domingo, 4 de janeiro de 2015

Paltalk Satsang: Realize Aquilo que Você É




Que bom estarmos presentes a mais este encontro, a mais este Satsang, colocando nosso coração disponível a esse momento, que é uma oportunidade que temos. É bem interessante esse encontro que nós estamos tendo aqui. Nós estamos aprendendo dentro desses encontros qual é o tipo de atitude que precisamos ter dentro de uma aproximação real em relações. Nós aqui somos seres humanos em relações, encontrando a disposição real para uma relação e a maneira adequada de termos um encontro entre nós. Nós temos frisado, aqui, a importância de termos esse encontro, sem a presença separatista de personalidades. Nós bem sabemos o que significam as personalidades: sinônimo de crença, de ideias, de conceitos e de predileções, que são posturas pessoais e, também, posturas egocêntricas, quando estão a serviço da separação, a serviço da separatividade. Assim, esse tipo de comportamento não é o mais adequado, não é o comportamento perfeito dentro de um encontro, onde o propósito dentro desta relação é descobrirmos a unidade, a unicidade; é descobrirmos esse estado não-dual, a não dualidade. Nós vamos falar agora um pouco sobre isso:  esse estado não-dual, a não-dualidade.
A não-dualidade não é algo que possa ser descrita. E por que não podemos descrever esse estado além de todos os estados conhecidos por cada um de nós? Porque esse estado não está no campo das ideias, dos conceitos, das opiniões, das predisposições pessoais, ou seja, ele não é parte do fragmento em cada um de nós, que geralmente prevalece e predomina na grande maioria -  eu falo exatamente do intelecto. Estamos dentro de uma limitação muito forte, muito grande, pois  toda aproximação que temos, nas relações pessoais, está acontecendo nesse nível. Relações pessoais são sinônimo de relações sentimentais, emocionais, românticas e intelectuais. Estamos dentro de uma relação fragmentada, não estamos diante da totalidade e, assim, estamos dentro da dualidade.
 
O Satsang é uma proposta nova, porque, aqui, tudo aquilo que acontece nos aponta para essa direção impessoal, que é a direção onde a presença da "pessoa" não tem mais nenhuma importância, não ocupando mais esse destaque, que cria essa separação, essa divisão, essa contradição. Relação pressupõe comunhão. Como pode, então, haver real relação entre "pessoas"? Como pode haver real relação entre duas imagens, entre conceitos antagônicos, entre ideias opostas, entre opiniões diferentes? Então, é inevitável nós estarmos tocando a respeito dessas limitações, não só do intelecto, mas, também, dos sentimentos e das emoções, se queremos nos aproximar desse estado não-dual, desse estado além de todos os estados, porque, ele mesmo, é indescritível.

 Mas, se nós compreendermos essa limitação, podemos, a partir dessa compreensão, nos livrarmos inteiramente dela. E é isso que estamos exatamente fazendo nesses encontros. Observem tudo isso com muito cuidado; vamos observar isso com muita paciência, com muita calma. Todos nós aqui estamos, como seres humanos, investigando a nós mesmos, descobrindo a não existência dessa separação, que foi criada pelo pensamento; uma não existência que se apresenta camuflada pela ilusão de separatividade que o pensamento, o sentimento, a emoção  e o intelecto têm produzido. O próprio pensamento, em sua auto-defesa, procura caminhos onde ele possa ajustar esta compreensão, que necessariamente está além dele mesmo, a alguma coisa que ele conheça. Então, somos constantemente iludidos, enganados, pelo pensamento e ficamos nesse terreno limitado, que é o terreno das ideias, das crenças e dos conceitos, sem esta vivência direta, sem o experimentar direto desse estado além da mente, além do sentimento, da emoção e do intelecto. E é isso que precisa ficar claro para cada um de nós.

Por isso, num encontro onde procuramos esta perfeita relação, ou este relacionamento perfeito, precisamos compreender que isso só é possível quando temos a comunhão e a comunhão só acontece quando a separação desaparece, quando a "pessoa" não está presente, quando a divisão criada pelo pensamento não está presente, quando não há nenhuma disputa, quando não há nenhuma competição, quando aqui não estamos tentando prevalecer uns sobre os outros — até porque essa ideia do "outro" desaparece nesse espaço não-dual, nesse espaço de pura compreensão, nesse espaço onde a verdade se mostra simples, clara, objetiva, direta.

