terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Há um Perfume em Satsang




Eu costumo dizer que se reconhecer é simples, mas não é fácil... Eu não estou dizendo que seja difícil. É que por um longo tempo você tem confiado no pensamento. Há tanto tempo você tem ideias, acredita em conceitos, tem crenças e julgamentos, opiniões, e toda forma de ensino, que se confunde com isso... acredita ser "alguém", acredita ser "isso", mas “isso” nada mais é que um conjunto de pensamentos, que encontram fortalecimento e continuidade pela simples força do hábito. Isso é o sonho, é o sono... a ilusão.

Então, se você também acredita que o Despertar, a Iluminação, é algo sobrenatural, está vendo aqueles que estão fora do sonho, do sono, da ilusão, como super-humanos, privilegiados. A mente aí continuará repetindo: “isso não é para mim", "não vou conseguir", "isso é como achar o trevo de quatro folhas”... no entanto, isso é um truque da mente, na busca de sua continuidade.

Realizar ou constatar “o que você É” é simples, porque Isso é o que você já É. Porém, se você não colocar o coração nisso por completo, inteiramente, tudo continuará como sempre tem sido: sonho, sono, ilusão...

Há um perfume em Satsang: o perfume de seu Estado Real, de seu Estado Verdadeiro. No entanto, a mente vive de imagens e, naturalmente, cria uma imagem também acerca desse estado natural. Tenho algo a lhe dizer: enquanto você mantiver essas imagens acerca de "si próprio", estará vivendo uma ilusão, em meio a todas as suas práticas, seus estudos e leituras espirituais. Assim, enquanto houver essas imagens aí, ou qualquer imagem sobre "si mesmo", sobre o que anda "lhe" acontecendo, sobre qualquer experiência que esteja tendo, você estará vivendo uma ilusão: a ilusão dessa hipnótica falsa identidade, a ideia de ser “alguém”.

Não importa o quanto sua mente acumulou ao longo dessa longa jornada de aprendizado e crescimento, isso aqui é outra coisa. O Despertar é literalmente o fim do sentido de separatividade, ou de “alguém” presente. O que fica é só esta Presença. É preciso descobrir como ouvir o próprio coração, em simplicidade e entrega. A verdade só conhece essa forma, porque não há outra para ela se manifestar. Não pense, não analise e nem reflita sobre isso... Apenas sinta o que estou dizendo ou tudo continuará na mesma. Aqui, em Satsang, o perfume é do coração e não da cabeça.

Questionador: Estou ouvindo seu vídeo: “Satsang - A Ilusão de Um Eu na Ação”... Se tudo acontece sem mente, tudo é um “acontecer”, como a mente interfere? Por identificação?”

Mestre Marcos Gualberto: Aquilo que chamamos de “mente” é essa identificação com os pensamentos, ou seja, essa comum ideia: “estou pensando”, “sou eu que penso”... Saltamos sobre um pensamento e damos uma identidade a ele. É aqui que temos a crença nessa falsa identidade. É a “mente” a responsável pela ilusão da separação, assim como pela crença do “autor”, “realizador”, “controlador”.

Questionador: Amanhã, a minha mente terá um desafio: falar para mais pessoas. Sob pressão, é impossível para mim. Eu tento achar maneiras de relaxar, mas minha mente só foca nisso, como se tivesse algo que eu pudesse fazer. É provável que a pressão venha, e é sempre assim, como se a mente me atacasse com reações indesejáveis. Então, inconscientemente, acabo produzindo mais pressão pra “arrumar” isso... O que fazer, Marcos?

Mestre Marcos Gualberto: Você acredita que está no controle. Assim, a ansiedade está presente, e agora você quer vencê-la; mas você não vence a ansiedade... Essa é outra ilusão... A ansiedade é olhada de perto, em intimidade, porém não crie a ilusão de uma separação entre você e essa ansiedade; permita que ela se desdobre por completo aí nesse mecanismo, nesse organismo, nesse corpo-mente. Isso é feito sempre no momento em que essa energia se manifesta. Não se importe com os pensamentos que aparecem aí, não se identifique com eles... O que importa é como essa energia se manifesta agora, neste momento. Deixe essa energia vir; não reprima e nem se identifique com ela... libere-a, e perceberá que ela se dissipará. Isso é o fim da ansiedade. Então, não importa mais o resultado do que tem que acontecer. O que tem que acontecer, acontecerá. Não há “alguém” nisso.

Questionador: Mestre, você sempre fala que não tem “ninguém”, não tem nenhum “mim”, nenhum “fazedor”... E quando acontece um crime como esses, que vemos nas notícias diariamente? Também não tem ninguém? Então quem é que age?

Mestre Marcos Gualberto: Porque isolamos um pequeno evento ou acontecimento, como se ele fosse possível sem muitos outros pequenos eventos por detrás dele, seja ele um crime ou a queda de um avião, ou qualquer feliz ou infeliz acontecimento? O que temos por trás disso são inúmeros outros acontecimentos. Como podemos isolar um “eu” responsável, como o autor disso? Só há uma única Presença por detrás de tudo o que acontece, ou parece acontecer, até mesmo no cair de uma única folha de uma árvore. Há apenas um Autor e só um aparente acontecer, e isso está aqui neste presente momento... É assim...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações