domingo, 27 de dezembro de 2015

Meu convite é para a Realização de Deus!



 
Estamos mais uma vez juntos nesse encontro. Esses momentos são uma grande oportunidade de termos uma aproximação da Realidade, da Verdade presente. A Realidade, a Verdade presente, não exclui nenhum acontecimento, seja ele externo ou interno, e o conflito se dá quando existe uma reatividade a esse movimento, quando não se dá espaço para esse movimento, quer ele seja externo ou interno. Portanto, nós temos em encontros como este um momento em que descobrimos o que significa dar espaço para isso que acontece.

Nós temos perdido o contato com a Realidade. A mente não tem nos permitido esse contato, e nós fomos crescendo, habitualmente, fora desse contato com a Realidade. Nos seus primeiros seis meses, a vida estava com toda liberdade de se apresentar a você. Era um momento de descobrimento, um momento de descoberta, um momento de constatação da experiência, da pura experiência, ainda sem o filtro desse elemento que nós conhecemos hoje – o intelecto ainda não tinha se apresentado nesse cenário. O contato com a realidade externa e interna acontecia com toda liberdade. Logo você cresceu... chegou aos 7 meses, 1 ano, 2 anos, 3 anos, e isso foi ficando cada vez mais distante, e o intelecto foi assumindo o lugar.

Esse elemento natural da mente, que é o intelecto, aparece no cenário traduzindo, julgando, comparando, avaliando, somando, subtraindo, dividindo. Mas não fica só nisso! O elemento cresce também, porque esse elemento busca sobrevivência, se identifica com o corpo, assume logo um nome e uma identidade. Então, temos no cenário esse elemento, que hoje está presente aí, completamente alienado da Realidade. A Realidade é aquilo que acontece externamente e internamente. Alienação é a ideia, a crença, o juízo de valor dessa entidade presente nesse experimentar, no experimentar da Realidade. Então, aquilo que acontece internamente e externamente não é suficiente para este sensor, para este juiz que avalia, julga e bate o martelo.

Aqui, nós estamos colocando para você como realizar aquilo que Você é, o que representa sair dessa alienação, ir além dessa alienação de um “eu” particular, de uma entidade presente nisto que acontece, quer no mundo externo ou no mundo interno. Existe algo que eu quero falar com você nesse encontro, sobre isso. Quero lhe colocar qual é o elemento principal dessa alienação; mostrar-lhe porque que, hoje, nós não damos espaço para essa Liberdade de ser quem somos, de ser aquilo que verdadeiramente somos; porque nos mantemos assim, alienados, fora desse Espaço, que é Beatitude, Amor e Liberdade, desse Espaço atemporal, desse Espaço fora do tempo, que somos nós mesmos. Nós somos esse Espaço, e, no entanto, estamos nos perdendo nessa alienação, nesse conflito com o que acontece exteriormente e internamente, em razão desse elemento separatista que imaginamos ser.

E qual é o elemento principal em tudo isso? Nessa fala, eu quero trabalhar isso com você. Qual é o elemento principal que mantém, sustenta e coloca estabilidade nessa ilusão de separação, nessa ilusão de uma entidade presente, dentro do corpo, olhando para o mundo, percebendo o que acontece externamente, ou olhando para dentro, percebendo impressões internas, e se separando? Quando ela se separa, ela não dá espaço, ela não é esse Espaço, não abarca esse Espaço. Eu quero lhe dizer, primeiro, que você é esse Espaço! Você é esse Espaço que acolhe o que acontece exteriormente e internamente, sem conflito. Sem conflito significa sem resistência, e sem resistência significa sem esse peso que produz todo conflito.

Estou dizendo que você é esse Espaço de Beatitude, de Amor, Paz, Liberdade, que nós chamamos de Consciência, ou Presença, mas em razão desse elemento que separa essa Presença, essa Consciência, esse Espaço, você está em luta, está em guerra, está em sofrimento, em conflito com a vida como ela se apresenta, como ela se mostra. Então, o pensamento está aí, e esse é o elemento principal dessa ego-identidade.

O pensamento é o modelo da imaginação acerca do que acontece, tanto externamente quanto internamente. Enquanto você estiver se identificando, se confundindo, acreditando nesse elemento presente, toda desfiguração estará acontecendo, toda resistência estará acontecendo, todo esse modelo programado estará acontecendo, e isto é a alienação da Realidade.