O estado não-dual é esse estado real da vida como ela é e isso é iluminação. Não é a iluminação da pessoa, pois nenhuma pessoa realiza a não-dualidade; nenhuma pessoa realiza esse estado além de todos os estados. Isso é possível ao ser humano, mas não é possível à pessoa. Isso é possível a essa estrutura física e mental, a esse organismo; a ele isso acontece, mas não à pessoa presente nele. Não há nenhuma pessoa presente nesse organismo, apenas esse conjunto de conceitos, opiniões, crenças, ideias, tudo girando ao redor de uma poderosa autoimagem, que chamamos de "eu", "mim".

Por isso estamos aqui colocando isso, bem claro, para cada um de vocês: não existem "pessoas", pois tudo está simplesmente acontecendo a essa estrutura, a esse organismo, a esse mecanismo, a este ser humano, sem a necessidade de "alguém" dentro dele. O som acontece do lado de fora, a fala parte do lado de dentro para fora, alcançando o exterior. O mundo é percebido nesse organismo através dos sentidos, sem nenhuma necessidade da "pessoa": as atividades físicas, a respiração, a digestão, o sentar, o andar, o caminhar, o escrever, o ler; o ato que fazemos, o que está acontecendo agora, neste instante, o ouvir, como vocês tão ouvindo, e o Marcos Gualberto falando. Nós estamos sempre diante de uma relação real, quando  o conceito, a opinião, a ideia, o julgamento, a comparação, a necessidade do chamado "certo", "errado", "concordo" ou "discordo", não estão presentes; quando não há a "pessoa". O que estamos dizendo, aqui neste encontro, é que nesta direta compreensão da verdade a necessidade da presença pessoal cai por terra completamente,  porque, enxergando com muita clareza, podemos perceber toda a ilusão da separação, da separatividade, da existência pessoal, da relação pessoal.
 
Esse é o tipo de fala que é muito desconfortável ouvirmos, do ponto de vista dos sentimentos, porque ele não corresponde à necessidade que a pessoa tem de "sentir certas coisas" quando escuta alguém; de ter  certos sentimentos que o sentido da "pessoa" já carrega, procurando aquela ressonância, aquela afinidade, aquele bem-estar, quando vai ouvir de "outra pessoa", encontrar "noutra pessoa", algo semelhante ao que ela tem, ao que ela traz. É desconfortável ouvir uma fala como essa, para "alguém" que vive à procura de sentimentos, de prazer e de sentimentos específicos, como a  alegria sentimental, a emoção sentimental, o romantismo puramente sentimental. Da mesma forma, é muito desconfortável ouvir essa fala através do intelecto, tentando encontrar ressonância, perfeita ressonância, a fim de  ajustar aquilo que se escuta com aquilo que já se conhece intelectualmente. E, assim, nós podemos passar uma hora, uma hora e meia juntos, nos distraindo intelectualmente com determinado tipo de assunto. Estamos dizendo, aqui, que sempre será muito desconfortável uma fala como essa, enquanto tentarmos apreciar este tipo de fala através de qualquer um desses fragmentos, e que isso é realmente um fato para ser observado.

Temos muita fome emocional, sentimental, intelectual, e a proposta deste encontro em Satsang é abrirmos mão, completamente, de toda esta limitação e descobrirmos "Aquilo" que está além de tudo isso; descobrirmos aquilo que está além daquilo que nós conhecemos, que temos vivenciado e experimentado como "pessoas"; essas "pessoas" que acreditamos ser, porque estamos nos identificando com estes fragmentos.

