sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Satsang: Você é a Única Realidade



Qualquer ideia que tenhamos a respeito de nos livrarmos de algo é uma ilusão. Nós podemos usar a palavra “liberdade”, mas a expressão “se livrar de” é uma ilusão. Você não tem que “se livrar de”; você não tem que se livrar de crenças, de conclusões e de suas opiniões; você não tem que se livrar da pessoa, do eu, do ego. 

De onde parte exatamente essa ideia de se livrar? Quem se livra do quê? Vocês estão acompanhando? Por que quero me livrar? O que me impulsiona a trabalhar nessa direção, na direção de me livrar de algo, como, por exemplo, o apego? Reparem que é muito comum a ideia de nos livrarmos de apegos, a ideia da renúncia... Onde isso acontece? Quem tem essa necessidade de “se livrar de”? Percebem aí? 

Então, eu quero colocar para vocês claramente: você está onde o Despertar está, porque você é essa liberdade. É do sentido de separação, de separatividade, que você precisa estar livre, permanecendo em sua Real Natureza; e, ao estar em sua real natureza, você já está, naturalmente, livre disso. 

Você não pode caminhar nessa direção e não precisa se livrar disso, falando assim, de forma mais acurada e cuidadosa... O que você precisa é constatar a ilusão desse sentido de separatividade. Esse constatar já é a Liberdade que é você.

Então, repito: o Despertar está onde você está, porque você não é o sentido de separatividade. É uma coisa interessante isso ser visto. O ego, o eu, a pessoa, é só uma crença, não é uma realidade, não é o que você é. Você é isso no qual tudo está incluído, inclusive o sentido de separatividade, a pessoa, a individualidade, o eu, o mim, o meu, o apego e o desapego. Não existe uma ação que possa ser feita na direção desse despertar, porque despertar é o simples constatar de sua Real Natureza. Isso é um acontecimento da Graça, na constatação da não existência do ego, do eu, do mim, do sentido de separação, de separatividade.  Está claro isso?

É exatamente a ideia de nos livrarmos de algo que fortalece o sentido de separação, quando esse trabalho  é direcionado a um objetivo (e o objetivo agora é a prática espiritual), como no esforço, nas técnicas de respiração, nos mantras sendo cantados e nas diversas práticas de meditação. 


Apenas deixe cair tudo isso, por meio da desidentificação com o sentido que essa crença produziu, que é o sentido desse mim, desse eu, dessa pessoa. Aquilo que você é, em sua Real Natureza, abraça incondicionalmente qualquer aparição. O sentido de separatividade também é uma aparição. Identificar-se com esse sentido de separatividade é estar em sono. Desidentificar-se desse sentido de separatividade é estar livre, é ser livre, o que, na realidade, é a própria liberdade, pois não há alguém nisso, não há alguém na liberdade, não há alguém acordado, desperto, iluminado.

Aquele que desperta, aquele que acorda, aquele que vivencia a realidade não é o mim, o eu, o ego, a pessoa; não há alguém nisso. O que nós temos é só o Despertar, o Acordar, a Iluminação, a Realização, ou qualquer um desses nomes, mas não tem alguém nisso. Então,  eu repito: onde você está, o Despertar está.

Esse você, naturalmente, não é uma pessoa, não é um indivíduo, não é um eu, um mim, um ego, mas é essa Ilimitada Presença, essa Ilimitada Consciência, onde tudo aparece e desaparece. Você é Iluminação. A crença que você tem sobre si mesmo é a ilusão de uma falsa identidade, aquilo que chamamos de ego, eu, mim, pessoa. Isso jamais desperta, jamais acorda, simplesmente porque isso não existe, é uma ilusão.

Olhe Isso, que é você sem conceitos. Isso significa vivenciar diretamente seu Estado Natural, que já é Meditação, aqui, agora e neste instante. Meditação não é uma prática, é o seu Estado Natural de desidentificação com tudo aquilo que aparece e desaparece, como são os sentimentos, pensamentos, emoções, o corpo e qualquer experiência sensorial. No entanto, Meditação, como Estado Natural, inclui tudo isso.


Então, não existe qualquer ideia de nos libertarmos disso, porque isso só aparece e desaparece Naquilo que é este “Eu Sou”, que é anterior a qualquer conceito, a qualquer ideia, a qualquer ir e vir. Essa é a sua Real Natureza, e essa é a natureza do Despertar, da Iluminação.

"Alguém" jamais se ilumina. Nunca houve alguém Iluminado. Isto, que é você em sua Real Natureza, que é este “Eu Sou”, nunca deixou de ser o que É. Você é Iluminação! Nós temos dito isso aqui sempre, nesses encontros. Trata-se apenas de uma mudança de olhar. O que acontece na Auto-Investigação, na Meditação e na Entrega não é uma prática, é um trabalho desta Graça, desta Presença, que acontece neste instante, agora, aqui. Simples isso ou complicado?

Nesse ouvir sem conceitos, nesse ouvir direto, tudo é muito, muito, muito simples. Não podemos ver isso que está sendo colocado aqui pelo intelecto, através de avaliações, comparações, com base em conclusões já tiradas anteriormente. Só podemos ver isso agora, aqui, nesse instante, nesse ouvir sem esse elemento chamado intelecto - aqui ele não entra.

Há algo novo presente nesse constatar da realidade ou da falsidade de uma fala como essa: é esse ouvir diretamente. Não fazemos muito uso de algumas palavras, senão eu chamaria isso de ouvir intuitivamente, ouvir com o coração, como eu prefiro chamar. Isso significa Ser, Meditação, que é Auto-Investigação, que é Entrega. Uma fala que nasce desse estado de Presença - esse falar, que agora, neste instante, flui - é só um acontecimento.

Eu escuto com você qualquer palavra que acabo de colocar, nascida desse estado de Presença, nessa visão de que acontece agora, nesse instante. Estou vendo exatamente junto com você, colocando isso em palavras. A palavra que nasce dessa Presença se encontra nessa Presença, nesse comungar ou nessa comunhão. Isso é Silêncio, isso é compreensão, isso é constatação, sem alguém que constata, sem alguém que compreende e sem alguém envolvido nesse Silêncio.

Agora mesmo, aqui, onde você está, está o Despertar. Não há nada separado disso que é você nesse instante. A simples constatação do que é, daquilo que se apresenta aqui e agora, põe fim a ilusão de toda separação, separatividade; isso é o término do sono. Não há essa coisa do passo “A” até o passo “Z”, não há qualquer progresso ou evolução, nenhuma transformação se faz necessária, não existe nenhum elemento, aí, passando por essa transformação. Tudo está agora nisso que é você, como uma experiência acontecendo nisso que é você, nessa ilimitada Consciência, nessa Ilimitada Presença, nessa Liberdade, nessa Verdade, neste Silêncio, nessa Única Realidade que é Você.

Isto é beatitude, é felicidade, é amor, é paz, é qualquer um desses nomes, ou nenhum deles. Eles chamam isso de Iluminação, que na realidade é o seu Estado Natural, é você mesmo; não é uma outra coisa separada disso que é você, aqui e agora, neste instante.

Você não pode deixar de ser o que É. Até mesmo a ilusão dessa falsa identidade acontece nisso que não muda, que é você em sua Real Natureza. Não pode haver nada, absolutamente nada, separado dessa única Presença. Não há eu, mundo, ego, indivíduos, Deus, nem nada, fora dessa única realidade. Essa única realidade é esta Presença, que é Ser, que é Você, e aqui eu coloco a palavra Deus, não no sentido de uma crença, de um conceito, de uma ideia, de um elemento separado. Estamos dizendo que só há Deus, só há esta Presença, só há este Ser, só há Você. Até aquilo que chamamos de dualismo ou dualidade aparece nisso que é Você.

Você é a única realidade que pode testemunhar qualquer coisa.
 


Trecho de uma fala em um encontro presencial, transcrita e revisada

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