segunda-feira, 6 de abril de 2015

Há um parasita se passando por você - Satsang


Deixem-me apontar uma coisa aqui para vocês. A solução que a mente conhece, e que tem como proposta, não funciona. Até parece algo muito prático, mas não funciona. Que isso fique claro para vocês: tudo o que fazemos em Satsang é ver os truques da mente e despertar essa inteligência que nos livra da ilusão dessa continuidade da mente.

Uma mulher muito gorda foi ao médico e disse: “doutor, por favor me ajude a emagrecer!” O doutor disse para ela: “isso é muito fácil”. E ela: “o senhor não está entendendo, doutor. Quero que o senhor me ajude a emagrecer sem remédio, sem medicamento, sem cirurgia e sem nenhuma dieta.” Para espanto dela, o médico olhou para ela e disse: “ainda é muito fácil!” E ela: “é mesmo? Então o senhor tem uma solução para o meu caso? Eu vou conseguir emagrecer assim, sem medicamento, sem dieta e sem cirurgia?” Ele disse: “claro, é só a senhora balançar a cabeça para a esquerda e para direita, para a esquerda e para a direita.” Ela disse: “Quantas vezes eu faço isso?” Aí ele disse para ela: “Durante o dia, quando lhe oferecerem comida, você faz isso, todas as vezes. É só fazer isso, todas as vezes durante o dia.”

Esse é um tipo da alternativa, de prática, mas que não funciona. É exatamente a proposta que a mente tem aí na sua cabeça. Ela tem uma proposta de liberdade, de felicidade, de paz, de sanidade, mas é uma proposta que não funciona. Durante todo esse tempo nós estamos sempre ouvindo o que a mente diz. E eu queria que vocês, dentro de Satsang, começassem a olhar a mente e ver o que ela anda dizendo.

Vocês entendem? Como agora, quando a gente faz a pergunta: “qual é a pergunta?” Aí, ninguém tem a pergunta. De uma forma prática, a gente não sabe dar solução a nenhuma situação e, ao mesmo tempo, não temos nenhuma pergunta em Satsang; nos assentamos como budas. A mente produzindo alternativas, nos dizendo o que fazer, nos dando soluções, mas elas não funcionam.

Durante o dia, observem, quantas vezes a mente está dizendo coisas aí dentro da sua cabeça? Meditação é a arte de não se confundir com a mente, não importa o que ela diga. O que quer que a mente esteja dizendo é uma ilusão e não funciona. Isso não tem nada a ver com você; não existe nenhum pensamento seu, original, funcional.  O pensamento, como ele se manifesta nesse mecanismo, naquilo que você entende como sendo “você”, que é o corpo e a mente, é só um parasita. Uma espécie de falsa identidade, unida ao corpo e à mente, dizendo coisas.

A mente não é algo sob controle. Essa falsa identidade não é algo sob controle, mas  apresenta-se de uma forma convincente como sendo você. Se você me pergunta porque isso é assim, a resposta é simples: é porque você não vê. Você não está ciente, cônscio, perfeitamente alerta, quanto a essa aparição, a esse fenômeno chamado mente, “eu”, aquilo que você acredita que é “você”. Isso não é uma realidade, e sim uma convincente ilusão. Vou repetir: isso é uma convincente ilusão. Não é uma realidade, mas essa ilusão é perfeitamente convincente!

Não há algo aí "sendo você”, como você acredita. Essas sugestões, essas alternativas, essas propostas não são suas. A busca da solução de um problema é a ilusão de "alguém" que precisa de uma resposta para uma dada situação. E esse alguém não existe. Você não tem problema nenhum para resolver. Você se identifica com a sua história mental, com a história desse organismo, e, assim, essa falsa identidade, como parasita, está o tempo todo procurando alguma coisa, querendo alguma coisa, tentando resolver algum assunto.

Tudo está completo como está, perfeito onde está, no seu devido lugar. E não há alguém ou algo que possa mudar isso. O seu problema não é seu, você não existe para ter problemas. Nós dividimos a vida em diversas áreas: física, sentimental, intelectual, financeira, social, emocional, política e por aí vai - a vida dividida e subdividida. E nos colocamos aí como “alguém”, e onde está você...? Onde está você?



Mestre Gualberto


2 comentários:

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações