quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Paltalk Satsang: É necessária uma profunda confiança no desconhecido





Olá pessoal. Boa noite a todos.  Sejam bem vindos.

Discípulo: Mestre, poderia falar um pouco sobre fé.

Mestre: Essa palavra está muito carregada com religião. Não uso muito esta palavra e nem me lembro muito de tê-la usado. Não sei bem o significado desta palavra neste trabalho. O que seria? Confiança? Esperar um milagre? Como você poderia formular melhor esta pergunta?

Discípulo: Acreditar em algo que não compreendemos

Mestre: Que necessidade nós temos de acreditar em algo ou de compreender alguma coisa? Assim, que necessidade nós temos dessa, assim chamada, fé. A Verdade é tão direta e tão inexplicável que ela não pode ser compreendida, muito menos acreditada. Ela é algo presente. A necessidade de acreditar ainda é uma necessidade mental. A necessidade de esperar ainda é uma necessidade mental. Nós precisamos de confiança. É necessária uma profunda confiança no desconhecido. Isto dispensa compreensão. Isto, de fato, dispensa a necessidade de compreendermos alguma coisa.

Nesse trabalho a confiança é possível nessa entrega e essa entrega só é possível nessa confiança. Se você quer chamar isto de fé, ok. Eu prefiro chamar de Confiança. Você não precisa compreender nada daquilo que escuta em Satsang, para que a Verdade disso que está sendo mostrado, apresentado, seja constatado por você. Isto porque nós tratamos daquilo que está aí, presente, daquilo que já é, embora a mente não possa aprender o significado disso. Isto não está dentro daquilo que a mente conhece. Essa confiança no desconhecido, essa entrega, é a verdadeira fé. Fé nesta Graça, Fé nesta Presença, Fé naquilo que a Verdade está apresentando.

Reparem que constantemente há uma luta dentro de vocês. As coisas que vocês escutam em Satsang nascem deste lugar, deste desconhecido. Dentro de vocês, esta luta é tentar tornar isto confortável, compreensível, inteligível para a mente e isto não e possível. Quando tenta isto, você perde esta confiança; há uma barreira e você trava. Então, não há mais fé, o que eu, ainda, prefiro chamar de confiança; não há mais essa entrega.

Discípulo: Mestre, como alcançar a Presença?

Mestre: Você não pode alcançar a Presença, mas pode parar de resistir, de lutar; pode abandonar sua autossuficiência, sua arrogância, sua presunção. Você não alcança a Presença. Ela já está presente, quando tudo isso aí já não está.

Vocês têm a noção de Graça ou Presença ou Deus, como algo a ser alcançado. Mas esta é uma noção da imaginação da mente. A Graça, a Presença, Deus, não pode ser alcançada. Ela nunca foi perdida, entretanto, há apenas esta sobreposição, essa cortina, esse véu da mente, esta ilusão, encobrindo a realidade da Graça, de Deus, da Presença.

Você jamais deixará de ser o que você É. No entanto, na mente, você jamais perceberá isso. É preciso uma disposição de confiança, de entrega. É preciso ficar quieto, permitir-se isto.
O Amor não é algo que você alcança. O amor é algo que alcança você; você não o escolhe, ele escolhe você. Você não vai até Deus. Deus vem até você.

Eu "ensino" você a desaprender, pois somente assim pode ser literalmente atropelado, esmagado... Esse Amor é aquilo que esmaga a arrogância, o medo, a ilusão. Você está diante desta voz do Amor, da Presença, da Graça, de Deus. Você está diante deste Silêncio, da Graça, de Deus... Esta voz e este Silêncio nunca estão ausentes.

Você não pode emudecer diante deste Silêncio, estando no ego, na arrogância, na presunção,  mantendo-se como "alguém". Também, você não pode ouvir esta voz, estando no ego, na presunção, na arrogância, nesta ilusão de ser "alguém". É necessário e fundamental abandonar-se nisto. É necessário abandonar-se neste desconhecido, no final de suas certezas, desse sentido de ser alguém, na zero experiência, no total completo e absoluto vazio - o Silêncio total. O Silêncio, aqui, não é estar surdo, é, sim, estar mudo; somente assim você pode ouvir esta voz, a voz da Verdade, a voz da Liberdade, a voz da Graça.

Na mente, você tem crenças. No coração, você tem confiança. Na cabeça, você quer entender, procura entender e acredita nisso. No coração, você se abandona nessa mudez e nesse ouvir. O sábio é resultado de um coração real e zero de cabeça. Todo o movimento na cultura em que fomos educados, neste padrão de condicionamento em que fomos ensinados a viver, há uma grande valorização da cabeça, uma grande necessidade egóica de tudo explicado, de um perfeito entendimento. O resultado disto é esse medo em que todos nós vivemos, porque não há confiança, não há coração, e, consequentemente, a entrega se torna impossível; é quando o ego prevalece... e você é tão miserável no ego, tão pesado. Você vive lutando para suportar a si mesmo e é isso que termina por levar a estados de grande peso, como: ansiedade, depressão, solidão.

Então, está aí. Estamos colocando isto para você.

Ok, pessoal. Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê.

Fala transcrita e revisada a partir de um encontro via Paltalk Senses do dia 05 de Novembro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - horário de Brasília - Participem!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações