponta para essa nova dimensão do Ser, para a dimensão da Consciência, da Presença, da Liberdade, da Paz, da Verdade. 
 
A pergunta que todos tem feito ao longo de toda história humana é respondida aqui. A pergunta é se existe alguma coisa fora de toda essa confusão, de todo esse sofrimento que é a “minha” vida, de toda essa coisa absurda, essa insanidade, essa dor, esse desespero, tédio, solidão, ambição, inveja, desejo de possuir, controlar... E a resposta é encontrada aqui, na visão direta dessa Presença que Sou, deste “Eu Sou” que Sou. Essa nova visão é a visão da Realidade, da Verdade que liberta, da libertadora Verdade. 
 
Só aqui é possível essa suprema Felicidade, essa Paz que ultrapassa todas as definições, que está além, muito além, de qualquer palavra. Aqui está Deus, aqui está o Inominável, o Indescritível, a Vida em sua Plenitude, a Plenitude da Vida, a Vida Abundante, a Abundância da Vida, a Graça da Vida, a Vida em sua Graça. O Mestre vivo é uma coisa muito estranha. A sua fala está carregada, como se houvesse uma eletricidade presente, um campo de energia, essa coisa invisível. É assim o seu olhar, é assim em sua proximidade, um convite divino, um convite do “Eu Sou” para o “Eu Sou” que você é, para além do sonho, para além do sono, do filme, para além dessa intermitência, desses altos e baixos, dessa alegria e dor, desse prazer e sofrimento que é o pensamento. 
 
Assim, nesse espaço novo chamado Satsang, o seu foco é mudado, os seus supostos e seguros passos são vistos. É possível ver toda essa ilusão e abandonar esse foco equivocado, essa visão equivocada, essa ilusão da vida de alguém, de ser alguém, essa vida de movimento mental, para essa coisa nova, para essa coisa indescritível e inominável, que aqui nós chamamos de Consciência, de Deus. É bem assim. É bem isso. É só isso.


*Extraído de uma fala via Paltalk, ocorrida na noite do dia 19 de Junho de 2015 
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 22h - Participe -
 

domingo, 21 de junho de 2015

Isso não existe no Estado Natural - Satsang


Participante: O Mestre tinha dito que é tudo, e que está em todo lugar. Como fica essa relação com os olhos do corpo? O Acordado não precisa dos olhos do corpo? O Acordado, então, não precisa dos olhos. Se o corpo ficar cego ou, então, se ficar de olhos fechados... Como fica essa visão do mundo para um Acordado? Mestre, se você vê a partir dos olhos, como você se vê sendo essa planta, essa parede, tudo isso?
Mestre Gualberto: Os sentidos físicos em nós não são diferentes dos sentidos físicos de um Acordado. Então, essa percepção sensorial do mundo é a mesma em todos. Eu vejo o mundo como você vê. Eu escuto os sons como você escuta.
Eu sou cego e eu vejo tudo. Como Consciência eu vejo tudo, como Consciência eu sou cego. Na Consciência tudo é visto, na Consciência nada é visto. Ela só vê a Si mesma. Como é que eu vejo tudo em mim? Porque eu não vejo nada separado desse mundo que Eu sou.
Por isso que tudo é visto em mim, mas não tem coisas do lado de fora. Aí é que a sua pergunta fica clara. Eu não vejo essa planta do lado de fora, eu a vejo nesse “Eu Sou”. Nesse “Eu sou” não tem “eu” do outro lado, só tem “Eu Sou”. Isso é a Consciência. Mas isso não é no meu caso em particular, é no caso de todos vocês. É que vocês sobrepõem à realidade da visão do que se apresenta uma suposta entidade na experiência. Isso já não existe mais aqui. Então, foi isso que caiu fora.
Você é a mesma Consciência que eu Sou. A mesma percepção do mundo, da vida e de tudo à sua volta é a que eu tenho. A diferença é que não há um experimentador aqui na experiência do ver, do ouvir, do falar e do sentir. Só tem o sentir, o falar e o ouvir...
Participante: Não tem interpretação?
Mestre Gualberto: Nenhuma!
Pergunta: Mas o Senhor vê a partir dos seus olhos? Desse mecanismo?
Mestre Gualberto: Não, eu não vejo a partir dos meus olhos, há só o olhar. Nesse olhar, o que parece estar lá é você. O que parece é irrelevante, nesse sentido de que sou “cego”, e é tudo no sentido de que “sou Eu”.
Eu estou falando de forma diferente a mesma coisa que acabei de dizer agora há pouco. Eu sou cego, não vejo nada, e eu estou vendo tudo. O tempo todo, e em momento algum, eu não estou vendo nada. Eu não estou vendo nada em momento algum, e eu estou vendo tudo o tempo todo nessa Consciência, da qual não tem nada separado. Isso sou Eu. Mas Isso não sou Eu, Isso é Você!
Essa sequência de interpretar a vida, essa sequência de interpretação, não existe aqui. Eu não estou interpretando nada, não estou vendo nada através de uma interpretação. Não tem um experimentador interpretando, é só uma coisa acontecendo, como essa fala. Não tem alguém falando. O sentido de dualismo ou de separatividade é só isso.
Agora, quem aí está me vendo aqui? Tem alguém me vendo? Tem alguém me ouvindo? Não! Só tem o ouvir e o ver. Nesse sentido, esse ouvir e ver é surdo e cego, porque não tem o experimentador. Então, quando você pergunta assim: Você está vendo tudo? Eu estou cego para tudo o tempo todo. Eu sou tudo, então eu não tenho o que ver. Eu sou tudo, não tem um experimentador nesse ver, não tem um experimentador nesse ouvir.
O sentido de separação, que é o sentido do “eu”, do ego, do "mim", da pessoa, é a crença de que tem alguém aí, que está sempre classificando, julgando, comparando a experiência, dizendo "gosto", "não gosto", "isso está certo", "isso está errado". Isso não existe no Estado Natural. 

