terça-feira, 31 de março de 2015

Como o acordado vê o mundo?



Quando EU estou envolvido numa atividade intelectual que exija pensamento, por exemplo, agora, o uso da fala que requer verbalização, embora eu não consiga ver uma frase sendo formulada para ser expressa, eu fico tão surpreso quanto você, eu escuto junto com você. EU estou sempre no ponto zero. Por exemplo, quando EU lhes conto uma história, eu vejo a mesma surgir junto com você. Quando começo uma fala em Satsang, eu sei que ela vai vir, vai fluir. Sabe quando você está olhando para o fundo de um poço, olha lá para baixo e não consegue ver nada? Você desce a vasilha na cacimba para buscar a água, então solta e ela cai dentro da água, depois você puxa de volta e tira um balde de água, e depois dois, três... assim por diante. Lidar com a Consciência é algo parecido com isso: você não sabe em que profundidade vai encontrar água, mas o poço nunca está seco; também não sabe que tipo de água vai encontrar.

As pessoas falam a partir do conhecimento; quem aqui é palestrante pode confirmar. Você estuda, pesquisa na internet, decora algumas falas, sublinha algumas frases de efeito, e não fala a partir do vazio, do não saber, do silêncio. A Consciência não é assim, porque Ela não precisa disso... Ela é a fonte. E você nunca sabe o que vai sair da fonte: água doce, água salgada, água poluída ou água pura. EU nunca sei o que vou falar antes de dizer.

Participante: A memória está na mente?

O que você chama de mente é um depósito de informações. Quando você dirige um carro, o que está em ação? A memória motora? Perceba que a mente é mais do que memória de palavras, imagens e ideias, pois é, também, memória em movimento. E onde está a memória? _ Na mente. Porém, a mente tem que ser compreendida como um armazém invisível, no qual você encontra tudo: produtos em bom estado, em mal estado; coisas estragadas, com prazo de validade vencido, etc. A mente é algo assim, um depósito invisível, mas com um detalhe: ninguém é dono desse depósito; ninguém tem nada próprio aqui. Este depósito tem algumas subdivisões: memória visual, memória auditiva, memória emocional, etc. Este depósito, eu repito, não tem dono, mas tem alguns compartimentos que são, supostamente, de propriedade privada - e aí está a pessoa, que não é nada, além de memória. Todo este depósito é somente uma aparição, sem importância nenhuma, nesse Espaço, que é a Consciência.

Participante: É isso que dá realidade à pessoa? Eu preciso do cérebro para acessar isso?

Mestre Gualberto: Isso que dá realidade a pessoa é somente a memória, mas, de alguma forma, por uma deficiência da máquina, essa memória, supostamente localizada nesse espaço particular, apresenta algumas falhas; pode até ser apagada permanentemente para aquele organismo corpo-mente, representado aqui por esses espaços, e tudo isso é mecânico e independente, e acontece de forma automática. Entretanto, a relação do acordado com a memória é diferente: em razão da Consciência, da Presença, neste organismo, o automatismo e a mecanicidade podem ser mexidos, devido à liberdade que a Consciência traz. Porém, você não precisa estar acordado, e pode agir como uma máquina, uma marionete no mundo. Deus é um luxo... Consciência é um luxo... Presença é um luxo. Você sente a necessidade de Deus somente quando percebe que não basta ser apenas essa memória, essa mecanicidade; que não pode ser só isso; que deve ter alguma coisa, fora dessa maluquice toda!

Aqui está a chave do despertar! Como o acordado vê o mundo? Ele não vê o mundo... Ele é a origem e o fim do mundo. Ele jamais se separa da origem e do fim, e por isso não há medo... medo daquilo que a mente chama de morte. Como pode haver o desaparecimento Daquilo que cria tudo, como quer, quando quer? Eu jamais vou experimentar a morte, porque Eu Sou a morte, mas, também, sou a vida... Sou a aparição e a desaparição, o Alfa e o Ômega, a Consciência brincando de acordar.


Trecho de uma fala transcrita e revisada a partir de um encontro presencial em Março de 2015


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sábado, 28 de março de 2015

O único lugar onde todos os lugares aparecem! - Satsang



Para onde você está indo? Para onde você pode ir? Aqui, o ponto é que você mesmo nunca saiu do lugar. Não há qualquer lugar para ir. Tudo é algo acontecendo neste instante. Acontecendo para esse “não alguém”; esse “não alguém” é Você, e esse Você já está em casa, só pode estar em casa. Não há qualquer outro lugar onde Você possa estar.

Aqui, esse “em casa” é o espaço. Esse Ilimitado espaço, o espaço das aparições, é a sua Casa... o espaço das aparições, o espaço dos acontecimentos; o espaço dos eventos, das situações, das circunstâncias; o espaço de todo movimento do pensamento, de todo sentimento, de todas as emoções, de todas as reações do corpo e da mente.

Esse espaço é esse ilimitado e indescritível espaço da Consciência - o Único Lugar onde todos os lugares aparecem. Na religião, há vários nomes para esse espaço Ilimitado, que é essa Consciência indescritível. Porém, esses nomes, daqui a pouco, começam a prestar um serviço à imaginação, e aí a gente tem o oposto. Se chamarmos esse espaço Ilimitado, indescritível, de “céu”, nós temos o oposto que é o inferno; “nirvana”, nós temos o oposto, que é o "sansara", e por aí vai.

Aqui, basta adentrarmos esse espaço, mergulharmos juntos, agora, nesta fala, na investigação daquilo que tem nos limitado, para apreender diretamente o significado não verbal, não intelectual e não teórico dessa coisa.


Transcrito e revisado a partir de uma fala de um encontro Presencial.


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sexta-feira, 27 de março de 2015

Despertar é uma ação da Graça - Satsang


Despertar é uma ação da Graça. Assim como a árvore nunca sabe quando suas folhas serão balançadas, nunca sabemos quando esse sopro da Graça irá nos fazer dançar, como folhas de árvores ao sabor do vento. Despertar é o reconhecimento do sopro da Graça, esse dançar de pura celebração, esse festejo dessa Presença Divina; isso é pura liberdade.

Aqui esse sopro sopra, os galhos balançam e as folhas dançam sem esforço. Tudo o que nós temos conhecido até agora é o movimento, o artificial movimento do pensamento. A árvore não se move, mas, mesmo assim, você não vai vê-la parada, porque o vento sopra o seu sopro, sempre. Ela nunca sabe de onde vem o vento e não se importa em que direção a dança vai acontecer... a dança de suas folhas, o movimento dos seus galhos.

Quero convidá-los, durante esses dias, neste encontro, a deixarem o artificial movimento do pensamento... A ficarem quietos ao sabor do sopro dessa Presença, que é a Graça, que com certeza já está fazendo essa dança acontecer... algo natural e sem esforço. Você não se envolve nisso, e não existe para se envolver nisso. Essa é toda a nossa ilusão: a ilusão do fazer, do realizar, do ser alguém; a ilusão de estar se movendo.

Nada se move e, no entanto, nada é estático. Tudo se move ao sopro desta Única Presença. Apenas a ilusão da mente, a ilusão do pensamento em um ilusório movimento, artificialmente, tem nos agitado. Nossa agitação não se parece uma dança, e sim uma convulsão, um ataque desordenado, proveniente da ilusão, criada pelo pensamento de sermos "alguém" em movimento fazendo algo; o sentido de um autor por trás das ações.

Só há ação, “as ações”, no plural, que é essa ação singular desta Presença. Somente Ela faz, e você não está nisso. Você é uma fraude. Você é uma ilusão. Você é esse pretenso movimento não natural do esforço, da tentativa de moldar, de mudar, de fazer algo. Olhem para a árvore, quieta e nunca quieta. Agora mesmo há uma dança no movimento dos seus galhos, a dança das folhas, das flores e dos frutos, na época dos frutos. O movimento não para. Entretanto, só há essa ação, que é a ação dessa Única Realidade, dessa Única Verdade presente que move tudo.




Trecho de um Satsang Presencial, transcrito e revisado, ocorrido em Novembro de 2013


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quinta-feira, 26 de março de 2015

Um Território sem Mapas - Satsang



Passamos a nossa vida sempre procurando por algo lá fora, e criamos essa fantasia tão convincente de um sujeito (a ideia de uma identidade dentro do corpo) e um objetivo, uma realização: a felicidade e a liberdade do lado de fora.

A palavra “objetivo”, aqui, abre e justifica essa ideia de um sujeito e de um objeto externo, uma conquista externa, e isso não tem sido investigado. Tem sido assim há milênios porque nós somos treinados e bem catequizados nesse sentido, condicionados assim, dentro de um comando mecânico, inconsciente. Até que chega, para aquele ser humano, um momento em que fica claro, diante de sua infeliz situação, que ele precisa saber sobre isso diretamente. Nada deu certo para ele: suas escolhas e buscas foram sempre decepções, porém, agora, nascido dessa insatisfação mental, em meio ao sofrimento, um novo momento se inicia, e, logo a seguir, por uma ação da Graça, chega o momento dessa autofulgente manifestação da verdade sobre tudo isso.

Assim, quando a autoinvestigação começa, passa a ser compreendido que estamos diante de algo que é uma ilusão: a ilusão de um ideal, de uma ideia de que algo pode trazer aquilo até mim, aquele algo que falta. E por que isso acontece? Porque a mente acredita nessa separação. Tudo porque está presente, na mente, um conceito produzindo a ideia da "pessoa" separada de um "mundo” que pode preenchê-la, separada de um "Deus" que pode salvá-la e protegê-la.

Não percebeu, ainda, que é nesse espaço que tudo acontece? Que é no espaço da Consciência que tudo surge? Que é nesse atemporal espaço da Consciência que tudo se levanta? Que não há tal coisa como sujeito e objeto? 

Nesse território sem mapa, somos e estamos diante do que É, como o infinito espaço, sem centro ou circunferência; um indescritível espaço nessa ilimitada Consciência, onde não há nada como uma entidade separada, com objetivos que possam preenchê-la, tornando-a completa e realizada. O fato, e a realidade, é que somos completos em nossa Natureza Real. Nada pode nos dar, ou acrescentar àquilo que somos, algo maior que Isso. Nosso Ser é autofulgente em beleza, liberdade e felicidade. Não há necessidade de mapa para ele, pois somos, nessa Consciência, um território sem mapa. Não há nada lá fora. Esta é a Verdade Divina de nossa Real Natureza.

Reconheço que tudo isso soa muito estranho para aquele que viveu na “cabeça” durante toda a sua história, estando dentro dessa identificação com a mente, cheio de conflitos, desejos, medos, culpas, remorsos, e assim por diante, nessa, assim chamada, "minha vida".

“Desde pequeno, seguindo essa inconsciência coletiva, esse formato, esse modelo aceito e apreciado como verdadeiro, e, de repente, uma voz chega e questiona isso, me dizendo que não é real, que não há verdade nisso, que não existo como acredito existir...” No começo, o "mim" se defende, porque não quer reconhecer a verdade disso, no entanto, isso confirma o que era sentido no íntimo: “a vida não podia ser apenas isso, toda essa limitação do pensamento, do padrão e do esquema conhecido.

Assim, estou pronto para essa aventura de desbravador, numa região desconhecida, que me conquistou o coração. A partir de agora, não me importo com o que foi, ou com isso que sei; não sinto que, nisso que é conhecido, como resultado de minhas experiências, eu possa descobrir essa beleza oculta. É natural deixar tudo isso para trás e entrar nas profundezas desse novo território. Porém, dizem que não há mapa para ele, que tudo ali é novo, e para ser descoberto por mim mesmo – sem o "mim". Estou disposto a saber isso, aqui e agora. Obrigado por ser informado disso: que ‘Sou o que Sou’, o próprio território sem mapa”.


Trecho de uma fala transcrita e revisada a partir de um encontro presencial


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quarta-feira, 25 de março de 2015

Um Fluir Sem Razão - Satsang




Reparem o quanto é simples não pensar sobre isso, não tirar conclusões a respeito disso, não analisar isso. Reparem o esforço, o trabalho que temos, quando nos ocupamos em "tentar ser". 

Neste "como ser", nos afastamos de nós mesmos, tentando entender a vida, tentando entender os outros, e tentando nos entender. 

Que coisa sem sentido é dar um sentido ao que não tem! A vida não tem sentido, ela é só esse fluir sem razão, só esse acontecer sem um autor por trás disso. 

Esse autor não se ocupa em se apresentar, nunca, como alguém. Ele se contenta em ser nada e, por isso, pode ser tudo. 

Só ele pode dizer de si mesmo: "Eu!" Este é o único "eu". Seu estado real é esse Estado Natural.


Trecho de uma fala de um encontro presencial ocorrido em outubro de 2013


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segunda-feira, 23 de março de 2015

Meditação é a Consciência Nesse Instante - Satsang


A natureza essencial, aquilo que se oculta por detrás de cada experiência, nesse instante, é Silêncio, é Verdade, é Graça, é Amor, é Beleza. Assim, aquilo que você está experimentando fora disso é só uma experiência pessoal, uma sobreposição a essa realidade presente; e isto só é possível porque a mente egóica está presente, bem como esse sentido de leitura, interpretação, tradução e sobreposição a essa realidade. Esta é a natureza da mente, não é a natureza do Ser, não é a natureza da Consciência, não é a natureza da Verdade. Toda visão de mundo que você tem, toda a recusa de olhar para a vida, como ela se mostra, é algo que pode ser desaprendido. Enquanto isso se mantiver, estiver aí, não haverá Paz... não haverá Liberdade. 

Você não é uma pessoa, Você é Ser. Ser é Consciência, que carrega essa natureza, essa essencialidade. Na mente, você se confunde; na mente, você se esclarece; nela, você sabe e não sabe, escolhe, resolve, aceita, rejeita, gosta e não gosta. Nesse sentido pessoal, o medo e a ilusão predominam. Seus assuntos de ordem pessoal – todos eles baseados na ideia de ser "alguém" – são fatores de estresse, conflito, contradição e toda forma de sofrimento, porque, na mente, você não pode abraçar esse instante. A mente é, por natureza, centrada nela mesma; vive em seu mundo particular, privado. O despertar, ou a realização, é assumir a sua Real Natureza, assumir a Natureza do Ser, a Natureza da Verdade, o reconhecimento dessa Verdade sobre si mesmo. Isso não é possível nessa limitação da mente; não é possível sendo alguém; não é possível na "pessoa", para a pessoa. A pessoa é desordem, confusão; a pessoa é a mente; é o que você sabe e o que não sabe, o que gosta e o que não gosta, o que quer e o que não quer, o que aceita e o que rejeita... Toda decisão, determinação, alternativa possível à "pessoa", baseada no medo e nesse sentido de separação, é assim. 

A natureza do mundo é a mesma natureza da Consciência, que é a mesma natureza da Verdade, que é a mesma natureza do Ser, que é essa Liberdade. Você não pode, nesse instante, saber o que significa Liberdade, Felicidade e Paz, porque esse instante, para esse "você", que você acredita ser, é só uma ponte para o futuro. É isso que o ego faz com o presente instante: transforma este momento em uma ponte para o futuro. Então, você não pode viver a sua Natureza Real na mente, no tempo, nessa ponte chamada presente, porque presente pressupõe passado, que já foi, e futuro, que há de vir. Essa é a noção que a pessoa tem desse instante, desse momento presente, o qual só é interessante para ela porque "ela mesma" é essa ponte. O sentido da "pessoa" (que já viveu o passado e vai viver o futuro) o coloca nesse tempo chamado presente, e aí está a ilusão daquilo que você é, nessa crença de ser "alguém".

Consciência é a Liberdade presente, que você, como uma entidade separada, não pode saber o que é. Liberdade é aquilo presente, que você, como uma entidade separada, como alguém, como uma pessoa, como um indivíduo, não pode saber o que é. É preciso aprender a olhar, a ouvir, a sentir e a ser, sem a "pessoa"; isso significa estar nesse abismo, nessa queda livre, onde nada pode ser alcançado por suas mãos, onde não há como escapar. Isso é Meditação.

Meditação é a Consciência nesse instante, onde o que é visto, ouvido, sentido, é visto, ouvido e sentido por um nada, um ninguém, por um vazio. Essa noção de ser alguém, que lhe dá tanta importância, que lhe configura como uma entidade, como identidade, vivendo uma vida pessoal, é a jaula, é a prisão, é o confinamento, é aquela caverna da qual falei ontem: úmida, escura, com um ar não respirável. 

É necessário morrer por isso, mas morrer fisicamente não resolve. A cada dia, milhares e milhares estão morrendo por aí; alguns, até, para se verem livres da angústia, da dor, de todo esse sofrimento, e, acreditando poder desaparecer com a morte, aceleram o processo. Destruir o corpo não funciona. Você não precisa de uma morte física, você precisa de uma morte... Algo completo, algo total. Todo dia o corpo “morre”. Você deita para dormir, o corpo “morre”, mas, pela manhã, o corpo aparece de novo. Por que o sofrimento está presente? No sono profundo ele não está presente, mas você, pela manhã, está presente. Não é a aparição do corpo que o traz, mas sim o sentido de identidade presente, o sentido de separatividade, o sentido de ser "alguém", com essa visão de vida, de mundo, de existência... É o sentido do "eu", do "mim"... É o sentido do ego e de entidade separada.

A morte real não é o desaparecimento do corpo, mas sim o desaparecimento do sentido do corpo, de alguém presente no mundo. Esse alguém é esse "você" que você acredita ser. A liberação, ou realização, ou despertar, ou iluminação, é o fim do sentido de alguém presente na experiência. Então, a experiência, em sua Natureza Real, única, somente ela, sem alguém presente, é Amor, Paz, Silêncio, Verdade... É Deus. Você se debate com situações criadas por esse sentido de separatividade, porque medo é algo presente aí. 

Alguém, ontem, disse: “meu problema é dinheiro”. Aí, vem outro e diz: “meu problema é relacionamento”; “meu problema é..., é..., é...”, daí, então, vem a lista. Aquilo que você acredita que é o seu problema, não é o seu problema, porque não é só isso. O sentido de separatividade implica muitas, diversas dificuldades, as quais você não tem a mínima consciência de que estão presentes, até que sejam mexidas, até que tenham a oportunidade de aparecer; aí, você percebe que “pegou”. Você diz: “pegou aqui”; diz que o seu problema é dinheiro. Deixe a morte chegar e levar a sua mulher, ou o seu filho, para você ver se o seu problema é dinheiro. Basta você sofrer um acidente e ter que passar por uma amputação, arrancarem uma perna sua... O seu problema é dinheiro? O que você não daria para continuar com a sua perna ainda no lugar?

O sentido de identidade separada, o sentido de ser alguém, é o único problema que você tem. Não há nenhuma segurança nesse sentido de ser alguém. Há muito medo de perder isso que você considera tão precioso, esse você que você acredita ser, que é uma fraude, que é uma ilusão. Você está tão agarrado a tudo à sua volta, nesse sentido de ser alguém, para sustentar essa pessoa que você acredita ser, que diz ter problemas particulares. Seus "particulares" não são seus problemas. O seu problema é você, a crença de que você está aí, de que este corpo é seu, de que esses relacionamentos são seus, de que esse mundo é seu, de que essa vida é sua, de que aquele dinheiro que você tem lá na conta é o seu dinheiro, ou a falta daquele dinheiro é a sua falta. Vocês podem pegar exemplos aí e colocar... O problema da minha saúde, o problema é esse, é aquele...

O saber é o problema, e o não saber também; o ter, assim como o não ter,  é o problema; o ser alguém, a autoestima, é o problema; o ser ninguém, a baixa autoestima, é o problema; o trauma, a fobia, o desejo, o medo, todos são o problema. A mente particulariza toda essa coisa, e eu estou dizendo que o único problema é você, nesse sentido de "ser alguém" vivendo no corpo, experimentando o mundo;  no sentido de um experimentador, separado desse instante; o agente, o autor dos feitos, do que acontece, um “eu e o mundo”. O fim do corpo não resolve; somente o fim dessa ilusão, desse sentido psicológico de ser no mundo... Ponto final.

Você não simplifica isso, você complica. Todo o seu movimento é para complicar isso. Você nasceu apenas para realizar a sua Natureza Real, a Consciência de Deus, esta não separatividade, esta Presença presente, consciente, livre do sentido de alguém, livre do sentido de um mundo sendo experimentado, de uma vida particular sendo vivida, e, então, não há ego, não há o sentido de separação, não há medo, não há ilusão. Isso é o fim do sofrimento, é o fim da ignorância, é sabedoria, é a vida presente nessa Presença, nesse instante, terminando momento a momento, momento a momento... Não que o curso dos eventos sofra alguma interrupção. O sol continua nascendo pela manhã e se pondo à tarde, os ponteiros do relógio continuam rodando, a temperatura continua mudando, assim como as nuvens continuam passando. O curso dos eventos e acontecimentos continua, mas a noção de tempo, a presença dessa ilusão de alguém aí nessa experiência, termina. Isso é liberação! Isso é realização!


Trecho de uma fala no segundo dia de um encontro presencial no Rio no dia 15/03/2015


Para informações sobre nossos próximos encontros consulte a nossa agenda.


sexta-feira, 20 de março de 2015

A Importância desse Abandono





Sejam bem vindos a mais um encontro pelo Paltalk!

Aqui estamos, mais uma vez, em um encontro fazendo uso dessa ferramenta online, que significa mais uma oportunidade de nos assentarmos juntos. Embora este não seja um encontro presencial, esse encontro online não deixa de ser ao vivo. E é mais uma oportunidade de estarmos, no coração, presentes.

Nós estamos, nesses encontros, descobrindo a importância desse abandono, o abandono do fazer... Nós estamos descobrindo esta graça, que é abandonar esse sentido de autoria, essa ideia de fazer. A mente vai transformar qualquer coisa em "um fazer". Quando falamos em "não fazer", é possível que a mente tente passar o resto da vida tentando fazer isso, esse não fazer, ocupando-se com essa tentativa de não fazer. É aquilo que eu chamo de "maravilhoso jogo da mente"... A mente é especialista nesse jogo. É interessante que você perceba, nessas falas, aquilo que estamos indicando para você. É importante que perceba, nessas falas, que estamos sinalizando para você esse truque da mente, que é, sempre, transformar tudo em "um fazer".

A arte da liberação, que é a arte da felicidade, é a arte de ser. A mente está sempre ocupada em fazer e realizar, e quando nós falamos da importância desse "não fazer", ela pega isso e transforma em "um fazer". Portanto, a mente vai se ocupar o resto de sua vida tentando isso, o "não fazer nada", e assim ela desempenha uma ação.

Todo esse desejo da mente, de realizar e conquistar alguma coisa, é tentando  salvar-se, realmente, não querendo morrer, e, então, ela cria todos os seus objetivos, sonhos e ideais, trabalhando por eles; ela está sempre transformando e fazendo alguma coisa. A natureza da mente é fugir: foge de um passado ilusório, visando a um futuro inventado, que ela mesma inventou. É sempre essa ideia de continuidade, e é assim que você se sente, como uma "pessoa": sempre tem algo para realizar, obter e alcançar.

Estamos juntos?

O que eu quero dizer com isso é que você não para, porque há sempre esse movimento do ego, do "eu", da "pessoa";  esse movimento da mente, do fazer. Assim, não é possível essa Real Realização, a arte de Ser... e felicidade é a arte de Ser. Não se trata de fazer, trata-se de Ser. Só é possível ser, quando se está quieto e não há mais essa agitação; quando não se está mais preso a esses maravilhosos jogos que a mente desempenha... cria, sempre esperando, aguardando, fugindo ou tentando alcançar algo. 

Nesses encontros nós temos colocado para você a importância de estar quieto, de ser. Ser é algo presente nesse instante, sem movimento, pois o movimento é sempre do "eu", do ego, da mente. Como acabei de colocar para você, a mente escuta isso e tenta encontrar essa quietude, mas a quietude que encontra ainda é a que ela própria pode produzir. Nesse fazer, a mente faz a quietude, ainda como um movimento dela.

Quando falamos em Consciência, em Presença, em Ser, estamos falando da queda no nada, que é o fim do pensamento. Não significa o não aparecimento do pensamento, estamos falando do fim dessa atividade de pensamento, desse movimento e fazer do pensamento. Isso é o fim do sofrimento, a real Liberação, Paz, Liberdade, Felicidade. Essa é a natureza da Consciência, do Ser, é a arte da Felicidade.

A mente fica aterrorizada quando escuta falar no fim:  o fim da sua história, do seu passado, do seu futuro; o fim de suas realizações e conquistas; o fim do seu mundo. Então, ela "diz": isso é tudo sobre mim; ela "sente": isso é tudo sobre mim; e ela não quer perder isso. Portanto, aquilo que já venho colocando para vocês outras vezes, com palavras diferentes, mais uma vez é colocado aqui. Aqui está o segredo: é nesse perder, é nesta não ação, é nessa não atividade, é nesse não movimento da mente, que está essa Liberação, essa Realização, Aquilo que todos nós desejamos, mais profundamente que qualquer outra coisa.

Entretanto, Isso significa perder, e a mente não quer perder; significa parar, e a mente não quer parar; significa não fazer, e a mente não quer esse "não fazer"; significa esse mergulhar no nada... que é plenitude. O mergulho nesta plenitude é o nada... o nada total é a plenitude total, o que quer dizer, claramente, a morte - a morte da mente.

E, agora, vamos acompanhando essa fala, olhando para isso, nessa ação e fazer da mente; nessa atividade tagarela da mente. Tudo o que a mente vê é a interpretação, é a leitura que ela faz, e isso nunca satisfaz, porque todas essas interpretações da mente são parciais e fragmentadas. E é isso que sempre mantém o sentido do "mim", do "eu": essa mente ocupada, a mente nesse fazer, sempre buscando, querendo, imaginando, interpretando, concluindo, deduzindo, tagarelando; sempre vendo o mundo através dessa sua história, de projeções e dos rótulos, e das interpretações.

Nesse fazer constante não há espaço, não há silêncio, porque esse ocupar-se é pura inconsciência, enquanto que o nada, essa completude, é Silêncio, é Consciência. O ocupar-se é ruído, estática, barulho; é o sentido do "mim" ocupado com ele próprio, com seus interesses, desejos e projeções, interpretações, rótulos, como foi colocado aqui.

E assim, nós nunca estamos em direto contato com a Vida. Você, aqui, está ouvindo várias palavras, muitas palavras, mas esqueça essas palavras. Ao invés dessas palavras, escute o som, fique com o som das palavras e não com o significado delas. Isso é como ouvir um pássaro cantar; é como olhar para uma flor, sem a necessidade de descrevê-la, com o nome, a cor, se é perfumada ou não. Isso significa esse nada, essa plenitude, esse espaço, esse vazio... É algo que vai dizer e comunicar mais a você, vai trazer esse sentir e perceber direto, sem essas traduções que a mente faz, pois ela ama traduzir, interpretar, analisar, conceituar, entender...

Ser é algo que não se faz entender. Não é preciso entender o Ser, pois é algo fora do entendimento: Ser é Consciência, é Liberdade, é Paz, é Verdade, é Amor, é  Felicidade. Não se pode entender a Liberdade, a Paz, o Amor, a Felicidade; quando há Felicidade, Amor, Paz, não há a necessidade de entender o que isso significa; quando há Verdade, o que isso significa? Quem se importa? Onde é que entra a mente trazendo explicações sobre isso? Tirando conclusões sobre isso?

Participante: gostaria de saber se aquele que passa o dia preguiçosamente ocioso tem mais dificuldade do que uma mente tagarela.

Mestre Gualberto: Estar ocioso, estar verdadeiramente ocioso, é estar sem movimento interno; não se trata de estar sem movimento externo. Se o corpo está parado, sentado, deitado ou preguiçosamente relaxado, e a mente não para, isso não é estar verdadeiramente ocioso; isso é estar egoicamente muito ocupado.

Estar verdadeiramente ocioso significa estar livre do ego, desse sentido do fazer da mente tagarela, ativa, e no seu movimento do fazer; é estar nessa liberdade de ser, que é Consciência, que é Presença. Vocês passam a maior parte do dia em grandes atividades, movimentos e fazer internos, de uma mente muito tagarela. É curioso, porque essa própria tagarelice, essa grande atividade mental, egóica, pode tornar o corpo muito preguiçoso ou muito ativo; então, isso não significa estar quieto, livre desse fazer da mente.

Mais alguma pergunta?

Participante: Mestre, quem é que quer matar a mente? Parece estranho a mente querer matar a própria mente... às vezes fica confuso, nem sei mais quem eu sou...

Mestre Gualberto: Quem é que quer matar a mente? É uma boa pergunta! Quem está incomodado com a mente? Quem quer livrar-se da mente? Quem a mente perturba? Quem se sente perturbado com a mente? A mente persegue esse sonho, que é matar a mente, ver-se livre dela própria; a mente tem esse ideal. Ela "diz": eu tenho que me livrar da mente; quando eu conseguir matar a mente, serei feliz, terei paz e o sofrimento irá terminar. Esse é o jogo, o jogo do fazer, com o qual a mente se ocupa; ela está tentando fazer isso, e vai passar o resto da sua vida tentando livrar-se da mente. A mente "diz": eu não suporto a mente. A mente confusa diz: preciso me libertar dessa confusão... A confusão tentando livrar-se dela própria. Percebe o que estamos dizendo? A mente confusa tentando livrar-se da confusão; a mente perturbada tentando se libertar da perturbação que ela própria produz; na mente, a tentativa de livrar-se da mente.

E no finalzinho da sua pergunta diz: “às vezes fica confuso, nem sei mais quem eu sou"... Que ótimo! Se puder permanecer nesse "não saber", assim como nesse "não querer saber", é possível que essa confusão termine, e que o todo conhecimento, nessa crença de quem é você, também termine. Quando você chega a Satsang, descobre que a ideia que fazia a respeito de si mesmo era falsa, uma imagem, uma crença; você percebe que você não sabe quem de fato você é... ninguém sabe, não é possível saber.

Essa Consciência, que é essa Presença, que é Ser, é apenas Ser, Presença e Consciência... Não sabe qualquer coisa... Não sabe coisa alguma. Podemos chamar isso de ignorância divina, ou divina ignorância!

Ok, pessoal. Vamos ficar por aqui! Namastê! Boa noite!


Fala transcrita a partir de um encontro via Paltalk que ocorreu no dia 16 de Março de  2015


Encontros todas as segundas, quartas e sextas feiras as 22 - Baixe o Paltalk e participe!


quarta-feira, 18 de março de 2015

O Que é o Estado Natural? E o que é o ego? - Satsang




Em Satsang temos falado sempre do Estado Natural. Entretanto, não sabemos muito bem o que é isso.

Qual é o segredo do Estado Natural?

Trata-se de seu Estado Real, pois já é Isso que está aí dentro de você. Dessa forma, não se pode buscar nada do lado de fora, assim como não se pode procurar ser alguém do lado de dentro. É tão simples assim.

Quando eu digo “nada”, me refiro a não buscar ser melhor, não tentar deixar de ser ruim, ou deixar de ser qualquer coisa diferente do lado de dentro, assim como não procurar qualquer coisa do lado de fora.

Toda dificuldade decorre de seu condicionamento de estar sempre olhando para o lado de fora ou buscando alguém do lado de dentro.  Você está condicionado ao desejo e à vontade, na tentativa de mudar o que se apresenta.

Todo motivo de seu sofrimento decorre desse seu desejo, dessa vontade, dessa procura por alguma coisa do lado de fora para completar esse presente momento, em uma busca dessa pessoa ideal do lado de dentro, mas o encontro nunca ocorre.

Ego é isso. É o movimento de ser alguém do lado de dentro, encontrando algo do lado de fora que possa completar você.



Mestre Gualberto


segunda-feira, 16 de março de 2015

O Pensamento é um Vício - Paltalk Satsang





Hoje, aqui, temos mais uma oportunidade dessa investigação. Deixem-me falar com vocês, nesse encontro, sobre esse fundamento: onde pode ser constatado o fundamento desta Presença?

A primeira ideia, e é só uma ideia, é que nós estamos vivendo no tempo. O corpo nos dá um sentido de localização espacial e temporal e, para a mente, essa é a orientação: a noção de estar no tempo e no espaço, localizados no corpo. E a pergunta é: qual é o fundamento desta Presença? E nós vamos falar, agora, um pouco sobre isso.