O pensamento é esse elemento, com o qual o sentimento anda de mãos dadas. A sua confiança no elemento “pensamento-sentimento”, a sua crença nele, a sua identificação com ele, a sua valorização, é a base de uma existência, de uma vida completamente imaginária, e isso, infalivelmente, manterá você nessa ilusão da separatividade. Aí está a pessoa que você acredita ser, e aí está o mundo que você acredita ver, presenciar, vivenciar e dele participar.

O ego presente é a alienação da Vida em sua Graça, em sua Beleza, em sua Liberdade, em sua Felicidade. Isso jamais será possível para você enquanto se mantiver preso a esse círculo do pensamento, sentimento, emoção, sensação, eu, o mundo e os outros. Esses elementos formam esse círculo vicioso, o círculo que possui um centro imaginário: uma entidade que está nessa experiência “pensamento, sentimento, emoção, sensação, eu, o mundo e outros”. Isso é o que você acredita ser sua vida. Então, sua vida está centrada, toda ela, nesse círculo.

Assim sendo, não há esse Espaço de profundo acolhimento a tudo que acontece exteriormente e internamente. Esse acolhimento é o reconhecimento de que só uma e única Vontade predomina, prevalece, acontece, e, nela, a Graça é Soberana. Curiosamente, você não está separado disso. Você é essa Graça, essa Vontade Soberana, esse Espaço. Quando esse elemento “pensamento- sentimento-emoção-sensação-eu-outros-mundo” não tem mais nenhuma importância, só o Espaço tem importância, e esse Espaço é Silêncio, esse Silêncio que acolhe mesmo o som presente. Por mais barulhento que ele seja, ele também é acolhido como algo acontecendo externamente, ou internamente, sem causar nenhum conflito, porque não há resistência; ele não é parte do elemento “mundo”. Outros não podem perturbar, com o seu som, esse Silêncio que Sou em minha Natureza Real, porque esse Espaço é Soberano, esse Espaço é Graça, esse Espaço é Presença, esse Espaço é Silêncio, esse Espaço é Beatitude, é Felicidade, é Amor, é Paz.

Alguns de vocês ainda não compreenderam isso. Meu convite é para a Realização de Deus! Realização de Deus, em outras palavras, é a constatação desse ilimitado estado de Beatitude, de Bem-Aventurança, Graça, Silêncio, no qual toda vida é possível. Quando eu digo “toda vida é possível”, quero dizer que há lugar para tudo, tanto para o bem quanto para o mal; tanto para a Verdade quanto para a não-verdade; tanto para a vida quanto para a morte; tanto para a saúde quanto para a doença; para pensamentos ou não-pensamentos; sentimentos ou não-sentimentos; e não importa a qualidade desses sentimentos, assim como não importa a qualidade desses pensamentos, nem a medida, o valor ou a altura do som, ou a ausência total do som, ou mesmo sua espécie. Esse Espaço é profundamente generoso.

Alguns de vocês não compreenderam isso. Estou convidando você para entrar profundamente neste instante, neste acolhimento daquilo que acontece, sem o conflito, sem o drama, sem o dilema e sem a resistência que o pensamento produz. O pensamento é, de fato, um elemento muito importante nesse círculo. Eu comecei tratando com você, a respeito desse círculo, logo pelo pensamento. Quando eu disse: “pensamento, sentimento, emoção, sensação”, estava dizendo que o pensamento é a base disso tudo. É o pensamento que cria tudo isso. Sem o pensamento, não há mundo; sem o pensamento, não há outros; sem o pensamento, não há uma ideia sobre sensação, não há uma ideia sobre emoções, não há uma ideia sobre sentimentos; sem pensamento, não há uma ideia sobre o que é o pensar. Agora mesmo, nesse instante, se não há pensamento, fica esse Silêncio de profundo acolhimento, algo que acontece quando você está profundamente presente como esta Presença que Você é, como pura Consciência. Não há o elemento “eu”, esse elemento “mim”, não fica qualquer história, nenhum pensamento, nenhuma ideia passa nesse instante. Nesse momento, o mundo termina, o outro termina... A emoção de alguém não tem importância quando o pensamento não está validando isso, dizendo que isso é desse “mim”, que é importante para esse “mim”. Então, é só uma emoção, é só uma sensação, é só um sentimento, é só uma aparição do “outro” ou do “mundo”. Assim, se não há ninguém como uma entidade presente no centro desse círculo, o que fica é o Espaço ilimitado e indescritível de pura Presença, de pura Realidade.

