quinta-feira, 7 de maio de 2015

A mais poderosa e encantadora ilusão - (1ª parte)



Há uma pergunta recorrente em Satsang, que é: o que é Satsang? Você pode procurar o significado da palavra e encontrará com facilidade. Literalmente, significa: "o encontro com o Ser, com a Verdade". Entretanto, eu queria que vocês se descontraíssem com relação a toda forma de conceituação. É da própria natureza do intelecto conceituar aquilo que ele “conseguiu” sem uma vivência direta. Um conceito é apenas uma formulação verbal. É como a história daquele aluno que foi ao mestre Zen e disse-lhe: “Mestre, agora estou livre!” “Como você tem certeza?”, perguntou-lhe o Mestre. “Mestre, agora sei que estou livre de todas as ideias!” O Mestre, então, se volta ao aluno: “Por que cambalear como um bêbado com mais esse conceito?”. 

"Estou livre de todas as ideias”? É exatamente assim que tem acontecido conosco: ou temos muitas ideias, ou acreditamos que não temos muitas ideias; e isso é só uma ideia também! Acreditamos que não somos livres, ou acreditamos que já somos livres. Estamos nesse espaço limitado dos conceitos. Satsang, basicamente, é estar em seu Estado Real, seu Estado Natural. Nele, não há conceitos, nem positivos, nem negativos e nem mesmo o conceito chamado Satsang.

Essa segurança, esse sentido de existência em um conceito, é o fortalecimento da imaginação de fazer, ser, ter ou poder alguma coisa. Querer ter um encontro com o SER? Em quem? Quem é aquele que diz: "tenho um encontro com Deus"? "Tenho um encontro com a Verdade"? "Tenho um encontro com o Silêncio"? "Tenho um encontro com a Não Mente"? "Tenho um encontro nessa Liberdade de não ter mais ideias"? Quem afirma isso? Fora todas essas ideias, que são meros conceitos, onde você está? Onde posso encontrá-lo? Onde você pode ser encontrado? Qual é o seu endereço? Responda-me isso. Qual é o seu endereço? Percebem que não há endereço? Que não há ponto de referência? Nem mesmo a ideia de ter ou não endereço é possível sem um conceito, sem o orgulho, sem a presunção, a prepotência de ser ou de não ser. Dizer que encontrou algo é pressupor ser "alguém" depois de muita procura por alguma coisa fora de si próprio. Isso é uma ilusão, é só uma ideia. A iluminação é uma ideia, a realização é uma ideia, o despertar é uma ideia, o "ser" imaginado é uma ideia. Ter algo ou encontrar algo separado desse presente momento é colocar a Verdade como uma ideia, como uma crença, como um conceito, como algo separado disso que é você. Então, não pode ser real, não pode ser a Verdade. A ideia de ser alguém é a mais poderosa e encantadora ilusão, porque, quando essa ideia está presente, tudo mais está separado daquilo que você acredita ser. Isso cria uma contradição, isso cria isolamento e exclusividade, através da separação desse presente momento.

Assim, aquilo que acontece agora ocorre para esse sentido de "alguém", e, então, você tem a ilusão de que a experiência está em frações, dividida como um bolo. Você olha um bolo todo cortado, e dessa mesma forma você vê a experiência dentro desse sentido de separação, como se não fosse um bolo, como se fossem partes separadas. O que você tem de fato é um bolo, mas você não o vê, você só vê partes separadas. Esse é o sentido de ser algo, de ser "alguém". É um conceito, uma ideia, uma crença. Exatamente isso.

Não pode haver liberdade quando a experiência não é o que ela é. Porque a visão separatista não permite ver o que de fato está presente, não pode haver liberdade, paz, ou amor. Essa enorme quantidade de conceitos assimilados, adquiridos, conservados, mantidos, protegidos, cultivados, acalentados e fomentados aí, dentro de sua cabeça, não pode mudar o que é, mas pode lhe dar a ilusão de que não é um só todo, mas muitas partes, muitos pedaços. São pedaços que nunca se completam, lutam entre si, e onde se encontram as chamadas escolhas pessoais decorrentes do livre arbítrio, como: nascer e morrer; céu e inferno; eu, ele e os outros; santos e pecadores; sábios e tolos; iluminados e não iluminados. Percebem?


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