Ela está fundamentada fora do tempo e, naturalmente, fora do espaço. Quando se fala de tempo, tempo implica distância, de um ponto a outro ponto. Você não separa o tempo do espaço. Eu não sei se isso se aplica, ou se explica, dentro da ciência, da física quântica. Não sei, e também não me importo, se há como nós conseguirmos uma aproximação disso, dessa forma. Eu estou falando, apenas, daquilo que eu percebo.

Eu percebo que é impossível ter a noção de tempo, sem o movimento de um ponto a outro; então, tempo implica presença de espaço. É aqui que a mente se estabiliza, em sua noção de existência, de ser uma entidade, de ser "alguém", e é isso que eu chamo de movimento do pensamento. O pensamento precisa de um espaço para poder se mover, um espaço que cria o tempo. Agora mesmo, nesse instante, não há tempo. Tudo está presente nesse instante, sem tempo. A noção do tempo, e aqui eu falo psicologicamente, é toda mental. Nesse instante, o corpo presente, sem a ideia de localização no espaço, está fora do tempo e funciona como uma ferramenta, nesse instante, para a constatação do fundamento desta Presença. O corpo é uma ferramenta de Meditação, quando apenas os sentidos estão presentes (visão, audição, tato, olfato e o paladar), com todas as experiências físicas, sem a vinculação com a ideia de uma identidade separada, como um experimentador experimentando. O corpo, apenas o corpo, na experiência é um instrumento de Meditação.

Vamos ver se eu consigo colocar isso de uma forma diferente. Agora, por exemplo, esse ouvir é só o sentido da audição. Se não há a ideia de alguém ouvindo, mas apenas o ouvir, o corpo faz o uso desse sentido da audição, sem "alguém" presente, e isso é a Consciência, o fundamento da Consciência, que é esta Presença agora, nesse presente instante, sem o movimento do pensamento.  O movimento do pensamento, aí, seria a interpretação dada a esse ouvir, acrescentar algo a esse ouvir, e, quando isso é feito, a noção de tempo e espaço aparece; e desta forma você está no mundo da mente. Vamos colocar assim: seria o "mundo agora" e um "mundo no tempo". O mundo agora é Presença, é Consciência; o mundo no tempo é pensamento. Como há somente o que acontece nesse instante, se isso é tudo, isto é o fundamento desta Presença, que é Meditação. Então, o ouvir é somente o ouvir, e a própria noção de corpo desaparece; isso vale para a visão, o tato, o paladar, ou para qualquer experiência sensorial. Portanto, há somente a experiência presente nesse instante, agora, como Consciência... É o mundo agora.

Acompanham? Então, qual é o fundamento da Consciência? É Presença, agora, sem o experimentador, o pensador, o autor das ações; sem aquele que escuta, fala e sente, pois há apenas o sentir, o escutar e o falar.  Assim, o corpo, como tudo, está presente agora, sem movimento. A aparição do som, do falar, do pensamento, do corpo e desta Presença, que é Consciência, é a aparição do "mundo agora"; não é o "mundo no tempo"; não é o mundo da "pessoa", do "eu", esta suposta entidade. A Presença presente, agora, é o fundamento desta Consciência.

Não é simples? É simples isso, gente, ou é complicado? Estou dizendo que não há tempo e que o seu "mundo mental" é só uma ideologia, uma crença, um conceito, uma suposição, uma abstração! Isso está claro? Como está isso aí?

Toda aparição é somente isso: uma aparição; nada mais do que isso. O corpo é uma aparição, com as percepções dos sentidos, que são, apenas, aparições. Aquilo que você chama de mente, que é um conjunto de pensamentos, sem um pensador surgindo, é uma aparição

Um dos participantes deste encontro diz: “teoricamente entendível”; mas, "entendível", teoricamente, onde? Eu diria que o entender é possível, o entendimento, não. Entendimento implica habilidade de explicar, de aceitar e de compreender, enquanto que o entender fica sem esse compromisso, pois é algo solto. Você diz “teoricamente entendível na mente”, entretanto, eu diria que, se for entendido na mente, já não há mais o entender de que estou falando, porque entra aí um outro elemento, que é o entendimento e "alguém" entendendo; portanto, não é preciso alguém entendendo isso, basta o entender.  Isso é como a questão do compreender: não é necessária a compreensão, basta o compreender "sem um dono", "alguém" presente. O entender sem um dono é o fim do entendimento. O compreender sem um dono é o fim da compreensão.

É, também, como o pensar "sem um pensador", pois se não fica um dono, "alguém", o pensamento é algo solto, que não se transforma em uma experiência pessoal, nem faz parte desse movimento do tempo. Daquilo que pode ser capturado, e termina sendo, a captura somente é possível pelo "entendedor", "compreendedor" ou "pensador"; e isso é uma ilusão.

Faz sentido isso? Dá para ficar nesse entender, sem o entendimento? Dá para pensar sobre isso, sem o pensador? Isso é maluco demais, não é?.. maluco demais...

Participante: vivenciar isso é só quando compreender?

MESTRE GUALBERTO: Não é "só quando compreender", pois não é possível compreender no tempo e isso não requer nenhum tempo. Você diz "vivenciar isso é só quando", entretanto, "quando" implica tempo, mas não há o tempo, há somente o compreender. Percebam que isso não requer nenhum tempo, mas, para capturar, segurar e aprender isso, a mente precisa de tempo e espaço; porém, o compreender está "aqui e agora", sem o "compreendedor", e você somente diz algo no momento da sua fala.

Participante: O Ser não precisa dos cinco sentidos?

MESTRE GUALBERTO: Os cinco sentidos são aparições no Ser, não algo separado do Ser. A Consciência não é algo separado da experiência, assim como a experiência não é algo separado da Consciência. Não há nenhuma separação. A Consciência é o ouvir, o ver, o tocar e o pensar, e é evidente que, aí, não há nenhum pensador ou experimentador.

Participante: São os sentidos que precisam do Ser para se manifestarem?

MESTRE GUALBERTO: Na verdade, os sentidos são aparições no Ser, o Ser é Consciência e a Consciência é essa Presença; portanto, não há separação entre a percepção e o percebido, nem entre aquilo que é consciente e aquilo do qual aquilo que é consciente, é consciente.

Essa fala é um convite para o fundamento desta Consciência, que é este presente instante, este presente momento.

Colocando isso de uma forma mais simples: o vício de se manter no tempo e como uma "entidade" pensando, nessa identidade e identificação com os pensamentos, mantém você nesse "mundo do tempo". Estamos convidando você para este "mundo do agora", que é o mundo se expressando neste presente instante, onde "você", o  "experimentador" e o "pensador" não entram; enfim, onde "autor" das ações não entra.

Participante: Há somente alguns momentos - raros - em que isso acontece?

MESTRE GUALBERTO: Estar presente nesse instante, nesse fundamento que é Consciência, acontece em momentos raros, sim; mas porque? Porque nós estamos viciados no pensamento, no "mundo do tempo", sempre ocupados com o passado ou  futuro; sempre resolvendo equações mentais. Estamos sempre ocupados com o pensamento,  que é uma espécie de droga, na qual você está viciado;
você está viciado em ocupar-se no uso desta droga. O pensamento é um vício. Eu costumo dizer que é um hábito, mas, na realidade, não é um hábito - é um vício. Estar identificado com o sentimento, com o pensamento e com a sensação, que aparecem neste instante,  é um vício.

Participante: Os sentidos também são um vício?

MESTRE GUALBERTO: Não, porque os sentidos são simples aparições nessa consciência, que, também, ainda é Consciência. O vício é transformar a experiência sensorial em algo particular, "pessoal",  e dar um significado de cunho pessoal a isso.

Não há nada de pessoal em ouvir, em sentir o sabor do chocolate, em tocar, no calor, no frio, na audição, na visão, no tato, no paladar, na sensação térmica... Não há nada pessoal nisso, pois os sentidos são, apenas, aparições no Ser, que é a Consciência; isso tudo é a vida, presente nesse instante, e esse é o fundamento desta Presença. É aqui que o corpo é somente um instrumento da Meditação. Permita o corpo vazio do experimentador e livre do pensador, assim como a respiração está acontecendo aí, nesse instante, sem alguém respirando. Isso é somente uma ação desta Presença, dessa Consciência, com os sentidos operando sem um gerente, sem um autor.

