sexta-feira, 3 de abril de 2015

Você é Amor, é Paz, é o Buda, é o Cristo, é Krishna, você é Deus, você é a Verdade



Nós fazemos muito isso: pegamos essas falas dos acordados e criamos um sistema, e, aí, transformamos isso em conhecimento, em sistema de crenças, passando a fazer parte do nosso acervo, da nossa cultura espiritual. Mas não há nada disso! Não existe nenhum “eu” coletivo, nenhum “eu” individual. Não existe o peso de um “eu” dentro, na experiência de mundo do lado de fora. Tudo o que aparece, só aparece. A ilusão de um “eu” dentro e de um mundo do lado de fora está assentada no pensamento e nas imagens que ele cria. Desconsidere os pensamentos e, assim, a noção de um “eu” experimentando o mundo termina. Então, não fica peso, o Ser é pura leveza.

Certo dia, o Annamalai ouviu quando perguntaram a Ramana sobre a existência do corpo: “Como é isso, Mestre,  para você, a existência do corpo?” Annamalai ouviu Ramana responder: “Eu, raramente, sinto o corpo. Quando estou caminhando pela montanha, o corpo caminha e, raramente, sinto o corpo, sinto a presença do corpo.” Então, Annamalai continua, dizendo sobre si mesmo: “Comigo também. Estou assentado, estou caminhando, estou comendo e não sinto o corpo.”

A identificação com o corpo é o peso, e ela somente é possível quando o pensamento cria essa identificação, aparecendo a noção do “eu”, “eu-corpo”. Quando não há pensamento, não há mente; quando não há mente, a noção do corpo também desaparece. No momento em que você fecha os olhos e não há pensamentos, a própria noção de corpo desaparece. Isso acontece de olhos abertos também, mas quando há pensamentos, e você está identificado com eles, "você" está presente. Aí há um peso: o peso de alguém dentro e o peso de um mundo do lado de fora; um mundo de coisas, lugares, pessoas. Essas pessoas, essas coisas, esses lugares são somente ensinamentos pensados por esse “eu”. Não se identifique com os pensamentos, e, assim, eles não encontram um suporte; o suporte de uma identidade presente, gerando peso... o peso de um mundo e o peso de alguém.

Não diga que é impossível! Faça isso! Assuma isso! Trabalhe isso! Impossível também é só um pensamento. Na verdade, o maior peso que você tem é não confiar naquilo que eu lhe digo. Por não confiar naquilo que eu lhe digo, você está sempre resistindo, criando suas histórias. Eu estou aqui desfazendo suas histórias, e você está aqui, vez após vez, reafirmando as suas histórias, tentando me convencer, me persuadir, me hipnotizar também. Vocês adoram fazer isso... Adoram fazer isso!

Eu sou muito teimoso... mais teimoso do que você! Você não vai me convencer de que é uma pessoa, carregando o peso do mundo nas suas costas, porque não há peso!

Você me pergunta como eu vejo o mundo. Eu respondo: eu vejo o mundo sem você! O mundo pode ir muito bem, obrigado, sem você! Você não se livra do mundo, nesse despertar! O mundo é que fica livre de você! O mundo não pode mudar! Ele não pode desaparecer, mas você pode desaparecer! Se você desaparece, o peso do mundo desaparece, e a noção “eu sou o corpo”, também, desaparece. E, aí, a ideia de morrer também desaparece! E a ideia de outros morrendo também desaparece! São só crenças! Somente crenças!

A Verdade não é pessoal, a Liberdade não é pessoal, a Paz não é pessoal, o Amor não é pessoal, e o mundo não é para a pessoa! Se você se sente no mundo, o mundo está pesando sobre você. Sua Natureza Real não carrega o peso do mundo, porque o mundo é algo que aparece nesta Consciência, como uma aparição... somente como uma aparição.

Você sente o peso do nariz? Alguém aqui sente o peso do nariz? Seu olho esquerdo é mais pesado do que o direito? Hum...? Alguém sente assim? Você em seu Ser traz o mundo sem peso! Repare isso, escute isso com atenção: eu estou dizendo que, assim como não há peso nos seus olhos e o seu nariz não pesa, a Vida não é pesada! Desista de ser "alguém", e, assim, você viverá como Deus, sem peso!

Você acha que Deus tem muitos problemas, porque tudo o que você pode ver, na sua ótica do pensamento, na imaginação desse pensamento  (que é onde esse pensador aparece), é um mundo cheio de problemas! Eu posso lhe garantir: Deus não tem problemas para cuidar do seu mundo. Eu disse do seu mundo, mas é do mundo Dele, porque o mundo não é seu! A ideia de seu mundo é o peso... como a ilusão do peso dos olhos e do nariz! Deixe seu filho, sua mulher, marido, casa, a noção de eu, tudo, aos cuidados da Verdade!

