quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Verdade daquilo que somos é o caminho da autorrealização



A Verdade daquilo que somos, o descobrimento dessa verdade daquilo que somos, acontece quando estamos inteiramente livres e completamente despidos de tudo aquilo que aprisiona o homem. Essa liberdade é nossa por herança, advinda do nosso nascimento. Nós já somos livres, mas não temos consciência, nem estamos apercebidos, dessa liberdade que trazemos, porque estamos presos dentro de uma identificação com os pensamentos. Esse é o estado em que todos nós, como seres humanos, nos encontramos e, boa parte deles, permanecem nesse estado do nascimento até a morte, sem uma real compreensão de si mesmos. 

Toda essa tentativa nossa de compreender o mundo, sem compreendermos a nós mesmos, é algo fútil e que não nos leva à verdadeira vida, que é a vida de Graça, a vida de Plenitude, a vida de Sabedoria, a vida de Liberdade. A liberdade é a consciência de quem somos; não se trata de um esforço em direção à liberdade, mas a percepção da liberdade que nós já trazemos. 

Se pudéssemos definir "Realização", diríamos que é a compreensão do "não-eu", da não-existência de um "eu" separatista, que divide, que se afasta, por suas divisas, seus caprichos, medos e desejos, Daquilo que é.  A visão simples e clara da realidade que somos, como Pura Consciência, no qual tudo surge e desaparece, é o que poderia ser definida como "libertação", ou "Realização Divina". Realização Divina é a compreensão da realidade que somos, além dos pensamentos. Somos Pura Consciência, fora dos pensamentos. 

É muito simples você constatar isso. Os pensamentos vêm e vão, mas a Consciência se mantém. Os sentimentos vêm e vão, mas a Consciência se mantém. O corpo sofre mudanças ao longo dos anos, mas a mesma Consciência se mantém, observando todo esse processo de mudança nos pensamentos, nos sentimentos e no corpo. A Consciência é o fator único, o fator principal, o fator real, a base na qual tudo surge e tudo desaparece. Realização é a clara visão, o claro sentimento e experimentar isso, a Consciência Pura, que é livre do pensamento, de tudo que o pensamento tem produzido e ali colocado. Essa Verdade, que é a verdade de quem somos, no íntimo, é a verdade que, quando se manifesta plenamente, todos os conflitos, medos, desejos e toda ambição desaparecem; é a plenitude da realização humana, é a plenitude da realização divina.

Alguém chama isso de Iluminação, de Realização, de Salvação, de mente de Cristo, mas os nomes não são importantes, porque nomes são apenas nomes. O que nos interessa é assumirmos nossa real identidade e vivermos nela, quer alguém defina ou não, use termos para descrevê-la ou não; isso não importa. O que importa verdadeiramente é estarmos cientes de nós mesmos, vivendo essa plenitude, que é a plenitude da realização no estado livre de todos os outros estados. Todos os estados que nós conhecemos vem e vão, eles aparecem e desaparecem. Nós não continuamos permanentemente alegres, pois  logo depois da alegria a tristeza surge; depois da tristeza, vem a euforia; depois da euforia, o tédio; depois do tédio, o medo; depois do medo, a ansiedade... E esses estados vão mudando constantemente.  Durante o dia nós temos muitos estados e estes estados são acompanhados por pensamentos peculiares. Cada pensamento toca uma nota, despertando determinado sentimento, determinado estado, porque os pensamentos são acompanhados por esses estados. Por sua vez, esses estados são acompanhados por pensamentos. Desta forma, seguimos o curso de nossa vida, durante 50, 60, 80 anos, sem a plena compreensão daquilo que somos, sem a plena visão da realidade divina que trazemos dentro de nós. E, assim, vivemos  dentro de estados que mudam. Por isso eu digo que esse Estado, na realidade, é um Estado livre de todos os estados; é o Estado Real onde a Consciência Pura é o pleno sentido de unidade ou unicidade, livre de toda dualidade.

Libertação é  a simples visão desta não-existência do "eu". É a simples e clara, lúcida e autêntica compreensão de quem somos em nossa essência, em nossa Natureza Verdadeira. E não é algo que alguém possa fazer por nós. É algo que nós já somos, é algo que nós já trazemos. A única coisa é que naturalmente precisamos despertar para isso. A autoinvestigação e o estudo de si mesmo, a aplicação desse estudo cuidadoso, dedicado, aplicado, de nós mesmos revela esse Estado, o Estado Real no qual nascemos e também morremos. Talvez, do nascimento à morte, seja possível que alguém não tome consciência nenhuma de sua real natureza, mas ela é a nossa natureza real, ela é a nossa natureza verdadeira. Portanto, a coisa mais importante na vida, em nossa vida, é tomarmos consciência de quem somos; de outra forma, aquilo que chamamos de vida prossegue dentro desse processo de identificação com os pensamentos, inconscientes da realidade que somos, que é paz, amor, alegria, liberdade, felicidade.

Não há necessidade de buscarmos fora aquilo que está dentro. Ao longo de muitos anos, temos feito esse tipo de coisa. Estamos "buscando" na apreciação dos outros,  na realização de projetos pessoais e sonhos,  na conquista do reconhecimento público, da fama,  e na conquista de mais dinheiro, para, por sua vez, conseguirmos mais coisas; e todo o tipo de coisas que fazemos é dentro dessa direção de realizarmos a nossa felicidade, paz eterna, a nossa suprema liberdade. Entretanto, ela não acontece porque estamos olhando para fora, dedicando nosso coração, nossa energia, nossa mente, à aplicação de toda uma vida direcionada para o mundo externo, para o mundo exterior. Isto acontece porque esse tem sido o padrão, porque foi assim que fomos educados,  ensinados, e, como esse tem sido o caminho de todos, acreditamos que deve ser, consequentemente, o nosso caminho.

Nós estamos falando de algo completamente diferente, estamos dizendo que você pode ser feliz sendo você mesmo. E, quando digo "você mesmo", é sendo essa Realidade que ultrapassa esse sentido do "eu", do "meu" e de tudo aquilo que o "eu" busca, trabalha arduamente e persegue. Portanto, esse é o caminho do autoconhecimento, esse é o caminho da autorrealização e da libertação, da liberdade de si mesmo.

Texto escrito pelo mestre no mês 09 do ano de 2011

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