quarta-feira, 29 de abril de 2015

Não dê importância ao conteúdo



Se você pega um tambor, coloca algo dentro dele, e tenta "tirar" um som, é possível a produção de um som, mesmo ele estando preenchido com alguma coisa. Porém, você altera o seu timbre, a sonoridade e a qualidade do som; você altera a beleza do som do tambor. Você é como o tambor, que é útil vazio. Você produz um som puro, de boa qualidade, de belo timbre, quando está vazio. Essa é a sua utilidade.

Você, em seu Ser, é essa Consciência vazia de todo conteúdo, de toda identificação com qualquer conteúdo aparecendo aí; só assim o som é completo, é íntegro. Você, em sua Natureza Real, é essa Consciência.

A delicadeza, a beleza, o timbre, a sonoridade, a altura e a afinação precisam do tambor vazio. Essa fluidez da Consciência é a fluidez da vida, que é Você, sem "alguém" aí, sem qualquer identificação com esse conteúdo. A mente é puro conteúdo. Você, em seu Ser, não se identifica com o conteúdo, mantém-se produzindo esse som. E esse som chama-se Felicidade, Amor, Paz, Liberdade, Graça, Beleza, Deus, Ser. Essa é a Verdade sobre Você. Essa é a Verdade sobre a Vida. Essa é a Verdade da Consciência... É a Verdade do seu Ser... Essa Realidade Divina que é Deus, que é Você.

Se a história se mantém com esse conteúdo que ela é, é apenas uma história. O vazio do tambor continua vazio. Não pode criar qualquer barreira, qualquer alteração do som obtido pelo tambor. O som do tambor continua sempre puro, sempre ele mesmo, emitindo a altura, o timbre, o tom, a sonoridade que ele tem. Assim é a Consciência. Não dê importância ao conteúdo. Não agarre o conteúdo. Não se perca na valorização da história, da experiência. Deixe isso aí, todo esse conteúdo da mente, no lugar que cabe para a Consciência, para essa Presença, para esse vazio que é o Ser.

Assim, isso fica como o perfeito vazio; é que torna possível a eficiência do tambor. Solte todo o conteúdo. É assim que a história toma o seu próprio lugar, e que a experiência tem o seu próprio lugar. Então, não há miséria, não há sofrimento, não há conflito e não há ilusão. Isso é viver o seu Estado Natural. Isso é a liberação de toda programação, de todas as fixações, de todo o condicionamento mental, de toda ideia de alguém presente sabendo, conhecendo, prevendo, determinando. Em seu Ser, não há perder ou ganhar, certo ou errado, “pode” ou “não pode”, "deve ser assim” ou “não deve ser assim”. Essa é a sonoridade. Esse é o som.


Mestre Gualberto

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Um Encontro com a Nossa Verdadeira Natureza



Satsang é um encontro com a nossa Verdadeira Natureza –  com a Beatitude, com a Paz, com o Silêncio, com a Liberdade, com o Amor de nossa Essência Divina. Temos passado muito tempo alienados acerca de nós próprios, inconscientes de nós mesmos. E aqui nós temos a oportunidade de não só ouvirmos a respeito disso, como também vivenciarmos diretamente isso, essa constatação – é assim que nós chamamos. Não se trata de mais uma crença, de mais uma doutrina, de mais uma forma de ensino, ou de mais um conhecimento. Não se trata nem mesmo de mais uma vivência, dessas vivências que, ao passarem, fica para você somente uma memória, uma lembrança.

Nós temos em Satsang a oportunidade de uma imersão, de um mergulho nesse constatar dessa Graça, dessa Verdade, dessa Beleza que trazemos. E nós aproveitamos esses encontros para, durante essas falas, investigarmos juntos, porque é através dessa investigação que podemos, diretamente, viver a meditação. E a meditação só é possível nessa incondicional entrega.

Observem que a Felicidade é tudo o que buscamos. Tudo o que buscamos profundamente é o Amor, a Paz e a Felicidade. Todos querem isso, todos sentem a importância disso. É o que todos nós profundamente desejamos. E quando compreendemos isso, porque todos desejam, desejamos de uma forma completamente inconsciente do que, de fato, significa isso; então, termina que nos perdemos. Todos se perdem nessa busca, nessa procura, porque lhes falta essa compreensão do que significa Amor, Paz e Felicidade. 

Reparem que realizamos a busca em objetos, relacionamentos, estados internos. Então, aquilo que é na verdade um desejo natural, um desejo que é um anelo por nossa Real Natureza, por essa Verdade que já somos e trazemos, termina se transformando num esforço para determinadas direções, e nelas nós nos perdemos, por estarmos focados nessa busca para o lado de fora. É do lado de fora que queremos encontrar Isso, como em objetos, atividades e relacionamentos, ou em estados puramente mentais, e assim buscamos toda forma de estímulo que possa nos proporcionar  um estado de paz, de amor, de felicidade.

Então, esse esforço nessa direção equivocada se confirma dia após dia, após dia, em constante decepção, frustração. E isso por quê? Porque nós não podemos conhecer a Felicidade; não podemos adquirir a Felicidade; e não podemos realizar a Felicidade. Porque Felicidade, Amor, Paz, é essencialmente aquilo que somos, agora mesmo, aqui, neste instante
.



*Trecho extraído de um Satsang com Mestre Gualberto em setembro 2013


sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Que é Liberdade?



Vamos falar sobre liberdade. Liberdade de quem? Você diz: “minha liberdade”... Sua liberdade? A “sua liberdade” não é a Liberdade! “Sua liberdade” não se importa com a liberdade de mais ninguém; não se importa com a liberdade de todos os seres, de tudo. Então, isso não é Liberdade - não é a Liberdade Real. A Liberdade Real não pode ser sua. “Minha liberdade” é como a questão da “minha vida”. A gente diz “minha vida”, mas isso não pode ser Real, porque aquilo que você chama de “minha vida” é perdido, e a vida em si continua. Como pode ser real a Vida Real sendo vista dessa forma, como “minha vida”? Portanto, não há “minha vida”, como não há “minha liberdade”. Não existe tal coisa.

Se nós vamos tratar de liberdade, temos que fazer isto olhando o que significa liberdade e não “a minha liberdade”. Esta última é uma conquista, realizada como resultado de qualquer outra ambição e, sendo algo que é conquistado, pode ser perdido. Assim, como isso pode ser Liberdade? Algo tão exclusivo, tão particular? Algo tão pessoal, restrito a uma realização, que é chamada de “minha liberdade”? É isso que temos que ver. A boa notícia é que não há nada que o escravize para que você queira ser livre; que toda Liberdade já está presente, quando esse sentido do “meu”, daquilo que considero como algo exclusivo, não está presente. Então, quando essa “minha liberdade” não está presente, nós temos diante de nós a Liberdade; quando esse sentido de “minha vida” não está presente, nós temos a Vida Real.

Essa atitude, essa postura pessoal, é a própria base da escravidão; na verdade, ela é a escravidão. Todo o nosso padrão de formação, tudo aquilo que nós adquirimos ao longo de todos esses anos, está centrado nessa ideia de que existe um “alguém” que sofre, que precisa dessa liberdade; na ideia de que existe alguém presente, esse alguém que está dentro desse corpo. Isso tudo porque há uma “historinha” dentro de cada um de nós e, com base nela, estamos vivendo essa, assim conhecida, “minha vida”, e procurando essa, assim chamada, “minha liberdade”. E, aqui, a gente está dizendo isso para você: não há esse “meu”, esse “eu”. Essa historinha é só uma historinha, e cada organismo tem a sua, mas, quando presos a essa ideia, temos a busca por liberdade e estamos diante dessa grande ilusão. 

Assim, eu quero dizer algo para vocês: abram mão disso! Abram mão desse “alguém” presente, que vocês acreditam ser, e depois me falem se essa busca da liberdade ainda vai continuar... se continuará! O que eu quero dizer a vocês é que não há ninguém para ser livre e não há nenhuma liberdade para ser alcançada ou realizada. Tudo isso que falei foi uma introdução e que, agora, concluo com poucas frases, com poucas colocações. Eu estou dizendo: se existe essa liberdade de ver que não há esse “mim”, esse “eu” que busca algo, então não há mais nenhuma liberdade a ser realizada. Essa é a única liberdade presente: a liberdade de não procurar, de não buscar e de não trabalhar por algo fora disso, que já está aqui, agora. Está claro isso? Então, essa ideia de alguém querendo ser livre é como a ideia de alguém estar vivo. Não há “alguém” vivo, só há Vida; não há “alguém” livre, só há Liberdade. E, assim, termina essa coisa de buscar, de procurar, de “sair” deste instante que temos agora, aqui.

É simples isso, entretanto você pergunta: “mas e esses estados internos de conflitos, de medos, de receios, de ansiedade, de depressão, de mágoas e de ressentimentos que aparecem aqui? É disso que eu quero me livrar"! Você não percebe que isso tudo está aparecendo nessa base, na base desse “mim”, desse “eu”, dessa historinha? Foi só uma historinha que inventou essa base, e você aceita essa base como sendo a verdade do que é você. Mas se você pode olhar para isso assim de perto, bem perto, você vai chegando, chegando, e, então, percebe que isso se dissolve. Isso não tem realidade. É como algo visto no deserto, uma miragem, uma alucinação, uma fantasia, consequência do calor do sol. Seu cérebro produziu a miragem e agora ele produz essa sua historinha, e também esse sentido de “alguém” que quer ser livre; esse “alguém” que busca a liberdade. A Liberdade está agora, aqui! Porém, ela não é sua, porque você não existe! Só a Liberdade é Real, e não você!

Quando nós falamos de Liberdade, sempre estamos falando dessa Realidade que é Você, não de algo fora daquilo que é Você. Mas você é adulto, já cresceu muito, já cresceu bastante. Você está muito envolvido com as suas atividades, com as suas realizações, com as suas conquistas, com os seus objetivos, com os seus alvos, com os seus sonhos e projetos… Você “cresceu” muito! Você agora é adulto e, em meio a tudo isso a que você tem se dedicado, a que tem dedicado toda a “sua vida”, descobriu somente uma coisa: tudo no final gera frustração, decepção, conflito, sofrimento. No entanto, você cresceu muito, está adulto, e não quer abrir mão disso. Você, em seu desespero, teme ficar absolutamente sem nada, perder tudo isso. Ao mesmo tempo, algo dentro de você fala, reclama e reivindica a liberdade de tudo isso. Contudo, você pensa em liberdade preservando tudo isso – você pensa na “sua liberdade”.

Tenho algo para lhe dizer: você cresceu muito, não é mais criança, e esse é o “seu problema”. Aqui, eu quero convidá-lo a voltar a ser “criança”, voltar à inocência. Se você não “voltar a ser criança”, não encontrará Isso e não “realizará” Isso que você É. É como ter que morrer, nascer, morrer e nascer, o que, na verdade, é a constatação de toda essa ilusão de ter se tornado adulto. Você nunca foi adulto, nunca cresceu, apenas essa estrutura mental surgiu no cenário. Toda essa forma de se reportar à vida, toda essa perspectiva, esse modo, esse foco nessa direção, colocou você assim, mas, de fato, você não cresceu, apenas essa estrutura apareceu no cenário e, então, você se sente assim: um adulto.

Satsang é esse encontro com a sua Real Natureza. A sensação que se tem é de morte… Morte iminente, morte a caminho, morte acontecendo. É um tipo de morte e um tipo de nascimento, mas, na verdade, é um desaprender, é um relaxar em sua Real Natureza. É constatar essa “criança” presente, essa sua natureza essencial, natural, real, que é livre, pura liberdade, agora mesmo, aqui mesmo. Ok?

Isso é algo que você vê. Você vê tudo isso nesse desaprender, nesse “abrir mão”, nesse “deixar cair”. Sua mente está presa ao conhecido, presa ao padrão, a tudo o que ela tem e conhece. Esse “estar vazio”, estar sem ela, é a sensação que se torna presente, mas é um vazio de uma qualidade nova; não é o vazio da busca do preenchimento, que busca isso em outra forma, que causa esse terrível medo. Esse vazio tem essa qualidade do Silêncio, da Quietude, da Paz, da Real Liberdade. Isso tudo é Você.

Então, é assim: Ser, sendo “criança”. É uma figura de linguagem a palavra “criança” aqui, porque Isso não é criança, não é jovem, não é adulto, nem é velho. Isso, essa Realidade Presente, é só essa Presença mesmo. É somente isso. É exatamente isso.

Alguém quer falar alguma coisa? Alguém tem alguma pergunta?

PARTICIPANTE: Acho que não tem alguém….

MESTRE GUALBERTO: Como? Fale um pouquinho mais.

PARTICIPANTE: Perguntou se alguém tem alguma pergunta, mas não tem alguém, alguém para perguntar!

MESTRE GUALBERTO: Quando não há alguém, não há perguntas, também não há respostas. Ser é a resposta. Sendo ISSO, que é agora, nesse instante, é a resposta. ISSO é Liberdade! Ao longo de muitos anos, nós fomos ensinados pela filosofia, pela política e pela religião a usar a palavra liberdade, a trabalhar, se esforçar, se dedicar, renunciar pela liberdade, a se devotar a esse trabalho do encontro com a liberdade; todo esse tipo de coisa. Isso tem acontecido ao longo de todos esses anos, e aí você se depara com ISSO, com essa simples e natural forma de olhar, que é não padronizada, não condicionada, não programada, não reduzida a um conjunto de ideologias filosóficas, políticas ou religiosas. De repente, você se depara com Aquilo que está aí, que sempre esteve aí, e que nunca ficou tão claro como está sendo agora, porque você tem esse olhar inocente, esse olhar virgem, esse olhar não violado, não tocado... Esse olhar que agora, em razão desse seu Estado Natural, se apresenta. Você tem, assim, em um estalar de dedos, essa percepção de que você é ISSO.

Você é essa Liberdade, que está nesse encontro consigo próprio, consigo mesmo. É essa qualidade de existência que se revela neste instante, neste momento presente; que se mostra como uma dança, como a dança daquela árvore que está lá fora: para onde o vento bate é o sentido da música. Ela “caminha” para a esquerda, para a direita, para trás e para frente… Suas folhas balançam… Ela acompanha o ritmo do vento, porque esse é o ritmo da música na qual ela dança. Essa é a qualidade da vida, da existência, da liberdade, quando "você" não está presente... Quando só a música está presente, quando só o som sopra... Não há nada a ser feito, não há ninguém para fazer. É uma forma de cantar, de dançar, de viver. Felicidade é a sua Natureza Real, Paz é a sua Natureza Real, Amor é a sua Natureza Real, Liberdade é a sua Natureza Real, Celebração é o que Você É, agora. É uma festa, onde todos os convidados estão muito bem arrumados, muito perfumados, todos são lindos... Não há nada fora DISSO. Fique aí, permaneça aí, no seu lugar... seu espaço.

Quando “você” não está presente, ISSO está presente, e ISSO é esta Presença que é Você; o Você Real, que é Vida, e não essa “minha vida”; o Você que não tem história, nome e forma. O Você Real sabe que não há nada, nem mesmo “você”, com ideias, pensamentos, sentimentos, emoções, ou com as respostas limitadas desse mecanismo, desse organismo humano. Você não é humano. Você é essa Realidade presente. Há somente essa Realidade presente, que É você. Você presente nessa Realidade, essa Realidade presente em você. Essa Realidade é o seu presente, e você é o presente dessa Realidade. Você é ISSO! Você tem dúvida disso? Hein? Eu falo sério, nessa seriedade festiva de quem sorri.

Podemos olhar isso diretamente e ver, sem esse sentido de um "alguém" presente que vê, mas apenas nessa Presença que vê. É apenas essa Presença que vê tudo. Está vendo aí como é? Isso não requer esforço nenhum, não requer trabalho, no sentido que nós conhecemos. Há uma aplicação, uma entrega, e todo um envolvimento de confiança, de coração, nisso. Isso não é para a mente... Isso não diz respeito à mente. A mente teme Isso, pois é o fim dela; é o fim dessa programação, desse padrão, de todo esse treinamento... Esse treinamento para ser miserável, infeliz, sentir-se escravo e querer a liberdade. É o fim de tudo isso! É o fim de tudo isso! *



*Trecho extraído de um Satsang com Mestre Gualberto, em fevereiro de 2012, na cidade de Itaquaquecetuba - SP


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Não somos as telhas e sim o telhado




Sim, não podemos separar telhas e chamá-las de telhado. É isso que o pensamento tem feito. Não existe nenhum "eu". Quando alguém me pergunta "o que faço para matar o ego?" - uma pergunta muito comum -, uma coisa é simples observar: que foi o "pensamento" quem criou essa ideia de um "ego", de um "eu", e que precisa ser morto. 

Veja, é a telha se dizendo o telhado, isso porque é uma no conjunto de uma grande quantidade de telhas unidas entre si. O problema é que o pensamento é muito sedutor; ele nos abraça e se funde conosco, dizendo ser real como uma entidade, identificando -se com o corpo e, naturalmente, com o seu "mundo mental". O pensamento vem fazendo isso desde que éramos crianças; começou quando ainda éramos bebês e assumiu um lugar que não é dele. É isso que podemos chamar de "eu", de "ego", que é pura inconsciência... um estado de sonambulismo, de hipnose. Esse é o estado que chamo de estado comum, mas não é o Estado Natural, Real, de Amor, Liberdade e Felicidade.

Tenho colocado aqui, muito claramente, esta diferença entre o nosso estado "comum" e o nosso Estado Natural. O que temos vivido dentro dos padrões condicionados do pensamento é esse estado de prisão, vivendo como escravos dos sentidos, na ideia "eu sou o corpo". Tudo isso tem sua origem na "mente" não observada, nessa inconsciência, neste sono. O convite para a realização ou reconhecimento do nosso Estado Natural é algo que tem início com uma busca e termina na compreensão direta de que não é necessário nada disso que temos feito, pois já somos o que buscamos - não somos as telhas e sim o próprio telhado.

Se descubro o "segredo" da não-identificação com os pensamentos, fica claro, por meio da meditação, a minha Real Natureza, que é livre de conflitos, desordens, ilusões e sofrimentos. E aqui não há um "eu", como tudo o que ele inventou neste seu "mundo separatista". Sou Consciência, Bem-aventurança e Felicidade. 


*Texto escrito pelo Mestre Gualberto, em 23 de fevereiro de 2011.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Seja o que você É - Satsang




Participante - Há uma coisa dentro de mim que diz assim: eu não quero sofrer, não quero passar fome, não quero sentir dor.

Mestre Gualberto - A Vida comporta isso tudo, e isso é a Vida. Agora, a Vida jamais é tocada por sua própria expressão. Isso significa que você é a Vida. Quando Isso está assentado, só há Vida fluindo. A Vida não está abandonada. A Vida só está se manifestando, uma hora de uma forma e outra hora de outra, mas isso não muda nada para a própria Vida que é Você. 

A ideia de “quero” e “não quero”, “gosto” e “não gosto”, ainda é a ideia de "alguém vivo" na Vida e não da própria Vida. A Vida não se ocupa com crenças. São crenças sobre a dor e sobre a dor da dor; crenças sobre o sofrimento e sobre o sofrimento do sofrimento, como crenças sobre a alegria da alegria; crenças sobre a felicidade da felicidade e sobre a morte da morte. São somente crenças. Solte as crenças. Seja o que você É: a Vida.

E deixe essas questões de direito, esquerdo, cara e coroa, positivo e negativo, dor ou prazer, viver e morrer, por conta Daquilo que move tudo e põe tudo em seu devido lugar.



* Trecho extraído de um Satsang com Mestre Gualberto em setembro de 2013.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Como viver isso? - Satsang




PERGUNTA: Mas como viver esta plenitude da qual falas, se o corpo e a mente sofre as consequências de ações pensadas? E como não sofrer quando algo acontece se não podemos estar 'full time' (o tempo todo) em estado meditativo?

MESTRE GUALBERTO: A questão toda é que estamos presos na mente por estarmos identificados com os pensamentos, mas você é “full time” esta Ilimitada Presença, esta Consciência que já é meditação. Estados meditativos vem e vão. Isso não nos interessa aqui. Você está além de todos os estados, inclusive os estados de silêncio, de quietude, de paz e assim por diante.

Quanto ao corpo, aquilo que o "corpo-mente" passa ou que acontece a ele não tem nada a ver com você e sim com o destino dele. O nascimento, se é que ele pode "nascer”, assim como acidentes, doença, velhice e morte, além de tudo relativo às ações do corpo, não é uma escolha sua. O que acontece a ele é assim e ponto final. Tudo é uma decisão Divina.

Você não pode fazer nada quanto a isso. E em sua Verdadeira Natureza não há qualquer preocupação em mudar ou alterar isso ou aquilo. Isto é "problema", ou “não-problema", do corpo e não seu... O “sofrimento” é algo que está nele e não em Você. Na verdade, desde que ele nasce, o desconforto nasce. Olhe o trabalho que ele tem para se manter com certo conforto, e isso continua até o fim dele; não dá nem para enumerar aqui...

Você pergunta como viver isso que você chama de plenitude e que chamo, também, de completude? Autoinvestigação, meditação e a entrega a essa Verdade sobre Si Mesmo é a resposta verbal, mas é isso que vivencialmente vejo como fundamental. Para isso estar aí é algo que naturalmente requer esse “trabalho”, que, como sempre digo, não é seu, mas precisa acontecer, por Graça, neste mecanismo "corpo-mente" para que essa Liberdade "eu-não-sou-o-corpo-mente" esteja presente, seja constatada.

Insisto em Satsang por isso, pois como posso ver isso sozinho? Se pudesse ver, já teria visto, não teria perguntas sobre isso e não estaria procurando isso em livros ou em palavras escritas ou faladas. Assim, temos aqui dois reais impedimentos. O primeiro é passar toda essa assim chamada "vida" distraído quanto a si mesmo, por falta de um real e profundo interesse nisso, que arde como um fogo aí dentro, que não lhe deixa sossegado... e não deixa mesmo. Pergunte àqueles que estão vendo a Coisa como foi. Assim, o primeiro impedimento é não olhar para Isso, e o segundo é não se render a esse “Trabalho", não aceitar a “morte”. Contudo, isso ainda é uma ação da Graça!

Como podemos ter isso, se não estamos no momento de ver isto? Porém, se isso está queimando aí esse é o seu momento... *



* Trecho extraído de um Satsang com Mestre Gualberto em setembro de 2012


quarta-feira, 15 de abril de 2015

O Início de Algo Inteiramente Novo - Satsang



Alguns não compreendem bem o que a gente faz dentro desses encontros.  Aqui não se trata de construir alguma coisa. Há um ditado que diz que "destruir é mais fácil do que construir".  Aqui todo o trabalho decorre de uma desconstrução.

Satsang é uma facilitação dessa desconstrução. Através da autoinvestigação nós descobrimos toda ilusão construída em cima desta estrutura, que é a história filosófica, religiosa, cultural, social e de crenças familiares de cada um de nós. Então, ocorre um processo de reconhecimento da ilusão dessa estrutura. Isso significa a destruição ou demolição, de fato, do ego. Não é mais complicado do que a dificuldade que vocês encontram, por serem muito desconfiados, pois temos muito medo, e isso é um salto no abismo do escuro. 

Dessa forma, temos toda essa dificuldade, pois há muito medo. O que será de minha vida sem o medo? O que será de minha vida sem minhas crenças? O que será de minha vida sem minha religião... sem meus apegos... meus desejos? O que será de minha vida sem o sentido de uma identidade pessoal? O que será de minha vida sem todo esse sentido de autoproteção que tenho? O que será da minha vida sem essa construção? O que será esse abismo? Apenas com um salto posso desaparecer nele? O que será desse "eu" que acredito ser? Essas perguntas são apenas o que a mente sabe fazer de mais rotineiro.

Aqui Eu entro e digo para vocês: o salto neste abismo é, apenas, o fim da busca de paz, liberdade e felicidade.  É o fim desse estado de confusão gerado por essa desordem, fruto da desconfiança, de muito, muito, muito medo. O salto nesse abismo é o início, pois a realização não é o fim. 

Nessa desconstrução você não tem o fim, mas sim o início. Prestem muita atenção: realização é o início; é o fim da busca, mas é o início da vida plena, pois você só está vivo quando está neste início. Antes disso você está dormindo, inconsciente, "morto". Aqui, neste fim que é o início, essa "morte" é a única expressão verdadeira da mais Plena Vida. É o início de algo inteiramente novo e desconhecido, e extraordinariamente belo e indescritível. 

Essa é a descoberta da Beatitude, da Paz,  da Liberdade e da Felicidade. 

É isso.



* Trecho extraído de um Satsang com o Mestre Gualberto em dezembro de 2011.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Apenas Fique Quieto


Essa nova atitude baseada na confiança nos parece muito estranha. É uma atitude não planejada ou programada, pois é algo não idealizado. Confiança é uma palavra proibida, assim como aquelas palavras feias que a gente não repete em público, porque fomos ensinados assim quando criança. Confiança, segundo a mente, implica o perigo de ser "violentado". Então, desconfiar é a palavra de ordem.

Desconfiar de tudo e de todos, em um mundo profundamente violento, agressivo e egoísta parece ser um grande negócio. No entanto, quando a gente se aproxima de Satsang ocorre um retorno à pureza da infância. Somente se fica à vontade no Satsang, quando as antigas lições são desaprendidas para dar lugar ao novo.

Reparem que coisa interessante é isso, pois nós mudamos o foco. O foco era aprender, mas agora é desaprender, que significa confiar na existência para experimentar diretamente. Apenas quando isso surge ocorre uma nova atitude baseada na confiança e na entrega, que pode ser desdobrada em uma postura de observação e experimentação direta, fazendo desvelar o lugar onde aparecem todos os milagres.

É o milagre da confiança de se confrontar consigo mesmo, com seus próprios desejos e com seus próprios medos - tudo aquilo que antes nos fazia fugir amedrontados. Esse tipo de nova atitude nos coloca vulneráveis, receptivos e abertos. Assim, nós estamos diante da possibilidade do milagre que é a constatação disso que somos, e então, nessa confiança, nos estabelecermos além do medo.

É uma confiança de ordem diferente, porque ela coloca você além dos opostos que decorrem da necessidade de agarrar- se a alguma coisa, que é meramente sentimental, emocional e intelectual. O que estamos dizendo é: não é possível essa compreensão direta daquilo que somos, se não nos abrirmos àquilo que se apresenta aqui e agora, e se não ficarmos expostos diante de nós mesmos. Precisamos compreender que é essa questão do medo que nos empurra para longe do confronto, este que dá azo à observação direta daquilo somos.

Essa fuga somente ocorre porque não há confiança. Quero convidá-los a ficarem expostos a si mesmos, a cada reação que vem do passado, a cada pensamento com sua bagagem e o respectivo sentimento com a sua resposta reativa, assim como gostaria de convidá-los a ficarem quietos, muito quietos, apenas olhando para isso.

É necessária uma enorme confiança para que essa dor que surge possa passar. Ela aparece pequena, e cresce até chegar a um pico, mas depois desce novamente. Se você faz isso, se você permite se, então, finalmente, descobre o que é confiança, ao se expor para si próprio, nesse olhar direto, quando ocorre a descoberta dessa Presença que testemunha a reação se manifestando no corpo e na mente.

Essa Presença é a testemunha intocada que é você, onde não há reação. Você não é o corpo e nem a mente; não é desejo, medo, culpa, remorso, trauma, nem a ansiedade. Você não é nada disso. Você é essa testemunha que olha, que presencia aquilo que aparece neste organismo, isso que vem e vai, enquanto você testemunha.

Nesse olhar confiante, despretensioso, aplicado, zeloso, cuidadoso, devotado, você encontra Aquilo que está além do corpo e da mente, além de todas essas reações ligadas a esse mecanismo, e assim você descobre Aquilo que não vem nunca, não vai embora nunca, não aparece, não cresce, e que não chega a um pico, depois diminui e some. Você descobre Aquilo que é Imutável.

Assim, quero convidá-los a esta profunda confiança de aceitar e não resistir, de abraçar diretamente aquilo que surge nesse exato momento, e ficar com isso. E Satsang é este espaço onde a real confiança pode florescer - na Presença da Graça do Guru; é a possibilidade da descoberta desta real confiança, para que possamos ir além da mente.

Isso é, na verdade, o fim, e ao mesmo tempo é o começo. É o alfa e o ômega.*



Mestre Gualberto


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Quem é o Mestre?



Nossa verdadeira natureza é Deus, nosso único Guru, mas isso não é funcional quando é apenas uma crença. Na mente você não sabe disso diretamente, não pode reconhecer isso. Na mente você jamais se reconhecerá como o Ser, como esta Presença, como Deus que você é.

Você pode passar um bom tempo nessa pretensa maturidade que, na verdade, é pura arrogância. Não importa o quanto você acredite nisso, o quanto acredite que é autossuficiente, que é o seu próprio Mestre, e como um papagaio repita essa coisa toda que andou lendo e ouvindo de verdadeiros acordados, alguns que inclusive brincam de “mestre” e outros que não brincam de “mestre”.

Assim, relaxe... relaxe... Apenas quando estiver suficientemente maduro para ver o “Mestre” você será atraído, realmente, para Ele, por esta ação da Graça. Então, e somente então, poderá ver o Mestre.

Somente a Graça pode nos fazer ver nossa própria Presença, sua Real Presença, na figura externa do Guru. Assim, o nosso Guru interno pode ser visto do lado de fora e, na verdade, Ele é a gente mesmo. Desta forma, esse amor, essa confiança e entrega acontecem naturalmente, e, então, o sentido de separação “mestre/discípulo” desaparece. Portanto, a rendição ao trabalho é ficar quieto e, simplesmente, “permitir” a Graça agir triunfalmente, revelando este autorrefulgente Ser. 

Tudo é a gente mesmo aparecendo do lado de fora, na figura do Mestre ou na figura do discípulo. Assim, como não há nenhum discípulo para um Mestre, não há nenhuma autoridade de Mestre para esse amor do discípulo. Tudo o que o Mestre vê é Ele mesmo, e tudo o que o discípulo pode ver, na visão da Graça, é a beleza do Mestre, nessa brincadeirinha divina.

Mas, se ainda não é o momento para um determinado mecanismo “corpo-mente”, a brincadeirinha da ilusão de “alguém dentro” continuará mostrando “alguém do lado de fora”. E, assim, o ego jamais verá outra coisa a não ser ele mesmo e jamais haverá um trabalho real, uma entrega real.

Um Acordado é somente o que somos - um espelho de nós mesmos, sempre. E enquanto não estivermos prontos para reconhecê-lo, a mente estará no comando e permaneceremos nessa identificação com esta entidade ilusória, em uma resistência perfeitamente compreensível. Ela terá trilhões de argumentos lógicos, perfeitos e inteligentes para dizer: - Eu já sei. Eu não preciso de nenhum Mestre – e ela está certa porque o Mestre não é para ela; o Mestre é o seu fim. 
*

                                                 Mestre Gualberto


quarta-feira, 8 de abril de 2015

A mente quer o excepcional - Satsang


É que todos esperam algo, e algo excepcional, para si mesmos. Eles esperam algo emocionante, excitante - algo incomum. Isso os tornaria mais importantes, mais valorizados. O Estado Natural não trata disso. O Estado Natural trata do natural, não do excepcional; compreende agora a dificuldade?

