terça-feira, 26 de maio de 2015

Fique Atento a este movimento interno - Satsang


Fique atento a esse movimento interno, sem saltar por cima dele, sem se agarrar, se prender a ele, sem se confundir e se misturar com ele. Quando alguém pergunta o que é que eu quero dizer com a palavra identificação, é exatamente isso: você se identifica com um pensamento e ele o transporta para todos aqueles estados, e, então, “você” é aquilo! Você é aquele medo, aquela depressão, a ansiedade, a contrariedade, o aborrecimento... “Você” é aquilo! Isso é inconsciência, é estar adormecido. Essa inconsciência absoluta é o que poderíamos chamar de “mente egoica”.

Não há verdade no ego e na mente, porque não há ego, nem mente. No entanto, eles aparecem juntos como um só movimento, nessa inconsciência, nessa desatenção. Isso está presente, e “você” é isso. Você não é outra coisa nessa identificação. Curiosamente, você nunca deixa de ser quem de fato Você é: essa própria Presença, desidentificada dessa historinha, desse padrão, desse condicionamento que está se manifestando neste instante. Isso é muito sutil.

Por uma força de hábito, noventa e nove vezes a cada cem, a sua mente o carrega para esses estados de autoidentificação, autoidentidade e autoexpressão. Assim, esse trabalho de atenção sobre si, de observação desse movimento interno, requer energia disponível para isso; essa mesma energia despendida no “tagarelar” desnecessário, nessa coisa de falar o tempo todo, de imaginar coisas, de “viajar” nessas imaginações, algo tão comum nesse devaneio (a expressão é essa). Seu corpo está presente, agora, aqui; você está inteiro, completo, agora, aqui, mas o pensamento vem e o transporta, nessa inconsciência, para esse estado que ele autoprojeta, que ele idealiza. Essa é a viagem do sentido de separação, de divisão, de não atenção a esse instante, a esse momento, ao “agora-aqui”.

Essa inconsciência, essa mecanicidade, essa desatenção àquilo que Você é agora, aqui, se tornou o padrão comum da Consciência. No entanto, se você fica atento a esse movimento interno acontecendo, descobre que ele está acontecendo agora. Você não o rejeita, não luta contra ele, não faz nada; simplesmente constata a sua presença acontecendo agora, aqui. Assim, você não é capturado, não é conduzido por essa inconsciência, por essa mecanicidade, por esse padrão habitual. Você agora está ciente do que É. Não importa o que apareça aí dentro da Consciência, Você é essa Consciência agora, presente. É assim. Você é essa Presença, essa Consciência. Você é Isso, no qual tudo mais acontece, e isso é Liberdade! Então, suas respostas já não são mecânicas, não são reativas, automáticas, inconscientes. Se há uma resposta, é uma resposta presente agora, acontecendo aqui, com nada fora desse momento, desse instante.

Alguém diz: “você não gosta de mim”. Quando alguém diz isso, a mente ali, naquele organismo, naquele ser humano, está configurando um quadro de alguma coisa que viveu há dois dias, e, agora, aquela memória vem, assume esse estado de inconsciência naquele organismo, naquele ser humano diante de você, que diz: “você não gosta de mim”. Inconsciência pura! Uma imagem assumiu o controle, e aí você entra no jogo. Você tenta justificar, explicar, faz perguntas acerca disso… Pronto! Você caiu no jogo! O que é que nós temos? Duas imagens se encontrando, mas imagens não se encontram nunca! O conflito é certo, é algo “líquido”, algo que está aí, que sobra em todo esse jogo de personalidades, imagens e inconsciência.

Se você está atento a esse movimento interno em si, percebe isso claramente. Você sabe que não há nada a ser feito ali no “outro”, mas aí sim: Atenção, Presença, Consciência. Você sabe que tudo aquilo é uma ilusão. Você vê a ilusão e, nessa atenção sobre si, há uma profunda compreensão daquele estado, porque não é algo diferente do que já se passou aí, ou daquilo que se passa aí quando essa inconsciência também está presente. Vocês estão compreendendo isso? Isso põe fim ao conflito. Não põe fim ao ilusório sofrimento ali, mas põe fim ao sofrimento aí, porque existe a percepção de toda essa bobagem, de toda essa ilusão.

*Extraído de uma fala de um Satsang Presencial no Rio de Janeiro em Março de 2012 

 

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