*Extraído de uma fala de um encontro presencial em dezembro de 2013 em São Paulo 

 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Isso não é algo que possa ser conquistado




Nós não vamos conseguir obter isso! É a primeira coisa a ser dita aqui para vocês. Isso não é algo que possamos obter, como alguma coisa que ganhamos na vida e a fazemos ser nossa. Então, não se faz necessário trilharmos um caminho, adotarmos algum método, alguma disciplina, nos ajustarmos a algum sistema, a alguma linha de conduta, porque isso não é algo que possa ser conquistado, obtido.

Então, a nossa primeira intenção aqui deve ser examinar isso, senão entraremos nessa ilusão de que algo precisa ser feito, e é aí que falhamos, porque a natureza da mente é ser aquisitiva – em sua insatisfação natural, ela busca uma satisfação na aquisição. Ela, que agora acredita desprezar a aquisição mundana, busca a aquisição espiritual, fazendo-nos cair nessa armadilha da busca, de caminhar em uma trilha, adotar alguma prática, alguma disciplina, para poder realizar Isso. E nada melhor para a mente do que se apoiar nos escritos e nas palavras daqueles que a própria mente pressupõe que “realizaram” Isso, que “conquistaram” Isso, para sustentar essa tese que ela tem de que precisa fazer algo.

Não sei se vocês vão conseguir agora ver o quanto isso é simples comigo. É preciso simplicidade para que a simplicidade possa ser constatada. Nós queremos aplicar nisso aqui as mesmas técnicas, os mesmos meios que utilizamos para realizar alguma coisa do “lado de fora”, como disciplina, esforço, dedicação, estudo, aprimoramento... Nós acreditamos que Realização seja também algo assim e, então, a mente se aplica ao estudo dos livros sagrados, ao estudo das escrituras. Como é inútil isso! Talvez você pergunte: por que é inútil? Pela mesma razão porque isso não pode ser conquistado. É simplesmente inútil porque você já é Aquilo que procura do lado de fora; porque não há como você conquistar Isso que você já é. Não é necessário. A mente só conhece acúmulo, coleção, ajuntamento de mais e mais informações, experiências, conhecimentos... A natureza da mente é caminhar para algum lugar, se mover do ponto A ao ponto B. Por isso, ela fica profundamente desorientada quando falamos disso aqui, porque isso quebra toda a sua ambição e apela para um novo modo de aproximação. Aqui, se trata de olharmos isso por nós mesmos, para compreendermos Aquilo que somos aqui, neste instante.

Não temos que nos mover um milímetro, não temos que abarrotar nosso cérebro com informações sobre o que disse Jesus, Krishna, Buda, Osho, Ramana, Krishnamurti, ou qualquer outro. Na realidade, é preciso um esvaziamento desse conteúdo, de todas essas teorias. É sobre isso que estamos falando: dessa verificação direta, dessa compreensão direta daquilo que Você é agora. É a sua vivência, o seu experimentar, o seu dizer, o seu sentir... É o seu Ser! É isso que Você é!

