terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Satsang: O UNIVERSO EXISTE EM VOCÊ



O fato é que você está sempre neste lugar, que é totalidade e completude, onde não há qualquer carência ou necessidade, pois cada acontecimento aparece como uma resposta precisa para aquele exato instante. 
Eu poderia chamar este encontro, esta fala, de "onisciência". A palavra "consciência" significa "ciência com".  A mente duvida, a Consciência é "com ciência", ou seja, a compreensão desse momento presente, enquanto a "onisciência" é aquilo que tudo sabe.
Como pode esta Consciência se esquecer dela mesma? Como pode isso, a expressão dessa identidade separada, a ilusão, a ignorância, ser possível na "com ciência"? O fato é que não pode. A Consciência é sempre esta "com ciência". A Consciência não deixa de estar, de ser ciente dela mesma. Ela é onisciente e consciente. Como pode a ignorância, a ilusão, o sentido de uma identidade separada, aparecerem na Consciência, se ela é onisciente? Quero repetir isso: só parece aparecer. Não há tal coisa como ilusão, não há tal coisa como ignorância, não há tal coisa como separação. E todo sofrimento implicado nisso, isso apenas parece ser.
Não parece ser para a Consciência, parece ser para a mente. Para a mente parece ser, para a Consciência apenas aparece, no Ser. A Consciência está sempre ciente do seu próprio Ser. O Ser ciente de si mesmo. Em resumo, Consciência é o que é.  Na Índia eles chamam:  a "ilusão da ignorância”.
A investigação dessa ilusão acontece na mente, e a mente é a própria ilusão. Aqui está toda a coisa: como a ilusão pode investigar a ilusão? Como a mente, que é uma ilusão, pode ver a si mesma? O trabalho sempre é todo da Graça, sempre é todo da Consciência. Não faz o mínimo sentido isso, é algo completamente sem sentido. Mas aí é que está: nenhuma brincadeira precisa fazer sentido para ser divertida. A brincadeira já é divertida por ser uma brincadeira.
Este é o encontro daquilo que não está perdido, o fim da ilusão que nunca existiu, a Consciência se mostrando consciente sem nunca ter estado inconsciente; esta é a brincadeira que não faz sentido. Curiosamente, na mente, isso é uma coisa muito séria, porque, na mente, este estado de brincadeira é o estado de miséria, conflito,  dor e sofrimento.
Mestre - Você quer me perguntar alguma coisa sobre isso?
Participante - Ela é a brincadeira ou ela é o brinquedo?
Mestre - Ela é o brinquedo e a brincadeira. Somente a Consciência é o que brinca, é a brincadeira e é o brinquedo. A mente só pode fazer o papel do brinquedo e da brincadeira. Mente aqui é o processo, o desenrolar do sonho; o sonho da ignorância e dessa ilusão. O brinquedo é o fenomênico. Toda a manifestação fenomênica é o brinquedo, e a mente é a brincadeira, mas o brinquedo ainda é a mente, e o que brinca é a onisciência da Consciência. Ela brinca de se esconder na mente, e depois revela-se como Aquilo aonde a mente aparenta aparecer.
Não se confundir com nenhum fenômeno, com nenhuma experiência, com nenhum processo mental, é a Consciência ciente do Ser, é o Ser ciente de Si mesmo. Eu quero repetir isto: Ela nunca deixou de estar ciente de Si mesma, apenas aparenta esquecer-se disso. Esta é a brincadeira, por isso é engraçado.
Participante - Eu não sei se eu rio ou se eu choro ! (rindo)
Mestre - Sorrir ou chorar é a própria brincadeira. Despertar é estar neste sonho em plena ciência de que é um sonho. É estar na brincadeira sabendo que você é o que brinca, além da brincadeira e do brinquedo, sem separação: sorrisos e lágrimas, prazer e dor, ganhar e perder, chegar e partir, nascer e morrer, isto e aquilo; mente, corpo e mundo no coração dessa experiência, desse experimentar, agora presente. Estar aqui é onisciência e liberação. Sobram apenas felicidade, paz e amor.

Isto não é só onisciente, mas sim todo o poder. É o único autor de todos os feitos e ações.  É o único que faz acontecer e desfaz. É onisciência e onipotência. É o único poder que está em toda parte e em nenhuma parte, que interpenetra e torna viável cada experiência acontecendo.

Não existe algo acontecendo fora Disso que move tudo. É Isso que faz os seus olhos piscarem e o seu coração bater.  Isso faz o ar entrar e sair dos pulmões. É Isso que constrói e destrói.

A mente se preocupa, na arrogância do sentido de separatividade, a criar a ilusão de ser o autor, o mantenedor e o destruidor. Apenas o "eu" acredita na ilusão dessa falsa identidade, que imagina estar no controle. Reparem a preocupação que temos nessa ilusão do poder de criar, manter e destruir.

O mundo não é problema seu, o planeta não é problema seu, este corpo aí que é o que você tem de mais íntimo, de mais próximo,  ainda não é problema seu, simplesmente porque você não existe neste corpo. É este corpo que existe em você, é este mundo que existe em você, é este planeta que existe em você. É este universo que existe em você. Em sua Natureza Real você é onisciente e onipotente.  Não é você que está no mundo, é o mundo que está em Você.

O corpo aparece e desaparece, o mundo aparece e desaparece, o planeta aparece e desaparece. Tudo o que apareceu um dia irá desaparecer. Tudo o que vem e vai, tudo o que aparece e desaparece, absolutamente tudo, está dentro desse processo de transformação e mudança, dentro dessa onipotência e onisciência da Consciência, presente  além de tempo e espaço, sempre.
A sua Natureza Real é onipresente. É nessa onipresença que o tempo e o espaço na mente aparecem. Esses nomes diferentes estão apontando para esta Única Presença, para esta única, ilimitada e indescritível Consciência.
Essa é a Verdade sobre você. Esta é a Verdade sobre tudo.

Para terminar, eu diria que tudo o que existe é Consciência. O Ser é tudo o que existe.  É o que é!

Namastê!


Trecho de uma fala transcrita e revisada a partir de um encontro presencial

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