A mente quer o excepcional, quer o extraordinário, quer o fantástico, o miraculoso. Com isso, ela sente mais e mais do que ela é, mas não é real. É excepcional, é místico, é espiritual, confere importância, confere poder, mas não é real. Mas é o que a mente quer. Dê à mente o valor que ela busca e ela fica feliz. A natureza da mente é o engano. É aí que ela se sente à vontade. E aí você vem aqui e fica decepcionado, não há nada de excepcional, nada de especial, nada de miraculoso, nada de espiritual.

Isso não lhe dá uma nova experiência. Satsang é isso, basicamente: sorrir, chorar, comer, dormir, caminhar, se assentar, se levantar. O que há de excepcional nisso? O que há de especial nisso? Você vai querer isso? Você vem, e aqui eu lhe digo: quando tiver sono, vá dormir; quando tiver fome, vá comer; quando tiver sede, beba água. Deixe a mente fora disso! Pronto... aí está a Verdade. Não faça nenhuma leitura sobre aquilo que está presente.


Trecho extraído de um Satsang com Mestre Gualberto.


Consulte a nossa agenda e venha participar de um encontro conosco!



segunda-feira, 6 de abril de 2015

Há um parasita se passando por você - Satsang


Deixem-me apontar uma coisa aqui para vocês. A solução que a mente conhece, e que tem como proposta, não funciona. Até parece algo muito prático, mas não funciona. Que isso fique claro para vocês: tudo o que fazemos em Satsang é ver os truques da mente e despertar essa inteligência que nos livra da ilusão dessa continuidade da mente.

Uma mulher muito gorda foi ao médico e disse: “doutor, por favor me ajude a emagrecer!” O doutor disse para ela: “isso é muito fácil”. E ela: “o senhor não está entendendo, doutor. Quero que o senhor me ajude a emagrecer sem remédio, sem medicamento, sem cirurgia e sem nenhuma dieta.” Para espanto dela, o médico olhou para ela e disse: “ainda é muito fácil!” E ela: “é mesmo? Então o senhor tem uma solução para o meu caso? Eu vou conseguir emagrecer assim, sem medicamento, sem dieta e sem cirurgia?” Ele disse: “claro, é só a senhora balançar a cabeça para a esquerda e para direita, para a esquerda e para a direita.” Ela disse: “Quantas vezes eu faço isso?” Aí ele disse para ela: “Durante o dia, quando lhe oferecerem comida, você faz isso, todas as vezes. É só fazer isso, todas as vezes durante o dia.”

Esse é um tipo da alternativa, de prática, mas que não funciona. É exatamente a proposta que a mente tem aí na sua cabeça. Ela tem uma proposta de liberdade, de felicidade, de paz, de sanidade, mas é uma proposta que não funciona. Durante todo esse tempo nós estamos sempre ouvindo o que a mente diz. E eu queria que vocês, dentro de Satsang, começassem a olhar a mente e ver o que ela anda dizendo.

Vocês entendem? Como agora, quando a gente faz a pergunta: “qual é a pergunta?” Aí, ninguém tem a pergunta. De uma forma prática, a gente não sabe dar solução a nenhuma situação e, ao mesmo tempo, não temos nenhuma pergunta em Satsang; nos assentamos como budas. A mente produzindo alternativas, nos dizendo o que fazer, nos dando soluções, mas elas não funcionam.

Durante o dia, observem, quantas vezes a mente está dizendo coisas aí dentro da sua cabeça? Meditação é a arte de não se confundir com a mente, não importa o que ela diga. O que quer que a mente esteja dizendo é uma ilusão e não funciona. Isso não tem nada a ver com você; não existe nenhum pensamento seu, original, funcional.  O pensamento, como ele se manifesta nesse mecanismo, naquilo que você entende como sendo “você”, que é o corpo e a mente, é só um parasita. Uma espécie de falsa identidade, unida ao corpo e à mente, dizendo coisas.

A mente não é algo sob controle. Essa falsa identidade não é algo sob controle, mas  apresenta-se de uma forma convincente como sendo você. Se você me pergunta porque isso é assim, a resposta é simples: é porque você não vê. Você não está ciente, cônscio, perfeitamente alerta, quanto a essa aparição, a esse fenômeno chamado mente, “eu”, aquilo que você acredita que é “você”. Isso não é uma realidade, e sim uma convincente ilusão. Vou repetir: isso é uma convincente ilusão. Não é uma realidade, mas essa ilusão é perfeitamente convincente!

Não há algo aí "sendo você”, como você acredita. Essas sugestões, essas alternativas, essas propostas não são suas. A busca da solução de um problema é a ilusão de "alguém" que precisa de uma resposta para uma dada situação. E esse alguém não existe. Você não tem problema nenhum para resolver. Você se identifica com a sua história mental, com a história desse organismo, e, assim, essa falsa identidade, como parasita, está o tempo todo procurando alguma coisa, querendo alguma coisa, tentando resolver algum assunto.

Tudo está completo como está, perfeito onde está, no seu devido lugar. E não há alguém ou algo que possa mudar isso. O seu problema não é seu, você não existe para ter problemas. Nós dividimos a vida em diversas áreas: física, sentimental, intelectual, financeira, social, emocional, política e por aí vai - a vida dividida e subdividida. E nos colocamos aí como “alguém”, e onde está você...? Onde está você?



Mestre Gualberto


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Você é Amor, é Paz, é o Buda, é o Cristo, é Krishna, você é Deus, você é a Verdade



Nós fazemos muito isso: pegamos essas falas dos acordados e criamos um sistema, e, aí, transformamos isso em conhecimento, em sistema de crenças, passando a fazer parte do nosso acervo, da nossa cultura espiritual. Mas não há nada disso! Não existe nenhum “eu” coletivo, nenhum “eu” individual. Não existe o peso de um “eu” dentro, na experiência de mundo do lado de fora. Tudo o que aparece, só aparece. A ilusão de um “eu” dentro e de um mundo do lado de fora está assentada no pensamento e nas imagens que ele cria. Desconsidere os pensamentos e, assim, a noção de um “eu” experimentando o mundo termina. Então, não fica peso, o Ser é pura leveza.

Certo dia, o Annamalai ouviu quando perguntaram a Ramana sobre a existência do corpo: “Como é isso, Mestre,  para você, a existência do corpo?” Annamalai ouviu Ramana responder: “Eu, raramente, sinto o corpo. Quando estou caminhando pela montanha, o corpo caminha e, raramente, sinto o corpo, sinto a presença do corpo.” Então, Annamalai continua, dizendo sobre si mesmo: “Comigo também. Estou assentado, estou caminhando, estou comendo e não sinto o corpo.”

A identificação com o corpo é o peso, e ela somente é possível quando o pensamento cria essa identificação, aparecendo a noção do “eu”, “eu-corpo”. Quando não há pensamento, não há mente; quando não há mente, a noção do corpo também desaparece. No momento em que você fecha os olhos e não há pensamentos, a própria noção de corpo desaparece. Isso acontece de olhos abertos também, mas quando há pensamentos, e você está identificado com eles, "você" está presente. Aí há um peso: o peso de alguém dentro e o peso de um mundo do lado de fora; um mundo de coisas, lugares, pessoas. Essas pessoas, essas coisas, esses lugares são somente ensinamentos pensados por esse “eu”. Não se identifique com os pensamentos, e, assim, eles não encontram um suporte; o suporte de uma identidade presente, gerando peso... o peso de um mundo e o peso de alguém.

Não diga que é impossível! Faça isso! Assuma isso! Trabalhe isso! Impossível também é só um pensamento. Na verdade, o maior peso que você tem é não confiar naquilo que eu lhe digo. Por não confiar naquilo que eu lhe digo, você está sempre resistindo, criando suas histórias. Eu estou aqui desfazendo suas histórias, e você está aqui, vez após vez, reafirmando as suas histórias, tentando me convencer, me persuadir, me hipnotizar também. Vocês adoram fazer isso... Adoram fazer isso!

Eu sou muito teimoso... mais teimoso do que você! Você não vai me convencer de que é uma pessoa, carregando o peso do mundo nas suas costas, porque não há peso!

Você me pergunta como eu vejo o mundo. Eu respondo: eu vejo o mundo sem você! O mundo pode ir muito bem, obrigado, sem você! Você não se livra do mundo, nesse despertar! O mundo é que fica livre de você! O mundo não pode mudar! Ele não pode desaparecer, mas você pode desaparecer! Se você desaparece, o peso do mundo desaparece, e a noção “eu sou o corpo”, também, desaparece. E, aí, a ideia de morrer também desaparece! E a ideia de outros morrendo também desaparece! São só crenças! Somente crenças!

A Verdade não é pessoal, a Liberdade não é pessoal, a Paz não é pessoal, o Amor não é pessoal, e o mundo não é para a pessoa! Se você se sente no mundo, o mundo está pesando sobre você. Sua Natureza Real não carrega o peso do mundo, porque o mundo é algo que aparece nesta Consciência, como uma aparição... somente como uma aparição.

Você sente o peso do nariz? Alguém aqui sente o peso do nariz? Seu olho esquerdo é mais pesado do que o direito? Hum...? Alguém sente assim? Você em seu Ser traz o mundo sem peso! Repare isso, escute isso com atenção: eu estou dizendo que, assim como não há peso nos seus olhos e o seu nariz não pesa, a Vida não é pesada! Desista de ser "alguém", e, assim, você viverá como Deus, sem peso!

Você acha que Deus tem muitos problemas, porque tudo o que você pode ver, na sua ótica do pensamento, na imaginação desse pensamento  (que é onde esse pensador aparece), é um mundo cheio de problemas! Eu posso lhe garantir: Deus não tem problemas para cuidar do seu mundo. Eu disse do seu mundo, mas é do mundo Dele, porque o mundo não é seu! A ideia de seu mundo é o peso... como a ilusão do peso dos olhos e do nariz! Deixe seu filho, sua mulher, marido, casa, a noção de eu, tudo, aos cuidados da Verdade!

Um dia Cristo disse: “Vinde a Mim todos vós que estais cansados, oprimidos, sobrecarregados, e Eu vos darei descanso. Tomem sobre vós o meu julgo! Tomem sobre vós o meu peso! O meu julgo é suave e o meu peso é leve!” Ele está falando desse Eu Sou! Cristo não está falando do carpinteiro de Nazaré, está falando dessa Consciência desse Eu Sou! Assuma esse Eu Sou que você é em Sua Natureza Real! Isso é Cristo! Você é Cristo! Ele não vai nascer! Ele já é o que é, o que era e o que há de vir, agora, aqui, em sua Natureza Real,  sem conflito, sem problemas, sem peso!

Enquanto a mente se ocupa com os seus próprios negócios, o peso está presente; a aflição, a preocupação, o sofrimento e o medo, também! Ramana dizia: “Deixe com o Baghavan, que o Baghavan cuida!” Ele dizia!

Participante: Então, essa pergunta “O que é que nós humanos estamos fazendo aqui nesse planeta?” é fruto da mente também?

Mestre Gualberto: Sim! O desejo de "se tornar", de vir a ser, de realizar, é o aparecimento da mente egóica. Ela cria o corpo, e precisa de um mundo para habitar e realizar suas aspirações, seus desejos. O corpo é uma aparição na mente egóica. O ego, na busca de desfrutar, sofre. Ele constrói o mundo, separando-se como uma entidade, para desfrutar desse mundo, e agora a mente está sujeita à sua própria fantasia, à sua própria ilusão - identificada com o corpo, ela está em busca dos seus desejos.

Participante: E de onde surgiu isso, Mestre? Em que momento da existência surgiu isso que se separou e apresentou desejos?

Mestre Gualberto: A Consciência, essa Presença, essa Realidade, é o que é sempre! A ilusão não tem princípio. Ela pode ter fim, mas não tem princípio. A ideia de um princípio é a ideia de tempo, que, na Consciência, essa brincadeira é uma aparição. Quando se realiza o Estado Natural, descobre-se que isso nunca existiu, somente pareceu ser assim; não tem princípio, mas pode ter fim! A ideia dessa mente se separando da Consciência, em um determinado momento, instante, é uma ilusão, porque, na realidade, essa separação nunca aconteceu! Agora, paradoxalmente, na realidade, isso sempre foi assim!

Estamos diante de algo paradoxal, que só é apreendido quando o Cristo nasce, quando o Buda nasce, quando o despertar para aquele ou para aquela floresce! Quando Isso floresce, você diz: “Uau! Que sacanagem! Eu sempre fui o que Sou! Por onde parece que andei? Não, eu nunca sai desse lugar!” Um dia, você vai rir de todas essas perguntas! E vai rir de todas as respostas que você já ouviu! Você vai achar graça de todas as falas, porque tudo isso só parece ser muito real nesse instante. Mas, logo, você vai rir disso, porque vai perceber que tudo isso foi uma grande brincadeira, e que Deus vem se divertindo há muito tempo! Desde que Deus é Deus, ele vem se divertindo com essa brincadeira!

Por isso, é que não há nenhuma explicação, não há nenhuma razão de ser, não há como explicar o que é a vida, o que significa isso... nada disso! Tudo isso são fantasias nossas! Nós criamos essas fantasias! Nós criamos as perguntas e produzimos as respostas! As respostas, quando nos parecem “preenchedoras”, nós dizemos que vieram do céu, de Deus, do divino; quando elas são incompletas, nós dizemos: “não, isso é estupidez, é doidice”. Mas, na verdade, tudo é uma grande brincadeira de Deus, ou parece que está acontecendo, até o momento em que fica claro que tudo já é o que é.

Participante: Então, na verdade, cada acordado tenta dizer para os que estão dormindo, mas não existem palavras para explicar isso tudo. O máximo que você pode dizer é: confia, vale a pena, que um dia você vai compreender! É “pauleira”, viu? Aí, a gente até entende o uso das palavras “Inominável", etc...

Mestre Gualberto: A coisa que fica, e os budistas encontraram uma palavra para isto, é a compaixão. Esse é o movimento da Consciência, na forma de um acordado, movendo-se em nossa direção, para nos dizer: Acorda! Mas a própria palavra compaixão não é uma palavra adequada, até porque não há nenhuma decisão de fazer isso, por parte Daquele que está nesse Estado. Não houve uma decisão. É um movimento da própria Consciência brincando de dizer: você é o que é! Você é Isso! Então, essa Presença, essa Pura Consciência, ela toma você, ela se traveste na forma do Guru, do Mestre, e é tão bonito isso, porque é como uma luva para as suas mãos! Tem algo Nele que vai encantar, magnetizar, você e trazê-lo para perto. Então, vai começar um jogo, um jogo divino, um jogo inexplicavelmente lindo, que é um Amor, um envolvimento de coração, algo que vai substituir todos os “amores” da sua vida; vai trazer você para essa proximidade... e você vai se reconhecer! Um belo dia, você se reconhece e diz: - Uau! - você dá o namastê para o Guru, que é você mesmo, e aí você já tem os olhos dele, você já tem o coração dele, você já tem a leveza dele, você carrega essa Graça, o perfume dele, que não é ele, e não é você, é Aquilo! Uma grande brincadeira! 

A figura do Guru, a foto, os cânticos, os momentos devocionais que a gente tem... então, canta-se para Deus, canta-se para a Graça, canta-se para o Guru! Hoje eles fazem música e colocam Mestre Gualberto! Eu acho tão cômico, tão engraçado, porque isso tudo é uma grande brincadeira! Eu cantaria uma música para você também, porque eu amo você! Eu colocaria o seu nome na música e cantaria para você, por amor a você! Então, vocês cantam músicas em amor ao Mestre! É a mesma brincadeirinha! Isso deixa o ego bastante ofendido do lado de fora, porque ele não vê que isso é só um jogo, um bonito e belo jogo, de encontro de coração! Não tem alguém maior... não tem alguém menor; não tem aquele que sabe e o que não sabe; não tem o Guru como alguém especial e os discípulos... não tem nada disso! É só a brincadeirinha da Presença, a brincadeirinha da Compaixão, a brincadeirinha da Graça! Só uma brincadeirinha de Deus!

