segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Paltalk Satsang: A parede do "eu" como o alicerce para a ilusão da separatividade



 Olá, pessoal! Boa noite e sejam todos bem vindos a mais um encontro, aqui pelo Paltalk.

Aqui estamos em mais um momento no qual temos essa oportunidade de nos encontramos.

Na verdade, nos encontramos mais uma vez nesse "não-lugar", que é o único "não-lugar" onde é possível um encontro. Entretanto, nesse "não-lugar", em que esse encontro é possível, não é possível um encontro, porque o vazio não pode se encontrar com ele mesmo; tudo o que pode ser feito para o encontro entre o vazio e ele próprio é o fim de uma parede. Se há uma parede entre dois espaços e ela é tirada, encontra-se o vazio. E é nesse vazio que nós nos encontramos. Estamos indicando nesses encontros um lugar que não é um lugar, um encontro que não é um encontro, e chamamos de vazio esse "não-lugar", esse espaço. Assim, sejam bem vindos ao "nada", ao vazio desse "não-espaço". Aqui é o único lugar em que é possível o fim da busca. É aqui que está a paz, a liberdade e a  felicidade que você sempre esteve buscando. Como nós não temos os olhos treinados para olhar e atentar para isso, nunca estamos olhando para essa direção e, por isso, a paz nos parece perdida, a felicidade parece não existir e a liberdade é só um sonho.

Estamos juntos?

Nossa crença é de que um dia podemos encontrar isso, porém, estou dizendo que isso não pode ser encontrado. Esperamos criar um terreno, uma condição e uma facilitação para esse encontro. E eu estou dizendo que você está sempre aqui, nesse "não-lugar"que, às vezes, eu chamo de único lugar; nesse "não-espaço" que eu chamo, às vezes, de "único espaço". Você não sai, Isso nunca desaparece, nunca está ausente. A parede, sim, aparece aí, que é um ilusório obstáculo, uma ilusória divisão, entre esse e aquele espaço. O espaço é um só; a parede é a ilusão que separa. Essa ilusão é o sentido de "alguém" presente, "alguém"  aí, e, por isso, sempre estamos falando da qualidade da Presença, da Realidade, que não é esse sentido do eu presente. Portanto, é sempre aqui que estão o alfa e o ômega, a criação e a destruição. É de fato maravilhoso estarmos aqui e saber que tudo está perfeitamente bem, perfeitamente no lugar.  A mente criou a ilusão dessa parede e da separação entre "o eu" e o mundo, entre "o eu" e Deus; Deus, como uma crença, e o mundo, como uma ideia, para esse "eu",  que é um conjunto de crenças, uma quantidade indescritível de imagens.

Estamos nesses encontros investigando a natureza dessa ilusão, a ilusão da parede, a ilusão daquilo que cria o sentido de separação. Estamos aqui como recém-nascidos e, mais um vez, abertos, sensíveis, transparentes e receptivos a esse Todo, a essa Totalidade, a essa Verdade. É seu "próprio eu", com um particular senso de controle, de julgamento e de entendimento, que lhe impede de constatar essa Realidade. Você se vê como "alguém" pensando, decidindo, escolhendo, resolvendo e sabendo; tendo uma perfeita noção da vida, das coisas. E, assim, você lança para fora de si mesmo, nessa imaginação de ser "alguém", o mundo; aí seu mundo inteiro "nasce". Tudo isso se dá com base nesse pensador, que é, também, uma ideia, uma crença e parte dessa imaginação. Nos estamos apontando para o fim desse sentido de separatividade,  dessa parede,  da ilusão, de todas as crenças e julgamentos, de todas as comparações, de todas as certezas e incertezas, de todas as esperanças e desesperanças. Estamos apontando para o fim da dualidade, como certo e errado, positivo e negativo, bem e mal, verdade e mentira, ou seja, para tudo aquilo em que a mente se firma, se apoia. Estamos falando do fim da mente e isso é muito assustador, porque você quer uma felicidade,  uma paz e uma liberdade que a mente projetou; é por isso que continua essa busca, essa procura. O único lugar em que tudo isso está presente, mas não como a mente imagina, de fato, isso está presente como uma verdade, como uma realidade, é aqui neste instante, neste não-espaço; ou neste indescritível espaço chamado Consciência, Presença.

Juntos ainda?

A realização disso é o Despertar. Não ideologicamente, ou conceitualmente,  ou teoricamente, pois mesmo sabendo colocar as palavras no lugar certo, sobre Isso, não significa nada. Não estamos falando de teorias, de crenças ou de repetir isso, como um papagaio. Estamos falando de ser Isso, que é viver sem medo e conflito; viver sem ilusão, livre de todas as ilusões e de tudo isso que a mente representa; viver livre desse "você", desse senso de "mim", de "eu". Aí, nesse mecanismo, esse é apenas um pensamento, uma contração, uma ideia que se configura nesse corpo-mente, como uma presença real. Mas isso não é real, pois é só um condicionamento, uma programação; isso termina. É essencial e fundamental que isso termine. Nós temos expressões, como "eu acredito", "eu pensei que", "eu acho que", que são todas ilusões, no sentido de "alguém" afirmando ter isso como uma experiência pessoal. Na verdade são só pensamentos que, por falta dessa atenção, desse trabalho em si mesmo, você acata, adota e aceita como uma verdade, que é a verdade de alguém controlando, sentindo, pensando e acreditando. Entretanto, na verdade, tudo isso é apenas um pensamento.

A coisa curiosa é toda essa busca da maioria de vocês, a chamada busca espiritual. Alguns dos meios utilizados são a leitura e cursos, que não terminam nunca. Você nunca para de ler, saindo de um livro para outro, e sua mente sempre descobre algo mais precioso, como o Alcorão, a Bíblia, Curso em Milagres, além de impressionar, como o Bhagavad Gita. Portanto, essa coisa de ler e estudar não termina nunca e, aqui, eu convido você a permanecer em sua Real Natureza, a soltar a mente e suas escolhas, buscas, análises, estudos, desejos e crenças. Convido você a posicionar-se nesse não- espaço ou nesse ilimitado e indescritível espaço do coração, que eu chamo de Consciência. Convido você a permanecer nesse vazio, nesse Silêncio, na Presença, onde não existe o "mim", a "pessoa", porque há somente Deus, a Verdade. É nesse vazio que está a plenitude total; é nessa plenitude total que está essa Presença e a Presença é a plenitude total, que é essa Consciência. Não é possível ver isso por meio do intelecto e é por isso que toda essa leitura não ajuda.

Participante: Perder o interesse em leitura é bom?

Mestre: A questão é "no que você pode estar de fato interessado? Sua Natureza Real, que espécie de interesse ela teria? Se há um interesse presente, para onde esse interesse aponta? Você pergunta, é bom? O que significa 'bom ou mal'? O que significa viver no interesse?" É da natureza da mente ter interesses e classificar esses interesses em bons interesses ou em interesses que não são bons. Sua Natureza Real é algo além disso. É preciso, em você, um queimar por Isso, pois Isso não é um interesse ou desejo. Isso é a única coisa. A única coisa é esse queimar por Isso.

Participante: Estar aqui é ter interesse.

Mestre: Se você está aqui em razão de um interesse apenas, isso não vai durar muito tempo e logo  cairá fora, porque não suportará o fogo dessa Presença. É preciso estar "queimando" para se sentir à vontade dentro desse fogo, "queimando"  por Isso. É preciso toda sua energia, todo seu ser, todo seu coração, nessa coisa, nesse trabalho, nessa entrega. É muito superficial, muito frágil, muito pequeno e muito fraco o propósito, quando há apenas desejo, interesse, por Isso. Não adianta ler e estudar sobre Isso, porque fica apenas no campo do intelecto e não atinge o cerne, que é o coração, não sendo possível um trabalho.

Satsang é uma oportunidade única, por ser possível estar diante de um Mestre vivo, daquele ou daquela que, de fato, é Isso. Ele ou ela não são mensageiros, pois não têm uma mensagem. Eles são o fogo; carregam o fogo que lhe permite arder, se você está queimando por Isso. Eu chamo Isso de Satsang. Sem isso você apenas namora de longe. A verdade é realizada na intimidade. Assim, aqueles de vocês que estão na sala do Paltalk e não sabem o que significa Satsang presencial, venham.

Aqueles que nunca ouviram, vão ouvir pela primeira vez, e aqueles que já ouviram, não é demais ouvir novamente:
_ Você só tem uma coisa para realizar nessa vida, que é a verdade daquilo que você é, a verdade da sua real natureza: você está aqui para realizar Deus. Você terá que morrer para realizar isso. Essa "pessoa" que está presente terá que desaparecer.

Estamos chegando ao final. Boa noite! Valeu, pelo encontro!


Transcrito e revisado a partir de uma fala via Paltalk Senses, ocorrida no dia 07 de Janeiro de 2015
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

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