Por isso comecei a fala colocando para você que só há essa Realidade, que se apresenta externamente e internamente. Esse círculo desaparece nessa totalidade de Ser, nessa totalidade que é Consciência. Isso é Meditação! Meditação não é ficar de pernas cruzadas, cantando um mantra ou respirando de certa forma. Meditação é assumir esse Espaço de pura Consciência, de pura Presença, o que significa estar profundamente agora com o que é, com o que se mostra.

Estranho isso? Maluco isso? Será maluco o que eu digo, ou será maluca a sua vida, nessa alienação de ser esse “alguém” que você acredita que é? Vocês não estão ouvindo um palestrante. Não sou um orador profissional. Estou apenas colocando algumas coisas para vocês acerca de como a Vida se mostra a Ela mesma quando o elemento “eu” não aparece, quando esse elemento “mim” não está presente.

Meu convite é a esta natural Felicidade de ser o que Você é: esse Espaço, esse Silêncio, essa Presença. Eu quero convidá-lo a trabalhar isso, a estar, entrar, mergulhar profundamente neste momento, e olhar a partir disto, ouvir a partir disto, falar a partir disto. Se algum pensamento passa, ele só passa, assim como o sentimento ou a emoção, e, a partir disto, não há nenhuma entidade presente assumindo, conclusivamente, qualquer ideia a respeito. Então, estamos diante do que somos, e a vida não está separada disso. Isso significa um estado de Presença, de pura Consciência, de pura Atenção. Assim, a vida é suave, não é desafiadora. A vida é algo muito desafiador para aquele que acredita que está presente e que pode controlar; para aquele que se considera um soldado, alguém que tem que vencer, “matar um leão todos os dias” – esse é o ditado. Quando você se considera “alguém”, Deus está muito longe. Deus é “alguém” a quem você tem que rezar para livrar você dessa sua batalha, dessa sua luta, desse seu desafio, livrá-lo de todos os conflitos, de todas as barreiras, de todos os impedimentos, de todos os obstáculos, das garras e dos dentes desse leão que você tem que matar. Tem que matar todos os dias! Você se levanta da cama e sai de casa para lutar. Esse é o sentido de uma existência separada, algo tremendamente estúpido.

A minha música, a minha canção, é um convite para a calma desta Presença de Ser, onde Deus está cuidando de tudo e você é completamente dispensável. Você é o conflito, o dilema, o problema, o desafio. Você é o leão contra o qual você mesmo luta. Você quer matar esse leão, quer se livrar desse leão, mas não entendeu ainda, não compreendeu ainda. Um dia, Cristo disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados, sobrecarregados, pesados e oprimidos, e eu vos aliviarei, eu vos darei descanso, porque o meu peso é suave e o meu fardo é leve”. Um dia, Ramana disse que o homem é como aquele que entra no trem e continua com a bagagem nos ombros. O trem dá a partida e ele esquece que esse trem o leva com a sua bagagem. Ele não precisa carregá-la. Ele poderia pegá-la e colocá-la no bagageiro, mas insiste em ficar com a bagagem nos ombros. Assim são vocês quando nos encontramos pela primeira vez. Fica muito claro para mim quando eu olho em seus olhos e vejo a importância de ser alguém, essa entidade tão significativa, tão autovalorizada, tão egocentrada... no centro mesmo... desse círculo vicioso chamado “vida humana”.

Eu quero lhe dizer que o meu Guru me deu isso! E, em sua Graça, Ele está aqui lhe dando isso também! Jay, Jay Bhagavan! Jay, Jay Gurudev! Ao Cristo, a honra, a glória e o louvor, pelos séculos dos séculos, dos séculos, dos séculos. O Senhor está em seu Santo Templo! Cale-se diante Dele toda a Terra! Que todos os joelhos se dobrem e repitam a uma só voz: “Só o Senhor é Deus!”.

Vamos ficar por aqui? Namastê!

*Fala transcrita a partir de um encontro online em 09 de Dezembro de 2015 - Encontros online às segundas, quartas e sextas às 22h

 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Quem Sou Eu?