Assim, não se trata de encontrar isso do lado de fora, de realizar isso por um método, um caminho, uma técnica, uma disciplina. É algo simples assim, algo encontrado agora, aqui, neste instante, neste momento, quando olhamos para dentro de nós, para aquilo que se passa em nossa mente e em nosso coração.

Não há nenhuma necessidade de ouvir outros sobre isso, de ler isso em alguma parte, em algum lugar. Isso não vai dar certo, não vai funcionar. Nosso desafio aqui é o contato direto consigo mesmo, com aquilo que você é nessa relação com o mundo à sua volta, com eventos, situações e pessoas. Esse é o seu espaço de descoberta, o seu templo, o seu lugar sagrado de encontro com a Verdade Divina, e não os livros, conferências, palestras. O seu Satsang real é esse encontro que você tem com Aquilo que Você é. O encontro consigo mesmo é o seu verdadeiro Satsang.

Então, mais uma vez, eu quero dizer isso a você: nada a conquistar, nada a realizar, nada a obter. Ninguém pode lhe dar isso. Não são as palavras de Buda, de Jesus, de Krishna, de Ramakrishna, Ramana Maharshi, Krishnamurti, ou Osho, ou de quem quer que seja. É o seu momento, é a sua descoberta, é a sua constatação, sua realização. É você mesmo com você próprio, agora mesmo, aqui mesmo. É isso aí.

*Extraído de um encontro no mês de Março de 2012 


quinta-feira, 18 de junho de 2015

A base de todo sofrimento humano - Paltalk Satsang


Juntos, estamos prontos mais uma vez para essa investigação da Verdade, para atender, neste espaço, neste vivo e ilimitado espaço, algo sem palavras. Eu quero começar dizendo a você que nunca houve uma separação. Se você achar que tem algum problema comigo, e se eu achar que tenho algum problema com você, entre eu e você, o único problema será só um pensamento. Não há dois; nunca houve dois. Se estou em guerra com você, com o mundo, com a vida, se isso produz ansiedade, desespero, aflição, dor, sofrimento, medo, isso ainda é só um pensamento. Quando esse “eu” cai fora, esse “você” também cai fora, assim como esse "mundo" que "me" aflige, porque esse mundo particular é só um pensamento acontecendo, conflitando com a vida em seu próprio movimento. Quando não houver mais a ideia deste “mim” que eu acredito ser, então a ideia desse “você” – que é a ideia que tenho de “alguém” – já não poderá mais gerar nenhum desconforto, nenhum sofrimento, nenhuma aflição e nenhum medo.

Você tem medo da vida, tem medo de Deus, de mim, do outro, mas é só um pensamento de “alguém” aí criando essa ilusão. Na ilusão da separação, você tem um nome, eu tenho um nome, ela tem um nome, todas as coisas à nossa volta têm um nome. Como os nomes são diferentes, surge a ideia – que é só um pensamento – de que tudo esta separado, e esse “eu”, que eu acredito ser, se sente ameaçado por isso. Essa é a base de todo sofrimento humano. Alguém acredita ser budista, o outro acredita ser cristão, o outro muçulmano, e o conflito está presente nesta crença, neste pensamento. O pensamento cria essa separação, e aí começa todo o conflito. Isso ocorre na religião ou fora da religião, um grupo contra outro grupo, uma ideologia contra outra ideologia, minhas crenças contra as suas... o que eu sinto é diferente do que você sente, e, então, está presente o que nós chamamos de violência. Isso não termina nunca!
 
Tudo isso é um jogo maravilhoso do pensamento, é o que a mente pode imaginar, o que ela pode construir. Tudo é uma grande projeção, uma grande criação mental. A coletividade é um pensamento, a individualidade é um pensamento, o social é um pensamento, o não social é um pensamento... Um jogo de aparências, um jogo de aparições. A Única forma, a Real forma, a Real Liberdade –  a forma que a Liberdade assume – está nessa libertação do pensamento, deste que cria esse “eu” separado de tudo. Quando esse “eu” é visto apenas como uma fantasia, uma imaginação, uma ilusão do pensamento, o conflito, o sofrimento e o medo terminam, porque esse mundo que o faz sofrer termina.

Como soa isso para você? Muito complicado? Ou é tão simples que você não pode acreditar e precisa acreditar em alguma outra coisa? O que também seria só um pensamento – mais pensamentos sobre um outro pensamento. Seu medo é pensamento. O pensamento cria o mundo, o seu mundo particular, o mundo particular de um “eu privado”. Quando o pensamento termina, a luz e a sombra continuam, o nascer e o morrer continuam acontecendo; vem o sol, e, quando ele se põe, as nuvens desaparecem; então você olha para o céu, e, agora, tem lá a lua brilhando. Não é um dia ensolarado, não é um dia com nuvens no céu, é uma noite enluarada. Você se levanta pela manhã e, se estiver numa praia, olha para o mar, aquela imensidão de águas, debaixo do sol... Parece que tudo continua no mesmo lugar sem o pensamento, e que a única coisa que desapareceu foi o conflito de uma identidade pessoal, que é só uma crença para conflitar com o outro, com a vida, com a existência. Parece que tudo continua muito bem sem o pensamento.

Dentro dos pensamentos, surgem as crenças, as ideias sobre o que deveria ser, sobre o que não deveria ser, sobre o certo e o errado, sobre as escolhas de uma suposta identidade presente, desse “mim” que está contra "você" – esse “você” que "me" assusta. Eu quero dizer a você que esse bando de pessoas aqui na sala, todos contando variações de uma historia única, a história de alguém, é uma grande ilusão. Somos um bando de pessoas em uma sala com versões diferentes de uma única história: a história de uma suposta pessoa que acreditamos ser, e isso não é verdade. Tudo isso é só o pensamento. Se você é uma pessoa nesta sala, e está muito preocupada com essa coisa chamada Libertação, Realização, Iluminação, isso é só pensamento nublando tudo, nublando o céu. A Liberação, a Libertação, o Despertar, a Realização, ou o nome que você queira dar para essa Consciência livre da ilusão, é algo que está sempre presente. Isso não é para pessoas, muito menos para um bando de pessoas.

O problema com vocês é que se identificam muito com os pensamentos, com crenças, e isso provoca conflito, provoca todo tipo de resposta de ordem pessoal. O ego entra em autodefesa. Vocês estão sempre me falando de problemas, e todos eles são imaginários, são só crenças mentais. Você cria a ilusão de alguém do lado de fora a quem temer, de quem se defender. Nós estamos falando sobre a importância de soltar isso tudo, do colapso, do abandono, do desabar disso tudo, de todo esse jogo. É um jogo sem propósito, algo sem significado.

Participante: Mestre, é impossível me livrar dessa “pessoa” sem a Sua Presença. Quando o meu coração está conectado com Você, não tem espaço para pensamentos e problemas. Isso é lindo, mas percebo que tem que ter um esforço para manter essa atenção. Quem é que está tendo essa atenção?

Mestre Gualberto: Repare que para estar nessa Presença não há esforço. Estar conectado não requer esforço. A Presença é essa Consciência de sua Natureza Real, que está presente neste relaxar, na não ideia, na não crença, no não movimento do pensamento. Isso é algo que acontece naturalmente, e isso é a Real Atenção. Essa Real Atenção é a Consciência da Presença. Isso é possível nesta desidentificação com o pensamento, com todo esse conjunto de crenças, com esse vício de ser alguém. A Atenção Real, que é essa Presença, que é essa Consciência, não requer esforço. O sentido de separação aparece com o pensamento criando conflito, quando ele quer alterar, mudar, quando se vê separado como esse “eu”, com o “outro” do lado de fora. Então, o pensamento, essa ilusão de ser alguém, essa identificação com esse sentido de ser alguém, está em conflito, e isso é a desatenção. Aqui se trata de abandonar esse vício de ser alguém. A questão é essa! A mente sustenta esse sentido de ser alguém, pois essa mente egóica precisa desse significado. Até mesmo o sofrimento, por mais intenso que ele seja, é apenas um pensamento. Isso não precisa dar um significado para esse sentido de alguém, mas o ego está viciado em encontrar significado, em encontrar sua autoimportância, principalmente no sofrimento. “Eu estou sofrendo”. Esse é um pensamento poderoso, do qual esse “eu” não está disposto a abrir mão. O ego ama o sofrimento, pois lhe traz o sentido de existência, lhe dá um sentido de vida; ele se energiza com esse sofrimento e fortalece essa identidade: “aquele” que sofre.

Participante: Como ver a preguiça, Mestre?

Mestre Gualberto: Você tem que ir ao zoológico. Lá tem preguiça, tamanduá, e muitas espécies de animais. Estou falando sobre a ilusão do pensamento, dessa ilusão daquele que sofre. O sofrimento segura uma identidade, fortalece uma identidade.

Participante: Não sei como colocar as palavras certas.

Mestre Gualberto: Não se preocupe com as palavras, elas são só pensamentos também. Se você entrar comigo naquilo que estou colocando, irá ganhar mais do que fazendo perguntas sobre tamanduá, preguiça, ou qualquer outro animalzinho da floresta. Estou falando para vocês que nessa ausência do pensamento, da valorização do pensamento, existe essa Liberdade. A mente não pode alcançar isso, não pode produzir isso pelo pensamento. Se você puder ver Isso, esse é o fim do sofrimento, pois é o fim do “eu”, o fim da ilusão da separatividade, o fim das escolhas.


*Extraído de um encontro via Paltalk no dia 15 de Junho de 2015

 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Um truque da mente

 

Quando digo que se reconhecer é simples, mas não é fácil, não estou dizendo que seja difícil. Porém, por um longo tempo você tem confiado no pensamento; há tanto tempo tem ideias, acredita em conceitos, tem crenças e julgamentos, opiniões, e toda forma de ensino, que se confunde com isso, acredita ser alguém, acredita ser isso, que nada mais são que pensamentos que encontram fortalecimento e continuidade pela simples força do hábito. Isso é o sonho, o sono, a ilusão.

Assim, se você também acredita que o Despertar, ou Iluminação, é algo sobrenatural, está vendo aqueles que estão fora do sonho, do sono, da ilusão, como super-humanos, privilegiados.

A mente aí continuará repetindo: “isso não é para mim”; “não vou conseguir”; “isso é como achar o trevo de quatro folhas”. No entanto, isso é um truque da mente, na busca de sua continuidade.

Realizar ou constatar o que Você é, é simples, porque é o que Você já é. No entanto, se não colocar o coração nisso por completo, inteiramente, tudo continuará como sempre tem sido: sonho, sono, ilusão.


*Extraído de uma fala via Paltalk no mês de Setembro de 2012


terça-feira, 16 de junho de 2015

É Preciso Despertar


Participante: Mestre, você pode explicar melhor, de forma clara, porque não suporto mais essa vida dessa forma? Estou como a grande maioria, mas parece que somente poucos, muito poucos, têm essa sua fala. Por quê? Como nos metemos nisso?

Mestre Gualberto: Você é essa Consciência brincando. O corpo nasceu e deram-lhe um nome; essa forma começou a crescer e as experiências acontecendo produziram memórias - a "mente" é isso. Você se identificou com o corpo, com o nome, com essas experiências, com essas memórias.

E agora é assim: você se confunde com crenças, vive dando importância a essas crenças e acha que Você é isso; então, a coisa fica "séria", mas, na verdade, nada disso é real - isso não é a sua Verdadeira Natureza.

Você é esta Consciência além do corpo, além do nome, das lembranças e das experiências. No entanto, é desta forma: a maioria se identifica com a "mente" e, nessa falsa identidade, se sente infeliz, triste, preocupada, miserável, deprimida, e assim por diante; não se reconhece, e não sabe que está adormecida na ilusão dessas crenças. É preciso Despertar!


*Extraído de uma fala via Paltalk no mês de Dezembro de 2012

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Crenças, Padrões, Compulsões e Vícios (2ª Parte) - Satsang




Participante: Mas isso é muito difícil….

Mestre Gualberto: É difícil porque você está “sozinha”, mas, já mudará, se você souber o que está falando; não é “você” fazendo, é se permitindo deixar a Presença fazer isso. A primeira coisa é entregar. Não adianta dizer: eu vou fazer, eu vou parar. Isso não vai funcionar, pois é só uma intenção da mente repetindo que vai parar. Não é assim que acontece. Você acredita que foi você que criou um padrão e que agora tem que se livrar dele, mas não é assim, não tem “você” aí. 

O problema é que esse “você” se acha tão importante, que criou um padrão e que agora pode se livrar dele. A mente tem sempre essa ideia: se você acha que cortou, pode recuperar; se você acha que desfez, pode fazer de novo. Sempre está na ideia de que “eu sou”, “eu sou o autor”. Se você alimentar essa historinha da mente, você vai alimentar essa ideia de identidade, a ideia de ser “alguém”. 
 
