quarta-feira, 11 de março de 2015

Se você sabe algo sobre isso, está na ilusão





Estamos juntos, mais uma vez, num momento de imersão, nesse mergulho. 

A palavra mergulho, na Bíblia, tem o significado de batismo, contudo  é evidente que as palavras são todas insuficientes, todas elas. Iluminação, realização, é algo que significa um retorno, uma volta, à Fonte; é uma tomada completa de Consciência, ou uma Consciência ciente do Ser. Estamos tendo apenas umas aproximação verbal dessa coisa,  que é indescritível, indizível. Realização,  iluminação, despertar, que, às vezes, nesse sentido, usamos a palavra "acordar", é algo indizível, indescritível. Assim, mais uma vez, é algo indescritível estar aqui nessa Presença, que é Consciência; é uma Presença nunca ausente, e que ocupa todo este jogo, esse maravilhoso "jogo de mundo". Esse jogo fenomênico, essa ilusão, é absolutamente convincente, com um belo e extraordinário truque de luz e sombras, repleto de sons, cheiros, e daquilo que nos parece tão sólido. É assim toda essa manifestação fenomênica, mas é algo em que, numa expressão mais próxima, numa aproximação maior, percebemos não haver nenhuma substância, esta que a mente tem imaginado.

Tudo é o jogo da Presença, dessa Consciência, ocupando tudo isso, não sendo possível qualquer separação. Seu Ser, que é essa Consciência, que é esta Presença, ainda continua sendo o único lugar, o lugar que sempre é, onde não há substância e nenhuma realidade, como a mente imagina - é apenas um truque, um jogo, dessa ilusão convincente. Então, você não é uma ideia, não é um corpo e uma mente no mundo; não está separado, como uma ideia, não é um pensador ou um observador. Você não é "alguém". Todos acompanham isso? Soa estranho, mas dá para acompanhar, ouvir?

Estou dizendo, neste encontro, que a mente tem criado a ilusão dessa substância, de toda essa materialidade. A ilusão tem base nessa ideia de um "alguém", que tem um corpo e uma mente, vivendo no mundo; essa ilusão primária, principal, está nos mantendo presos a essa ideia de um "mim", um "eu", que, na verdade, é só um pensamento. E outra coisa é que não há como terminar com a ilusão, porque ela é só uma ilusão. Despertar não é terminar com a ilusão, é estar cônscio, ciente, presente, diante de todo esse jogo, vendo que é um jogo... então, assim a ilusão termina. Esta ilusão nunca esteve aí, como uma realidade, uma verdade, e, no entanto, nunca deixou de estar aí, como uma crença, imaginação, porém o detalhe é que, quando vêm a Satsang, vocês querem terminar com isso - é um pensamento que gostaria de terminar com o pensamento. É a crença de uma mente que quer acabar com a mente. Percebam isso. 

Você diz: "Quando a mente for destruída haverá paz, amor, liberdade, e ficarei livre desse mundo". Entretanto, tudo isso é a mesma ideia, a mesma ilusão, de "alguém" que passa uma vida inteira tentando alcançar essa paz, partindo do pressuposto que existe, de fato, uma paz a ser alcançada. É nisso que repousa toda essa busca espiritual, tudo baseado na hipótese de que há uma mente, um eu, um alguém; de que existe uma pessoa neste mundo vivendo essa separatividade e que, um dia, vai chegar a essa liberação, Iluminação, Realização. Esse é o truque, esse é o jogo maravilhoso, essa é a brincadeira, o que eu tenho chamado de "sonho" e, também, de "sentido de separatividade", que na Índia chamam de maya. Na verdade, você permanece essa Consciência, essa Presença, que nunca está ausente; permanece essa plenitude total, esse vazio, essa totalidade. Você não está separado de nada disso, o que significa dizer: não há você e outra coisa, você e o mundo, você experimentando e a experiência sendo experimentada. Seu Ser está além de todo mistério e permanecerá um mistério, pois é algo além de todo o entendimento, de toda compreensão e possibilidade de certezas, definições. Por que será que você nunca consegue perceber isso? Simplesmente porque o seu olhar está em outra direção. Então, eu convido você a atentar para um novo olhar, que é o olhar para fora desse maravilhoso jogo, fora de toda essa ilusão, e isso somente é possível quando há Meditação. Meditação é consciência do Ser, é o Ser em Consciência; é esta Presença, que é Consciência, que é Ser.

Isso é algo que chega, que acontece, que vem naturalmente nessa disposição de entrega, disposição de voltar à fonte. Esta é a proposta de Satsang. Esta é a atmosfera em Satsang, que é carregada de alegria natural, não a euforia da mente, não a antecipação de um desejo a conquistar, de uma realização para chegar, de uma meta a atingir. A Meditação é aquilo que vem da simples disposição de estar quieto diante do sagrado, que é a Presença, e é aqui que entra a importância de estar nesta associação, nessa proximidade, diante da Presença. É aqui que o Guru é importante, porque ele é a corporificação desta Graça, desta silenciosa, natural e simples alegria, que é Consciência, que é Presença. Esse é o fim dessa alegria superficial, aqui chamada de euforia, que é a busca por algo mais, busca esta que sempre nos leva para distante de nós mesmos, que nos faz ficar embolados dentro desse jogo maravilhoso, esta grande ilusão de maya. Todo esse sentido de "uma pessoa", de "alguém", desse "mim", que viveu uma vida fazendo escolhas, acumulando, esforçando-se, tornando-se alguém especial, procurando cada dia se tornar melhor, mais bem sucedida, mais bem realizada, tudo isso termina aqui. Essa "pessoa", que é somente uma memória, uma crença, um pensamento, e o estar dentro desse maravilhoso jogo de ilusão, essa ilusão da liberdade, da felicidade e da realização da "pessoa", desaparecem. Então, a Meditação é esta liberdade de ser, é esta Consciência de ser. 

