quarta-feira, 27 de maio de 2015

Nada Aconteceu - Satsang


Observe, escute o som: a criança lá longe, a mãe falando... um pássaro aqui. É o som que você escuta. É o brilho das coisas aqui à sua volta – nada, além disso. Há, também, a ideia sobre isso surgindo, colorindo e buscando formatar isso que está sendo experimentado nesse instante. A mente nada mais é do que isso: uma tentativa grotesca de formatar o que acontece, dentro de um padrão que ela possa identificar depois; é o que chamamos de memória.
Nada aconteceu. A formatação, que é essa tentativa de colocar uma identidade num dado instante, é sempre um fracasso. O detalhe é que, sem a percepção disso, sua vida se resume a esse fracasso, que é a confiança e a crença de que aquilo que está aí como passado, que nada mais é do que a interpretação deste momento, que já foi, é real. Você tem sempre esse momento, nada além dele, e isso instante a instante, sempre esse momento. É só você dizer para si mesmo: “esse momento”.
Isso não satisfaz a mente. Ela quer eternizar esse momento, e por isso ela faz tal coisa. Ela vai lá e ajunta esses diversos quadros: o som daquela criança com a mãe agora há pouco; o som desse pássaro aqui em cima; e dessa outra criança aqui à direita. Nas cores, no brilho do sol, na luminosidade do ambiente, no momento, num copo d'água na mão, ou seja, em qualquer cena, evento, pequeno incidente, em qualquer acontecimento, é aí que está a mente. O presente momento, aquilo que nada mais é do que esse instante, o que se apresenta agora, aqui, sem a intervenção do pensamento, é tudo.
Não tem “alguém” aí, a não ser que o passado se apresente com essa formatação, agora, aqui, como uma cortina, impedindo você de ouvir esse pássaro cantando, agora, aqui em cima, e as crianças correndo e gritando lá longe. Nada disso aqui é importante para você quando a mente está presente. Para a mente, “você” é importante e isso aqui é tempo perdido; “nada disso está acontecendo”, porque você é o centro desse lugar, o agora - isso é o sentido de separatividade. Aqui, você é mais importante do que todos os outros presentes, do que essas árvores, aqui em volta; mais importante do que aquela criança gritando lá longe, do que o pássaro cantando ou as crianças correndo. Não tem mais ninguém aqui, só sua mente: o “centro do universo”, que deve ter um espaço em volta. Isso é mental. Isso é “você”. A mente egóica, o sentido do “mim”, do “eu”, é somente isso; não é esse ouvir claro, esse olhar claro, esse sentir claro, porque não há clareza na mente. Mente é alienação desse instante. Passa o pássaro agora, voando sobre nós, e a mente ignora isso, porque o som dela é mais alto do que o daquelas crianças e o desse pássaro. Observe: ela está aí, ocupando-se com o “seu universo”, do qual ela é o centro.

E você me pergunta: O que é ser livre? E eu lhe respondo: não há fórmula para isso. Acho que temos que comprar um livro a respeito disso (risos). Temos que aprender sobre isso em algum manual. Tem o livro “como ficar rico” e tem o livro “como se iluminar”, um de 07 passos e, também, o de 14 passos (risos).
A Iluminação, ou Realização, ou Despertar, não é nada que a mente possa saber do que se trata. É exatamente quando ela não está que este momento está presente, o momento do despertar. Este instante é o despertar. Não há “ninguém” ou “alguém” para despertar, porque esse “alguém” seria o centro do seu universo.
A graça, a beleza, a maravilha, o silêncio, o amor presente nesse instante é você em seu Ser, quando a mente não está. Esse é o Despertar; só não tem alguém aí.

*Extraído do trecho de uma fala ocorrida em Novembro de 2012 no Parque Eduardo Ginle, Larenjeiras, Rio de Janeiro - RJ

 

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