Participante: Mestre, qual é a prática para se realizar isso? Fica relativamente distante para vivenciar isso sem um treino, uma vivência.

MESTRE GUALBERTO: Treino... vivência... prática... isso implica tempo; é preciso tempo. Você precisa de tempo para praticar alguma coisa, para esse treino e para essa vivência. Nesse instante, eu estou convidando você a ficar somente com o ouvir, pois, assim como o respirar está acontecendo sem você, nesse instante, o ouvir pode acontecer sem você. Se um pensamento surge, nesse instante, e é sempre nesse instante que ele aparece, você não precisa dar importância e um significado a isso, nem saltar sobre isso, como o pensador faz. Então, a sua prática, o seu treino, a sua vivência, é aqui e agora... é sempre aqui e agora; eu não costumo chamar isso de prática, ou vivência, eu chamo isso de atenção, Consciência, nesse instante, nesse presente momento. Não há como a mente capturar isso e transformar em algo dela. Ficou claro isso?

Não vai faltar, eu lhe garanto, oportunidade de estar presente nesse instante, livre da noção de um "pensador", livre do "experimentador". A vida, fundamento desta Consciência, que é esta Presença, está sempre aqui e agora; porém, o pensador, o entendimento, o ''compreendedor" e o dono dos sentidos não estão aqui. Mas a experiência e a sensação estão aqui, inclusive o pensamento aparece tudo aparece, agora e aqui. Trabalhar isso é a real Meditação, que não requer ambiente especial, música de fundo ou sentar-se na posição de lótus, respirando de uma certa forma, absolutamente. Assistindo a um filme, comendo pizza e tomando Coca-Cola você pode fazer isso; caminhando, treinando na academia e trabalhando você pode fazer isso; e é melhor você fazer isso assim, do que assentado com uma música suave ao fundo, dando altos cochilos e chamando isso de meditação.

Valeu pelo encontro! Espero que tenham todos desaprendido um pouco mais, e que as certezas tenham diminuído. Vamos ficar por aqui. Namastê!


Fala transcrita e revisada a partir de um encontro via Paltalk no dia 09 de Março de 2015

Encontros as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixem o Paltalk gratuitamente e participem!


sexta-feira, 13 de março de 2015

Você não existe sem o pensamento - Satsang





Sem a noção que o pensamento dá àquilo que acontece, sem o pensamento sobre isso, quem é você para ter problemas? Tudo, exatamente tudo, está no lugar, sem o pensamento sobre isso. O pensamento sobre isso coloca aquilo fora do lugar. Quando você aparece, só podem aparecer problemas, que surgem porque o pensamento sobre aquilo, acontecendo no momento, está aparecendo. O que eu estou dizendo é: onde você aparece, se o pensamento não aparece? Onde? Hein?

Acompanharam isso que foi colocado? Você não existe sem o pensamento. O pensamento dá existência a essa "pessoa", aí, com problemas. A imagem do que "deve ser", ou "não deve ser", toda ela, está baseada no pensamento. É o pensamento que dá existência a esse "eu", a esse "mim",  que vive escolhendo, determinando e  ajustando as coisas; e  isso é conflito com o que é, com o que se apresenta, com a vida em sua expressão e como ela acontece. Alguma pergunta sobre isso?

Sem a certeza que o pensamento traz, que horas são agora? Sem a certeza que o pensamento traz, você é um menino ou uma menina? Você é casado ou é solteiro? Eu não sei seu nome, mas você também não sabe seu nome, sem a certeza que o pensamento dá. A vida é uma ilusão, quando está baseada no pensamento; ela é cheia de objetivos, certezas, padrões e direções que o pensamento dá - essa é a "vida da ilusão", porque "você" está nela. A vida do conhecimento e do pensamento é a "vida da ilusão". O que você quer mudar na sua vida? Quem aqui quer mudar alguma coisa na sua vida? Você quer mudar alguma coisa na sua vida? Sim?

Participante: Sim!

Mestre Gualberto: Baseado em que?

Participante: Pensamentos, sentimentos... Imaginando que poderia ser melhor, de um jeito diferente.

Mestre Gualberto: E isso produz o sentimento... Em alguns momentos o sentimento vem antes do pensamento, mas na verdade esse sentimento já tem um pensamento embutido, com uma história anterior. Eu estou perguntando para você o que é que precisa mudar na sua vida para você estar em paz, para você ser feliz, para você estar completo, do que precisa? O que você quer da sua vida? É isso que eu estou perguntando. Tá faltando alguma coisa na sua vida? Percebem isso? Que não tem nada faltando?

Participante: Na sua presença, nunca falta nada, Mestre... mas, quando a gente está longe, a mente vem querendo várias coisas...

Mestre Gualberto: Então, por que você não fica na minha Presença? Por que você quer algo fora da minha Presença? O pensamento produz isso. Então, não produza nada, permaneça no que você É: Consciência; assim você vai estar sempre na minha Presença. Nada está faltando, nesse presente instante, a Isso que você É. Tudo jamais vai preencher em algum momento – não é agora, estou falando em momento algum – aquilo que você acredita ser; você jamais estará preenchido no pensamento. Vocês perguntam o que é Iluminação: é permanecer com o que É. Nesse sentido, todos vocês são iluminados, estão acordados, porque você não pode escapar disso que É.

O pensamento, aí, fantasia algo diferente, e, então,  você se vê em apuros, porque  se identifica com aquilo que o pensamento conta para você, dizendo que tem um momento melhor que esse; algo melhor do que isso, que está acontecendo agora; algo a ser alcançado e realizado; algo errado na sua vida ou que está faltando alguma coisa. Enfim, "você" não tem o emprego ideal, o casamento ideal, a família ideal, o corpo ideal, a cultura ideal... não tem, e não tem, e não tem... nunca tem e nunca vai ter - na mente, não! Está claro isso?

Quem você pode ser, que você já não é? Percebem? O que você pode ter que você já não tem? Tudo isso é ideologia, pensamento, que afasta você do seu Estado Natural. Durante o dia, você faz isso milhares de vezes. A cada minuto, lá está você, em alguma outra direção, distante desse ponto, onde nada falta; onde não tem um outro alguém para você ser; onde não tem outra coisa para você alcançar; onde não tem algo para preencher você. E, durante o dia, você faz isso milhares de vezes. É o que os Acordados chamam de "estar no sono". 

Eles não estão Acordados porque estão fazendo algo diferente de você. Eles estão acordados porque não andam fazendo nada do que você anda fazendo. Você está produzindo miséria para a "pessoa", essa que imagina, cria e idealiza ser ou deixar de ser. Enquanto Eles não estão produzindo nada, estão quietos. Não há Neles qualquer interesse nisso, que é  viver no pensamento e na procura de sensação, que você chamou de sentimento. Essa procura de sensação, que é a procura de sentimento, é somente para fortalecer a realização do pensamento, nessa fantasia de ter algo, conseguir algo ou desistir de algo, de livrar-se de algo. 

A Vida está toda no agora! A Vida, não a vida do pensamento... Estou falando da Vida, que está  toda no  agora! Deus, Consciência, Presença, já é tudo o que você precisa ser. Numa linguagem religiosa, Deus já lhe deu tudo aquilo de que precisa, se você não colocar o pensamento. Não importa se você é menino ou menina,  pobre ou rico, alto ou baixo, porque tudo isso não é o que Você É. Tudo isso é um pensamento sobre o que você é. Solte esse pensamento, se desconecte dele e veja que você está pronto. Veja que Deus não negou nada a você. Sua Natureza Real é Sat-chit-ananda. 

Você encontra um sábio numa gruta, como Ramana, que esteve por 14 anos lá na gruta, e Ele não tinha forno de micro ondas, internet, TV a cabo... Ele está numa gruta e está supremamente feliz! Ele é um rei! Ele tem tudo o que precisa, vivendo em uma gruta! E olhe para você! Você está cercado de todo o conforto, de toda a comodidade da vida moderna, de tudo o que a ciência produziu, produz, tudo o que a tecnologia produziu, produz... Todo tipo de prazer, diversão, entretenimento... Você assiste a vídeos, vai ao cinema... Você tem tudo! Uma mulher bonita do lado, um homem bonito do lado... Você tem tudo o que o pensamento buscou, mas não está feliz... Está faltando alguma coisa... Qual a diferença? Acabei de colocar para você.

