segunda-feira, 23 de março de 2015

Meditação é a Consciência Nesse Instante - Satsang


A natureza essencial, aquilo que se oculta por detrás de cada experiência, nesse instante, é Silêncio, é Verdade, é Graça, é Amor, é Beleza. Assim, aquilo que você está experimentando fora disso é só uma experiência pessoal, uma sobreposição a essa realidade presente; e isto só é possível porque a mente egóica está presente, bem como esse sentido de leitura, interpretação, tradução e sobreposição a essa realidade. Esta é a natureza da mente, não é a natureza do Ser, não é a natureza da Consciência, não é a natureza da Verdade. Toda visão de mundo que você tem, toda a recusa de olhar para a vida, como ela se mostra, é algo que pode ser desaprendido. Enquanto isso se mantiver, estiver aí, não haverá Paz... não haverá Liberdade. 

Você não é uma pessoa, Você é Ser. Ser é Consciência, que carrega essa natureza, essa essencialidade. Na mente, você se confunde; na mente, você se esclarece; nela, você sabe e não sabe, escolhe, resolve, aceita, rejeita, gosta e não gosta. Nesse sentido pessoal, o medo e a ilusão predominam. Seus assuntos de ordem pessoal – todos eles baseados na ideia de ser "alguém" – são fatores de estresse, conflito, contradição e toda forma de sofrimento, porque, na mente, você não pode abraçar esse instante. A mente é, por natureza, centrada nela mesma; vive em seu mundo particular, privado. O despertar, ou a realização, é assumir a sua Real Natureza, assumir a Natureza do Ser, a Natureza da Verdade, o reconhecimento dessa Verdade sobre si mesmo. Isso não é possível nessa limitação da mente; não é possível sendo alguém; não é possível na "pessoa", para a pessoa. A pessoa é desordem, confusão; a pessoa é a mente; é o que você sabe e o que não sabe, o que gosta e o que não gosta, o que quer e o que não quer, o que aceita e o que rejeita... Toda decisão, determinação, alternativa possível à "pessoa", baseada no medo e nesse sentido de separação, é assim. 

A natureza do mundo é a mesma natureza da Consciência, que é a mesma natureza da Verdade, que é a mesma natureza do Ser, que é essa Liberdade. Você não pode, nesse instante, saber o que significa Liberdade, Felicidade e Paz, porque esse instante, para esse "você", que você acredita ser, é só uma ponte para o futuro. É isso que o ego faz com o presente instante: transforma este momento em uma ponte para o futuro. Então, você não pode viver a sua Natureza Real na mente, no tempo, nessa ponte chamada presente, porque presente pressupõe passado, que já foi, e futuro, que há de vir. Essa é a noção que a pessoa tem desse instante, desse momento presente, o qual só é interessante para ela porque "ela mesma" é essa ponte. O sentido da "pessoa" (que já viveu o passado e vai viver o futuro) o coloca nesse tempo chamado presente, e aí está a ilusão daquilo que você é, nessa crença de ser "alguém".

Consciência é a Liberdade presente, que você, como uma entidade separada, não pode saber o que é. Liberdade é aquilo presente, que você, como uma entidade separada, como alguém, como uma pessoa, como um indivíduo, não pode saber o que é. É preciso aprender a olhar, a ouvir, a sentir e a ser, sem a "pessoa"; isso significa estar nesse abismo, nessa queda livre, onde nada pode ser alcançado por suas mãos, onde não há como escapar. Isso é Meditação.

Meditação é a Consciência nesse instante, onde o que é visto, ouvido, sentido, é visto, ouvido e sentido por um nada, um ninguém, por um vazio. Essa noção de ser alguém, que lhe dá tanta importância, que lhe configura como uma entidade, como identidade, vivendo uma vida pessoal, é a jaula, é a prisão, é o confinamento, é aquela caverna da qual falei ontem: úmida, escura, com um ar não respirável. 

É necessário morrer por isso, mas morrer fisicamente não resolve. A cada dia, milhares e milhares estão morrendo por aí; alguns, até, para se verem livres da angústia, da dor, de todo esse sofrimento, e, acreditando poder desaparecer com a morte, aceleram o processo. Destruir o corpo não funciona. Você não precisa de uma morte física, você precisa de uma morte... Algo completo, algo total. Todo dia o corpo “morre”. Você deita para dormir, o corpo “morre”, mas, pela manhã, o corpo aparece de novo. Por que o sofrimento está presente? No sono profundo ele não está presente, mas você, pela manhã, está presente. Não é a aparição do corpo que o traz, mas sim o sentido de identidade presente, o sentido de separatividade, o sentido de ser "alguém", com essa visão de vida, de mundo, de existência... É o sentido do "eu", do "mim"... É o sentido do ego e de entidade separada.

A morte real não é o desaparecimento do corpo, mas sim o desaparecimento do sentido do corpo, de alguém presente no mundo. Esse alguém é esse "você" que você acredita ser. A liberação, ou realização, ou despertar, ou iluminação, é o fim do sentido de alguém presente na experiência. Então, a experiência, em sua Natureza Real, única, somente ela, sem alguém presente, é Amor, Paz, Silêncio, Verdade... É Deus. Você se debate com situações criadas por esse sentido de separatividade, porque medo é algo presente aí. 

Alguém, ontem, disse: “meu problema é dinheiro”. Aí, vem outro e diz: “meu problema é relacionamento”; “meu problema é..., é..., é...”, daí, então, vem a lista. Aquilo que você acredita que é o seu problema, não é o seu problema, porque não é só isso. O sentido de separatividade implica muitas, diversas dificuldades, as quais você não tem a mínima consciência de que estão presentes, até que sejam mexidas, até que tenham a oportunidade de aparecer; aí, você percebe que “pegou”. Você diz: “pegou aqui”; diz que o seu problema é dinheiro. Deixe a morte chegar e levar a sua mulher, ou o seu filho, para você ver se o seu problema é dinheiro. Basta você sofrer um acidente e ter que passar por uma amputação, arrancarem uma perna sua... O seu problema é dinheiro? O que você não daria para continuar com a sua perna ainda no lugar?

O sentido de identidade separada, o sentido de ser alguém, é o único problema que você tem. Não há nenhuma segurança nesse sentido de ser alguém. Há muito medo de perder isso que você considera tão precioso, esse você que você acredita ser, que é uma fraude, que é uma ilusão. Você está tão agarrado a tudo à sua volta, nesse sentido de ser alguém, para sustentar essa pessoa que você acredita ser, que diz ter problemas particulares. Seus "particulares" não são seus problemas. O seu problema é você, a crença de que você está aí, de que este corpo é seu, de que esses relacionamentos são seus, de que esse mundo é seu, de que essa vida é sua, de que aquele dinheiro que você tem lá na conta é o seu dinheiro, ou a falta daquele dinheiro é a sua falta. Vocês podem pegar exemplos aí e colocar... O problema da minha saúde, o problema é esse, é aquele...

O saber é o problema, e o não saber também; o ter, assim como o não ter,  é o problema; o ser alguém, a autoestima, é o problema; o ser ninguém, a baixa autoestima, é o problema; o trauma, a fobia, o desejo, o medo, todos são o problema. A mente particulariza toda essa coisa, e eu estou dizendo que o único problema é você, nesse sentido de "ser alguém" vivendo no corpo, experimentando o mundo;  no sentido de um experimentador, separado desse instante; o agente, o autor dos feitos, do que acontece, um “eu e o mundo”. O fim do corpo não resolve; somente o fim dessa ilusão, desse sentido psicológico de ser no mundo... Ponto final.

Você não simplifica isso, você complica. Todo o seu movimento é para complicar isso. Você nasceu apenas para realizar a sua Natureza Real, a Consciência de Deus, esta não separatividade, esta Presença presente, consciente, livre do sentido de alguém, livre do sentido de um mundo sendo experimentado, de uma vida particular sendo vivida, e, então, não há ego, não há o sentido de separação, não há medo, não há ilusão. Isso é o fim do sofrimento, é o fim da ignorância, é sabedoria, é a vida presente nessa Presença, nesse instante, terminando momento a momento, momento a momento... Não que o curso dos eventos sofra alguma interrupção. O sol continua nascendo pela manhã e se pondo à tarde, os ponteiros do relógio continuam rodando, a temperatura continua mudando, assim como as nuvens continuam passando. O curso dos eventos e acontecimentos continua, mas a noção de tempo, a presença dessa ilusão de alguém aí nessa experiência, termina. Isso é liberação! Isso é realização!


Trecho de uma fala no segundo dia de um encontro presencial no Rio no dia 15/03/2015


Para informações sobre nossos próximos encontros consulte a nossa agenda.


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