Então, quando a gente utiliza a expressão “Graça”, você não tem ideia do poder que isso tem, assim como, quando a gente utiliza a expressão “Entrega”. Mas você está olhando através de um véu o que eu estou dizendo. Você está sempre olhando para mim como se houvesse alguém sentado aqui, nesse sofá. Quando eu falo “dê para mim”, “entregue para mim”, você acha que tem alguém aqui para receber. Você acha que eu vou receber a sua miséria? A sua ilusão? Ela é queimada nessa Consciência; é queimada nessa entrega, porque você simplesmente está dizendo: “olhe, não dá”…. “só Deus, só a Consciência, só a Presença”. Você quer parar com algumas coisas porque, de alguma forma, isso prejudica essa “autoimagem”, produz sofrimento, mas aquilo que, para você, é uma fonte de prazer não quer soltar, entregar. E aqui em Satsang você percebe isso. 
 
Satsang não é um curso! Isso aqui é um trabalho para ir além dessa ilusão, além desses padrões que vocês carregam, e isso é muito desafiador. Ninguém quer isso; o ego não quer isso.

Participante: Então, Mestre, tudo o que eu fizer tenho que desconfiar? Tudo é padrão?

Mestre Gualberto: Sim, e no ego todo padrão é inconsciente. Por isso é que não importa se você bebe ou não bebe, o que você come ou não come, se você faz sexo ou não. O problema é: eu vou parar com isso, eu vou parar com aquilo. Isso não funciona! Venha a Satsang. Você vai ver que as coisas caem, porque não é você quem faz. Você vai ver que tem algo entrando aí e fazendo. Você pode, no máximo, trazer consciência para alguns comportamentos que são disparados pelo lado exterior, porque a mente ainda é periférica.

Eu só peço uma coisa, para ajudar você a sair do ego: confie no que eu lhe pedir, no que eu colocar para você. Se isso não acontecer, eu não posso ajudar você a ir além da mente, além do ego. É por isso que essa relação, aqui em Satsang, é diferente da relação com um professor – tem algo aqui fora do campo visível, do campo tátil. Quando eu disser para você “não”, é não; quando eu disser “sim”, é sim. Você tem que confiar nisso. Se você não puder ouvir a minha voz, você continuará ouvindo muitas vozes. 
 
Você sabe o que é a mente? A mente é um labirinto sem portas, sem entrada e sem saída. Não tem como sair desse labirinto. Então, você tem que estar ligado nesse elemento chamado Consciência, Graça, Presença, Ser. O Guru não é uma pessoa, não se trata de uma pessoa, não tem pessoa. É impossível uma pessoa tratar disso, porque Isso tudo, que acontece aqui, está fora da mente pensante. Então, minha resposta para você nunca é planejada. Na verdade, você também sabe, só não sabe que sabe.

Participante: Mestre, nós estamos aqui nesse trabalho de entrega, e de desconstrução de tudo aquilo que a gente não é. Porém, lá fora, não é bem assim. Somos cobrados o tempo todo para progredir na vida, ter sucesso, enriquecer esse ego. Como fica isso então? Como servir a dois senhores?

Mestre Gualberto: Eu respondo para você. Deixe a Graça tomar conta disso para você. Você vai perceber, aos poucos, que não existe diferença entre o que está acontecendo dentro de você e o que está acontecendo no mundo lá fora; vai ver que não existe diferença nenhuma, porque não existe lá fora. O “lá fora” que está aparecendo aí é somente uma visão dualista da mente. Você não precisa deixar de fazer nada na vida, tudo flui naturalmente, porque é só o sentido de autoimportância que cai. Você começa a deixar de ter medo das consequências de atos que, até então, achava que estavam sob a sua responsabilidade. Agir na mente requer sempre muito esforço, e esse esforço, em si, trava você, porque há uma procura constante por resultados. Na mente egoica, sempre vai existir essa coisa de viver em busca de resultados.

Participante: Mestre, eu sei que você não é uma pessoa. O que eu sinto por você, não tem como sentir por outra pessoa. Existe um ímã sempre me puxando até a sua presença. Mas, mesmo assim, é muito difícil não vê-lo como pessoa. O que fazer?

Mestre Gualberto: Você não precisa entender o que sente. Enquanto você procurar uma pessoa aqui, vai encontrar essa pessoa em mim. Agora, até para parar de ver essa pessoa, você vai ter que ter paciência, paciência e paciência.

Essa coisa do Despertar é um grande jogo divino. Aqui em Satsang começa a sua entrega. Aqui você descobre que está tudo certo. Você só tem que ouvir a Graça, ouvir a Presença. Não importa se a mente está dizendo o contrário, algumas vezes, “achando” que está brigando comigo, porque na mente você não vai ver o Mestre. Você já está vendo o Mestre aí, no coração. Por isso que esse trabalho está, completamente, acima das possibilidades de ser realizado por “você”. É um trabalho realizado por essa Presença, por essa única Presença.


*Extraído de uma Fala em um Satsang Presencial em São Paulo - Setembro de 2014

 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Crenças, Padrões, Compulsões e Vícios (1ª Parte) - Satsang



 
Mestre Gualberto: Alguma crença?

Participante: Muitas…. todas…. (risos)

Mestre Gualberto: É curioso como vocês têm crenças e não têm perguntas. Ou você não tem consciência da crença? Pergunte se o que você aceita como real para si mesmo é confiável?

Participante: Mestre, e sobre as distrações?

Mestre Gualberto: Qualquer coisa que lhe facilite “deslizar” para padrões de condicionamento é prejudicial, como, por exemplo, fumar e beber. Tudo isso é um ótimo refúgio para alguns padrões egoicos, porque desafoga esse ego e não deixa a dor vir à tona. É uma ótima distração. Tudo o que a mente sabe fazer bem é se manter em continuidade.

A mente egoica é expert em se manter na continuidade, e ela vai fazer de tudo para distrair você. Ela vai levar você para o sexo, o alcoolismo, o tabagismo, ou para drogas, como a cocaína, maconha. Ela vai fazer qualquer coisa, e aquilo que pode ser um simples ato do corpo se torna um ótimo refúgio para o ego. Se isso está aí retroalimentando essa fuga, seja radical, deixe o corpo morrer de inanição. Sexo é a mesma coisa, pois, se é um padrão obsessivo, vicioso, ou uma dependência, um refúgio, é uma miséria. Você não é o corpo. Isso se aplica também a tipos de comida que te fazem mal, até o “tal” do cafezinho. Eu vejo pessoas que dizem: eu não aguento ficar sem meu cafezinho que me dá dor de cabeça….

Participante: E como a gente identifica o que é ato natural, comum, do que é empecilho para esse trabalho?

Mestre Gualberto: Simples, simples. Você está vivo ali, refugiado ali, ou é só um ato do corpo? Vê em que estado emocional, sentimental, você se encontra? Vê o que isso está alimentando? Você tem que ter consciência do que é você, do que se passa aí. Ninguém melhor do que você mesmo. Isso é trabalho interno, isso é trabalho de consciência. O que se torna um refúgio, para uma suposta entidade separada, é uma dependência a favor, ou um instrumento poderoso do ego. A própria prática da meditação pode ser um vício tão terrível quanto a cachaça ou a maconha.

Participante: Mestre, a bebida sempre fez e ainda faz parte da minha vida, só que agora de forma diferente. Antigamente havia uma necessidade de beber, porque diante de uma tensão ou incômodo eu percebia que a bebida anestesiava isso e me fazia relaxar. Nessa época, a bebida era uma fuga, era uma válvula de escape. Então, é claro que o ego estava sobrevivendo ali e se aproveitando desse recurso. Hoje em dia, eu continuo a beber uma quantidade que não altera a percepção, como se estivesse bebendo água, um ato simples, natural. Mas para que eu chegasse até aqui eu precisei ficar quatro anos sem beber, em abstinência, porque eu não sabia lidar com aquilo.

Mestre Gualberto: Você tem duas formas de lidar com essa questão. Ou você é radical, corta tudo e para de beber, ou você traz consciência para aquele instante e deixa de usar aquilo como instrumento de fuga. Então, fique um tempo sem consumir e observe como o ego se comporta. Se realmente você não conseguir, você é um compulsivo. Ou quebre o movimento do hábito: se você fuma dez, passe a fumar um. Deixe o corpo e a mente brigarem; o sistema nervoso entrar em abalo e o corpo entrar em abstinência. Deixe o ego entrar nessa loucura toda, pois isso não vai te matar, não.

Você vai notar uma coisa: o padrão de comportamento compulsivo vai mudar. Na verdade, todos são muito compulsivos e não têm consciência dessa compulsão. Vocês não podem ficar identificados com o corpo. Esse trabalho vocês têm que fazer.

Tudo o que o corpo pede você dá, só que, na verdade, não é o corpo pedindo. É uma suposta necessidade do corpo, que, na verdade, é uma ilusória necessidade mental, egoica. O problema de tudo isso é um só: você não tem consciência de que isso é só o corpo. Você fica tão identificado com o corpo, que não percebe o quanto está valorizando esse “eu sou o corpo”. O problema está na ideia de que você é “alguém” ali. Aí você está na miséria, num problema muito sério, porque você está muito identificado com o corpo. O Estado Natural é um estado livre da identificação com o seu corpo.

