sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Que é Liberdade?



Vamos falar sobre liberdade. Liberdade de quem? Você diz: “minha liberdade”... Sua liberdade? A “sua liberdade” não é a Liberdade! “Sua liberdade” não se importa com a liberdade de mais ninguém; não se importa com a liberdade de todos os seres, de tudo. Então, isso não é Liberdade - não é a Liberdade Real. A Liberdade Real não pode ser sua. “Minha liberdade” é como a questão da “minha vida”. A gente diz “minha vida”, mas isso não pode ser Real, porque aquilo que você chama de “minha vida” é perdido, e a vida em si continua. Como pode ser real a Vida Real sendo vista dessa forma, como “minha vida”? Portanto, não há “minha vida”, como não há “minha liberdade”. Não existe tal coisa.

Se nós vamos tratar de liberdade, temos que fazer isto olhando o que significa liberdade e não “a minha liberdade”. Esta última é uma conquista, realizada como resultado de qualquer outra ambição e, sendo algo que é conquistado, pode ser perdido. Assim, como isso pode ser Liberdade? Algo tão exclusivo, tão particular? Algo tão pessoal, restrito a uma realização, que é chamada de “minha liberdade”? É isso que temos que ver. A boa notícia é que não há nada que o escravize para que você queira ser livre; que toda Liberdade já está presente, quando esse sentido do “meu”, daquilo que considero como algo exclusivo, não está presente. Então, quando essa “minha liberdade” não está presente, nós temos diante de nós a Liberdade; quando esse sentido de “minha vida” não está presente, nós temos a Vida Real.

Essa atitude, essa postura pessoal, é a própria base da escravidão; na verdade, ela é a escravidão. Todo o nosso padrão de formação, tudo aquilo que nós adquirimos ao longo de todos esses anos, está centrado nessa ideia de que existe um “alguém” que sofre, que precisa dessa liberdade; na ideia de que existe alguém presente, esse alguém que está dentro desse corpo. Isso tudo porque há uma “historinha” dentro de cada um de nós e, com base nela, estamos vivendo essa, assim conhecida, “minha vida”, e procurando essa, assim chamada, “minha liberdade”. E, aqui, a gente está dizendo isso para você: não há esse “meu”, esse “eu”. Essa historinha é só uma historinha, e cada organismo tem a sua, mas, quando presos a essa ideia, temos a busca por liberdade e estamos diante dessa grande ilusão. 

Assim, eu quero dizer algo para vocês: abram mão disso! Abram mão desse “alguém” presente, que vocês acreditam ser, e depois me falem se essa busca da liberdade ainda vai continuar... se continuará! O que eu quero dizer a vocês é que não há ninguém para ser livre e não há nenhuma liberdade para ser alcançada ou realizada. Tudo isso que falei foi uma introdução e que, agora, concluo com poucas frases, com poucas colocações. Eu estou dizendo: se existe essa liberdade de ver que não há esse “mim”, esse “eu” que busca algo, então não há mais nenhuma liberdade a ser realizada. Essa é a única liberdade presente: a liberdade de não procurar, de não buscar e de não trabalhar por algo fora disso, que já está aqui, agora. Está claro isso? Então, essa ideia de alguém querendo ser livre é como a ideia de alguém estar vivo. Não há “alguém” vivo, só há Vida; não há “alguém” livre, só há Liberdade. E, assim, termina essa coisa de buscar, de procurar, de “sair” deste instante que temos agora, aqui.

É simples isso, entretanto você pergunta: “mas e esses estados internos de conflitos, de medos, de receios, de ansiedade, de depressão, de mágoas e de ressentimentos que aparecem aqui? É disso que eu quero me livrar"! Você não percebe que isso tudo está aparecendo nessa base, na base desse “mim”, desse “eu”, dessa historinha? Foi só uma historinha que inventou essa base, e você aceita essa base como sendo a verdade do que é você. Mas se você pode olhar para isso assim de perto, bem perto, você vai chegando, chegando, e, então, percebe que isso se dissolve. Isso não tem realidade. É como algo visto no deserto, uma miragem, uma alucinação, uma fantasia, consequência do calor do sol. Seu cérebro produziu a miragem e agora ele produz essa sua historinha, e também esse sentido de “alguém” que quer ser livre; esse “alguém” que busca a liberdade. A Liberdade está agora, aqui! Porém, ela não é sua, porque você não existe! Só a Liberdade é Real, e não você!

Quando nós falamos de Liberdade, sempre estamos falando dessa Realidade que é Você, não de algo fora daquilo que é Você. Mas você é adulto, já cresceu muito, já cresceu bastante. Você está muito envolvido com as suas atividades, com as suas realizações, com as suas conquistas, com os seus objetivos, com os seus alvos, com os seus sonhos e projetos… Você “cresceu” muito! Você agora é adulto e, em meio a tudo isso a que você tem se dedicado, a que tem dedicado toda a “sua vida”, descobriu somente uma coisa: tudo no final gera frustração, decepção, conflito, sofrimento. No entanto, você cresceu muito, está adulto, e não quer abrir mão disso. Você, em seu desespero, teme ficar absolutamente sem nada, perder tudo isso. Ao mesmo tempo, algo dentro de você fala, reclama e reivindica a liberdade de tudo isso. Contudo, você pensa em liberdade preservando tudo isso – você pensa na “sua liberdade”.

