quarta-feira, 20 de maio de 2015

Desperte para a Sua Real Natureza



Você está se confundindo com uma ficção: a ficção do “eu”, a ilusão da presença de “alguém”. Há somente a Presença, mas você se confunde e a particulariza, a torna pessoal. Quando ganha alguma coisa, é “você” ganhando; quando acontece alguma coisa, é algo acontecendo a “você”. Se é algo bom, “você” fica feliz; se é ruim, “você” fica triste, amargo, chateado... Mas é sempre a velha noção de que “você” é a Presença que está aí.

Como “você” pensa, sente e age, suas ações, seus sentimentos e seus pensamentos estão aí nessa ilusão; na ilusão de que estão acontecendo porque “você” está produzindo isso, ou na ilusão de que é algo que está acontecendo para “você”, como uma entidade separada, como uma pessoa. Então, isso  sempre será difícil, porque você está lidando com uma ilusão.

Como pode haver verdade na ilusão? Como pode haver liberdade na ilusão? Como pode haver paz na ilusão? Por isso eu tenho dito: “você” é uma fraude, porque é só uma imaginação; a imaginação de alguém sofrendo ou gozando as consequências das ações, dos pensamentos e dos sentimentos. Quando está alegre, você diz: “eu estou alegre”; quando está triste: “eu estou triste”; quando coisas boas acontecem, acontecem a “você”; quando coisas ruins acontecem, acontecem a “você”.

Dessa forma, como vocês vão lidar com isso? Como você, que é médico do corpo, vai lidar com o seu paciente dizendo-lhe que ele não é o corpo? Que isso está acontecendo, mas não a ele, e sim ao corpo? Como você, que é médico da mente, vai dizer ao seu paciente que isso está acontecendo à mente, e não a ele? Como é que você, quando não receber algo de alguém, vai olhar para si mesmo e ver, claramente, que não tem problema, que ela ou ele não está lidando com uma "pessoa", aí?

Ramana dizia: “o corpo é a doença”. Quando o corpo está doente, como isso pode ser ruim, se a doença está atacando a própria doença? Quando alguém vem a mim e pergunta sobre como se livrar da ansiedade, como se livrar da depressão, eu digo: “por que você quer se livrar disso?” Aí, eles respondem: “porque isso está atrapalhando tudo, isso é ruim, eu me sinto mal"... Vindo uma série de respostas. Então, digo a eles: “você está em um grande momento! Um momento de entrar em decepção! Você vai ficar decepcionado consigo mesmo; vai ver a sua incompetência, a sua incapacidade, e o quanto é inadequado carregar esse sentido de 'alguém' no seu viver. Isso é só um convite para você abandonar esse sentido de alguém, não é uma coisa ruim acontecendo. Na verdade, é uma grande bênção essa depressão! Isso é um convite da Graça, da Consciência, para você abandonar esse sentido de uma identidade pessoal na experiência. Só isso! Não tem nada de errado acontecendo. É a doença atacando a doença. Isso é uma bênção! É o sentido do 'eu', que é uma doença, atacando a ele próprio, autoafligindo-se”. É nesse sentido, também, que Ramana dizia que o corpo é uma doença: se o corpo está doente, isso é uma coisa boa; é a doença atacando a doença.

Quando a experiência do viver não é somente a "experiência do viver", e há a ilusão de "alguém" nessa experiência tentando controlar, ajustar, acertar, fazer algo com isso – quando tem esse “alguém” aí – surge o conflito, surge o problema, surge a doença, que não é uma coisa ruim, mas apenas uma cobrança da Existência, da Vida, da Consciência, para que as coisas voltem ao lugar.

Como o corpo não tem conserto, porque ele está destinado à morte, ele nunca vai ficar saudável e terá sempre uma doença. Assim como a mente egoica, por estar destinada a desaparecer, também nunca vai ter saúde. A natureza da mente é ser insana, e a natureza do corpo é ser doente. Você nunca vai encontrar um corpo humano sem um problema de saúde. É a natureza do corpo, assim como é a natureza da mente. Ambos estão destinados a desaparecer, porque são aparições do desejo, do ego. É o ego que deseja o corpo para experimentar o mundo como uma entidade. Então, o corpo não tem cura, doutor; mente não tem cura, doutor. Você não tem cura como uma entidade separada, como alguém, como uma pessoa. Você não é isso! Mas, confundido com esse corpo-mente, você é incurável! Então, não se importe com o corpo, não se importe com a mente. Veja até onde isso aí aguenta e, nesse ínterim, desperte para a sua Real Natureza!


*Trecho extraído da fala de encontro presencial na cidade do Rio de Janeiro em Maio de 2015




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações