domingo, 1 de fevereiro de 2015

Paltalk Satsang: Eu convido você a ir além desta limitação






Olá! Boa noite e sejam todos bem vindo a mais um encontro pelo Paltalk. Maravilha estarmos juntos mais uma vez, voltando o nosso coração para esta Presença.

A primeira coisa importante aqui é a questão desta Presença, pois alguns, na verdade muitos, carregam sempre essa pergunta consigo: o que é o Mestre?

Esta pergunta, que muitos estão fazendo,  deve-se à inclinação de viverem ouvindo expressões, palavras e ensinamentos, porque estão sempre nessa coisa, numa constante acumulação de expressões, informações, palavras, conhecimentos.  Acreditam que o Mestre, ou professor, significa isso: alguém que sabe mais, conhece mais, dominando certa técnica e com a habilidade de comunicar isso. Então, no geral, para nós, o professor, o Mestre é aquele que sabe mais, conhece mais; é aquele que pode fazer uso dessas expressões com liberdade, transmitindo sua experiência através do conhecimento.

Eu quero sugerir a você que, nesse assunto, não siga o seu entendimento ou discernimento intelectual sobre isso, mas que siga o seu coração. O Mestre é algo fundamental, entretanto não é aquele que sabe, que faz uso de sua habilidade de expressão, que pode comunicar bem isso verbalmente ou lhe passar sua experiência. O Mestre é esta Presença.  Se algum dia, ou momento, você conhecer alguém em cuja companhia possa descobrir algo mais do que conhecimento, expressões, palavras e informações sendo comunicadas, e que possa perceber profundamente aí, dentro do seu coração, o silêncio, a paz e uma alegria sem motivo, ou razão aparente, é possível que você esteja diante dessa Presença que pode lhe conceder essa liberdade, esse silêncio, esse amor, essa paz e essa felicidade. 

Estou dizendo que um Mestre jamais se interessa em transmitir experiências, palavras, expressões ou conhecimentos. Um Mestre vivo lhe comunica o seu Ser, o Silêncio, a Graça, o Amor e a Verdade de sua Natureza Real.

Assim sendo, se, em algum momento da vida, você encontrar alguém que em seus olhos, assim como na fala e no seu silêncio, constate essa quietude, essa liberdade e esse amor, que esmaga, literalmente, suas certezas e dúvidas, é possível que você esteja diante da Presença. O Mestre é a Presença. O Mestre é algo fundamental e, na verdade, é ele quem está encontrando você. Deus está lhe encontrando. Então, esta é a primeira coisa a ser falada aqui, nesse encontro: essa Presença é o Mestre, a Graça, que é a Consciência, que é você em sua Natureza Real.

Nesse sentido de silêncio e alegria sem motivo, o propósito do Mestre não é lhe comunicar uma nova experiência, um novo conhecimento, nem ensinar um caminho para que você melhore e torne-se uma pessoa melhor. Esta Presença é aquela que lhe confere felicidade, paz e liberdade. Estamos nesses encontros chamados Satsang, que significa encontro com a Verdade, com um único interesse: o vivencial. Não estamos interessados em teorias,  informações, conhecimentos e experiências, e percebam que tudo isso é algo no tempo, que acontece e aparece no tempo. Na verdade, toda experiência,  expressão e todo conhecimento, ou seja, tudo aquilo que é experimentado por nós, experimentamos somente quando aparece, mas tudo isso sempre desaparece,  porque é algo que pode ser diminuído ou acrescentado.

No entanto, em Satsang, o nosso interesse está naquilo que está além disso tudo e que nunca aparece ou desaparece, que está sempre presente. Essa palavra “sempre” não é uma palavra adequada, pois “sempre” pressupõe tempo, então, Eu diria que é "aquilo que é presente". Por isso falamos dessa Presença, que é presente. A presente Presença, a  Graça que é a Presença presente, esse presente que é a Presença, aqui e agora, chega até você e se apresenta, colocando um fim na ilusão do sentido de "alguém". A Presença é essa Graça presente, que coloca o fim nessa ilusão de alguém presente.

Essa Presença é Graça, é Consciência, é o Mestre. O Mestre é a expressão não verbal, não intelectual, mas é a expressão física e palpável dessa Presença. Estar diante de um Mestre vivo é algo fundamental, repito. Todo o nosso conhecimento e experiências são da mente e do corpo,  manifestando-se como pensamentos, imagens, sensações e percepções, tudo isso que está aparecendo e desaparecendo, momento a momento. Assim, podemos dizer que essa Presença É, sempre, e isso está além do tempo, que é simplesmente uma construção mental, algo imaginado pelo pensamento. Eu estou apontando para você a liberdade de ir além da imaginação, da mente e do tempo, como Presença, como Consciência.

O Mestre é essa Presença, Consciência é essa Presença, o Ser é essa Presença, sua Natureza Real é o Real Guru. Mas não teorize sobre isso, não acredite nisso, pois, se isso for mais uma crença, mais uma vez a mente atuará e, com a mente entrando em ação, a ilusão estará presente, mais uma vez;  vez, após vez, após vez, a mente está presente, pois ela, sim, sempre se apresenta, embora seja uma presença que não é um sempre. Estamos apontando para a Presença que É, enquanto que a mente sempre se apresenta; toda experiência sempre se apresenta, da mesma forma que todas as sensações, emoções e sentimentos sempre se apresentam, e assim por diante. O sentido do "eu" sempre se apresenta, enquanto que a Presença É.

Reparem que isso não é um jogo de palavras, pois estamos apontando para essa realidade atemporal, fora do tempo. Você não pode escapar de Deus, do Guru, do Mestre, e terá que se deparar com Ele. Em algum momento você terá que se deparar com isso. Toda essa insatisfação, solidão, ansiedade e depressão, todo esse tédio e mal humor, toda essa não-alegria, não-paz e inquietude, com alguns raros momentos de prazer que passam logo, ou seja, tudo isso aparecendo aí é ótimo; isso fará com que você se volte para essa necessidade imperiosa que é a Presença de Deus, que é a presença do Mestre, da Consciência, que é a única Presença presente, além do tempo. Você está aqui para realizar Isso, que é o fim desse sentido de "alguém" presente:  esta vida que é Presença, pura Presença, Consciência, Liberdade, Paz, Amor e Liberdade.
Estamos juntos?

O pensamento imagina uma série de imagens, ou acontecimentos, ou eventos, ou coisas, e assim cria o tempo, com a finalidade de obrigar você a confiar nele, naquilo que ele produz. As imagens, os acontecimentos, os eventos, aquilo que chamamos de desejos, são a mente, em sua expressão de imaginação, buscando abrigo, quando tenta obrigá-los a confiar nisso.

Dá para acompanhar isso?

Assim a mente cria o futuro; ela adora o futuro e sem futuro não há mente. A mente precisa do futuro porque ele é a imaginação do pensamento criando a ilusão do tempo; o tempo é a ilusão do pensamento, em um futuro que o próprio pensamento produziu. O ego ama o futuro e vive apaixonado pelo passado. O futuro é o seu príncipe encantado. Para a mente o futuro é isso, quando o ego suspira por este amor, aguarda seu príncipe. Por outro lado, a mente está sempre apaixonada pelo passado, no saudosismo, denotando a importância que o passado tem para ela. Isso é algo muito importante. Mente aqui é sinônimo de ego, que vive assim e é sinônimo de "pessoa", que significa isso que você acredita que é, vivendo na ilusão do tempo; não há liberdade e verdade aí, apenas ilusão - a grande ilusão de ser alguém. 

Em Satsang eu convido você a ir além dessa limitação, que é a crença e a confiança nessa suposta "vida no tempo", essa vida de "alguém", e  a viver livre do ego, do tempo, do passado, do futuro... o  que significa viver livre do medo e do desejo. Naturalmente, significa ficar livre desse anseio pessoal de ser amado, reconhecido e elogiado; livre do medo, da rejeição, da não-aceitação, de falarem mal de você, desse "mim", "eu"; livre desse ego, desse "eu" que vive na ilusão do tempo. Alguns falam em outras vidas, depois desta vida, nascendo de novo ou indo para o céu, mas a mesma novelinha do tempo e do eu, com suas aventuras, continua. A imaginação é a base disso, e o pensamento sustenta isso tudo. É preciso que isso termine, que essa ilusão termine completamente. É preciso descobrir a verdade presente nesse instante, que é esta Presença, Graça, quietude, amor, paz; que é essa coisa indescritível, sem nome, que aqui chamamos de Consciência, Deus, Verdade.

Não é um estado pessoal, é a Liberdade de todos os estados; é a liberdade da pessoa, é o fim da pessoa. Quando a "pessoa", a ilusão da pessoa, não está presente, isto é a Presença. O amor é esta Presença. Estranho ouvir isso? O pensamento está criando uma multiplicidade e uma diversidade de coisas que são apenas aparições e logo irão desaparecer; irão aparecer e desaparecer nesta Graça, Presença, que não muda. Meu convite a você é para viver Isso que você É: a liberdade da vida, a vida em sua liberdade; o amor em vida, a vida em amor; estar nesse descanso, repouso, e nessa dimensão além de toda a descrição. Convido você a viver em sua própria atemporalidade e indescritível Presença, percebendo a dança acontecendo, no movimento de toda expressão e experiência, todo conhecimento, ou seja, todas as aparições e desaparições dançando sobre esse vazio... dentro desse vazio.

Participante:  Qual a via direta para a Consciência?

Mestre: Não há nenhuma via para a Consciência, pois Ela é o final de todas as vias. É possível constatar a Verdade - você é Consciência -, quando todas as vias e sentidos de direção são abandonados. Isso significa estar em Satsang presencial, onde você descobre o que estamos falando, sem lhe falar, dizer qualquer coisa sobre isso e apontar qualquer via ou o fim de qualquer via; aí a Consciência se mostra, apresenta-se, como a única realidade direta, nela mesma e para ela mesma.


É preciso "perder a cabeça" e isso significa literalmente, repito, literalmente, realizar esse Estado, além de todos os estados, livre da mente. Então, literalmente, significa não-mente. Enquanto a mente, com toda a sua programação, tendências latentes, vasanas, hábitos, desejo de continuidade e medo do fim, estiver presente, não haverá Liberdade e Consciência. Então, a "via direta" é a rendição: render-se inteiramente à Presença. O detalhe é que você não pode fazer isso, porque somente a Presença, a Consciência, o Ser, o Guru, que é o Mestre, pode cuidar disso.

Quando, um dia, Cristo disse "Eu sou a porta", Ele estava falando dessa via direta, deste Eu Sou, que é Presença, Consciência, que é o Mestre - essa é a sua "via direta".

O Satsang presencial aguarda você. O Mestre está trazendo, buscando, você e finalizando esse "você" que você acredita ser. 

Vamos ficar por aqui. Boa noite. Namastê.


Fala transcrita e revisada a partir de uma fala no Paltalk Senses ocorrida no dia 26/01/2015
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras as 22h - horário de Brasília - Participem!

Um comentário:

  1. A dor da separação Tão simples e tão complexo Qual é a raiz do problema? Sou eu.
    Nunca vamos a raiz.Olhamos o problema e nos separamos dele.Eu e ele.
    Se tenho medo o problema é o medo.Me separo dele.O problema é o medo,não sou eu.A partir disso quero me livrar dele e aí por anos,décadas,ali fico estagnado.Estagnação é isso.
    Olhar para os sintomas e não cortarmos o mau pela raiz.O medo não sobrevive sem o medroso.Eles se agarram.Um precisa do outro.Na falta de um o outro se ferra.
    Quem tem o problema?Quem está aflito?Esta pergunta não surge,tamanha é a vontade de nos livrarmos da coisa.E aí vamos à igreja, ao psicólogo,temos pressa.
    Não temos tempo até porque essa questão num primeiro momento parece não fazer nenhum sentido.Quem é esse que está com problema?Que está aflito?
    Não faz sentido,porque sabemos a resposta:eu estou com problema.
    Aí velho,só mesmo um Mestre poderá nos ajudar.

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