Tenho algo para lhe dizer: você cresceu muito, não é mais criança, e esse é o “seu problema”. Aqui, eu quero convidá-lo a voltar a ser “criança”, voltar à inocência. Se você não “voltar a ser criança”, não encontrará Isso e não “realizará” Isso que você É. É como ter que morrer, nascer, morrer e nascer, o que, na verdade, é a constatação de toda essa ilusão de ter se tornado adulto. Você nunca foi adulto, nunca cresceu, apenas essa estrutura mental surgiu no cenário. Toda essa forma de se reportar à vida, toda essa perspectiva, esse modo, esse foco nessa direção, colocou você assim, mas, de fato, você não cresceu, apenas essa estrutura apareceu no cenário e, então, você se sente assim: um adulto.

Satsang é esse encontro com a sua Real Natureza. A sensação que se tem é de morte… Morte iminente, morte a caminho, morte acontecendo. É um tipo de morte e um tipo de nascimento, mas, na verdade, é um desaprender, é um relaxar em sua Real Natureza. É constatar essa “criança” presente, essa sua natureza essencial, natural, real, que é livre, pura liberdade, agora mesmo, aqui mesmo. Ok?

Isso é algo que você vê. Você vê tudo isso nesse desaprender, nesse “abrir mão”, nesse “deixar cair”. Sua mente está presa ao conhecido, presa ao padrão, a tudo o que ela tem e conhece. Esse “estar vazio”, estar sem ela, é a sensação que se torna presente, mas é um vazio de uma qualidade nova; não é o vazio da busca do preenchimento, que busca isso em outra forma, que causa esse terrível medo. Esse vazio tem essa qualidade do Silêncio, da Quietude, da Paz, da Real Liberdade. Isso tudo é Você.

Então, é assim: Ser, sendo “criança”. É uma figura de linguagem a palavra “criança” aqui, porque Isso não é criança, não é jovem, não é adulto, nem é velho. Isso, essa Realidade Presente, é só essa Presença mesmo. É somente isso. É exatamente isso.

Alguém quer falar alguma coisa? Alguém tem alguma pergunta?

PARTICIPANTE: Acho que não tem alguém….

MESTRE GUALBERTO: Como? Fale um pouquinho mais.

PARTICIPANTE: Perguntou se alguém tem alguma pergunta, mas não tem alguém, alguém para perguntar!

MESTRE GUALBERTO: Quando não há alguém, não há perguntas, também não há respostas. Ser é a resposta. Sendo ISSO, que é agora, nesse instante, é a resposta. ISSO é Liberdade! Ao longo de muitos anos, nós fomos ensinados pela filosofia, pela política e pela religião a usar a palavra liberdade, a trabalhar, se esforçar, se dedicar, renunciar pela liberdade, a se devotar a esse trabalho do encontro com a liberdade; todo esse tipo de coisa. Isso tem acontecido ao longo de todos esses anos, e aí você se depara com ISSO, com essa simples e natural forma de olhar, que é não padronizada, não condicionada, não programada, não reduzida a um conjunto de ideologias filosóficas, políticas ou religiosas. De repente, você se depara com Aquilo que está aí, que sempre esteve aí, e que nunca ficou tão claro como está sendo agora, porque você tem esse olhar inocente, esse olhar virgem, esse olhar não violado, não tocado... Esse olhar que agora, em razão desse seu Estado Natural, se apresenta. Você tem, assim, em um estalar de dedos, essa percepção de que você é ISSO.

Você é essa Liberdade, que está nesse encontro consigo próprio, consigo mesmo. É essa qualidade de existência que se revela neste instante, neste momento presente; que se mostra como uma dança, como a dança daquela árvore que está lá fora: para onde o vento bate é o sentido da música. Ela “caminha” para a esquerda, para a direita, para trás e para frente… Suas folhas balançam… Ela acompanha o ritmo do vento, porque esse é o ritmo da música na qual ela dança. Essa é a qualidade da vida, da existência, da liberdade, quando "você" não está presente... Quando só a música está presente, quando só o som sopra... Não há nada a ser feito, não há ninguém para fazer. É uma forma de cantar, de dançar, de viver. Felicidade é a sua Natureza Real, Paz é a sua Natureza Real, Amor é a sua Natureza Real, Liberdade é a sua Natureza Real, Celebração é o que Você É, agora. É uma festa, onde todos os convidados estão muito bem arrumados, muito perfumados, todos são lindos... Não há nada fora DISSO. Fique aí, permaneça aí, no seu lugar... seu espaço.

Quando “você” não está presente, ISSO está presente, e ISSO é esta Presença que é Você; o Você Real, que é Vida, e não essa “minha vida”; o Você que não tem história, nome e forma. O Você Real sabe que não há nada, nem mesmo “você”, com ideias, pensamentos, sentimentos, emoções, ou com as respostas limitadas desse mecanismo, desse organismo humano. Você não é humano. Você é essa Realidade presente. Há somente essa Realidade presente, que É você. Você presente nessa Realidade, essa Realidade presente em você. Essa Realidade é o seu presente, e você é o presente dessa Realidade. Você é ISSO! Você tem dúvida disso? Hein? Eu falo sério, nessa seriedade festiva de quem sorri.

Podemos olhar isso diretamente e ver, sem esse sentido de um "alguém" presente que vê, mas apenas nessa Presença que vê. É apenas essa Presença que vê tudo. Está vendo aí como é? Isso não requer esforço nenhum, não requer trabalho, no sentido que nós conhecemos. Há uma aplicação, uma entrega, e todo um envolvimento de confiança, de coração, nisso. Isso não é para a mente... Isso não diz respeito à mente. A mente teme Isso, pois é o fim dela; é o fim dessa programação, desse padrão, de todo esse treinamento... Esse treinamento para ser miserável, infeliz, sentir-se escravo e querer a liberdade. É o fim de tudo isso! É o fim de tudo isso! *



*Trecho extraído de um Satsang com Mestre Gualberto, em fevereiro de 2012, na cidade de Itaquaquecetuba - SP


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