 

Vocês consideram o fazer de "alguém" fazendo. Para você, o fazer é "alguém" fazendo. Para mim, só há "o fazer". A ideia de estar presente nesse "fazer", fazendo, é uma ilusão.

Você não tem o poder de fazer, no entanto, tem o poder de imaginar ser o fazedor, de estar fazendo. Esse poder de imaginar isso ainda é "do fazer". Você acredita que é o autor das ações, e eu digo que só há ações, que não tem nenhum autor nisso.

Eu o convido a soltar a ilusão de ser "aquele que experimenta" o que acontece. Se essa ilusão cai, a ilusão de ser o autor da experiência desaparece; a ilusão de ser o "fazedor" desaparece.

Você acredita que paga suas contas, que vai para o trabalho e que trabalha. Você vai para o trabalho, trabalha, ganha dinheiro e paga as suas contas. A sensação, para o experimentador, é de que uma coisa vem após a outra. Você é o "ator principal", nesse cinema que você chama de "sua vida", entretanto, isso tudo está acontecendo por esse "fazer". Esse "fazer" é a Vontade Divina se levantando pela manhã, indo para o trabalho, trabalhando, ganhando dinheiro e pagando as contas. Você é só a ilusão de "alguém" presente nessa experiência e, portanto, sendo o autor dessas ações.

Isso é só um hábito de pensar, um modo condicionado de pensar, uma crença. Só há uma ação acontecendo, e ela não é sua. Essa ação é da Consciência, que não se separa como experimentador e experiência, como ação e autor das ações.

Se eu perguntar a você: quem é, então, que se levanta pela manhã, que se dirige ao trabalho, trabalha, ganha dinheiro e paga as contas? A sua resposta será clara. Qual é a sua resposta? Quem é que se levanta pela manhã? “Eu”. Mas, onde está esse "eu"? Está na ilusão de estar localizado dentro do corpo, precisamente, dentro da cabeça, tendo 1,70m, pesando 85kg.

Você se identifica com o corpo, mas quem é que se identifica com o corpo?

Nessa experiência "eu sou o corpo", surgem todas as demais experiências, que criam essa ilusão de um autor dentro da experiência. No entanto, não tem "você". Se houvesse "você", você controlaria os resultados dessa experiência, como experimentador. Mas você não tem controle sobre os resultados dessa experiência.

E é fácil a gente verificar isso. Você pensa o que quer? Alguém aqui pensa o que quer e quando quer, faz o que quer e quando quer? Você pode prever o resultado de suas ações, as consequências delas? Se você pudesse fazer isso... Mas você não pode fazer isso...

Você imagina as consequências de suas ações. Imagina ter o poder de fazer o que quer, de pensar o que quer e de poder se livrar dos pensamentos quando quer. Você pode imaginar tudo isso, mas isso também é só um pensamento, uma imaginação, que, por sinal, você acredita que, também, é sua imaginação. Mas você, também, não tem o poder de imaginar, como não tem o poder de pensar, nem de agir. Isso só acontece. O pensamento acontece, a imaginação acontece.

Há um Poder que levanta esse corpo, aí, da cama, pela manhã, leva-o para o trabalho, coloca-o trabalhando; coloca-o pensando, recebendo pelo trabalho, pagando suas contas. Há um poder fazendo isso.

Você está alienado de si mesmo, quando acredita que é "alguém" nessa coisa toda.  Estar alienado é não estar consciente da Consciência de tudo isso; da Consciência, que é a Presença de Deus em tudo isso. Eu não tenho como provar isso para você. Há como você investigar a sua incapacidade, a sua não-condição, o seu não-poder de controlar essa, assim chamada, "sua vida".

Você pode investigar isso e responder a pergunta: "Quem Sou Eu?" Nessa resposta, você descobre que não há um perguntador, e isso é o fim da questão; é o fim da ilusão de "alguém" aí... O fim da alienação!


*Transcrito a partir do trecho de um Satsang em Novembro de 2015 no Ramanashram Gualberto na cidade de Campos do Jordão

 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A crença de que você é alguém dentro do corpo



Nós temos uma oportunidade única aqui nesse encontro. Temos a Graça de estarmos juntos, aqui, nesse trabalho, saindo desse modelo comum. Nós estamos saindo desse modelo que pressupõe uma existência: a presença de "alguém” independente dos objetos, independente do mundo. Este é o modelo comum que nós conhecemos, que é o modelo de todos - o modelo da existência de uma identidade separada. O problema que você enfrenta enquanto este modelo permanece, persiste, é que, por se imaginar assim, você tenta encaixar essa imaginação à vida, e ela não se encaixa. Você presume que, entre as coisas separadas de si, você é uma delas, sendo especial, sendo uma pessoa. A palavra “coisa” dirigida à pessoa soa muito ofensiva. 

Assim, estes encontros são belas oportunidades para investigarmos a ilusão desse modelo que jamais se encaixa à vida. A vida é não dual. Ela é dual na expressão, mas é não dual na essência. Quando digo que na expressão ela é dual, é porque nela você encontra a vida e a morte, o positivo e o negativo, a saúde e a doença... E tudo aquilo que parece antagônico, na verdade, só parece, mas, em essência, estamos falando da mesma Realidade, da mesma Presença, que se expressa nesse ou naquele organismo. Aqui, você está saindo desse modelo, dessa existência independente, separada, dessa ilusão, para uma compressão real, não separatista, não dual. 

Você imagina coisas, pessoas, objetos e o mundo separados. Então, você vive em uma multiplicidade de coisas. Você é uma parte de toda essa engrenagem, uma peça dessa grande máquina. Para você, o universo é uma máquina muito complexa, e ele se constituiu, no seu todo, em diversas partes, que se unem, se encaixam, através da criação de um Deus também separado. Um Deus separado criando peças separadas de um universo separado de si mesmo, e, naturalmente, com um observador também separado, nessa observação: você. Alguém que, por sinal, é muito especial, muito importante. Aqui está a ilusão! Aqui está o modelo que pressupõe a existência separada de objetos, coisas, pessoas, universo, Deus e um experimentador que pode experimentar tudo isso. Então, você presume que as rochas, plantas, mares, rios, animais, insetos e pessoas são todas existências separadas, e estou dizendo, em Satsang, que você está apenas diante de um filme, de um todo que carrega uma única Presença, e que não há objetos, nem pessoas, nem coisas, nem mundo, nem Deus, nem observador e nem coisa observada, porque nada disso é real, isso é só um modo de conceituar uma única aparição. Eu sei que soa estranho isso, mas é assim. 

Essa única aparição é possível nessa única Consciência, nessa única Presença, e Você, como Consciência, Presença, Ser, é onde tudo isso aparece. Como Consciência, é em Você que o universo está aparecendo, ou esta aparente multiplicidade de coisas, pessoas, lugares, mundo, observador, coisa observada, e assim por diante... Você é a essência de toda essa manifestação existencial! 

Nós separamos também a essência de uma existência, mas isso é só uma forma de falar, de colocar, pois isso também não é real. A essência é a existência, a existência é a essência, não há nenhuma separação. Isso está além da mente. 

O ponto é que, aqui, isso não é algo teórico, conceitual, verbal, é algo essencialmente vivencial. Vivenciar isso é estar nesse "experimentar", livre do sentido de dualismo. Essa tem sido a experiência única de todos os sábios, de todos os tempos, de toda a história humana. Isso significa ver o universo por dentro, significa estar no coração do universo; e universo, aqui, é só uma palavra para essa aparente multiplicidade que se manifesta aos sentidos, como diversas e diferentes expressões de uma única realidade. O que se escuta parece ser muitos sons diferentes; o que se vê parece ser muitas cores diferentes; os objetos parecem que têm formas, texturas e densidades diferentes; mas isso parece assim a esses sentidos físicos, que também não estão separados, só parece que cada um funciona de certa forma. 

Nós estamos convidando você, em Satsang, para ir além desse sentido de dualidade, para ir além desse modelo, como coloquei agora há pouco, que pressupõe uma entidade presente experimentando tudo isso como um experimentador. 

Estamos falando dessa única Consciência, Presença, Ser, que é Você em sua Real Natureza, que não se relaciona com nada disso. A experiência de se relacionar com isso é baseada numa crença: a crença de que você é alguém dentro do corpo e o corpo é algo separado do que Você é. Eu estou dizendo que a Consciência não se relaciona com o mundo, com o corpo e com a vida. A Consciência é o corpo, é o mundo, é Deus, é tudo e não é nada. É possível constatar isso abandonando esse modelo de ser alguém, de estar ocupado consigo mesmo, numa relação completamente ilusória com um mundo externo, com uma vida externa, com uma existência separada. 

