segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Livre de todas as crenças - Paltalk Satsang




Estamos mais uma vez trabalhando juntos a questão do Despertar. A princípio, nós não temos qualquer noção do que isso significa. Vocês não têm ideia do lugar para onde essa fala aponta. Até mesmo os mais antigos são literalmente raptados por essa inconsciência, dando-se conta disso somente depois. Então, quando falamos sobre Despertar, estamos falando do fim dessa inconsciência, desses padrões de hábitos repetidos continuamente e praticados por uma suposta pessoa. O fim desse “Eu” é a própria Presença.

Soa muito estranha essa fala, pois a própria Presença é a única possibilidade, que é esse solo onde tudo brota, essa condição que permite tudo aparecer e depois ir embora ...inclusive essa inconsciência egóica, que é esse movimento de separatividade.

Não há nada para ser encontrado por meio de uma pesquisa ou de uma prática espiritual. Você destrói a possibilidade de constatar essa Presença, aqui e agora, quando fica ocupado com a ideia de futuro, acreditando que, um dia, conseguirá alcançar Isso, por meio de algum esforço. Fazendo isso, você destrói essa possibilidade. Temos insistido que essa Presença já é a paz que nunca esteve perdida.

Estamos sempre apontando para Aquilo que é o alfa e o ômega, que é esse terreno, essa Presença de imutável Paz, Liberdade e Amor. É lindo nós estarmos, nesse momento investigando todo o jogo dessa ilusão absolutamente convincente, que é esse truque divino, tão substancial e sólido.  Entretanto, numa inspeção mais próxima, podemos perceber que não tem qualquer substância, que tudo não passa de uma crença.

A ideia do mundo do lado de fora, sendo visto por uma entidade do lado de dentro, é essa ilusão, como, por exemplo, você agora me ouvindo e acreditando haver uma suposta pessoa falando coisas. Entretanto, existe somente um único movimento, aonde o som falado e o som ouvido acontecem no mesmo espaço. Assim, não há emissão e recepção, há apenas a dança desse jogo mental maravilhoso e convincente de que há dois elementos: o lado de dentro e o do lado de fora, um comunicando e outro recebendo.

Esquecemos que há um só Espaço, permitindo esses fenômenos acontecerem. Assim, sejam bem vindos a esse mistério chamado Consciência. É o mesmo para a ideia do pensador e do pensamento, bem como essa convicção de que existe um observador e aquilo que é observado, aquele que sente e o sentimento, e um indivíduo que fala e outro que escuta.

Essa não é uma ilusão para ser destruída. Você não vai destruir a ilusão, porque você é a própria ilusão e não pode fazer nada a respeito disso. Sempre que você aparece, a ilusão está presente. Quando você desaparece, a ilusão termina, assim como o sentido de dualidade.

É possível que esse seja o significado da palavra advaita (palavra em sânscrito que significa “não dual”, segundo o dicionário enciclopédico de teologia – nota do revisor), eu não sei bem, nem me importo, mas uma vez constatado o fenômeno, aparentemente engendrado nessa única realidade, a ilusão termina. Você, como pensamento, é somente uma ilusão.

A primeira ideia que surge, quando você vem a esses encontros, é a de que "tem que desaparecer" e, então, você faz muito esforço para isso, fortalecendo ainda mais o sentido de ser "alguém". Dessa forma, é preciso que essa ilusão termine. Todavia, ela não dará fim a ela mesma, pois você não pode dar fim a si mesmo.

Ramana Maharshi dizia que esse seria o caso de um ladrão vestido de policial tentando prender a si mesmo. Esse não é um trabalho seu, mas da própria Consciência. “Você” não vai chegar à Iluminação um dia, pois isso é uma ideia bastante inútil. Onde você pensa que está esse centro chamado "mim"?  Isso é somente uma ideia.

Ninguém está fazendo isso, porque ninguém pode fazê-lo, no entanto, simplesmente acontece. Você está inteiramente envolvido neste trabalho, entretanto, ele não acontece porque “Você” faz algo. Outrossim, também, não acontece se você não doa completamente a sua vida por Isso. É necessário que você desapareça, morra por Isso, mas isso é muito duro e a mente não quer ouvir isto. A mente ama estar ativa e se esforçar em algum sentido, mas aqui estamos falando de uma direção diferente.

A partir desse Espaço, a realização é possível. Vocês não estão ouvindo um professor teórico; esse não é um ensino. Reparem que não há nada sendo explicado.  Isso vai soar sempre como um convite a essa possibilidade, que é essa Presença, que é esse Silêncio da Real Consciência.

Vocês se aproximam de Satsang com muitas teorias, certezas e conhecimentos.  A sua dificuldade aqui é ouvir, porque você compara a fala com alguma coisa que leu e estudou. O ponto é que você é um sabedor, entendido e "sabe tudo". O ponto é que você está lá sabendo.  Você pode dizer que não sabe nada, mas na verdade você "sabe muito", está cheio de crenças e conceitos. Essa tem sido a dificuldade daqueles que se aproximam. Essas pessoas estão em busca de um tipo de liberdade onde vão dizer ao final: "eu cheguei, eu consegui". É sempre a liberdade de "alguém" para alguém. A mente fica confusa e se refugia no conhecimento para conseguir encontrar sua liberdade, entretanto a liberação não acontece dessa forma.

Esse é o jogo da espiritualidade e da busca, onde você até relaxa e se rende, mergulhando profundamente em si mesmo, em profundas reflexões, analisando, sondando, mas sempre continuando aí como um ego. Você continua aí como um ego, sempre se transformando e melhorando, tendo uma fala mansa, tendo mais humildade, mais simplicidade, abandonando certos alimentos, parando de beber e fumar. Dessa forma, tudo vai aparentemente melhorando e você passa o resto da vida tentando reiteradamente; sempre avançando, para, finalmente, depois de muitos anos de grandes esforços, conseguir ser "alguém" espiritual. Alguém...

Serei honesto com você: sua situação está bem pior, pois agora carrega a vaidade e a arrogância de quem sabe e porque se espiritualizou. A realização de Deus não tem nada a ver com isso. Sendo apenas o fim do sentido de separação, Isso não tem nada a ver com sua capacidade intelectual, eloquência, ou postura amável, simples e humilde, decorrentes de disciplinas impostas. É preciso soltar tudo isso, “vomitar” tudo isso.

Estou lhe convidando a ouvir o pássaro cantando, a sentir o perfume e a beleza da flor se abrindo, a andar pelas ruas sentido o chão debaixo dos pés; a ser vulnerável à vida, como ela se apresenta, estando livre de todas as crenças, disciplinas e ações baseadas em noções de espiritualidade.

Isso significa ser vulnerável à chuva que cai, ao sol que brilha e ao som de crianças gritando. É a liberdade de ser o Silêncio que acolhe a vida como ela é, sem nenhuma disciplina gerada pelo medo.

No Zen eles dizem: "comer quando tiver fome e beber quando tiver sede, numa vida sem passado ou futuro". A mente não tem nada a ver com o Despertar, pois Isso está fora dela. Não é uma idealização que a “pessoa" possa alcançar.

É bem isso…


Fala transcrita e revisada a partir de uma fala via Paltalk Senses no dia 04 de Fevereiro de 2015 
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - horário de Brasília - Participem é Gratuito

2 comentários:

  1. Realmente é assim, sim chegamos perto de Deus e dizemos a ele que sabemos quem Ele é, e que eu, que aprendi tantas coisas consegui chegar até Ele. Quero como individuo, ser o merecedor das Glorias da conquista - Tudo faço para coloca-lo como algo a ser alcançado por mim - e isso vejo como a arrogancia que se coloca como aquele que se esforça e se empenha para atingir Deus. Isso nos tem mantido nessa posição de manter a separação Dele, para que possamos ter a oportunidade de provarmos que conseguimos concertar alguma coisa.

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  2. Gostei mto mecheu comingo!!!

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