Observem bem o que estamos colocando. Para alguns, o sentimento predomina; para outros, o intelecto predomina; para alguns, a busca de sensações emocionais é algo muito importante. Passamos a vida inteira envolvidos nisso, presos a este círculo fechado do sentido de um "eu" separado, de uma "identidade" separada. Esta autoinvestigação, este silenciar que nasce naturalmente da compreensão dessa autoinvestigação, nos faz compreender a verdade não-dual de nossa natureza essencial, a beleza, a Graça, a Verdade, desse indescritível Estado, que pode ser vivenciado diretamente e nunca descrito, nunca colocado em palavras. Todo nosso empenho nesse encontro, toda a dedicação de nosso coração, todo o nosso interesse aqui é exatamente esse: nós estamos dispostos, sensíveis, e nos voltamos inteiramente para isso. De nada adianta estarmos presentes neste encontro, acompanhando esta fala através do áudio ou lendo estas palavras, porque foram transcritas, se a sua disposição interna, mental, é essa disposição própria do sentimento, da emoção e do intelecto, que é "dissecar", fazer aqueles cortes, cuidadosos e minuciosos, assim como faz o cientista, no laboratório, para examinar alguma coisa, num exame puramente intelectual, dividindo, separando, cortando, levando ao microscópio, executando uma experimentação ali. Porém, aquilo que está sendo examinado termina sendo visto em partes e, depois, se tenta somar todos os experimentos para tirar uma conclusão de tudo aquilo.
Aqui nós estamos lhe convidando a enxergar com a totalidade, sem essa necessidade de cortar, dividir, separar, olhar em pedaços, e a ter essa visão total, completa, imediata, fazendo uso desta sua natureza essencial, que é a Consciência, que é não intelectual, não sentimental e não emocional; algo além desta própria estrutura corpo/mente. Essa é a forma, essa é a maneira adequada de estarmos dentro deste encontro. Isso, em si, é o estado da Meditação.

Meditação é observar, olhar, estando diretamente com o que é, sem essa pretensa necessidade de agir de forma "pessoal", procurando satisfação sentimental, emocional, ou razões intelectuais naquilo que está sendo visto, ouvido, proposto, nisso que estamos colocando agora, aqui, neste instante, nessa fala. Espero que isto esteja claro para cada um de nós. Reparem que esta fala, tudo que aqui está sendo dito, está apontando, está direcionando, cada um de nós, para um encontro único, que é o encontro com esta realidade do ser, a realidade da Pura Consciência. Esta Pura Consciência é o que temos como real instrumento neste divino laboratório, que é a Vida, a existência, para descobrirmos essa realidade que é a Realidade do "Eu Sou". É o descobrimento da Consciência, é a constatação da Consciência acerca dela própria, acerca dela mesma. Este é o estado não-dual, e a Vida é este estado não-dual, que constatado sem a limitação do condicionamento que temos carregado no círculo "intelecto-sentimentos-emoções". Livres disso, dessa fragmentação, estamos diante deste Estado livre de todos os estados, o Estado não-dual.

Estamos diante da Vida como ela é e isso é Realização. É que, ao longo de todos esses anos, tudo o que sabemos sobre nós próprios é aquilo que nós "acreditamos acerca de nós mesmos", porque não temos vivenciado esses vislumbres diretos de nossa essência, de nossa Real Natureza. Evidente que temos passado por isso muitas vezes, mas, por não conhecermos a devida importância  desses momentos, é como se não os tivéssemos tido, diretamente, ou não tivéssemos vivido isso, embora, de fato, desde crianças, tenhamos tido momentos de percepções fora do intelecto, do sentimento, da emoção, e fora, até mesmo, dessa estrutura que é o corpo físico. Assim, fora do corpo e da mente, nós temos tido momentos de vislumbres, de ausência completa deste sentido do "eu", da "pessoa", do "ego", da "personalidade"; são os momentos mais extraordinários de nossas vidas, pelos quais nós já passamos.  Diante de um cenário, diante da experiência de uma determinada situação que nos aconteceu, naquele momento todo sentido do "eu" foi banido, vivenciando um momento de imensa e profunda alegria, algo muito profundo e extraordinário. E, ao longo de todos estes anos, também, temos vivido estes momentos, diante da conquista de algo pelo qual lutamos durante muito tempo; quando ela chega, naquele momento, acontece uma grande alegria, que parece nos invadir do exterior, mas que, na realidade, nasce do interior de cada um de nós, varrendo completamente todo sentido de separação, de separatividade. Essas experiências duram apenas alguns segundos, e todos nós sabemos do que estamos falando, porque já vivemos isso, já evidenciamos isso, apenas não conseguimos perceber o valor e a importância desses instantes, nos apontando, nos mostrando, nos indicando a beleza que é viver a vida sem o sentido da separação, da separatividade, criada por esta fragmentação.