Eu estou dizendo que a Consciência não conhece nenhum objeto. A mente é separatista, a mente de um "eu", dessa pessoa aí, com um nome, uma forma, com certo número de anos, com um corpo específico de 1,80m ou 2,00m, que pesa 130kg ou 84kg, mas isso não é real, é só uma aparição. 

A ilusão que nós temos é de que o cérebro é importante para mantermos a Consciência, mas este cérebro é só uma aparição, também, nessa Consciência. A Consciência não tem relação com o corpo, mas o corpo e o cérebro aparecem nessa Consciência. Você não é o corpo, e está além do cérebro. Você é essa Consciência que está além do próprio mundo. Essa é a sua Natureza Real! Você é Consciência! Você é Deus! 

O que é Real? 

Você falou da sua avó... Você acredita que a sua avó foi real e que ela chegou antes de você, e eu estou lhe dizendo que a sua avó aparece em Você, seu bisavô também, sua tataravó também... 

O corpo que você teme perder é algo tão real como aquele corpo que você teve no sonho de ontem à noite. Aquele corpo que você teve no sonho de ontem à noite desapareceu, e isso não o afetou em nada. Assim é a sua avó, o seu bisavô, nessa ideia de que eles chegaram antes de você. 

A única realidade é essa que está presente nesse instante como sua Natureza Real. 

Alguma pergunta? Bem, de qualquer forma, chegamos ao final do encontro de hoje. Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala de um encontro online ocorrido em 30 de Novembro de 2011 - Encontros as segundas, quartas e sextas às 22h - via Paltalk

 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Além dos círculos do passado e futuro



O que vocês esperam para amanhã? Um novo casamento? Mais filhos? Uma nova casa? O que vocês esperam para amanhã? Ficar ricos, famosos? Ver o neto crescer? O que você aguarda? O que você espera? O que você anseia? O que você deseja? O que você sonha?

Aqui está a estrutura do "eu": um novo relacionamento, alguém que possa fazer você feliz. Você já teve quatro casamentos, e está indo para o quinto: “esse vai dar certo!"

Você não foi amado no passado: é o primeiro círculo. Será amado no futuro: é o segundo círculo. Não deu certo ontem: primeiro círculo. Vai dar certo amanhã: é o segundo círculo.

Falar isso para vocês é o que? É chover no molhado? Ou isso ainda soa muito novo para vocês?

As coisas não foram boas ontem, mas serão boas amanhã! Não foram boas ontem: primeiro círculo. Elas serão boas amanhã: segundo círculo. A sua vida está dentro disso: passado e futuro. É uma vida atada, presa, prisioneira do tempo - um tempo que o pensamento, a imaginação, produz. Entretanto, você nunca cansa, porque a mente é incansável.

“Não fui feliz ontem porque fiz tudo errado. Serei feliz amanhã porque adquiri experiências de como não errar” - essa é a sabedoria dos mais velhos. Isso funciona? É assim mesmo? Olhe para os mais velhos! Os mais velhos esperam aprender mais, e os mais novos esperam se tornar como os mais velhos. O fato é que a mente é incansável.

O seu real aprender está fora do tempo, está fora da experiência desse alguém que está vivendo dentro desse círculo: o círculo do tempo - o imaginário círculo do tempo, que é pensamento.

Eu quero convidar você para fora do tempo, fora do círculo. Dois em um: passado e futuro; pensamento e imaginação. Desesperança: passado. Esperança: futuro. Frustração: passado. Sucesso: futuro.

Eu quero convidar você para a apreciação deste instante! Deste único e insubstituível momento presente, onde a Vida inteira está acontecendo. Não é a "vida de alguém". É a Vida! É não estar preso a, absolutamente, nada! Nada que represente o seu passado, o seu futuro... Nada que represente "você" nesse círculo.

Quando vê uma nuvem no céu, você não sabe se ela está no passado ou no futuro. Uma nuvem solta no céu: ela está no passado ou está no futuro? Ela está presa, com cordas, ao passado ou ao futuro? Sua viagem é no tempo ou fora do tempo? Ou só parece ser uma viagem e, de fato, ela não está indo para lugar algum?

E você? Para onde você está indo?


*Trecho de um Satsang gravado e transcrito, ocorrido em outubro de 2015 na cidade de Campos do Jordão no Ramanashram Gualberto

 

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