Participante: Mestre, havia um padrão aqui que incomodava muito, que era um padrão compulsivo por sexo. Mas, aqui em Satsang, há uma disponibilidade muito grande de entrega, que permite colocar todos os padrões às claras e olhar para todos eles. Quando eu reclamava sobre isso, você não me falava para eu parar de transar, e sim de que isso era um problema do corpo. E simplesmente mostrava que eu não estava focado naquilo que Você estava me apontando. Hoje, esse padrão ainda existe aqui, mas com muito menos força. Não me sinto responsável por esse padrão, não fui eu quem criou esse padrão.

Mestre Gualberto: Isso precisa ficar muito claro para vocês. Não é gerar uma culpa, achando que você pode fazer alguma coisa para mudar o padrão. Tudo o que você precisa fazer é se permitir a deixar o padrão quebrar; não precisa ser impiedoso quanto a um padrão, apenas ver e soltar, ver e soltar. Solte a compulsão, deixe o corpo brigar, deixe a mente chorar... Tudo o que você precisa fazer é se permitir e deixar todos esses padrões soltos, disponíveis a Graça. Entregue isto para Deus e Ele cuidará disso.



*Extraído de uma Fala em um Satsang Presencial em São Paulo - Setembro de 2014


OBS: Segunda parte desta transcrição: http://marcosgualberto.blogspot.com.br/2015/06/crencas-padroes-compulsoes-e-vicios-2.html

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Meditação é esse encontro com a sua Natureza Real



Tudo aquilo que é encontrado não é encontrado no passado, nem no futuro, mas sempre no presente momento. Então, não adianta a busca, porque ela pressupõe o futuro, uma caminhada, uma jornada. Esse “encontro” é algo presente neste momento, mas tem sido assim – como parte do pensamento – a ideia de encontrar paz, felicidade, liberdade, esse encontrar que pressupõe o futuro, e aqui vem uma voz e diz a você: o encontro é sempre no presente momento. Encontro pressupõe estar com Aquilo, com Isso; e é agora! O que temos que “encontrar” no encontro – a Verdade – é algo presente. Se pudesse ser encontrado, não seria a Verdade.

Se é a Verdade, Ela está agora presente, e o encontro é agora! Talvez você pergunte qual é a dificuldade que temos neste encontro com a Verdade presente neste instante, agora... A dificuldade é apenas a ideia de que Ela esteja lá no futuro. Se você relaxa em seu Ser, se você mergulha nessa constatação daquilo que Você é neste instante, não encontra outra coisa além disso que Você é, e Isso é a Verdade. Daí a importância dessa autoinvestigação, que é essa observação daquilo que se passa agora, aqui, neste instante. 

Eu quero propor algo a vocês, o que eu poderia chamar aqui de "a essência da meditação": fique agora aqui! Não se conecte com o que quer que apareça aí. O pensamento aparece? Deixe-o vir e ir, e não salte sobre ele. O sentimento surge? É só um sentimento, não estava aí e agora surgiu; não se conecte com ele. Uma emoção? Faça o mesmo. Até mesmo agora, aqui, o corpo presente constata uma temperatura no ambiente; desconecte-se dessa temperatura. Não se conecte com nada que apareça agora, aí. Se está aparecendo, está aparecendo nisso que Você é, mas não é Isso que Você é. Você é essa realidade que constata o que surge, seja um pensamento, um sentimento, uma emoção, ou essa temperatura aqui no ambiente. Experimente isso agora, neste instante. 

Meditação é simplesmente ser - ser Isso que constata qualquer coisa que apareça aí, de olhos abertos ou fechados, desconectado completamente. Isso “tira” algo particular e “coloca” a totalidade presente, a qual está surgindo nesta Ilimitada Consciência que é Você, que constata tudo. O som lá fora passa, o pensamento aí dentro passa, qualquer coisa que esteja acontecendo do lado de fora ou do lado de dentro passa, e Você está aí, inteiramente presente, agora, neste instante.

Esse é o encontro, que é Liberdade, Beatitude, Paz, Felicidade, Graça, Amor, Verdade, Silêncio. Você se permite isso, se aprofundar, descansar nisso... se assentar no coração, no centro dessa Presença. Isso você faz de olhos fechados ou abertos. Meditação é o encontro com essa Totalidade, com essa Ilimitada Presença Divina, com essa Consciência, com a sua Natureza Real.


*Trecho de uma fala de um encontro presencial em Piabetá – Magé – RJ em Marços de 2012


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