segunda-feira, 18 de maio de 2015

Onde estão o medo e a dor?


 
 Pergunta:

  - Mestre, conforme postei na comunidade do UCEM (Um Curso em Milagres), seria proveitoso ao ser humano considerar a dor incompreensível? Devemos "atravessar" a dor?
Mestre Gualberto:

  - O que de fato significa a palavra “dor” aqui? Se provo uma manga e ela é doce, há prazer nisso. Se sou picado por uma formiga, há dor nisso. Mas é dessa dor de que estamos falando? Essa dor é algo muito simples e direto acontecendo no corpo, algo muito natural. O corpo vive em dor e em prazer durante toda a sua vida. Isso é bem simples, é da natureza do corpo. Entretanto, estamos falando aqui de outro tipo de dor, que é aquela que surge quando você é abandonado, sente-se em solidão, perde o que é “seu"; a dor da ansiedade ou do medo, em suas variadas formas, como o medo da morte, por exemplo. Que realidade isso tem? Onde isso acontece? O que é sua estrutura? Existe "alguém" sentindo isso? Há alguma “pessoa”, algum “mim”, algum “eu”?
Já entrou fundo nisso, sem julgar, racionalizar, justificar ou fugir? O que acontece? É possível ficar neste presente momento, abraçando o que quer que apareça aqui, neste amor incondicional? Sem qualquer ideia de que deve livrar-se de alguma coisa que chama de "dor"? Sem separar-se da experiência? É aqui que está a coisa toda. O pensamento sempre se separa da dor e escolhe o prazer, criando uma resistência, e nesta resistência cria o conflito, o sentido de um “eu” que sofre, uma “história” sobre a experiência. Porém, só há experiência, e não “alguém” vivendo essa experiência. Neste ver diretamente temos o fim dessa ideia de um “eu” separado. Se isso é visto, é o fim do sentido de separatividade, o fim da “dor”, de um “mim”, de um “eu”. Onde está a “dor”, então?


 *Extraído de um encontro ocorrido em maio de 2012

 

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