quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Meditação Real é Consciência - Satsang





- Mestre, Você diz "soltar aquilo que nos faz uma pessoa, nesse mundinho de pai, de marido"... Esse soltar não seria no sentido de abandonar algo que a gente vai fazer também. Por exemplo, o que aconteceu com o Lúcio, com esse chamado da Graça, fez acontecer um monte de coisa no mundinho dele. O mundo vai descolando disso; não é simplesmente abandonar.

MESTRE - Que necessidade seria tão importante para "alguém" tomar essa decisão? Isso é ser muito importante para si mesmo. É valorizar muito a si mesmo. Está querendo agradar a quem? A Deus, a Verdade, a Consciência? Quem faria tal coisa? - Não é isso. Estou lhe convidando para algo muito real. Não saia do lugar onde você está. Apenas não seja uma pessoa ali. Descubra-se como Consciência no seu mundo de relações. É isso o que estamos dizendo.

Abandone essa autoimportância egóica para poder lidar com aquilo que se apresenta, sem esse sentido de medo. Isso é o real trabalho, que você faz no campo ou na cidade, numa montanha, como Arunachala, ou no mercado, como o Saara no Rio de Janeiro. Meditação real é Consciência, Presença, no mercado, na feira ou no shopping. Isso só pode estar diante do seu olhar se você não for cego. De olhos fechados já estamos, há muito tempo, identificados com alguém escolhendo, tentando fugir da vida.

Participante - Mestre, esse estado de Presença que vai se fixando, intensificando-se (o músculo da atenção, como Você mesmo chamou), mas todos os acordados são unânimes que esse momento do despertar é um mistério. Todos os acordados falam que Isso vem, acontece. Eu pergunto isso porque acabei de ler a história do Ramana, dizendo que Ele achava que ia morrer. Isso é um mistério, não é, Mestre?

MESTRE - Mas é só isso que acontece nesse instante. Por que se preocupar com isso? Eu posso lhe garantir que quando caiu aqui eu não estava esperando. O trabalho não é um mistério. A Sadana aqui, o trabalho que Eu prescrevo aqui, não é um mistério. Estou colocando diante de vocês algo que é muito prático. De certa forma, cada um tem o seu Sadana, o seu trabalho. Além disso, Eu não posso. E não importa.

Isso é trabalho da Graça, que é a Consciência, que é Deus, que é o Guru, que é Você em sua natureza Real. O Guru apenas empurra para dentro o externo e o interno puxa de dentro; aí a Verdade assenta no coração, dizia Ramana. É isso.

Participante - Mestre, encontramos o cidadão de Salvador que está deixando a família. Aparentemente isso é uma coisa virtuosa, abdicando para ficar só aqui no Ashram de Ramana. Então, ele não precisaria ter vindo?

MESTRE - Não, não é isto que estou dizendo. Se esse é o Sadana dele, esse é o caminho dele. Talvez não seja o seu. Quem pode dizer o que é aquilo que é? Uma coisa é certa: se você é sincero quanto a isso, a Graça vai cuidar desse equívoco. Se há esse movimento de entrega na Graça, não há equívoco e Ela cuida de tudo. O fato é que cada um tem o seu Sadana, o seu caminho. Quem cuida disso tudo É o Guru, o Mestre, a Presença, a Graça.

Participante - Mestre, eu tenho reparado, nos últimos Satsangs, que ocorrem duas coisas: uma é o que acontece no que Você está falando; outra é uma coisa que acontece entre uma palavra e outra, no silêncio. Neste espaço eu sinto que tem uma borracha apagando o que eu sou. Isso faz algum sentido?


MESTRE - Sentido não, mas o trabalho não faz sentido mesmo. Ele só acontece. Ele não precisa fazer sentido nenhum. Ele acontece para cada um da forma como precisa acontecer. É como está acontecendo com você.

Vamos Terminar. Namaste!





Fala transcrita a partir de um encontro Presencial em Tamil Nadu - Índia - Na cidade de Tiruvannamalai, no túmulo de Annamalai Swami (Iluminado discípulo de Ramana Maharshi no dia 04 de Outubro de 2014

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