sexta-feira, 8 de maio de 2015

A mais poderosa e encantadora ilusão - (2ª parte)





Não é você, é uma crença; só isso, nada mais, com um poder hipnótico, de sugestão. Isso se configura como uma autossugestão hipnótica. O seu desafio, em Satsang, é olhar mais uma vez e, se for preciso, mais uma vez; olhar de novo, de novo e de novo... Isso até que você não veja mais o outro; até que não veja mais o céu e o inferno, nem Deus, nem o diabo, nem ele, nem eles, nem isto, nem aquilo, para que não haja mais a "sua visão" de pedaços e partes que não se ajustam.

O que nós estamos dizendo é que Você é tudo! Não estou dizendo que tudo é uma extensão do que você é; estou dizendo literalmente: Você é tudo! Estou dizendo que toda ideia que aparece como pensamento aí, com sentido de exclusividade nesse corpo, que olha para os pensamentos com uma história mental e identifica isso como a entidade que chama de "mim", é uma ilusão. Compreende? Basta um olhar.

Se não há um pensamento passando agora aí, seus olhos estão olhando para Aquilo que você é, porque não há nada que seja observado fora desse que observa. Assim, ouvir, ver, cheirar... tudo libera-se nesse espaço. Pensamentos que passam... Tudo está acontecendo nesta Presença, que é essa experiência que não está separada, que não está dividida em partes, que é uma só coisa, uma só realidade. Dessa forma, você não tem algo do lado de fora ou algo do lado de dentro. Você não tem uma extensão do que você é. Você só tem essa Presença, que é pura e Ilimitada Consciência, na qual tudo aparece como um fenômeno, como uma aparição, como uma ideia que vem e vai. A Unicidade, a Não Dualidade, seu Estado Real, que é o seu Estado Natural, não é mais uma experiência, é a Única Experiência, acontecendo nesse presente momento. Não é o que pode ser recordado ou esquecido, porque não faz parte da história mental. É o substrato, é a base de tudo aquilo que aparece e desaparece, que vem e vai.

Todos procuram o amor, a paz, a liberdade e a felicidade, mas não os encontram exatamente porque procuram, exatamente porque estão caçando. Somente se pode procurar algo que esteja separado, que não esteja presente. Isso é uma ideia que o afasta desta própria Presença, que já é essa Paz, esse Amor, essa Liberdade, essa Felicidade. Isso é a sua natureza, Isso é você, Isso é a única experiência. O fundamento dessa única experiência é Suprema Beatitude, Suprema Bem-Aventurança, Suprema Alegria, Supremo Amor, Suprema Verdade. Não há nada fora disso.

Nem mesmo o que parece ser real de fato é. É irreal aquilo que temporariamente surge e logo se vai, como os sentimentos, assim chamados: felizes, conflitivos, afetivos, conturbados, de sofrimento, de ansiedade, de medo, de depressão, de tristeza, de qualquer tipo. Você é essa realidade que abraça tudo isso. Olhe com cuidado o que estamos dizendo: você é essa Presença, que é a Verdade amorosa que abraça tudo isso.

Então, isso não é um problema, isso é o que é. Isso tem um lugar de aparecer e desaparecer também. Tudo tem um lugar para aparecer e desaparecer nessa imensidão, nessa ilimitada, indescritível, Verdade amorosa que é você, até mesmo o, assim chamado, sofrimento. Qual é o problema? Para quem ele surge, se não para essa ideia que resiste, luta contra o que aparece? É isso que cria esse sentido de separação, e, então, a miséria acontece – o que também é uma ideia, uma crença, uma ilusão.

É o que eu chamo sempre, nessas falas, de vulnerabilidade. Fique apenas nessa vulnerabilidade de ser, de ser o que é agora, nesse instante! Não alimente a história que o pensamento cria, que a mente produz, porque ela cria a ilusão da separação e da resistência, fomentando o sofrimento, a miséria; essa miséria é o que tem sido a nossa vida, porque só há isso nessa, assim chamada, "nossa vida". A vida não é miséria, a vida é Beatitude, a vida é Paz, é Amor, Beleza, Verdade, Liberdade, é Deus. Você é essa Vida!

No entanto, se você se prende a essa história aí, você cria essa vida individual e particularizada. Quando você vem ao Satsang, um encontro como este, vem para constatar que você não existe, como acredita existir, e isso é uma Bênção, é uma Graça. Há uma tremenda liberdade aí, há uma explosão de júbilo, de gratidão, que,  algumas vezes, fazem você rir, outras fazem você chorar, mas tudo ocorre nessa alegria de ser o que de fato você É; de reconhecer onde de fato você está. 

                           *Extraído de um fala de um encontro presencial no Rio de Janeiro em Agosto de 2012

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações