segunda-feira, 2 de março de 2015

Constatando a Verdade de Sua Real Natureza - Paltalk Satsang



Esses encontros são oportunidades que nós temos de investigação, uma oportunidade de aproximação de nossa Verdadeira Natureza.

Estamos entrando em contato, de fato, de verdade, com nosso Guru interno, com esta Presença, com esta Graça, e esse contato que temos permite nos aproximarmos dessa Verdade, da possibilidade de vermos o falso - o falso como falso. Ver o falso como falso é constatar a Verdade.

Constatar a Verdade é Consciência. Para mim, Consciência é sinônimo de Meditação; não há Meditação fora da Consciência, desta Presença. A Real Consciência da Verdade sobre si mesmo é o final do falso, é o fim da ilusão, é Meditação; não é uma prática, um exercício ou uma ação dirigida pela vontade, pela intenção e pelo desejo. Meditação não é forçar o silêncio, não é se obrigar a uma disciplina para matar a mente. Isso é uma grande ilusão, pois você não pode matar a mente; não há disciplina que possa matar a mente; não há técnica ou trabalho, que você possa fazer, para se livrar da mente. É uma ilusão pensar assim, porque é uma ilusão da própria mente essa tentativa de "matar" a mente. 

Aqui, trata-se de perceber o falso como falso, desidentificar-se do falso. Significa não dar importância à ilusão, encontrando sensações, percepções, pensamentos, desejos, medos, memórias, expectativas e crenças de todos os tipos, mas não identificar-se com isso. Assumir a Consciência de que tudo isso é um conjunto de aparições, que não formam uma identidade; são como móveis que aparecem em um espaço. Pode ser um espaço grande ou pequeno, mas esses móveis, como aparições, não afetam em nada o volume desse espaço. Enquanto os móveis estão presentes, a ilusão que se tem é de que o espaço diminui e quando os móveis são tirados a ilusão que se tem é de que o espaço aumentou. Todavia, é somente uma ilusão, pois o espaço sempre permanece com o mesmo tamanho. Assim, a natureza do Ser, a natureza da Consciência é um espaço imutável, não importa o volume de aparições presentes:  se são pensamentos, sensações, sentimentos, imagens e crenças.

Satsang é uma palavra em sânscrito que significa “Encontro com o que é”, “Encontro com a Verdade”, “Encontro com a Realidade”. Portanto, deparar-se com Aquilo que não é tocado por aparições é Satsang. Deparar-se com esse Espaço imutável, para o qual nenhuma aparição faz qualquer diferença, é isso que chamamos de Satsang. Não importa se, ao olhar para dentro de si mesmo, você encontrar esses medos, memórias, esperanças, desesperanças, expectativas, sensações e pensamentos, pois são, apenas, aparições nesse Espaço intocável. Todos aqueles que realizam a constatação da verdade sobre si mesmos, realizam essa Verdade, a verdade do Silêncio, a verdade da Presença; a verdade presente nesse instante, onde não há tempo - tempo como passado, futuro e presente. A noção de tempo da aparição, esse elemento que se separa do Todo, é o que chamamos de dualidade,  o sentimento ilusório de separação.

Nesses encontros nós observamos isso tudo. Estamos investigando a possibilidade de nos estabelecermos naquilo que somos: no começo e fim de todo esforço, que é este “Eu Sou”;  no alfa e ômega, princípio e fim, que é este “Eu Sou”;  sem qualquer pensamento, ideia ou crença nesse “Eu Sou”. Para constatar este “Eu Sou”, é preciso que você investigue aquilo que você não é. Para constatar esse Espaço presente, que não muda, é necessário estar ciente daquilo que ocupa esse espaço e nos causa a ilusão de um não-espaço; é preciso que nos tornemos cientes da presença dos "móveis" nesse espaço, que, para ocupá-lo, a mente cria a ilusão de que não há nenhum espaço. Assim, todas essas ocupações mentais, como sonhos, crenças, pensamentos e ideias, são aquilo que não é você, mas passando-se por você. É necessário que você olhe cuidadosamente isso. Torne-se consciente nesse olhar cuidadoso de que uma aparição, um móvel presente, não altera o espaço onde ele está. Então, em Satsang investigamos aquilo que não somos e nos tornamos cientes de nossa Real Natureza. A autorrealização é essa visão direta, a visão da Verdade sobre nós mesmos.

Nossa atitude com o mundo, nossa crença comum, é "eu sou isso", "eu sou aquilo": eu sou aquilo que estou sentindo agora... eu sou aquilo que estou pensando agora. Então, nossa atitude comum é sempre baseada em "eu sou aquilo". Eu quero convidar você para Ser, não ser "isso" ou "aquilo", mas, diretamente, Ser, que é este Eu Sou. Por longa data, a gente tem se confundindo com "eu sou isso" ou "eu sou aquilo". Quando você me escuta falar que aquilo que você acredita ser não é o que você é, e que isso é uma fraude, uma ilusão, isso vai contra todos os hábitos e a maneira comum de pensar. Repare que eu não estou negando a sua experiência, como sentir calor e frio, ou prazer e dor, ou qualquer outra sensação presente aí, nesse instante, no corpo ou na mente. Não estou negando essa experiência, pois ela é real, assim como é real a presença de um móvel que aparece na sala, quarto ou em algum outro espaço, mas é somente uma aparição; isso não altera ou muda em nada esse espaço. Da mesma forma, essa experiência presente é somente uma "experiência" e não altera esse Espaço, este “Eu Sou”, a Real Natureza, não tocado por esta aparição,  que são os pensamentos, os sentimentos, as emoções e crenças.