Você pode viver a vida do pensamento, ou você pode viver a Vida. Viver a Vida é só a Vida, onde esse "você" não aparece para pedir nada além do que a Vida, em sua Graça, Generosidade e Presença, traz. Então, felicidade não tem nada a ver com a ideia, com o sonho, com a realização ou com o pensamento sobre ser feliz, sobre realizar Isso. Felicidade é a Natureza do Ser, é a Natureza da Consciência, é a Natureza do seu coração. Não importa o lugar, a condição, a circunstância... nada importa para isso que você É. E para isso que você acredita que é, também, nada importa, porque você nunca está feliz, nunca está preenchido, nunca está satisfeito; você nunca se preenche. 

Você vive assim: consegue algo, fica cansado e vai buscar outra coisa... e fica cansado e vai buscar outra coisa... e fica cansado e vai buscar mais outra coisa... O pobre quer ser rico, o rico quer ser milionário, o milionário quer ser multimilionário... Ambição é a natureza do ego,  a natureza da mente, assim como a insatisfação. O ego aqui é o que eu chamei de "a vida na mente". Você enjoa, rápido, tudo o que a mente lhe dá. Você está numa relação e logo está enjoado, pronto para uma próxima... e vai enjoar novamente, pronto para uma próxima... Você nunca acaba com essa historia, você nunca vive e morre, sempre vive e sobrevive, e depois sobrevive, e depois sobrevive... Estou dizendo: viva e morra! Viva só uma vez e morra! Que seja seu último relacionamento! Que seja seu último desejo! Que seja seu último objetivo! Quer ganhar uma bicicleta, ok! Mas nunca mais tenha desejo nenhum! Que seja seu último desejo: ganhar uma bicicleta! Saia da vida da mente, saia da vida mental. 

É um frenesi incrível, é uma ambição, uma ganância, uma procura constante. Quem não tem filho, quer ter filho, e depois que tem um, quer ter mais um, e mais um, e mais um... Quem não tem marido, quer ter marido, aí tem um... depois cansa, porque todo marido cansa, e vai querer outro... depois vai cansar e querer outro... Então, não termina nunca! Que seja seu último desejo! Realize seu Estado Natural, vá além da mente, vá além da vida na mente! Assim você fica presente nesse instante, fora do tempo, sem problemas, sem dificuldades, sem contrariedades; você fica com o que aparece. As vezes é bom, às vezes não é tão bom e às vezes é ruim. Mas, quem se importa, se você está cônscio de que este é movimento da Vida e que você não é?! A vida É e você não é! Então, você está em Paz! Você está em Paz porque não está buscando nada... não está procurando nada! 

Iluminação não é algo a ser alcançado, é só terminar com os obstáculos, estes que a ilusão, nesse sentido de ser "alguém", tem produzido. Você não vai realizar Deus, você É Deus! Você não vai acordar,  você não está dormindo! A mente não vai acordar! Então, "tire seu cavalinho da chuva", pois não há como você realizar Isso! É só mais uma ambição da mente, é só mais um movimento da mente, é mais um obstáculo, não ficar quieto, não parar.

Eu vejo chance em Satsang... ainda tem chance em Satsang. É... Aqui é possível que você pare; eu disse é possível, não estou dizendo que você vai parar. Você está em movimento, descendo uma ladeira sem freio, porém é possível que alguma coisa aconteça e pare você, porque você mesmo não vai parar, não... Você está descendo sem freio. Satsang é algo que entra para dar um solavanco aí e ver se essa estrutura ainda aguenta e para, porque a condição da descida, nessa ladeira, é muito deplorável. A descida é uma ilusão, a ladeira é uma ilusão e você também, entretanto, a confiança que você dá a isso é muito grande. Aí, eu venho aqui e digo para você: vamos ouvir, prestem atenção!

Eu reparo o medo nas palavras, o medo quando vocês escrevem para mim. O medo está por trás dessas palavras, quando vocês escrevem para mim. A vida da mente teme morrer. A vida da mente teme a morte, tem muito medo da morte! Eu vejo vocês idealizando uma realização, que é algo fora da mente, na própria mente. E é claro que quando a mente idealiza algo, só idealiza dentro dela, e não pode idealizar fora dela. Então, você idealiza o fim da mente, na mente. Aí, você bota nos seus termos. Ai você diz: “mestre, eu vou perder isso? E isso, vai ficar comigo ainda? Mas eu gosto tanto disso.” Ou então: “e eu ganho o quê? eu vou ganhar o quê? Tudo bem, está bom, eu vou com você, mas, lá na frente, eu vou ganhar o quê?” Você não diz assim, com essas palavras, mas fica subentendida a ambição, a barganha, a troca.

Nesses dias, alguém escreveu assim, para mim: “porque eu me meti nessa busca de espiritualidade? Eu estava tão bem.” Vocês acham que têm saída, que têm escolha. Vocês acham que podem, simplesmente, virar as costas para Deus, para a Consciência, para a Verdade, e que vão ficar bem (risos). Você acha que pode virar as costas para a Verdade que você É e ainda estar em paz, levando a sua vida, essa vida da mente, pelos caminhos comuns, corriqueiros, da massa, de todos; o caminho dos seus pais, avós, bisavós? Não dá, não é?



*Trecho de um Satsang com Mestre Gualberto em São Paulo, no dia 08 de março de 2015.


quarta-feira, 11 de março de 2015

Se você sabe algo sobre isso, está na ilusão





Estamos juntos, mais uma vez, num momento de imersão, nesse mergulho. 

A palavra mergulho, na Bíblia, tem o significado de batismo, contudo  é evidente que as palavras são todas insuficientes, todas elas. Iluminação, realização, é algo que significa um retorno, uma volta, à Fonte; é uma tomada completa de Consciência, ou uma Consciência ciente do Ser. Estamos tendo apenas umas aproximação verbal dessa coisa,  que é indescritível, indizível. Realização,  iluminação, despertar, que, às vezes, nesse sentido, usamos a palavra "acordar", é algo indizível, indescritível. Assim, mais uma vez, é algo indescritível estar aqui nessa Presença, que é Consciência; é uma Presença nunca ausente, e que ocupa todo este jogo, esse maravilhoso "jogo de mundo". Esse jogo fenomênico, essa ilusão, é absolutamente convincente, com um belo e extraordinário truque de luz e sombras, repleto de sons, cheiros, e daquilo que nos parece tão sólido. É assim toda essa manifestação fenomênica, mas é algo em que, numa expressão mais próxima, numa aproximação maior, percebemos não haver nenhuma substância, esta que a mente tem imaginado.

Tudo é o jogo da Presença, dessa Consciência, ocupando tudo isso, não sendo possível qualquer separação. Seu Ser, que é essa Consciência, que é esta Presença, ainda continua sendo o único lugar, o lugar que sempre é, onde não há substância e nenhuma realidade, como a mente imagina - é apenas um truque, um jogo, dessa ilusão convincente. Então, você não é uma ideia, não é um corpo e uma mente no mundo; não está separado, como uma ideia, não é um pensador ou um observador. Você não é "alguém". Todos acompanham isso? Soa estranho, mas dá para acompanhar, ouvir?

Estou dizendo, neste encontro, que a mente tem criado a ilusão dessa substância, de toda essa materialidade. A ilusão tem base nessa ideia de um "alguém", que tem um corpo e uma mente, vivendo no mundo; essa ilusão primária, principal, está nos mantendo presos a essa ideia de um "mim", um "eu", que, na verdade, é só um pensamento. E outra coisa é que não há como terminar com a ilusão, porque ela é só uma ilusão. Despertar não é terminar com a ilusão, é estar cônscio, ciente, presente, diante de todo esse jogo, vendo que é um jogo... então, assim a ilusão termina. Esta ilusão nunca esteve aí, como uma realidade, uma verdade, e, no entanto, nunca deixou de estar aí, como uma crença, imaginação, porém o detalhe é que, quando vêm a Satsang, vocês querem terminar com isso - é um pensamento que gostaria de terminar com o pensamento. É a crença de uma mente que quer acabar com a mente. Percebam isso. 

