quinta-feira, 28 de maio de 2015

Um Encontro Para Uma Profunda Mudança - Satsang

 
É muito bom estarmos juntos! Esse encontro tem como propósito, como objetivo, qualquer coisa, menos aquilo que parece ser o mais aguardado, o mais esperado, dentro de um encontro em que uma fala acontece. Qualquer coisa pode acontecer aqui, neste instante, menos um encontro com a informação. Aqui, ser informado – fazendo um trocadilho com palavras – é diferente de receber informações, pois pode representar uma profunda mudança em nosso modo de nos aproximarmos da vida. Nesse encontro, ser informado significa receber um “toque”, um “empurrão”, ou uma “mão”, que pega na nossa e nos leva para perto. Isso é uma indicação daquilo que podemos ver, perceber, juntos aqui. É nisso que está a beleza desse encontro. Mais uma vez, um trocadilho com palavras: o encontro da beleza desse encontro está em perceber Isso que está presente agora, não como parte de sua vida, mas como a sua própria vida!

A vida, para nós, é um conjunto de regras, de padrões aprendidos, de comportamentos adquiridos, em meio a toda forma de frustração, medo, conflito e desejo. E, aqui, quero dizer a você que a sua vida é a sua existência, e essa sua existência é a própria Existência. Ela não é algo pessoal, algo particular e, portanto, não é algo dentro desses padrões, dessas regras, desse modelo de existência frustrada, complexa, desordenada, infeliz.

Aqui falo da Vida, da Existência, que acontece neste instante. É neste momento, que, de forma inocente, sentimos o pulsar da Existência, livres de regras, padrões e qualquer esquema desses que têm sido tão comuns a cada um de nós. Falo dessa Vida que acontece neste presente momento; dessa Existência que se revela neste instante. Isso significa estar livre de tudo aquilo que o pensamento tem produzido e colocado aí; daquilo que ele nos forçou a sentir e ter como real. Fica claro – como o céu sem nuvens em um dia ensolarado – que a sua Vida, a sua Existência, é algo muito maior que essa tolerância, que essa aceitação de uma vida pequena, restrita, mesquinha, tão estreita, como tem sido a vida pessoal, essa existência pessoal, de cada um de nós.

Então, tal encontro é como um convite a esse céu aberto, luminoso, sem nuvens! É quando você se encontra com Você mesmo! Quando você se encontra naquilo que Você é. Você é essa imensidão! Se o céu pode ser todo seu, ou se você pode ser todo esse céu, por que olhar para esse céu através da moldura de uma janela, de dentro de uma casa? Porque assim tem sido a nossa vida, nossa existência.

Nós temos frisado muito isso: a Vida não é sua, a Existência não é sua! E Isso é lindo demais! Isso significa não estar restrito, não ser responsável e não se sentir assim. Nós fomos treinados a nos sentirmos assim, a nos sentirmos responsáveis. O Despertar é esse salto para fora de tudo isso, para fora dessa limitação que tem sido essa vida, essa existência, através dessa ótica que é olhar para apenas esse pedaço de céu, através dessa janela. Como é que soa isso para vocês?

A meditação é essa porta, que é o seu Estado Real, seu Estado Natural, que lhe mostra o que a Vida é, o que a Existência é, quando a vida não tem mais o formato desse enquadramento, dessa janela. Aí, a Vida é esse céu, a Existência é esse céu, a Meditação é esse céu. Ela não só lhe mostra Isso, ela também é Isso! Isso é o Estado Natural, que se revela, se mostra, se declara, de forma inconfundível! É tão natural isso! É aquilo que Você é!

A pergunta que temos presente aqui é se podemos assumir isso, se estamos dispostos a assumir isso de estar fora de toda essa limitação, de todo esse senso de responsabilidade e de padronização, de tudo isso que tem criado essa artificial vida, existência, de cada um de nós. Isso significa se reconhecer naquilo que não tem forma, que não tem nome; naquilo que é Verdade, Beleza, Graça, Liberdade, Amor; naquilo que é o Sagrado! Esse novo modo de olhar, sentir e ser é esse imenso e extraordinário modo de viver. 

A boa notícia é que Isso está presente agora, aí mesmo! Eu posso ver Isso aí! Você não vai trazer Isso de fora, não vai construir Isso, então não precisa acreditar que em um determinado momento Isso vai chegar à sua vida, à sua existência, pois isso já é “sua” Existência, já é “sua” Vida. Está claro isso? Se isso se torna claro, assim acontece exatamente a Isso que Você é, e não a esses padrões de crenças que você já tem. Então, se estiver claro, fique com essa clareza, e, se não estiver claro, não muda em nada aquilo que aqui estamos dizendo.

Essa é uma fala que nos conduz à perfeita constatação daquilo que eu posso ver aí, e isso você percebe quando ela lhe aponta esse silêncio. Assim, nós colocamos muitas palavras, como aquele pintor colocando tinta sobre a tela, produzindo um quadro, mas quando você está aberto a isso, desde o primeiro minuto da fala você já tem o quadro todo, antes mesmo de vê-lo terminado. Faz sentido isso? Faz sentido eu dizer para você que não é a fala? Que não é o que dizemos, mas sim o que Você é? É o que Você é quando essa visão se mostra inteira, completa, total. Você é sempre essa Realidade! Um céu sem nuvens, em plena claridade, tão claro, tão luminoso... Fique aí!

Assim sendo, apenas mais uma coisa: veja isso diretamente, sem qualquer apoio, sem qualquer ajuda, sem qualquer necessidade da intervenção das ideias, das crenças e dos conceitos. Ouvir essa fala faz muito sentido quando o coração está presente ouvindo, quando, de fato, desde o primeiro minuto já fica clara toda essa pintura sobre a tela. Essa é a “sua” Vida, é a “sua” Existência, é a “sua” REALIDADE. É isso. É somente isso.


*Trecho de um fala ocorrida em um Satsang presencial em Março de 2012

 

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