É claro isso? Este “Eu Sou”, esta Presença, esta Consciência, não é algo que está acontecendo - é Aquilo onde tudo acontece. O pensamento é algo que está acontecendo, assim como o móvel é uma aparição acontecendo neste espaço. O sentimento também está acontecendo, assim como o móvel aparecendo neste espaço, porém o espaço não está acontecendo; o espaço é onde é possível esta aparição e este acontecimento. Estou dizendo que você não pode ser descrito, que não é possível descrever aquilo que você é para mim. Você pode descrever a experiência, mas não aquilo onde a experiência acontece. Essa Presença é sempre, e será sempre, incognoscível, desconhecida e misteriosa. Essa Presença é Consciência. Essa Presença é a Verdade, é Deus, e você é Deus.  Eu não falo da experiência que aparece e logo vai embora, como seu medo, sua depressão, sua ansiedade e seu desespero, ou mesmo sua esperança, sua alegria, sua satisfação e seu preenchimento, que são somente aparições. Você está, sempre, se confundindo com essas aparições, dizendo "eu sou isso" ou "eu sou aquilo".

Participante: Mestre, por que temos desejo de nos identificarmos com estas aparições?

Mestre Gualberto: Por hábito, nós estamos há milênios nesse movimento. Esse é todo o movimento da mente, que é o movimento do desejo de vir a ser, de tornar-se, de se preencher. Nós estamos identificados com esse movimento do desejo, que está sempre identificando-se com essas aparições, e isso traz vida, dá vida e cria uma vida; esta é uma vida ilusória, de uma suposta entidade, de uma suposta pessoa, para esse senso de "mim". Tudo isso começa na ideia principal de um “eu sou”, referindo-se ao corpo e à mente, e, uma vez que isso esteja presente, a inconsciência está presente. Quando a inconsciência está presente, esse hábito se mantém, criando esse desejo e confundindo-se com essa aparição. Essa é a ilusão, que é a ilusão da separatividade, de "alguém" presente na experiência.

Quando você vem me ouvir, eu convido você para abrir mão disso, a soltar essa ilusão; a ver o falso como falso. Isso somente é possível momento a momento. Eu posso lhe falar um pouco sobre mim, ao sentir essa Presença, essa Consciência, dizendo-lhe algo, por você estar aqui, também, me ouvindo. Eu pude confiar Nisso. O segredo está nessa confiança, na disposição de ter o coração aberto para a Verdade, que é a verdade do seu próprio Ser, de sua Natureza Divina, sua Natureza Real, e estar aberto a Isso. No coração, você não é "isso" ou "aquilo". Os olhos do meu Mestre diziam para mim “você é o que Eu Sou”; havia tanto amor em seus olhos e no silêncio, sempre e sempre indescritível, e um acolhimento que eu nunca havia sentido em nenhum outro olhar, que eu confiei nisso. Agora não há mais conflito, medo, passado ou futuro; não há mais o tempo. Permaneço Naquilo que Sou e não é possível essa confusão, essa distração e esse equívoco aparecerem novamente. Isto está tão claro, muito, muito e muito claro, que não há nada além do que Eu Sou. Todas essas aparições não alteram Isso que Sou: o corpo não altera, e nem o que se passa com ele; a mente não altera, e nem o que se passa com ela. Nem pensamentos, nem sensações, nem emoções e nenhum desses móveis, presentes nesse espaço, conseguem se passar por esse espaço. Esse é o fim da ilusão. Esse é o fim de um experimentador no sonho,  bem como do sentido de alguém experimentando. A experiência está presente, mas não há mais a ilusão do experimentador.

Eu digo o mesmo para você: confie nesse olhar, confie em minha palavra, mergulhe em si mesmo. Não se confunda, não se identifique, não importa quão impressionante, extraordinária e fantástica seja uma experiência, pois ela vai terminar; toda experiência tem um tempo, aparece no tempo e termina no tempo. Quando você permanece, você é a Consciência, você é Deus. Você é o Eu Sou, o que Sou. O corpo é um desses móveis, a mente é um desses móveis, como, também, são os pensamentos, as emoções e as sensações. É nesse Eu Sou, que é você, sua Real Natureza, que o corpo e a mente estão aparecendo; que tudo relativo ao corpo e à mente está aparecendo, vai permanecer assim por um tempo e depois vai desaparecer. Seu corpo vai desaparecer, sua mente vai desaparecer, entretanto você permanece. Quando o universo inteiro desaparecer, você permanece. Então, a mente, o corpo e o mundo, irão desaparecer, como tudo. Você é anterior a isso, permanece durante isso e é posterior a isso tudo.

Boa noite. Namastê.

Fala transcrita e revisada a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 23 de Fevereiro de 2015
Encontros as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe o Paltalk gratuitamente

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