domingo, 30 de novembro de 2014

Paltalk Satsang: Tudo isso já está debaixo do seu nariz





Você está infeliz, deprimido, ansioso, confuso, etc... Porque está perdido na mente, nesta ilusória identidade que você acredita ser você. Deixa eu simplificar isso pra você. Todo o pensamento que acontece aí dentro de sua cabeça, você salta sobre ele, se agarra a ele. Acreditando que são seus, acredita neles. Assim, acredita ser você que está pensando isso. É o que chamo de identificação com o pensamento, não salte sobre nenhum deles, sejam eles “positivos” ou “negativos” isto é um simples exercício, seja uma testemunha deles, experimente isso e observe o que acontece.

Você não será feliz, isso não é possível. Você já é felicidade, é impossível mudar isso. Toda sua dificuldade é que você não sabe quem é você. Realização é a constatação inequívoca de que você é suprema felicidade. Realização é a constatação inquestionável de que tudo já está em seu próprio lugar. Realização é a constatação inconfundível de que tudo é o que é. Isso é Deus. Qualquer outra coisa que vemos além disso são imagens mentais, ilusões do pensamento.

Estou sempre dizendo aqueles que vem aqui, sinta o que está aqui. Não se importe com as minhas palavras. Quando você está presente neste momento você já tem a coisa toda aqui. A coisa toda está agora neste presente momento. 
 
Chega um momento em que nada mais faz qualquer sentido, nada mais consegue abafar a dor, servir de meio de escape para esse sofrimento. Algo parece estar fora do lugar. É quando o coração clama por algo fora de toda essa loucura, e assim somos atraídos a esta Presença que nos fala ao coração, ela tem algo em sua voz. Tem algo em seu silêncio. É a resposta. É a resposta. É o fim da ilusão. É o coração do Amado.

Portanto, tudo o que estamos fazendo nesses encontros é lhe dar indicações óbvias. Tudo isso já esta debaixo do seu nariz, sempre esteve, porém a mente não lhe permitiu ver isso até agora. A primeira coisa que você constata é que essa mente não é sua, nada que passa aí dentro de sua cabeça é você, ou o que acontece a esse corpo não está acontecendo a você. O que você tem sobre si próprio são crenças, e se todas elas terminam você está diante da Suprema, Direta e Simples Felicidade de sua Real Natureza.

Qualquer pensamento aí é um acontecimento sem a sua escolha, qualquer sentimento aí é um sentimento sem a sua escolha ou qualquer sensação está acontecendo sem a sua escolha. Apesar de acreditar que está no controle, você não está no controle de nada, portanto, não se importe com nada disso, não se importe com eles que aparecem, e logo vão embora.

A pergunta que lhe faço é a seguinte: você pode permanecer neste espaço onde eles surgem? Você não está separado disso, sabendo ser esse espaço você pode acolher tudo neste amoroso abraço? Não percebe o que estou dizendo? Você não pode deixar de ser o que é porque um pensamento, sentimento ou sensação está aí agora neste instante, isso não muda o que você é, seu estado natural de ser, que é esse espaço onde tudo isso acontece.

O estado que não é um estado, o estado livre de todos os estados, ou a única experiência livre de todas as experiências, podemos chamar isso do que quisermos, como liberdade, beatitude, paz, amor, felicidade, etc.

Esse estado no qual os estados acontecem e as experiências aparecem para depois desaparecerem, tudo isso é você em sua verdadeira natureza, e esta é a Única e Ilimitada Presença se desdobrando neste presente momento.


Você vê a vida assim, quando na verdade, tudo o que você tem são crenças, opiniões e conclusões sobre tudo o que você vê a sua volta. Sua visão está colorida. Não me importo se você me diz coisas que nascem dessas ideias e, assim, sente isso. 
 
Examine isso, olhe o que você diz, o que você sente. Olhe os pensamentos aparecendo aí. Dê atenção a esse olhar, constate o quanto isso é simples de ser visto sem qualquer identificação, como uma testemunha que testemunha essas ideias e crenças. E assim você está livre. Repare que não há nenhuma coisa especial nisso. É um trabalho simples, que não requer nenhuma disciplina, esforço, ou prática dessas assim conhecidas práticas espirituais.

Olhe. Apenas olhe, ouça, sinta a temperatura do ambiente onde você está. Você está presente neste momento. As cores e formatos de tudo, das “coisas”, dos sons, dos pensamentos, e assim por diante, o que acontece neste instante, simplesmente observe isso. Assim, vemos que se manifesta este profundo Silêncio que tudo contém, no qual tudo aparece, na “experiência”. Mas não há ninguém nela. Chamo isso de Única Experiência ou posso chamar isso de nenhuma experiência, é apenas Você em sua Real Natureza. É beleza, que é silêncio, que é paz, que é amor, que é liberdade, que é felicidade.