Um dia Cristo disse: “Vinde a Mim todos vós que estais cansados, oprimidos, sobrecarregados, e Eu vos darei descanso. Tomem sobre vós o meu julgo! Tomem sobre vós o meu peso! O meu julgo é suave e o meu peso é leve!” Ele está falando desse Eu Sou! Cristo não está falando do carpinteiro de Nazaré, está falando dessa Consciência desse Eu Sou! Assuma esse Eu Sou que você é em Sua Natureza Real! Isso é Cristo! Você é Cristo! Ele não vai nascer! Ele já é o que é, o que era e o que há de vir, agora, aqui, em sua Natureza Real,  sem conflito, sem problemas, sem peso!

Enquanto a mente se ocupa com os seus próprios negócios, o peso está presente; a aflição, a preocupação, o sofrimento e o medo, também! Ramana dizia: “Deixe com o Baghavan, que o Baghavan cuida!” Ele dizia!

Participante: Então, essa pergunta “O que é que nós humanos estamos fazendo aqui nesse planeta?” é fruto da mente também?

Mestre Gualberto: Sim! O desejo de "se tornar", de vir a ser, de realizar, é o aparecimento da mente egóica. Ela cria o corpo, e precisa de um mundo para habitar e realizar suas aspirações, seus desejos. O corpo é uma aparição na mente egóica. O ego, na busca de desfrutar, sofre. Ele constrói o mundo, separando-se como uma entidade, para desfrutar desse mundo, e agora a mente está sujeita à sua própria fantasia, à sua própria ilusão - identificada com o corpo, ela está em busca dos seus desejos.

Participante: E de onde surgiu isso, Mestre? Em que momento da existência surgiu isso que se separou e apresentou desejos?

Mestre Gualberto: A Consciência, essa Presença, essa Realidade, é o que é sempre! A ilusão não tem princípio. Ela pode ter fim, mas não tem princípio. A ideia de um princípio é a ideia de tempo, que, na Consciência, essa brincadeira é uma aparição. Quando se realiza o Estado Natural, descobre-se que isso nunca existiu, somente pareceu ser assim; não tem princípio, mas pode ter fim! A ideia dessa mente se separando da Consciência, em um determinado momento, instante, é uma ilusão, porque, na realidade, essa separação nunca aconteceu! Agora, paradoxalmente, na realidade, isso sempre foi assim!

Estamos diante de algo paradoxal, que só é apreendido quando o Cristo nasce, quando o Buda nasce, quando o despertar para aquele ou para aquela floresce! Quando Isso floresce, você diz: “Uau! Que sacanagem! Eu sempre fui o que Sou! Por onde parece que andei? Não, eu nunca sai desse lugar!” Um dia, você vai rir de todas essas perguntas! E vai rir de todas as respostas que você já ouviu! Você vai achar graça de todas as falas, porque tudo isso só parece ser muito real nesse instante. Mas, logo, você vai rir disso, porque vai perceber que tudo isso foi uma grande brincadeira, e que Deus vem se divertindo há muito tempo! Desde que Deus é Deus, ele vem se divertindo com essa brincadeira!

Por isso, é que não há nenhuma explicação, não há nenhuma razão de ser, não há como explicar o que é a vida, o que significa isso... nada disso! Tudo isso são fantasias nossas! Nós criamos essas fantasias! Nós criamos as perguntas e produzimos as respostas! As respostas, quando nos parecem “preenchedoras”, nós dizemos que vieram do céu, de Deus, do divino; quando elas são incompletas, nós dizemos: “não, isso é estupidez, é doidice”. Mas, na verdade, tudo é uma grande brincadeira de Deus, ou parece que está acontecendo, até o momento em que fica claro que tudo já é o que é.

Participante: Então, na verdade, cada acordado tenta dizer para os que estão dormindo, mas não existem palavras para explicar isso tudo. O máximo que você pode dizer é: confia, vale a pena, que um dia você vai compreender! É “pauleira”, viu? Aí, a gente até entende o uso das palavras “Inominável", etc...

Mestre Gualberto: A coisa que fica, e os budistas encontraram uma palavra para isto, é a compaixão. Esse é o movimento da Consciência, na forma de um acordado, movendo-se em nossa direção, para nos dizer: Acorda! Mas a própria palavra compaixão não é uma palavra adequada, até porque não há nenhuma decisão de fazer isso, por parte Daquele que está nesse Estado. Não houve uma decisão. É um movimento da própria Consciência brincando de dizer: você é o que é! Você é Isso! Então, essa Presença, essa Pura Consciência, ela toma você, ela se traveste na forma do Guru, do Mestre, e é tão bonito isso, porque é como uma luva para as suas mãos! Tem algo Nele que vai encantar, magnetizar, você e trazê-lo para perto. Então, vai começar um jogo, um jogo divino, um jogo inexplicavelmente lindo, que é um Amor, um envolvimento de coração, algo que vai substituir todos os “amores” da sua vida; vai trazer você para essa proximidade... e você vai se reconhecer! Um belo dia, você se reconhece e diz: - Uau! - você dá o namastê para o Guru, que é você mesmo, e aí você já tem os olhos dele, você já tem o coração dele, você já tem a leveza dele, você carrega essa Graça, o perfume dele, que não é ele, e não é você, é Aquilo! Uma grande brincadeira! 

A figura do Guru, a foto, os cânticos, os momentos devocionais que a gente tem... então, canta-se para Deus, canta-se para a Graça, canta-se para o Guru! Hoje eles fazem música e colocam Mestre Gualberto! Eu acho tão cômico, tão engraçado, porque isso tudo é uma grande brincadeira! Eu cantaria uma música para você também, porque eu amo você! Eu colocaria o seu nome na música e cantaria para você, por amor a você! Então, vocês cantam músicas em amor ao Mestre! É a mesma brincadeirinha! Isso deixa o ego bastante ofendido do lado de fora, porque ele não vê que isso é só um jogo, um bonito e belo jogo, de encontro de coração! Não tem alguém maior... não tem alguém menor; não tem aquele que sabe e o que não sabe; não tem o Guru como alguém especial e os discípulos... não tem nada disso! É só a brincadeirinha da Presença, a brincadeirinha da Compaixão, a brincadeirinha da Graça! Só uma brincadeirinha de Deus!

Meu Guru foi o Único Amor que eu tive na minha vida! Ele me mostrou Deus! Ele me mostrou o que Eu Sou! Ele me amou como ninguém me amou! Ele brigou comigo como ninguém brigou comigo! Ele me pediu coisas que ninguém teve coragem de pedir! Ele foi meu pai, minha mãe, minha mulher, minha filha, meus irmãos! Ele foi tudo, Ele é tudo! Ele me deu você... trouxe você até mim! Já não estou mais sozinho! Na verdade, Ele me deu aquela criança que está lá na Etiópia, que você diz que está morrendo... Ele me deu todos, Ele me deu tudo! Ele me deu essa Alegria de Ser, essa Liberdade de Ser, esse "não medo" de Ser! Ele me mostra quem Você É, quando eu encontro você, quando eu olho nos seus olhos! Eu sei quem Você É, porque Ele me deu isso! Em Sua Graça, Ele me habilitou a ver isso! Eu confio naquilo que Ele me delegou! Ele me delegou isso: a habilidade, a capacidade, a visão de saber quem Você É, e eu não confio no que a sua mente diz! Não confio em suas histórias! Continuo confiando na minha visão! E a  minha visão diz que Você É Isso! Você não precisa de religião, de práticas místicas, esotéricas, rituais, cerimônias, nada disso! Você não precisa de escrituras, não precisa de ler livros, centenas de milhares de livros... você não precisa de nada disso! Você só precisa ter um olhar para Ele! Olhe para Ele!

Na bíblia tem um versículo, lá em Isaías, que diz assim: “Olhai para Mim, vós de todos os recantos da terra e sereis salvos! Olhai para mim e sereis salvos!” Você só precisa ter uma olhar! Aquele olhar que você teve quando estava flertando pela primeira vez com o seu namorado, ou a sua namorada! Aquele olhar que diz assim: "você é tão linda, tão lindo! Deixa eu ficar perto, deixa eu ganhar o seu coração, deixa eu olhar para você!” Você só precisa ter isso! Namore Deus! Enamore-se  Dele, aproxime-se Dele, dizendo "eu não sei, eu não quero entender, eu estou aqui apenas para sentir isso"! Eu não sou bom com as palavras, acho até que isso é uma bênção para vocês! Alguns de vocês já estão enjoados de palavras! Já leram tanto, estudaram tanto...

Quando eu era criança, eu queria isso, exatamente isso que eu sou hoje: eu queria viver Deus, eu queria saber o que é Deus. Quando eu era criança, eu sentia que ele não estava no céu, ele tinha que estar aqui, acessível ao meu coração. E é isso que estou compartilhando com vocês! Eu não estou compartilhando conhecimento, nem experiências; estou compartilhando isso que você é! Estou falando de algo que você já é, e Eu Sou! Quando eu olho em seus olhos, não acredito em mais nada a não ser isso... eu não vejo mais nada a não ser isso! Minha crença não é uma crença, é uma visão, é uma certeza: você é amor, é paz, é o Buda, é o Cristo, é Krishina, você é Deus, você é a Verdade.

Alguns nascem para ser um craque de futebol, outros nascem para construírem pontes, serem engenheiros; outras nascem para serem presidentes de nações... Eu nasci para ser Deus! Eu nasci para acordar você! Foi para isso que você, também, nasceu! Você também nasceu para ser Deus!


Trecho extraído de um Satsang com Mestre Gualberto em Fortaleza, no dia 03 de abril de 2015.


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Um comentário:

  1. Gratidão, gratidão , gratidão, nao tenho nem palavras, que lindooo.

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