quarta-feira, 4 de março de 2015

O Brinquedo da Consciência - Satsang



O fato é que você está sempre neste lugar, que é totalidade e completude, onde não há qualquer carência ou necessidade, pois cada acontecimento aparece como uma resposta precisa para aquele exato instante. Eu poderia chamar este encontro, esta fala, de "onisciência". A palavra "consciência" significa "ciência com".  A mente duvida, a Consciência é "com ciência", ou seja, a compreensão desse momento presente, enquanto que onisciência é aquilo que tudo sabe.

Como pode esta Consciência esquecer-se dela mesma? A expressão dessa identidade separada, a ilusão, a ignorância, como pode isso ser possível na "com ciência". O fato é que não pode. A Consciência é sempre esta "com ciência". A Consciência não deixa de estar, de ser ciente dela mesma. Ela é onisciente e consciente. Como pode a ignorância, a ilusão, o sentido de uma identidade separada, aparecer na Consciência, se Ela é onisciente? Quero repetir isso: só parece aparecer. Não há tais coisas, como ilusão, ignorância e separação, e todo o sofrimento implicado nisso - isso parece ser, apenas.

Não parece ser para a Consciência, parece ser para a mente. Para a mente parece ser, mas para a Consciência apenas aparece, no Ser. A Consciência está sempre ciente do seu próprio Ser - o Ser ciente de si mesmo. Em resumo, Consciência é o que É.  Na Índia eles chamam:  a "ilusão da ignorância”.

A investigação dessa ilusão acontece na mente, e a mente é a própria ilusão. Aqui está toda a coisa: como a ilusão pode investigar a ilusão? Como a mente, que é uma ilusão, pode ver a si mesma? O trabalho, sempre, é todo da Graça, da Consciência. Para a mente, isso não faz o mínimo sentido, é algo completamente sem sentido. Mas aí é que está: nenhuma brincadeira precisa fazer sentido, para ser divertida; a brincadeira já é divertida por ser uma brincadeira.

Este é o encontro daquilo que não está perdido, o fim da ilusão que nunca existiu, a Consciência se mostrando consciente, sem nunca ter estado inconsciente: esta é a brincadeira que não faz sentido. Curiosamente, na mente, isso é uma coisa muito séria, porque, para ela, este estado de brincadeira é o estado de miséria, conflito,  dor e sofrimento.

MESTRE - Você quer me perguntar alguma coisa sobre isso?

Participante - Ela é a brincadeira ou ela é o brinquedo?

MESTRE - Ela é o brinquedo e a brincadeira. Somente a Consciência é o que brinca, é a brincadeira e é o brinquedo. A mente só pode fazer o papel do brinquedo e da brincadeira. Mente aqui é o processo, o desenrolar do sonho, que é o sonho da ignorância, da ilusão.  O brinquedo é o fenomênico. Toda a manifestação fenomênica é o brinquedo, e a mente é a brincadeira. Todavia, o brinquedo ainda é a mente, e o que brinca é a onisciência da Consciência, brincando de se esconder, na mente, e depois revela-se como Aquilo onde a mente aparenta aparecer.

Não se confundir com nenhum fenômeno, com nenhuma experiência, com nenhum processo mental, é a Consciência ciente do Ser, é o Ser ciente de Si mesmo. Eu quero repetir isto: Ela nunca deixou de estar ciente de Si mesma, apenas aparenta esquecer-se disso. Esta é a brincadeira, por isso é engraçado.

Participante - Eu não sei se eu rio ou se eu choro ! (rindo)

MESTRE - Sorrir ou chorar é a própria brincadeira. Despertar é estar neste sonho em plena ciência de que é um sonho. É estar na brincadeira, sabendo que você é quem brinca, além da brincadeira e do brinquedo, sem separação:  sorrisos e lágrimas, prazer e dor, ganhar e perder, chegar e partir, nascer e morrer, isto e aquilo; mente, corpo e mundo no coração dessa experiência, desse experimentar, agora presente. Estar Aqui é onisciência e liberação;  sobra apenas felicidade, paz e amor.

Isto não é só onisciente, mas, sim, todo o poder. É o único autor de todos os feitos e ações.  É o único que faz acontecer e desfaz. É onisciência e onipotência. É o único poder, que está em toda parte e em nenhuma parte; que interpenetra e torna viável cada experiência acontecendo.

Não existe algo acontecendo fora Disso que move tudo. É Isso que faz os seus olhos piscarem e o seu coração bater.  Isso faz o ar entrar e sair dos pulmões. É Isso que constrói e destrói.

A mente se preocupa, na arrogância do sentido de separatividade, em criar a ilusão de ser o autor, o mantenedor e o destruidor. Apenas o "eu" acredita e, assim, a ilusão dessa falsa identidade imagina estar no controle. Reparem a preocupação que temos, baseada nessa ilusão do poder de criar, manter e destruir.

O mundo não é problema seu, o planeta não é problema seu, este corpo aí, que é o que você tem de mais íntimo, de mais próximo,  ainda não é problema seu, simplesmente porque você não existe neste corpo. É este corpo que existe em você, é este mundo que existe em você, é este planeta que existe em você; é o universo que existe em você. Em sua Natureza Real, você é onisciente e onipotente. Não é você quem está no mundo, é o mundo que está em Você.

O corpo aparece e desaparece, o mundo aparece e desaparece, o planeta aparece e desaparece. Tudo o que apareceu um dia irá desaparecer; vem e vai, aparece e desaparece. Tudo está dentro desse processo de transformação e mudança, dentro dessa onipotência e onisciência da Consciência presente, sempre, além de tempo e espaço.

A sua Natureza Real é onipresente. É nessa onipresença, no tempo e espaço, na mente, que aparecem esses nomes diferentes apontando para esta Única Presença, para esta única, ilimitada e indescritível Consciência.

Essa é a Verdade sobre você. Esta é a Verdade sobre tudo.

Para terminar, eu digo: tudo o que existe é Consciência. O Ser é tudo o que existe.  É o que É!

Namastê!


Transcrição do trecho de uma fala de um encontro Presencial em Guaramiranga - CE em 2013

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