Você pediu pra falar sobre o perdão. Perdão. Falar sobre perdão é como falar sobre o sol frio. É impossível falar sobre o perdão. O que é o perdão? O que é exatamente o perdão? Como é possível uma ofensa ser perdoada? Qual o sinônimo da palavra perdão? É esquecer. Qual é o outro sinônimo para essa palavra? Relevar. Qual o outro sinônimo? Renovação. Não guardar mágoas. Qualquer um desses significados, isso é possível? Espere. "Estou ofendido. Estou ofendido." Trinta minutos depois, posso esquecer isso? Posso olhar para isso de uma forma “ignorando”, “vendo a irrelevância disso”, “não dando valor a isso” ou não ficando magoado. Isso é possível? 
 
Eu digo: não é possível. Você não muda o que é. Você está diante da ofensa. Você vive a ofensa. Meia hora depois, você não tem mais a ofensa, tudo que você tem é a lembrança disso. Aí você pode usar qualquer uma dessas expressões que acabamos de colocar, mas isso não é real. Ou seja: É possível estarmos livres da ofensa quando acontece o momento da ofensa? Isso seria real. Dez minutos depois, meia hora depois, um dia depois. Esquecer isso, tentar uma renovação ou ver a irrelevância disso, ou não ficar magoado com isso é simplesmente impossível. 
 
O que você tem é uma memória. Então, está dando para acompanhar o que estou dizendo? O que você tem agora, depois de dez minutos, trinta minutos, é só uma memória. 
 
Então repare o que estou dizendo: estou perguntando a você se é possível, no momento em que ocorre o desafio da ofensa, não acontecer a ofensa. Porque não há ofendido. Se não há ofendido, não há ofensor. Então, não há necessidade dessa coisa chamada “perdão”. E aquilo que nós chamamos de perdão, dez minutos, ou 30 minutos, ou alguns dias depois, ou anos depois. Isso não acontece. Porque isso não pode ser simplesmente esquecido, ou não ficar magoado, ou relevar ou não ficar, ou buscar uma renovação, porque isso já aconteceu, isso não pode ser mudado. 
 
Então, não há perdão. Perdão não existe. O real é não haver o sentido de "ofendibilidade", nessa ausência de um ofensor e de um ofendido. Você pode chamar isso de perdão, pode chamar de renovação, pode chamar de não ficar magoado, pode chamar de relevar. Agora sim, o perdão existe. Então, isso é o real perdão: estar no momento presente livre do sentido de ser alguém. Porque se não há alguém, não há ofendido e não há ofensor, não existe nenhum sentido de ofensa porque não há separação.

Reparem o que estou dizendo pra vocês. Estamos colocando aqui: toda situação, nesse instante, nesse momento presente, é possível sem o sentido do “mim”, do “eu” “da pessoa”. Toda situação, seja ela agradável ou desagradável. Isso não deixa cicatriz, porque não acontece feridas. É simples. Então, use a expressão “perdão” apenas nesse sentido. Qualquer outro sentido é falso. A mente não pode dar perdão. É da natureza da mente se manter como uma entidade separada, como alguém que tenta esquecer, que tenta depois se libertar da mágoa, que tenta depois encontrar essa renovação, que tenta depois ver isso tudo como algo irrelevante. Mas isso é uma ilusão. Enquanto houver um “eu”, enquanto houver um sentido de vulnerabilidade a ofensa, que é a existência da mente, sua autodefesa, que tenta se proteger, que algumas vezes ataca, por medo, sempre vai acontecer a mesma coisa. Tudo vai se manter da mesma forma.

Seu desafio é não existir. Então, jamais haverá alguém aí ofendido. Jamais haverá necessidade de esquecer, ou de não ficar magoado, ou de ver a irrelevância ou de haver uma renovação. Seu desafio é desistir dessa confiança de ser alguém, quando acontece esse momento, que se aproxima acusando, difamando, ferindo, magoando. "Magoando", "ferindo", "difamando" quem?  É isso. O perdão é não existir para perdoar. Isso é o real perdão. 
 
Não há alguém. Você não pode ser ofendido por si mesmo. Se tudo que você vê é essa mesma Presença em toda parte, você não existe como “alguém” para ficar ofendido e para ofender a si próprio. Qualquer opinião, ideia, conceito, julgamento, qualquer coisa relativa a alguém presente aqui, nesse organismo, nesse organismo aí, se esse sentido do “mim” não está presente, o real perdão está presente. Porque a ofensa jamais acontece.
 
Então, não se fala de perdoar, nem se fala mais de perdão. Nem se fala mais de ofendido, nem de ofensor. Você não precisa “não ficar magoado”, você não precisa “procurar renovação”, você não precisa “ver a irrelevância disso”, você não precisa “esquecer isso”, porque isso nunca existiu. Porque você não existe. Isso não existe. É simples assim. Não há perdão. Repito: Não há perdão. É isso.


Fala transcrita e revisada a partir de um encontro via paltalk em novembro de 2014
Encontros segundas, quartas e sextas as 22h - Participem!

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