Meu Guru foi o Único Amor que eu tive na minha vida! Ele me mostrou Deus! Ele me mostrou o que Eu Sou! Ele me amou como ninguém me amou! Ele brigou comigo como ninguém brigou comigo! Ele me pediu coisas que ninguém teve coragem de pedir! Ele foi meu pai, minha mãe, minha mulher, minha filha, meus irmãos! Ele foi tudo, Ele é tudo! Ele me deu você... trouxe você até mim! Já não estou mais sozinho! Na verdade, Ele me deu aquela criança que está lá na Etiópia, que você diz que está morrendo... Ele me deu todos, Ele me deu tudo! Ele me deu essa Alegria de Ser, essa Liberdade de Ser, esse "não medo" de Ser! Ele me mostra quem Você É, quando eu encontro você, quando eu olho nos seus olhos! Eu sei quem Você É, porque Ele me deu isso! Em Sua Graça, Ele me habilitou a ver isso! Eu confio naquilo que Ele me delegou! Ele me delegou isso: a habilidade, a capacidade, a visão de saber quem Você É, e eu não confio no que a sua mente diz! Não confio em suas histórias! Continuo confiando na minha visão! E a  minha visão diz que Você É Isso! Você não precisa de religião, de práticas místicas, esotéricas, rituais, cerimônias, nada disso! Você não precisa de escrituras, não precisa de ler livros, centenas de milhares de livros... você não precisa de nada disso! Você só precisa ter um olhar para Ele! Olhe para Ele!

Na bíblia tem um versículo, lá em Isaías, que diz assim: “Olhai para Mim, vós de todos os recantos da terra e sereis salvos! Olhai para mim e sereis salvos!” Você só precisa ter uma olhar! Aquele olhar que você teve quando estava flertando pela primeira vez com o seu namorado, ou a sua namorada! Aquele olhar que diz assim: "você é tão linda, tão lindo! Deixa eu ficar perto, deixa eu ganhar o seu coração, deixa eu olhar para você!” Você só precisa ter isso! Namore Deus! Enamore-se  Dele, aproxime-se Dele, dizendo "eu não sei, eu não quero entender, eu estou aqui apenas para sentir isso"! Eu não sou bom com as palavras, acho até que isso é uma bênção para vocês! Alguns de vocês já estão enjoados de palavras! Já leram tanto, estudaram tanto...

Quando eu era criança, eu queria isso, exatamente isso que eu sou hoje: eu queria viver Deus, eu queria saber o que é Deus. Quando eu era criança, eu sentia que ele não estava no céu, ele tinha que estar aqui, acessível ao meu coração. E é isso que estou compartilhando com vocês! Eu não estou compartilhando conhecimento, nem experiências; estou compartilhando isso que você é! Estou falando de algo que você já é, e Eu Sou! Quando eu olho em seus olhos, não acredito em mais nada a não ser isso... eu não vejo mais nada a não ser isso! Minha crença não é uma crença, é uma visão, é uma certeza: você é amor, é paz, é o Buda, é o Cristo, é Krishina, você é Deus, você é a Verdade.

Alguns nascem para ser um craque de futebol, outros nascem para construírem pontes, serem engenheiros; outras nascem para serem presidentes de nações... Eu nasci para ser Deus! Eu nasci para acordar você! Foi para isso que você, também, nasceu! Você também nasceu para ser Deus!


Trecho extraído de um Satsang com Mestre Gualberto em Fortaleza, no dia 03 de abril de 2015.


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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Bobos na Corte da Alegria - Paltalk Satsang



Deixem isto de lado, abandonem tudo isto ou ficarão seguros à beira do precipício, sem desaparecer ali. A coisa toda está na "morte" e não na vida. "Morrer" é a coisa mais deleitável e inacreditável de todas.

Viver na morte é saborear o desconhecido. Não é possível "morrer", aqui, novamente, uma vez que você não está mais aí para viver a ilusão de crenças e conceitos aprendidos. Se permanecerem ligados à mente, e suas sugestões, ficarão surdos ao som dos pássaros que cantam na alegria dessa morte.

Tudo é uma grande bobagem, dita ou escrita. Sendo assim, vamos escrevendo essas bobagens hoje por aqui. Sabem o que interessa mesmo? É serem os bobos na "corte da morte". Tudo o que podemos levar é somente a alegria, e por quê? Porque é a nossa Real e Verdadeira Natureza.

Se você já é Isso, porque se envolver com qualquer outra coisa? Para realizar o que? O que pode ser realizado? Sempre fomos ensinados a ver valores ali, fora, mas é Aqui que está a coisa toda. Nosso olhar para o lado de fora nos fez ser sérios, em busca de respostas para a vida, e isso é uma grande piada. Não há nada sério em nenhuma parte.

Causa e efeito, por exemplo, são invenções da mente para explicar a grande festa que acontece nesta única Consciência, onde não há tal separação entre isso e aquilo, entre ação e reação, e nem razão para tudo ser como é. Tudo é perfeito, ou completo, como é, sem causa ou razão para ser assim. Olhe para vida "sem a cabeça" e você não poderá ver qualquer motivo na coisa sem sentido que é viver.

Sempre preso e vítima das ideias, você se mantém na procura de um sentido razoável, ou seja, algo que possa satisfazer esse intelecto faminto por explicações, o que é uma coisa bastante estúpida e considerada muito sábia. Viver é desfrutar sem explicar, sem pensar a respeito, e é isso que chamo de "adorável segredo da morte"; é sermos esses bobos na corte da alegria da existência!

Não me importo mais com lógicas ou explicações, tudo que sinto é que não há nada real no que a mente pode desvendar. Ela é, por natureza, limitada e incapaz de ver o simples sorriso de uma rosa que se abriu e que sorri de tudo isso que achamos tão real. O que vamos fazer? Nada, nada mesmo. Apenas fique aí sem procurar, sem buscar, sem sair para esses rodeios que a mente dá.

Participante: Tomar sorvete.

Mestre Guaberto: Tomar sorvete, também, faz parte da alegria de crianças que não esperam nada. Tudo é somente alegria. Sempre é assim para crianças que só vivem em meio a crianças, onde tudo é simplesmente natural e sem afetação. Tudo o que vocês vieram fazer aqui é tomar sorvete, mesmo.

Estamos em uma grande festa sagrada, onde, neste sonho, a alegria é a base de toda a ação e de tudo o que a Graça manifesta como expressão de seu coração. Aqui é um espaço de loucos. Não tem nada sério e de extrema gravidade aqui. Hoje, como sempre, isto tem sido assim, já há alguns anos. Amar, para mim, é sorrir... sorrir de tudo, para tudo e para todos. Tudo é o que é e isso é Deus fazendo Graça.

Peço desculpas? Por isso? A quem pediria? Só vejo Deus em toda parte. Algumas vezes Ele vem como amigo, outras, como inimigo, outras como sábios e outras como tolos. Ele pode ser qualquer coisa e Isso me faz rir o dia todo.

Tudo é celebração, é festa, é amor, é silêncio, é morte, é vida. Hoje é assim, amanhã é assado e depois de amanhã é cozido. E tudo é tão delicioso. Tudo é simplesmente louco.

Escutem isso crianças: deixem tudo de lado, mas deixem mesmo... Sejam o nada, voltem para a ignorância, relaxem no "não saber" e no "não procurar saber"; desaprendam, de verdade, e depois me contem como é a coisa agora. Alguns de vocês acham que precisam de ensinos (gargalhadas), e até vem aqui achando que tenho isso. Sou o camarada mais sem conhecimentos que vocês poderiam conhecer. Tudo o que me interessa é Deus, que não pode ser aprendido. Então, seu coração entra nesta frequência da beleza da Liberdade que não tem qualquer razão ou motivo para estar ali. Portanto, você é Deus -Um com Ele... Sente amor, alegria e paz, como Ele... Ele e você são um só. 

Não coloque isso dentro dos moldes da Advaita ou de qualquer filosofia que você já leu. Isto não está nos livros, isto está aí... aí. Só há Ele... Só há Ele... Só há Ele. É isso que eu posso dizer para vocês em minha feliz loucura... inexplicável loucura. Tenho passado os meus dias assim...

"O que podemos fazer? ou "o que é Isso?, alguns me perguntam, e  eu não sei o que dizer para eles. Eles querem chegar NISSO do modo mais complicado. Eu falo, mas eles não querem ouvir. Digo que desistam de colecionar coisas, de se empanturrarem de leituras desnecessárias... Que venham ao Satsang e, aí, fiquem perto... Digo "deixe-me olhar para você e você para mim".(risos). Entretanto, eles acham isso algo sem sentido, algo estúpido, ou sei lá o que acham.

Quero apenas poupar o tempo deles, pois já sofreram muito, sendo sérios buscadores. Agora quero, apenas, ficar perto deles e sentir o coração deles junto ao meu. Foi isso que o meu Guru me mostrou. Não sou nada.... Nem quero ser nada mais, se estão vindo até mim... Vamos brincar certinho... Se não confiam nisso, isso é com eles; mas, se confiam, isto já está acontecendo. Repito para vocês: a "morte" é a Coisa toda e essa coisa de morrer é simples, embora para a mente nada disso é tão fácil.

É isso aí turma. 



Texto transcrito de uma fala via Paltalk na noite de 03 de setembro de 2012.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

O Amor é a Presença dessa Graça - Satsang





Aquele "você" que se ocupa com imagens são os pensamentos. Essa Consciência presente, aí, não se ocupa com imagens; ela se ocupa com percepções. Essas percepções, a expressão dos sentidos nessas percepções,  são o contato com a realidade presente, enquanto que o pensamento se ocupa com imagens. Essas imagens ficam a serviço da imaginação de uma suposta identidade aí presente, dentro do corpo, mais especificamente, dentro da cabeça. 

A sua crença é a de que você está aí. Essa crença é só uma imagem produzida pelo pensamento, com a qual você está ocupado, envolvido. Você está envolvido com este pensamento - o pensamento “eu”, e as imagens que surgem são preocupações imaginárias. A vida se apresenta nesse momento, e o contato real com a vida é o contato da percepção dos sentidos. Tudo o que você tem real é o que está se apresentando nesse instante. O pensamento, também, é algo que se apresenta neste instante, contudo, ele deixa de ser assim, quando é visto a partir de uma suposta entidade imaginando construir um mundo fora do que se apresenta, através dessas imagens. Em outras palavras: tudo o que passa na sua cabeça é uma mentira, se você colocar uma identidade presente para desfrutar disso ou para sofrer isso. Isso é pura imaginação.

Percebem que é assim? Deu para acompanhar isso?

Participante: Então, quando eu olho para aquela rosa eu não estou vendo aquela rosa, eu estou imaginando aquela rosa?

Mestre Gualberto: Você pode construir isso ou você pode deixar isso de lado. A proposta é deixar isso de lado... É deixar de imaginar sobre o que é percebido... É deixar de sobrepor a realidade presente - sendo percebida sensorialmente - com uma imaginação, uma ideia, uma crença. Essa é a proposta.

Participante: Durante muito tempo, eu achava que o meu problema era a raiva, a chateação, o sofrimento, etc. Mas, investigando melhor, eu vejo que o problema é, na verdade, o “eu” que não queria estar passando por isso, que está sempre voltado para o bem-estar.

Mestre Gualberto: E onde está esse eu? Só no pensamento, pura imaginação! Você imagina alguém na experiência, e essa imaginação de alguém na experiência amplifica qualquer contrariedade, qualquer desejo contrariado. E esse desejo contrariado se transforma em raiva, em frustração, e, aí, a gente começa a dar nomes para isso! Na realidade, isso é só a imaginação de alguém, nessa experiência, querendo mudar a vida, mudar o que acontece, revoltado e contrariado com o que é... Pura resistência. Ego é pura resistência. Se não há ego, não há resistência; se não há resistência, não há ego.
As coisas não mudam porque esse “eu” assim quer que mude; não acontece porque esse “eu” assim quer que aconteça; não acontece porque eu desejo que aconteça. As coisas são o que são, acontecem como são, e você não tem importância nisso! É aqui que entra essa suposta entidade presente imaginando, e imaginar é esse vício de criar imagens; é estar ocupado com o pensamento. Vocês vivem ocupados com o pensamento. O pensamento é um vício, uma droga. Você está viciado em confiar nas imagens que aparecem aí. 

Participante: Então, mestre, a gente vive projetando a ilusão dentro de uma realidade que a gente não está vivendo?

Mestre Gualberto: Vamos colocar melhor: você está vivendo uma realidade, só que essa realidade não tem nada a ver com o que a sua mente cria. Então, essa realidade é desprezada em razão de uma ideia, de uma crença, de uma imaginação - a imaginação de alguém presente vivendo. Não tem alguém presente vivendo, só tem a realidade presente e ela não é pessoal. Mas você é pessoal, porque você tem um corpo e uma história, porque você tem a sua memória, você acredita ser uma pessoa e importante. Importante por que? Porque você sabe o que está acontecendo. Esse “você sabe” é pura imaginação. Você não sabe o que está acontecendo. Não há alguém que saiba o que está acontecendo. 

O Estado Natural, que é Consciência, não se importa com o que acontece. É só o ego que se importa. Ele se importa porque ele quer interferir, ele quer mudar, ele quer moldar, ele quer... Ele sabe... Ele tem a arrogância de saber o que anda acontecendo. A vida para o ego  não é um mistério, é um enigma que ele pode decifrar... Não é somente um simples mistério... só um mistério! E vai continuar, sempre, sendo um mistério! A Consciência, a Verdade, sempre será um mistério. Mesmo o sábio não diz “eu sei”; Ele não diz “eu sei” porque ele sabe que não sabe! Ele sabe que não sabe, porque sabe que tudo é um grande mistério! E essa é beleza da vida: ela ser um mistério; ela ser o que ela é; ela não ter explicação; ela não dar explicações sobre ela! É aqui que falha toda a nossa vã filosofia, nossa vã espiritualidade, porque é a tentativa de explicar o inexplicável. Por que você não abraça este "não sei", este "não saber"? Abraçar isso é o fim do sofrimento, que é o fim do eu, que é o fim da imaginação. 
 
Livre-se disso! Pare de ser importante! Fique com o que a vida reservar para você! Um dia, Cristo disse: “quando estiver num espaço, não procure os primeiros assentos, porque você pode estar nos primeiros assentos e vir alguém e tirá-lo dele e colocá-lo nos últimos. Então, não procure os primeiros assentos. Espere que alguém pegue-o dos assentos”. O que Ele está dizendo é: deixe a Vida escolher por você; deixe-a decidir por você; deixe a vida ser o que ela é - muito generosa! Então, deixe-a tirá-lo dos últimos lugares e colocá-lo nos primeiros, mas deixe a Vida fazer isso! Isso é viver sem ego, isso é viver sem o sentido de alguém presente, sendo o tal, sendo importante, fazendo acontecer ou deixando de fazer.

O Amor é a Presença dessa Graça. Ele está onde você não está. A real alegria de ser só é possível nesse vazio, nessa nulidade, nessa ausência de escolha e tomada de decisões. Fique com o que é simples, sem o comprometimento emocional de "alguém" aí. O que estou dizendo é: tome decisões, mas sem o sentido de "alguém" presente nessas decisões.


Transcrito e revisado a partir de uma fala ocorrida
em Satsang presencial no dia 29 de Março de 2015 em Eusébio - CE

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