Se vocês podem nos acompanhar aqui, se de fato estão nos acompanhando, estão realmente apreendendo isso e está havendo uma apreensão direta daquilo que está sendo explicado. Vejam, estamos indicando com palavras aquilo que não pode ser descrito, colocado, e explicado por meio de palavras. Esse Estado é algo livre de todos os estados, livre de toda separação, de toda divisão, de toda dualidade: bom, mau, certo, errado, positivo, negativo. Esse Estado revela "Algo" imensurável. Foi assim na última viagem, naquele lugar novo; assentado ali na praia, olhando as ondas batendo contra as rochas, o céu azul, algumas nuvens passando... O sol trazendo toda aquela força, a beleza, o calor, aluminando tudo ali a volta. Naquele instante completo, de esvaziamento do sentido "pessoal", todas as lembranças, todas as obrigações -  ser pai de família, pagar as contas, dívidas, os compromissos, os problemas com os filhos, os problemas de relacionamentos pessoais -  desapareceram completamente. Isso durou apenas alguns segundos, mas, durante esses segundos, há um estado de beleza indescritível, de pura unidade, de pura unicidade, de não dualismo; "ninguém" presente nesse instante, não podia lembrar-se do "mim", da "pessoa ". Não havia lembranças, nem aflição; não havia medo, inveja, desejos, a importância do nome, a preocupação com ele, como ser aceito ou não, o desejo de brigar, de contender, de disputar... Não havia inveja, ansiedade, nenhuma forma de preocupação, mas isso veio e se foi. Logo voltei para tudo isso: para o "mim", para o "eu"; isso é a realidade, isso é a verdade.

Nós estamos dizendo aqui que essa é a verdade do hábito, é a verdade do condicionamento, é a verdade do "mim", é a verdade do "eu", é a verdade da "pessoa", é a verdade do sentido de separação, de separatividade. Estamos convidando você, no Satsang, a ter este encontro com a Verdade, com a Verdade do Ser, com a Verdade não-dual de sua essência, de sua Real Natureza, de sua liberdade, de sua felicidade, algo natural, algo real, não "pessoal", e é sobre isso que estamos falando neste encontro. Por isso, o que mais importa neste encontro não é a descrição, não são as colocações verbais, mas o experimentar direto desse Estado, compreendendo o valor e a importância dele, porque ele nos aponta para o nosso Estado Natural, para o nosso estado real de ser livres; livres de toda ilusão, de todo sofrimento, de toda confusão. A realização disso é o real poder que temos para dar ao mundo esta Verdade do novo homem, esta Verdade da nova criatura humana, do novo ser humano, vivendo e compartilhando esta realidade divina, esta realidade de Deus, esta única Verdade não-dual de Ser.

Realizar Isso é, em si mesmo, afetar toda a humanidade, é trabalhar profundamente para todo o bem-comum, para esta transformação humana, para o despertar desta realidade, desta nova consciência do homem, e isto começa agora, aqui, em Marcos Gualberto, em você, em cada um de nós. Realize Aquilo que você é, isto é a única coisa que você tem para compartilhar e que a todos, sem exceção, interessa. A sua liberdade é a liberdade humana, é a liberdade do homem, é a liberdade em suas relações, porque esta é a real relação, onde estamos diante de algo paradoxal. A relação sempre é possível entre dois e aqui estamos dizendo que, nesta relação, não há dois, sendo assim uma relação paradoxal... É o comunicar, é o compartilhar nesta comunhão deste sublime e extraordinário Estado de suprema felicidade e liberdade, nesta ausência completa, total, do sentido de separação, onde a única Verdade se mostra como puro Ser, onde não há dualidade. Aqui temos a felicidade, a liberdade, a compaixão, a verdade, o amor se expressando, a verdadeira religião, o coração profundamente religioso, nesta unicidade com a Totalidade que é a verdade divina.
Esta é a fala deste encontro, nesta noite. Muito obrigado pela paciência de nos ouvirem, de estarem conosco, de terem estado neste encontro conosco. Muito obrigado!


Transcrito a partir de uma fala via Paltalk Senses no dia 05 de setembro de 2011

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