O ponto é que, até hoje, vocês estão tentando dar conta disso, resolver isso, e não sabem nem por onde começar, mas já conhecem o fim. Vocês já conhecem o resultado final, o ponto de chegada, mas sem qualquer ideia do primeiro passo, do ponto de partida. O fato é que na mente isso não é possível, apesar de todo o seu esforço, sua aplicação e dedicação, de tudo o que você tem a intenção de fazer, mas ainda não fez, ou que já fez e está tentando melhorar; também essa crença de que não "realizou", "acordou", porque não fez algo de forma completa e que isso ainda pode ser melhorado. Tudo isso está dentro desse maravilhoso jogo de ilusão. Eu estou apontando aqui para o segredo, todavia não se assuste: o segredo é a morte. E a morte, aqui, não é o fim da ilusão, mas sim a constatação de que é só um jogo, maravilhoso jogo; o que chamei de "jogo da ilusão" é, somente, um maravilhoso jogo. Tudo isso ainda faz parte de uma aparição sem substância, diante dessa Presença, Ela que acolhe e abraça tudo. Colocando de outra forma, se a mente aí não se confunde com uma experiência, assumindo a posição de "alguém" dentro dela, tudo, qualquer experiência, é algo bastante inofensivo; assim, as sensações, os sentimentos e os pensamentos são inofensivos. Qualquer aparição é algo muito inofensivo, esse é o segredo. Constatar isso significa a morte, que é a morte do sentido de separatividade, e, com o fim desse sentido de separatividade, fica claro que não há "alguém".

Participante: Mestre o que você quer dizer com "jogo"?

Mestre: Jogo é essa aparição, essa inofensiva aparição, com a qual a mente se confunde e perde-se nela. Se a mente não se perde nessa aparição, esse jogo, esse maravilhoso jogo, que eu chamei de jogo da ilusão, é algo inofensivo, porque é parte disso tudo, é parte dessa Presença, dessa Consciência.

Participante: Não há separação entre a mente e a Consciência, certo Mestre?

Mestre: Como conclusão, isso é só uma ilusão, porém, como Consciência, isso é a realidade. O que estou dizendo é que, se você sabe algo sobre isso, está na ilusão. Se não há "alguém" aí sabendo nada sobre isso, isso é a verdade.

Participante: Mestre porque você diz que olhamos para a direção errada? Ou caminho errado?

Mestre: Porque vocês estão encantados com o jogo. Estar encantado com o jogo é perder-se, como uma identidade, na experiência, e tornar toda a experiência, toda essa aparição, algo pessoal. Isso é estar olhando na direção errada. Permita que essa aparição, que esse maravilhoso jogo seja somente o que ele é. Então, esse jogo da ilusão, bastante convincente, não pode mais capturá-lo, porque você não é uma "pessoa", não há um sentido de pessoalidade na experiência, no pensar, sentir, agir e assim por diante.

Participante: Como podemos nos encantar com algo que nos faz sofrer?

Mestre: Esse é o encantamento da mente, que está encantada por sensações, pelo sentido de ser e pelo movimento. Então, esse movimento pode ser de prazer, de dor, mas isso não importa, porque é tudo o que a mente busca, que o sentido de separatividade busca, quando há a "pessoa" presente.

A mente está em segurança, dentro de suas convicções, crenças e certezas, e é com isso que ela está encantada. Repare o quanto vocês estão habituados a imaginação, pois boa parte dos pensamentos presentes, que circulam aí, é pura imaginação; estão sempre no passado ou no futuro. Há sempre um estado interno de ocupação com pensamentos. Esses pensamentos são imagens, quadros, crenças, ideias, certezas e incertezas, todo tipo de convicção, todo tipo de conclusão.

Eu estou convidando você a voltar-se para a direção correta, o caminho correto, que é assentar-se aí, em sua Natureza Real, fora da identificação com a mente, com esse convincente jogo.

Participante: É o ego que se identifica com a mente?

Mestre: Não há mente. O que você chama de mente são pensamentos passando, com os quais a ilusão do sentindo de separatividade identifica-se, tendo, então, a presença ilusória do ego, com o sentido de "alguém", de um autor, de um realizador, de um pensador. Quando não há mais a identificação dessa suposta entidade presente com os seus pensamentos, não há mente, não há ego.

Esse é o fim dessa confusão, é o fim da identificação com esse jogo maravilhoso de ilusão. Então, só há a Consciência, Presença, onde todo esse fenômeno, toda aparição, aparece e desaparece. Assim, toda essa paz, liberdade, felicidade, amor, verdade, é algo sempre presente. Isto é Consciência, é Ser, é Presença, que significa não aparecer mais como uma entidade presente, não confundindo-se com esse maravilhoso jogo da ilusão altamente convincente. Isso é possível, nesse instante. Isso é possível aqui, em Satsang.

Vamos ficar por aqui! Namastê! Namastê!


Fala transcrita de um encontro via Paltalk no dia 04/03/2015

Encontros as segundas, quartas e sextas as 22h - Participem!




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