segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Agora é a Alegria Natural



Atentem para aquilo que a gente vai falar agora para vocês aqui: há uma grande alegria sempre no presente momento. Há uma grande alegria no agora, uma alegria que não pode ser encontrada, pois tudo o que pode ser encontrado só é encontrado se for buscado. E essa é a coisa que, quando nós buscamos, nos afastamos dela.

Alegria não se procura, alegria não se busca. A busca da alegria do presente momento é o afastamento desta mesma alegria, porque a mente “escapa”. A natureza da mente é sempre buscar alguma coisa. Você está agora, aqui, e nunca saiu, mas a mente nunca está aqui; ela não encontra o agora, pois no agora ela desaparece. Então, o que acontece com a mente? Ela está sempre procurando e nunca para, porque o seu movimento é o movimento da procura.

Para a mente, o passado, o futuro e o presente são, ainda, uma procura. Não há nada, como o presente ou uma parada para a mente. O presente é só um meio de adquirir alguma coisa, olhando para o passado ou para o futuro. Assim, você não precisa procurar, e se você aparece procurando é a mente fazendo isso. Eu falo da alegria ou da paz, da liberdade ou da felicidade. O que quer que a mente crie, como motivo de procura, são suas estratégias, porque, no presente momento, o agora é indigesto, é um veneno para ela.

Quando eu falo da mente eu não estou falando do intelecto, estou falando da mente. A mente é um outro nome para esse sentido de separação desse instante, desse presente momento, no agora. Sua mente nunca está agora e aqui, porque no agora e aqui não há mente. Ela só conhece o passado, o presente e o futuro; não o agora, esse instante, esse momento, esse presente momento. O presente, para a mente, é uma procura do passado. Reparem no que eu estou dizendo: no presente, a mente está sempre em busca de lembranças ou daquilo que ela idealiza, deseja, e isso é futuro. Então, o presente momento para a mente é só um meio, uma coisa utilitária, do qual ela faz uso. Esse agora, esse instante, o instante agora, aqui, é onde essa Presença, essa alegria de ser mostra-se, revela-se, naturalmente, sem procura.

Assim, você precisa (e isso de uma forma natural, sem esforço, sem qualquer trabalho volitivo do querer, da vontade, do desejo, do motivo - tudo isso que implicaria, ainda, a própria mente presente) apenas ficar consigo mesmo agora. Percebe o que estou dizendo? Ficar quieto, completamente indiferente, indiferente ao que quer que a mente produza aí, queira fazer, realizar ou mostrar para você. Essa “indiferença” é o que eu chamo de “incondicional amor presente”. Você não briga, porque quem brigaria com a mente, senão ela própria? Você não reclama, quem reclamaria? Você não força qualquer situação, porque quem forçaria? Você apenas fica quieto, deixando a mente fazer o seu trabalho, e você fazendo o seu. Guardem isso: a mente não é a inimiga, pois ela é o que é, e você é o que você é. Está claro isso? Tudo aquilo a que você resiste recebe força e vitalidade de sua própria resistência.

Estou mostrando-lhe aqui o que é a vida real, a vida sem o “eu”, sem o “ego”, sem a “pessoa”, sem o “mim”, o que não é outra coisa se não resistência ao instante, ao momento presente, ao agora. Vocês percebem isso? Não há necessidade de alguém aí. Você não precisa de “você”. Livre-se logo dessa ideia, dessa necessidade de ser “alguém” agora.

Vocês têm muito isso: precisam ser importantes, contando proezas ou desgraças, pois precisam ser importantes, projetando o futuro, ideias, inconscientes da alegria desse instante, deste agora, deste momento, ou buscando esses arquivos empoeirados, corroídos pelas traças dessa memória, desse passado.

Tudo o que temos em Satsang é o agora. Tudo o que você tem é o agora.

O agora é a alegria natural, e eu falo de uma alegria que não tem contrário, não tem oposto. A alegria que tem um oposto é aquela alegria ainda mental, que tem uma história por detrás. Uma história feliz, essa alegria, tem um contrário que é a tristeza, com uma história infeliz por detrás. Eu falo de uma alegria que não tem contrário, que não tem oposto. A Paz é inerente a esse Estado Natural que se revela, agora, como sua Real Natureza. E essa é a natureza essencial, como o coração de todos os seres e de todas as coisas, o centro, o cerne de tudo o que dizemos, ou da nossa proposta em Satsang. E é isso que está sendo colocado, agora, aqui, para você.

Realize, ou se permita, isto agora: Paz, Felicidade, Liberdade, Amor, Verdade, ou seja, a não-dual vivencia nisto ou naquilo que é a “experiência”, agora, sem separação, esta que só é possível como ideia, pois, de fato, não há separação entre sujeito e objeto, experimentador e experiência.

Se você está agora e aqui, já tem tudo aquilo de que precisa, para ser o que você já É. Nenhum esforço, trabalho, e nenhuma prática são necessários. É só ficar quieto, e isso não requer nenhum esforço. Compreendem isso? Tudo o que temos feito, e estamos fazendo para deixarmos este ponto, fomos treinados para isso. Tudo o que estamos fazendo ou procurando fazer, que tem esse objetivo bem firme na mente, não é seu, é da mente; não é seu sonho, é o sonho da mente; não é o seu propósito, é o da mente; não é você, é a mente. Você não tem nada a ver com a mente.

Todos estão à procura de alguma coisa, mas quem está à procura de alguma coisa, senão a mente? A mente quer encontrar, realizar, fazer, construir, manter e sustentar algo. Muito, muito, muito ambiciosa, a mente deseja ser maior, superior, em alguma coisa, e isso é estar fora daquilo que está tão diretamente presente AGORA e AQUI, que é Alegria, Paz, Liberdade, Simplicidade, Amor, Graça e Presença, que é completude, que é totalidade, que é TUDO.

O “jamais sonhado" está presente quando todos os sonhos terminam. O "imaginável" está presente quando toda a imaginação termina. O "todo desejado" está presente quando todos os desejos terminam. O "Grande", o "indescritível”, o “Amado", está presente quando todos os amados, queridos e desejados terminam. Então, fique aí, de onde você nunca saiu. Apenas fique aí.

*Trecho extraído de um Satsang com o Mestre Gualberto em Junho de 2012

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