quarta-feira, 29 de abril de 2015

Não dê importância ao conteúdo



Se você pega um tambor, coloca algo dentro dele, e tenta "tirar" um som, é possível a produção de um som, mesmo ele estando preenchido com alguma coisa. Porém, você altera o seu timbre, a sonoridade e a qualidade do som; você altera a beleza do som do tambor. Você é como o tambor, que é útil vazio. Você produz um som puro, de boa qualidade, de belo timbre, quando está vazio. Essa é a sua utilidade.

Você, em seu Ser, é essa Consciência vazia de todo conteúdo, de toda identificação com qualquer conteúdo aparecendo aí; só assim o som é completo, é íntegro. Você, em sua Natureza Real, é essa Consciência.

A delicadeza, a beleza, o timbre, a sonoridade, a altura e a afinação precisam do tambor vazio. Essa fluidez da Consciência é a fluidez da vida, que é Você, sem "alguém" aí, sem qualquer identificação com esse conteúdo. A mente é puro conteúdo. Você, em seu Ser, não se identifica com o conteúdo, mantém-se produzindo esse som. E esse som chama-se Felicidade, Amor, Paz, Liberdade, Graça, Beleza, Deus, Ser. Essa é a Verdade sobre Você. Essa é a Verdade sobre a Vida. Essa é a Verdade da Consciência... É a Verdade do seu Ser... Essa Realidade Divina que é Deus, que é Você.

Se a história se mantém com esse conteúdo que ela é, é apenas uma história. O vazio do tambor continua vazio. Não pode criar qualquer barreira, qualquer alteração do som obtido pelo tambor. O som do tambor continua sempre puro, sempre ele mesmo, emitindo a altura, o timbre, o tom, a sonoridade que ele tem. Assim é a Consciência. Não dê importância ao conteúdo. Não agarre o conteúdo. Não se perca na valorização da história, da experiência. Deixe isso aí, todo esse conteúdo da mente, no lugar que cabe para a Consciência, para essa Presença, para esse vazio que é o Ser.

Assim, isso fica como o perfeito vazio; é que torna possível a eficiência do tambor. Solte todo o conteúdo. É assim que a história toma o seu próprio lugar, e que a experiência tem o seu próprio lugar. Então, não há miséria, não há sofrimento, não há conflito e não há ilusão. Isso é viver o seu Estado Natural. Isso é a liberação de toda programação, de todas as fixações, de todo o condicionamento mental, de toda ideia de alguém presente sabendo, conhecendo, prevendo, determinando. Em seu Ser, não há perder ou ganhar, certo ou errado, “pode” ou “não pode”, "deve ser assim” ou “não deve ser assim”. Essa é a sonoridade. Esse é o som.


Mestre Gualberto

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