Você diz: "Quando a mente for destruída haverá paz, amor, liberdade, e ficarei livre desse mundo". Entretanto, tudo isso é a mesma ideia, a mesma ilusão, de "alguém" que passa uma vida inteira tentando alcançar essa paz, partindo do pressuposto que existe, de fato, uma paz a ser alcançada. É nisso que repousa toda essa busca espiritual, tudo baseado na hipótese de que há uma mente, um eu, um alguém; de que existe uma pessoa neste mundo vivendo essa separatividade e que, um dia, vai chegar a essa liberação, Iluminação, Realização. Esse é o truque, esse é o jogo maravilhoso, essa é a brincadeira, o que eu tenho chamado de "sonho" e, também, de "sentido de separatividade", que na Índia chamam de maya. Na verdade, você permanece essa Consciência, essa Presença, que nunca está ausente; permanece essa plenitude total, esse vazio, essa totalidade. Você não está separado de nada disso, o que significa dizer: não há você e outra coisa, você e o mundo, você experimentando e a experiência sendo experimentada. Seu Ser está além de todo mistério e permanecerá um mistério, pois é algo além de todo o entendimento, de toda compreensão e possibilidade de certezas, definições. Por que será que você nunca consegue perceber isso? Simplesmente porque o seu olhar está em outra direção. Então, eu convido você a atentar para um novo olhar, que é o olhar para fora desse maravilhoso jogo, fora de toda essa ilusão, e isso somente é possível quando há Meditação. Meditação é consciência do Ser, é o Ser em Consciência; é esta Presença, que é Consciência, que é Ser.

Isso é algo que chega, que acontece, que vem naturalmente nessa disposição de entrega, disposição de voltar à fonte. Esta é a proposta de Satsang. Esta é a atmosfera em Satsang, que é carregada de alegria natural, não a euforia da mente, não a antecipação de um desejo a conquistar, de uma realização para chegar, de uma meta a atingir. A Meditação é aquilo que vem da simples disposição de estar quieto diante do sagrado, que é a Presença, e é aqui que entra a importância de estar nesta associação, nessa proximidade, diante da Presença. É aqui que o Guru é importante, porque ele é a corporificação desta Graça, desta silenciosa, natural e simples alegria, que é Consciência, que é Presença. Esse é o fim dessa alegria superficial, aqui chamada de euforia, que é a busca por algo mais, busca esta que sempre nos leva para distante de nós mesmos, que nos faz ficar embolados dentro desse jogo maravilhoso, esta grande ilusão de maya. Todo esse sentido de "uma pessoa", de "alguém", desse "mim", que viveu uma vida fazendo escolhas, acumulando, esforçando-se, tornando-se alguém especial, procurando cada dia se tornar melhor, mais bem sucedida, mais bem realizada, tudo isso termina aqui. Essa "pessoa", que é somente uma memória, uma crença, um pensamento, e o estar dentro desse maravilhoso jogo de ilusão, essa ilusão da liberdade, da felicidade e da realização da "pessoa", desaparecem. Então, a Meditação é esta liberdade de ser, é esta Consciência de ser. 

O ponto é que, até hoje, vocês estão tentando dar conta disso, resolver isso, e não sabem nem por onde começar, mas já conhecem o fim. Vocês já conhecem o resultado final, o ponto de chegada, mas sem qualquer ideia do primeiro passo, do ponto de partida. O fato é que na mente isso não é possível, apesar de todo o seu esforço, sua aplicação e dedicação, de tudo o que você tem a intenção de fazer, mas ainda não fez, ou que já fez e está tentando melhorar; também essa crença de que não "realizou", "acordou", porque não fez algo de forma completa e que isso ainda pode ser melhorado. Tudo isso está dentro desse maravilhoso jogo de ilusão. Eu estou apontando aqui para o segredo, todavia não se assuste: o segredo é a morte. E a morte, aqui, não é o fim da ilusão, mas sim a constatação de que é só um jogo, maravilhoso jogo; o que chamei de "jogo da ilusão" é, somente, um maravilhoso jogo. Tudo isso ainda faz parte de uma aparição sem substância, diante dessa Presença, Ela que acolhe e abraça tudo. Colocando de outra forma, se a mente aí não se confunde com uma experiência, assumindo a posição de "alguém" dentro dela, tudo, qualquer experiência, é algo bastante inofensivo; assim, as sensações, os sentimentos e os pensamentos são inofensivos. Qualquer aparição é algo muito inofensivo, esse é o segredo. Constatar isso significa a morte, que é a morte do sentido de separatividade, e, com o fim desse sentido de separatividade, fica claro que não há "alguém".

Participante: Mestre o que você quer dizer com "jogo"?

Mestre: Jogo é essa aparição, essa inofensiva aparição, com a qual a mente se confunde e perde-se nela. Se a mente não se perde nessa aparição, esse jogo, esse maravilhoso jogo, que eu chamei de jogo da ilusão, é algo inofensivo, porque é parte disso tudo, é parte dessa Presença, dessa Consciência.

Participante: Não há separação entre a mente e a Consciência, certo Mestre?

Mestre: Como conclusão, isso é só uma ilusão, porém, como Consciência, isso é a realidade. O que estou dizendo é que, se você sabe algo sobre isso, está na ilusão. Se não há "alguém" aí sabendo nada sobre isso, isso é a verdade.

Participante: Mestre porque você diz que olhamos para a direção errada? Ou caminho errado?

Mestre: Porque vocês estão encantados com o jogo. Estar encantado com o jogo é perder-se, como uma identidade, na experiência, e tornar toda a experiência, toda essa aparição, algo pessoal. Isso é estar olhando na direção errada. Permita que essa aparição, que esse maravilhoso jogo seja somente o que ele é. Então, esse jogo da ilusão, bastante convincente, não pode mais capturá-lo, porque você não é uma "pessoa", não há um sentido de pessoalidade na experiência, no pensar, sentir, agir e assim por diante.

Participante: Como podemos nos encantar com algo que nos faz sofrer?

Mestre: Esse é o encantamento da mente, que está encantada por sensações, pelo sentido de ser e pelo movimento. Então, esse movimento pode ser de prazer, de dor, mas isso não importa, porque é tudo o que a mente busca, que o sentido de separatividade busca, quando há a "pessoa" presente.

A mente está em segurança, dentro de suas convicções, crenças e certezas, e é com isso que ela está encantada. Repare o quanto vocês estão habituados a imaginação, pois boa parte dos pensamentos presentes, que circulam aí, é pura imaginação; estão sempre no passado ou no futuro. Há sempre um estado interno de ocupação com pensamentos. Esses pensamentos são imagens, quadros, crenças, ideias, certezas e incertezas, todo tipo de convicção, todo tipo de conclusão.

Eu estou convidando você a voltar-se para a direção correta, o caminho correto, que é assentar-se aí, em sua Natureza Real, fora da identificação com a mente, com esse convincente jogo.

Participante: É o ego que se identifica com a mente?

Mestre: Não há mente. O que você chama de mente são pensamentos passando, com os quais a ilusão do sentindo de separatividade identifica-se, tendo, então, a presença ilusória do ego, com o sentido de "alguém", de um autor, de um realizador, de um pensador. Quando não há mais a identificação dessa suposta entidade presente com os seus pensamentos, não há mente, não há ego.

Esse é o fim dessa confusão, é o fim da identificação com esse jogo maravilhoso de ilusão. Então, só há a Consciência, Presença, onde todo esse fenômeno, toda aparição, aparece e desaparece. Assim, toda essa paz, liberdade, felicidade, amor, verdade, é algo sempre presente. Isto é Consciência, é Ser, é Presença, que significa não aparecer mais como uma entidade presente, não confundindo-se com esse maravilhoso jogo da ilusão altamente convincente. Isso é possível, nesse instante. Isso é possível aqui, em Satsang.

Vamos ficar por aqui! Namastê! Namastê!


Fala transcrita de um encontro via Paltalk no dia 04/03/2015

Encontros as segundas, quartas e sextas as 22h - Participem!




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