quinta-feira, 5 de março de 2015

O Nascimento de Cristo, o Nascimento de Buda e o Nascimento de Deus - Satsang


Todos vocês estão rompendo com a ilusão, com a ilusão de ser alguém. Sabem o que isso representa? O fim do sofrimento, o fim de tudo, tudo, absolutamente tudo o que não é real, e que cercou a vida de vocês até hoje, que foi a vida de vocês até hoje. Isso é o fim do medo, o fim da separação, isso é o fim do seu mundo. Isso é algo além do pensamento, além da imaginação, é aquilo que os olhos jamais viram, que os ouvidos jamais ouviram, que o coração jamais sentiu. É o nascimento de Cristo, é o nascimento de Buda, é o nascimento de Deus. É quando a gota cai no oceano, é quando a onda não mais se desespera, como sendo algo separado do oceano.

Enquanto a onda acredita ser onda está sempre no desespero. Ela parece nascer, parece continuar por um tempo e parece morrer de novo. É a sua crença de ser uma individualidade que lhe apavora. Quando Deus nasce, quando Cristo nasce, quando Buda nasce, não é assim... Esse nascer não é esse aparecer na vida para desaparecer na morte. Esse nascer é algo novo, algo fora do contexto do aparecer para desaparecer; algo fora do contexto de vir a existir e deixar de existir. Esse nascer é como a concretização, a culminância, o ápice do desabrochar da manifestação. É uma manifestação que não é uma aparição, porque tudo o que aparece, desaparece. Tudo que se manifesta é fenomenal. Esse florescimento, esse ápice, essa culminância, esse nascer é outra coisa. É a indizível e indescritível realidade.

Geralmente, eu nunca falo sobre isso, mas estou falando isso agora. Não podemos tratar sobre isso. As palavras são pobres, as colocações bastantes definidas. Como podemos definir o indefinível? Expressar o inexprimível? Esse nascimento de Deus é sempre inaudito, jamais se falou sobre isso, jamais algo foi dito sobre isso. Curioso aqui é que essa fala nasce dessa culminância, desse ápice, nasce desse lugar, desse espaço, nasce desse nascimento, surge desse florescimento e soa mais como uma música sendo cantada.

A Ti, indescritível e infinita Presença, a base, o substrato, o sustento; a Ti, ó indizível e indescritível Realidade, diante da qual todos os joelhos se dobram, toda a boca se cala; o que pode ser dito sobre Ti? Tu que És tudo, Tu que És nada; além do tempo, atemporal; além do espaço, não-espacial; além do princípio, anterior ao princípio; além do meio, além do princípio e do fim, além do fim; além do fim, anterior ao princípio, posterior ao fim; eterno Alah, Brahma, Jeová, Tao; alfa e ômega; aquilo que interpenetra toda a manifestação, que faz e desfaz toda a manifestação, que cria, mantém e destrói. Eu não sei nada sobre isso, quem saberia alguma coisa sobre Ti? Isso soa como a fala de um bêbado, tomando aquilo que ele acredita ser seu último gole, para pegar no sono, para poder acordar sóbrio, pela manhã, para voltar à sua loucura da bebida novamente. Minha fala soa como a de um louco sem cura, tentando descrever o que Tu És. Só me resta agora esse nascer, para que aquilo que é a Verdade possa assumir o lugar d’Ela, e de fato eu possa silenciar.

É isso que está acontecendo com você. O fim dessa ilusão. O nascimento de Cristo, o nascimento de Buda, o nascimento de Deus.


*Trecho de um Satsang com Mestre Gualberto no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2015.


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