quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Paltalk Satsang: Essa é a Natureza de Deus!



Sejam todos bem vindos a mais um Satsang.

Nós estamos vendo a vida através de algumas fendas estreitas de uma caverna. Esta tem sido a nossa experiência ligada a um centro ilusório: a visão da vida de dentro de uma caverna.  Assim é a experiência que temos da vida. É algo imaginado. Nós estamos vivendo uma vida imaginária. O ser dividido nestes dois ingredientes: sujeito e objeto. O sujeito chamado "eu", no interior do corpo e da mente, e, do lado de fora, o objeto, o mundo. Esta distância imaginária nós chamamos de "sentido de separação".

Em Satsang, estamos trabalhando o fim desta distância. Estamos trabalhando um constatar direto da Natureza Real; o fim desta ilusão de um alguém que tem o conhecimento e de algo sendo conhecido. Estamos trabalhando o fim deste tempo, neste espaço imaginário. É o fim desta separação entre eu e o mundo: eu dentro e o mundo fora.

Não há alguém nessa percepção. Colocando de uma forma bem objetiva, eu diria que só há o ver, ouvir, tocar e pensar, sem a ideia de separação de duas coisas: uma parte que sabe e outra que a mente cria. Entretanto, essa é a visão que estamos tendo, baseada na imaginação:  de algo criado pelo pensamento, a ideia de alguém pensando, concluindo, sabendo, conhecendo, sentindo; de alguém presente nesta emoção, nesta sensação. Tudo o que temos é só o que acontece neste presente momento, sem ninguém para julgar, para conhecer, para entender ou para tirar conclusões. Não tem ninguém falando ou ouvindo. Você é esse conhecer, é essa percepção. Estamos falando desta única consciência, sem alguém dentro dela.

Assim sendo, a crença de que "você está aí" é uma ilusão. Tudo o que temos aí é esta percepção, é esta consciência presente, agora, neste instante. Essa percepção é feita de Puro Ser, de Pura Consciência. Esse conhecer, este Ser, este saber não está contaminado com nenhuma subjetividade ou objetividade. É a ausência de um sujeito e um objeto. Estar aí é meditação. Não há conflito, porque não há separação.

Repare que o sentido da pessoa não está presente nesta percepção direta. São irrelevantes suas crenças e opiniões. Tudo o que você pode aprender não é a verdade. A Verdade é aquilo onde isto está aparecendo, onde toda a experiência está aparecendo. Essa experiência não é particular. Esse é um chamado ao Silêncio, ao reconhecimento da natureza do Ser. Então, você se depara com a única realidade divina: a realidade da Consciência. Nesta realidade Divina, que é a Consciência, tudo está presente.  É o fim do sentido egóico. Essa natureza da experiência, livre desta dualidade, deste sentido de separação, é paz, amor, verdade e liberdade. Assim, como nós entramos fundo em nós mesmos, todo o sentido de dualidade desaparece. Então, sua natureza verdadeira se revela como esta Presença que comporta todas as aparições.

Isto é Silêncio, Liberdade, Verdade, Amor e Deus. Isto significa ver a vida como ela é, não mais através destas fendas estreitas de sua caverna. A mente é essa caverna com fendas estreitas, que são as avaliações, os julgamentos, as crenças e ideias. Na Consciência, tudo brilha nesta mesma luz de puro ser, puro saber. Alguém chamaria isto de "ver Deus em toda parte". Eu diria: Deus se vendo em toda parte, sem se separar, sem ser um observador separado daquilo que observa.

Assim fica esta visão não dual, não separatista. Nela não há aquele que vê e aquilo que é visto. Há somente esta Visão, como somente este saber, este conhecer, esta consciência. Não é alguém nisso. É o fim dessa ilusão de alguém nisso. Estamos apontando para algo além da mente, além do conhecido, além do limite entre pensador e pensamento: apenas o olhar, o ouvir, o sentir. Permaneça aí, neste espaço sem limitações, e, então, não haverá nenhuma caverna ou mente, nenhuma visão através de fendas estreitas, porque não há nenhuma crença ou prisão.  É assim que tem acontecido ao homem: ele está fechado, preso em sua própria caverna, olhando, através de suas fendas estreitas, um mundo imaginário criado por essa ilusão. Tudo isso é algo imaginado pelo pensamento.

Tudo o que nos separa é a ilusão criada pela mente: a mente que nos dá um nome, uma forma e uma história; a mente que nos limita como uma entidade separada, com um nome e experiências particulares. É natural que isto soe muito estranho. Isto porque não estamos falando daquilo que a mente tanto aprecia, não estamos aqui valorizando as experiências dela, suas crenças, opiniões, conclusões e conceitos. Estamos apontando para esta Consciência, para esta realidade fora da mente, na qual a mente aparece e desaparece, sem qualquer importância, apenas como um fenômeno qualquer.  O condicionamento está identificado com a mente nesta história: a história de ser alguém, preso à ideia de que “Eu sou o corpo, eu sou a mente, eu sou aquilo que acontece no corpo, eu sou aquilo que acontece na mente”. Aí está a separação e o sentido de ser alguém. Esse alguém é sempre a ilusão da mente se defendendo. Esse é o movimento do condicionamento. Esse é o movimento do sentido pessoal ilusório desse Mim, desse Eu, desse Ego, dessa Pessoa.

Esse é o momento de constatação deste Silêncio sem separação: só o saber, sem algo para se saber; só o conhecer, sem algo para se conhecer; só a experiência nesse experimentar, sem alguém experimentando. Esse instante, esse momento, o que quer que ele apresente, o que quer que se apresente, está dentro deste espaço. Isto é Meditação. Então, você não coloca nada, não acrescenta nada ao que É, e permanece como este ilimitado espaço de Consciência. Esta é a única Verdade. Essa é a Natureza de Deus. Na Índia eles chamam de Sat-Chit-Ananda: Ser, Consciência e Felicidade.

 Namastê!

Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 29 de Outubro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h. Participem!

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