segunda-feira, 25 de maio de 2015

Apenas ficar com isso que somos - Satsang



Há somente o vazio, e esse é o pleno preenchimento. Toda essa procura por alguma coisa presente é todo o absurdo. É absurda a tentativa de encontrar Aquilo que já se encontra aqui.

Nós temos aqui duas coisas bem claras. A primeira é a ideia de encontrar algo, sempre implicando alguma coisa que temos como um conceito. Um conceito é uma imagem, e uma imagem é algo que a nossa imaginação cria. Então, a primeira coisa a ser vista é essa: não podemos encontrar um conceito, uma imaginação, uma imagem.

A segunda coisa a ser vista é que aquilo que procuramos lá no íntimo, no fundo, nada tem a ver com essa imagem, com esse conceito, com essa imaginação. Isso não precisa ser encontrado, já está presente. Isso que no íntimo queremos encontrar não pode ser encontrado, porque já está presente, já está aqui. E aquilo que imaginamos que pode ser encontrado não faz parte da realidade. Então, ficamos com essa coisa absurda.

Você não pode encontrar o que não pode ser encontrado. Você não pode encontrar, também, aquilo que a sua imaginação fabricou, construiu, idealizou, que ela projeta como algo real. Veja em que situação nos encontramos. Nessa procura, repare na situação em que nos encontramos!

Você não tem que dar um passo, ou criar um só pensamento acerca disso. Você só precisa ouvir o seu coração. Ele é o único que pode lhe falar algo a respeito daquilo que ele mesmo anseia, busca, procura. E a única coisa que ele vai lhe dizer é: não procure; estou aqui, basta me ouvir; não saia, não se mova.

Essa é a mensagem da Verdade presente. Essa é a palavra real a ser ouvida, que só é ouvida no coração. Assim é porque vocês não escutam um intelecto que fala a respeito disso, mas um coração que vive isso agora, nesse instante. Então, é um coração que fala, que escuta - é um coração que fala consigo próprio. É ele que precisa ser ouvido.

Essa voz é a voz Divina, a voz da Verdade, é a voz do Encontro. Esse encontro é uma constatação simples e direta, inconfundível. Quando ISSO está presente não há dúvida, não há medo, não há receio; não há qualquer anseio, também. Assim, não há mais esse absurdo de querer "encontrar", longe, do lado de fora, em alguma parte.

Você só pode ouvir a Si Mesmo em um encontro que realiza essa Verdade do “preenchimento”. Não esse preenchimento que a mente procura, mas um tipo de “preenchimento” no qual nada fica para ser preenchido; só o “preenchimento” está presente, e nada presente para ser sentido. Isso é bem paradoxal, mas a vida é assim.

A Liberdade é assim, o Amor é assim. Tudo o que é Real é paradoxal, como, também, esse “encontro” e o “preenchimento”. Reparem que podemos colocar isso de outra forma, também. Há um vazio presente: se você o aceita, ele é o seu próprio preenchimento. Porém, se não aceita esse vazio, você quer caminhar para algum lugar e encontrar isso lá fora - aí você entra na ilusão de encontrar alguma coisa que sua mente projetou, idealizou, imaginou.

A Verdade que seu coração anela é encontrada quando você não se move, quando aceita esse vazio. Então, esse vazio é seu próprio preenchimento.

A mente teme esse vazio, e busca um tipo de preenchimento diferente desse que estamos falando. Ela quer preencher esse vazio, então a gente começa a viajar. Mas você não tem que viajar para algum lugar; apenas a viagem de alguns poucos centímetros, na realidade menos de 50 cm - do cérebro ao coração. Isso dá menos de 50 centímetros. Você tem que sair da cabeça e olhar tudo. E esse olhar tem que nascer dessa luz presente em seu coração. Aí está tudo, tudo, tudo.

Só há o vazio, e esse é o pleno preenchimento. Esse é o preenchimento no qual você não está presente como alguém, como uma pessoa. Você não é o corpo, não é a mente, não é uma pessoa, não é alguém, não é um ser humano! Você é esse vazio. A mente teme esse vazio, quer construir algo sobre ele, mas esse vazio não pode ser estrutura para alguma coisa. Assim, no dia em que isso é claro - naquele dia não, e sim naquele momento, instante, em que fica claro - você desiste de procurar, de bater em todas as portas.

Nem a filosofia, nem a religião, nem a psicologia, nem a lógica, nem a ciência, nada disso pode ser uma construção sobre esse vazio. Eu poderia aqui entrar em detalhes, mas isso não é necessário. Nós estamos colocando de uma forma direta que nenhum desses ramos - da ciência, da religião ou da psicologia - qualquer uma dessas coisas construídas pelo intelecto, por essa habilidade ou capacidade humana de verificações, de descobertas, pesquisas - nada disso pode ter uma base real sobre esse vazio que É Você.

Então, nós não podemos construir nada. Podemos apenas ficar com Isso que somos, com esse Vazio. Esse vazio você sente, porque ele reflete, espelha, e aqui, quando digo "espelha", em palavras, estamos apontando para essa Essência, para a Natureza Essencial de cada um de nós, para essa Realidade do que somos. E essa Realidade que somos, essa Natureza Real que todos nós somos, o Estado Natural em nós, já é o final de toda essa procura absurda que temos aqui, Naquilo que somos.

Assim, faça essa única viagem, que é a viagem para dentro de Si Mesmo. Saia desse modelo de vida cerebral, para esse desconhecido, extraordinário e maravilhoso estado de existência no coração... Para essa realização, o estado livre do eu, do mim e de todo esse sentido de separação, separatividade, dualidade, dualismo. Você está vivendo no coração, sua fala é do coração, seu movimento é do coração, seu olhar também é do coração. E isso é Liberdade, Paz e Felicidade; é o Verdadeiro Encontro, presente, agora, aqui, neste instante.

Nós temos confiado muito no cérebro - uma excelente ferramenta,  útil para seus propósitos específicos. Reparem que quando você chega em casa, você faz uso da sua chave, não da chave da porta da casa do seu vizinho. Não é assim? É sempre assim. Você sempre faz uso da sua chave, a chave da porta da sua casa. Você não vai lá na casa do vizinho e pede a chave dele.

Nós estamos tentando essa coisa absurda: ter acesso à nós próprios - Àquilo que somos - dessa maneira! Isso é absurdo, é estúpido, não faz sentido, não vai dar certo. Você tem que olhar pra Si Mesmo, tem que dar a Si Mesmo esse momento que você está dando aqui.

Satsang é esse momento no qual você fica sozinho com esse vazio, que É Você. E você assume esse vazio. Você não quer mais construir nada. Sabe que não deu certo até hoje essa coisa de ir lá fora procurar a chave do seu vizinho - chave que ele usa pra abrir portas, que não tem nada a ver com as portas da sua casa!

Em Satsang você fica sozinho com o vazio. E a chave é sua, a casa é sua. Isso é lindo. Não tem outra alternativa, não tem outra forma. Não sejam engenhosos; deixem essa engenhosidade para aqueles que não entenderam isso ainda. Leva algum tempo, eu sei que leva, até você fechar todas as “portas”, cada uma com sua própria chave, sabendo que não tem nada a ver com sua porta, nem com sua chave.

Então, você deixa lá a porta da religião, da filosofia, e tudo aquilo que termina em “ia”, e com “ismo” também! Deixe os "ismos", as "ias", porque são portas, cada uma com sua chave específica, mas não tem nada a ver com você. Você já tem a sua chave, você já tem a sua porta!

Satsang é isso: encontrar-se agora, aqui, neste instante. E  encontrar-se pressupõe não sair do lugar, não dar um só passo - repito de novo isso - parar! É quando você encontra – e essa é a palavra Satsang, encontro com o Ser – esse ver direto, o contemplar diretamente. É olhar a vida, agora, acontecendo neste instante, sem nada dentro para julgar, comparar, avaliar, analisar, deduzir, especular, concluir –  o olhar, sem a mente, apenas o coração olhando. É o coração olhando a luminosidade dos olhos de um sábio,  não da cabeça, porque é o coração dele olhando pra você. Você é esse sábio que olha o mundo assim. E isso é agora, e não amanhã, porque amanhã pressupõe essa saída, muitos passos, muitos passos... É assim que a mente tem feito conosco: ela tem criado a ideia de tempo. 

Repare o quanto é simples isso: não há nada de novo aqui colocado se você está aí no coração, ouvindo o coração. A precisão é cirúrgica, perfeita, milimétrica. E uma fala como esta, em Satsang, alcançando seu objetivo, tem o propósito de fazer perceber essa Realidade. 

Então, aí está a compreensão de que não há nada a ser encontrado, a não ser Isso que está presente aqui, já, neste instante, sendo constatado. Por que sua fala não tem conteúdo? Exatamente porque o vazio não carrega nenhum conteúdo. O vazio não recebe nenhum conteúdo, continua sempre vazio. Isso é a voz do coração, é o ouvir do coração. É só isso.

*Extraído de uma fala de um Satsang Presencial em abril de 2012


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