domingo, 16 de novembro de 2014

Paltalk Sangha: A Luz da Presença, A Luz da Consciência À Luz do Guru



Há uma limitação com relação a palavras e o intelecto é muito raso para poder nos permitir o mergulho real, intenso e verdadeiro nisso, nesta realidade do Ser, nisto que somos. Para isto Satsang é a proposta de um trabalho de auto investigação, meditação e entrega que acontece diante da Presença.
 
Quando falamos de Presença, estamos falando de Consciência, daquele que desperto para a sua real natureza não se confunde mais com estados mentais, e consciente desta Presença se mostra como uma chama que nos permite olhar para isto. A auto investigação acontece na presença do Mestre. A autoinvestigação não é uma ação intelectual, não é um método de ensino, uma técnica ou conjunto de princípios, e tampouco um abc espiritual onde você seguirá passo a passo até chegar a um objetivo, isto não é autoinvestigação. Para descobrir o que é auto investigação, é necessário sem dúvida alguma, se dar a oportunidade de estar na Presença daquele que se encontra fora de padrões mentais, fora desses condicionamentos, dessa vida mecânica, robótica e inconsciente, fora dessa Matrix, dessa matriz do pensamento, do intelecto, das limitações dos sentidos.

No Paltalk temos uma oportunidade de nos mantermos focados nesse trabalho, foco aqui é fundamental; reunimo-nos nesta plataforma para que possamos estar com os corações abertos, disponíveis, para que esta Presença, esta Graça, esta Consciência possa trabalhar em nós, em cada um dos mecanismos presentes nesses encontros.

A primeira vista ouvir isto parece muito estranho, soa como se fosse algo místico ou esotérico (risos). Como assim algo trabalhar sobre nós? Algo que chamamos de Consciência, de Presença ou de Deus. O que isso diferencia da religião?

Então a princípio isso parece um pouco esotérico, místico, para alguns até um pouco filosófico, porque ao ouvir o Mestre, aquele que se encontra em seu Estado Natural, percebe-se um perfume de sabedoria que exala de sua Presença, nas suas palavras. E a mente busca construir por meios de suas interpretações, buscando extrair um conhecimento, ou seja, presente em Satsang ouvindo a voz do Silêncio articular palavras que apontam para Isto, aquele que se encontra no equívoco de tentar interpretar o desconhecido, denomina isto de esotérico, místico ou filosófico. Mas estamos diante de palavras que apenas apontam, tal como uma placa que lhe indica virar à direita ou dobrar à esquerda, esta é a simplicidade deste apontar.

Se você pergunta a um transeunte onde fica os Correios, e ele de repente lhe aponta de certa distância e mostra uma certa referência: está vendo aquela loja na frente com a faixada pintada de vermelho?  Então, não dá para ver deste lado da calçada, mas os Correios ficam em frente.  Aí você olha e diz assim: Aaah !!! Aquela loja ali ao lado daquele Fusca rosa? (Risos) O transeunte lhe diz: sim, é esta mesmo,  e você completa: beleza, estou vendo. Aí você vai caminhar em direção ao Fusca cor de rosa para tentar se libertar do elefante branco (risos), mas aí é uma questão de dizer “você viu, está visto isto?”.

Não é um apontar simples em que você recebe a informação, veja só, a proposta aqui não é acumular informações, aquela informação servirá apenas para aquele instante. Toda e qualquer conclusão que você chegar aqui neste espaço, não servirá para levá-lo adiante, em pouquíssimo tempo se transformará em conhecimento, que apenas é rigidez.

Com base em conhecimento, em crenças e conclusões, nós criamos uma ideia de mundo e esperamos que o mundo se adapte a tais ideias, crendo que tudo sairá conforme nossa capacidade de interpretar a partir do conhecido, e isto é limitação, é medo.

 A proposta de Satsang é abrir mão disso, é descobrir quem é Você, não há nada nem ninguém que possa lhe dizer quem é Você, não há ninguém, não há um livro que possa lhe ensinar, a você, ser quem é Você em seu Estado Natural, seu estado real, em sua Real Natureza.

Porque todo o aprendizado leva a imitação, você aprende um ofício, um exemplo: você vai fazer um curso e vai se formar nesse curso em um mecânico de automóveis. O professor lhe mostrará diversas situações de avaria do veículo e outras tantas que levam ao mau funcionamento do motor do veículo. Você irá procurar prestar o máximo de atenção no que aquele professor está lhe ensinando, para que você possa reproduzir, ou seja, para que você possa repetir aquelas soluções apresentadas pelo professor, para cada problema específico. Então você cria sua habilidade em cima da sua capacidade de imitar.

Satsang não é isto, não é possível imitar o Mestre (risos), não é possível começar a ouvir aquilo que o Mestre diz e então repetir como um papagaio, não é isso, isto não seria autêntico, verdadeiro, não seria real. É real quando nós estamos falando neste nível da técnica, do aprendizado, da mecânica, da engenharia, mas isso não é real quando estamos falando deste “voltar-se para si mesmo”, da resposta para a questão “Quem é você?”, isso não seria real se você estivesse aqui ou eu estivesse aqui, repetindo aquelas palavras que ouvimos do nosso amado Mestre. Caso eu estivesse aqui repetindo tais palavras, simplesmente estaria transformando isto num padrão, este de acreditar que você possa aprender com o outro a seu respeito (risos), que possa aprender com o outro aquilo que é Você. Isto não é possível, o trabalho em Satsang é apontar pra você os padrões aos quais foram aprendidos, e os quais nós reproduzimos por estarmos completamente inconsciente de nossa real natureza. Inconsciência esta que nos torna apenas robôs, máquinas muito sofisticadas, que no entanto, como diria nosso Mestre Marcos Gualberto “é uma máquina quebrada” (risos), por que diferente de um computador que funciona com um sistema operacional, ao qual foi instalado, nós somos uma máquina que recebemos diversas programações, todas conflitantes, aplicativos que não funcionam na presença de outros aplicativos e que, no entanto, estão sempre tentando rodar aí nesta máquina, gerando muitos conflitos.

Você tem uma dúvida com relação a um determinado problema, problema este que é só imaginação, só existe na sua cabeça. Nós estamos programados a identificar problemas, identificar erros, nós acreditamos no nosso julgamento, na nossa habilidade, na nossa capacidade de julgar a realidade a nossa volta, e aí você diz: “isto é um problema, preciso resolver isto, preciso solucionar isto”, aí lhe surgem não menos de vinte meios ou formas de resolver este problema, com isso aparece um diálogo interno na sua cabeça e dentro deste diálogo começa a dizer “bem, este problema está me incomodando muito, preciso me livrar dele. Mas como faço para me livrar dele se...?”.

A partir daí começa toda uma estória, começa você dentro de um problema, de um desafio da vida, você acredita que a vida está lhe desafiando e que você agora precisa supera-lo, para que você possa crescer, amadurecer (risos)... Aí surgem várias vozes, uma voz diz que você precisa fazer isso, outra voz diz que você precisa fazer aquilo, outra voz diz que a solução é aquela, outra lhe diz que você sabe como resolver isso, mas você não quer resolver isto de fato, porque se você resolver isto, você irá perder aquilo. E aí tem início a este conflito continuo decorrente dessas muitas programações, vozes, crenças, dessa inconsciência, dessa loucura presente aí neste organismo, dentro deste corpo, acreditando ser alguém capaz de fazer escolhas, tomar decisões, resolver problemas, de determinar a realidade, e nisso nós entramos neste jogo, neste labirinto sem saída.

Satsang lhe ajuda, o Mestre, a Presença do Mestre, a Presença desta Graça irá lhe apontar como esta atenção foi aprisionada dentro deste jogo, de que maneira esta atenção está sendo aprisionada dentro desta ilusão, dentro deste parecer ser isto ou aquilo. Cada um presente em Satsang está de alguma forma, de algum nível ou em algum ponto em conflito, e não há dúvidas quanto a isso, porque quando você está diante daquilo que é, você resiste. Se não houvesse conflito aí, você simplesmente fluiria com a vida sendo paz, liberdade e felicidade.

Mas não, parece que todos estão em busca de alguma coisa que está além de si mesmo, todos estão em busca de acrescentar algo a si, todos sentem que há um desconforto ou que lhes faltam alguma coisa, estão todos em busca disso, da felicidade, desta plenitude, e quanto mais intensa for esta busca por felicidade, por completude, quanto mais energia você coloca nesta busca, proporcional será o tamanho da sua frustração. Quanto maior é a sua tentativa em dominar, em controlar a vida, maior é a energia desprendida e o sentimento de fracasso, sentimento de estresse, maior é o peso diante dessa tentativa de controle. Quanto mais você busca conhecimento, por exemplo, mais ignorante você fica, de fato menos você sabe, quanto mais informações você tem, menos você sabe (risos).

Tudo lhe conduzindo a um caminho inverso daquele a qual sua busca tem como princípio, e é isto que vai sendo lhe apresentado em Satsang, é isto que vai sendo colocado. Tudo isso que eu coloco aqui, é apenas uma fala, um falar. Se eu sei, de fato, o que é tudo isto? Estaria mentindo se eu soubesse, eu não sei (risos), é tudo muito incrível e tudo muito louco, só sobram risadas diante de tudo disso, só sobra rir.

Depois de um tempo em Satsang, o que resta a você é ser um bobo alegre (risos), um bobo alegre não está preocupado mais em saber, não está preocupado mais em atingir um estado diferente deste estado, que é uma ausência de estados, que aqui se encontra. O bobo alegre não está mais preocupado se pessoas, podem passar ele para trás, por que ele não enxerga mais pessoas.

O bobo alegre não vê a "situação caótica do mundo", que só a mente pode enxergar e ele olha para isso e não vê mais nenhuma tragédia acontecendo, ele está feliz, não mais sofrendo com esses estados de ansiedade, de desejo, inquietude, alegria, euforia, depressão, estados que ficam oscilando em graus de intensidade, e cada um que sente tudo isso dá uma grande importância a cada um desses fenômenos que estão acontecendo “comigo”. Você chega diante de um amigo e diz assim: “nossa, você não acredita o que aconteceu comigo”, o bobo alegre não diz isso, ele não vai dizer isso, porque ele não acredita que alguma coisa possa acontecer pra ele, tudo só acontece.

Não é porque o bobo alegre saiu de casa em um dia que parecia ser bonito e que começa a chover, estragando a chapinha que ele fez no cabelo (risos), que ele vai dizer assim: “a vida está contra mim” -  porque esta pretensão não está mais presente, não está mais ali, não há mais esta ideia de que a vida acontece "para mim". A vida simplesmente acontece e não há quem explique  porque que ela acontece, como ela acontece. Eu disse um monte de coisas aqui e não disse nada, olha que coisa engraçada, é só uma fala acontecendo, não há nada importante nessa fala acontecendo, não há nada (risos).

Aquilo que é importante não precisa ser declarado, aquilo que é importante simplesmente “É”, e aquilo que é, é o que importa. Diante daquilo que é, não há alguém, não há ninguém para determinar como deve ser ou como deveria ser, aquilo que é “É”, é o que se apresenta aqui e agora, nesse instante, nesse momento através do seu ouvir, que você não determina, esse ouvir acontece. Por de trás deste ouvir está um condicionamento presente, que tem como origem o medo, e que está incentivando a interpretar isso, a tirar proveito disso, por exemplo, você se encontra aqui no encontro via Paltalk, você poderia estar fazendo qualquer outra coisa, do que estar ouvindo essas abobrinhas ao léu, você poderia estar ouvindo alguém dizer qualquer outra coisa em outro tom, porém você não está, você está aqui, diante do computador, do tablet ou do celular, ouvindo isso.

Por que você está fazendo isso, se você poderia estar fazendo qualquer outra coisa? A maioria de vocês acredita que estão aqui motivados a conquistarem alguma coisa, que aqui existe alguma coisa para vocês conquistarem, alguma coisa para vocês alcançarem e como nós estamos muito habituados e condicionados a usar tudo a nossa volta, como se tudo fosse utensílios para que nós pudéssemos tirar proveito, nós estamos aqui para tentar tirar proveito deste encontro, esse é o padrão, o padrão mental é: O que eu posso ganhar? O que posso levar com isso? Qual vantagem eu tenho em estar aqui? O Padrão mental é este, estar sempre em busca de vantagens, de segurança, sempre em busca de alcançar algo. Por que está sempre em busca disso? Porque está com medo. Existe um medo, por detrás desta atitude de estar em busca de tirar proveito de um encontro, de tirar proveito de um professor, de um ensino, mas aqui não há ensino.

Se a sua intenção, seu desejo, é encontrar um ensino aqui, está na sala errada. Se a intenção e o desejo aí são de acrescentar conhecimento, esta não é a sala indicada. Satsang não é indicado para você. Se sua intenção aqui é tirar proveito, aqui não é o lugar (risos), esse aqui não é o espaço para isso. Este é o espaço onde você está só para olhar para si e se reconhecer, a princípio se reconhecer em sua miséria, e é isto que incomoda muito em Satsang. Em Satsang esta miséria é desnudada, porque esta pretensão, esta arrogância, este medo por de trás dessas atitudes, que nos faz tão inquietos em busca de tirar proveito de tudo, ou seja, Satsang mostra-nos e nos aponta isso, para aquilo que é a farsa, aquilo que não é real simplesmente possa cair, e aquilo que não é real parece muito real para este eu que acredita ser alguém.

Tom – Alguém deseja fazer alguma pergunta ou falar algo em relação a estas abobrinhas?
Participante  – Isso tudo é lógico, participo de um grupo muito semelhante ao Satsang e tudo dito traz uma clareza enorme, onde não gera pergunta alguma.

Participante  – Sugestão: não tenham mestre, isso é um enorme perigo.

RESPOSTA: (Risos) A relação mestre/discípulo é a última relação, se você permitir-se vivê-la, porque de fato não há nenhuma relação real acontecendo. Você está interagindo o tempo todo com você mesmo. É um enorme perigo. Mas é um enorme perigo para quem? Quem é que está correndo perigo? Quem é que pode correr algum perigo?

Um exemplo: As assim chamadas pessoas estão em igrejas neste momento, em igrejas evangélicas pagando seu dízimo. O que há de errado nisso? É perigoso para quem? Quem está sendo iludido, quem está sendo enganado, onde está o engano? Simplesmente tudo está em seu lugar, tudo aquilo que acontece diante de Você, diante desta Atenção, diante desta Presença, é aquilo que É, é o movimento da Vida, é a Vida se mostrando.

No entanto, aquilo que É não pode ser interpretado, elucidado, explicado. Aquilo que É, é de forma misteriosa, é a Vida em seu movimento e você não existe separado da vida, Você é a vida. Porém há uma impressão presente no corpo, uma impressão criada pelo próprio corpo de que existe um eu aí presente, e isso é fundamental para o próprio corpo, do ponto de vista do corpo, para que este eu possa buscar o que é necessário para mantê-lo, para manter a sua segurança. Então este eu, precisa estar ali pronto para buscar o alimento, para levar o corpo até o banheiro no momento em que ele sente necessidades, para manter uma higiene, já que a higiene faz-se necessária até certo ponto para a saúde do corpo, para que o corpo possa trabalhar e com seu trabalho possa conquistar meios de subsistência.

Portanto, o corpo com toda sua base, seu sistema neural, com essa tremenda máquina que é o cérebro, capaz de fazer leituras, capaz de tirar fotografias de tudo a sua volta, o corpo cria todos estes registros e de forma mecânica os pensamentos acontecem com base nessas fotografias, assim ele procura seu sustento. Entretanto, este “eu” que é apenas uma impressão, uma projeção, ele ganha uma dimensão gigantesca e passa a ser o que há de mais importante, ele se torna alguém e este alguém, que na verdade é só o corpo, está sempre diante daquilo que É.

Não há ninguém para enganar ninguém, não há nenhum perigo diante de nenhuma situação há não ser aquele perigo que a imaginação concebe, há não ser aquilo que parece colocar em risco este eu. Em Satsang descobrimos, e este descobrir é apenas um descobrir e não uma conclusão, mas nós constatamos de forma muito direta que estar diante do Mestre é realmente perigosíssimo. Mas, para quem? Não é perigoso para a Vida, de fato não há perigo algum. O único perigo é todas as suas crenças serem destruídas, é você descobrir e observar no apontar desta Presença, que todas as suas crenças não passam de ilusão, são apenas peso.

Todavia, mesmo com todo seu conhecimento, se diante daquilo que É ocorre o sofrer, ocorre a resistência, ocorre esta negação ao momento presente, e quanto maior é o seu conhecimento serão maiores seus conflitos, porque esta entidade, este eu que parece existir, ele se alimenta e torna-se muito fortinho, ele vira o incrível Hulk (risos) e na medida em que ele fica muito forte, que ele come seu espinafre, como o Popeye (risos), em Satsang nós vamos descobrindo que tudo parece ser um grande desenho animado, porque esses “eus” são só figurinhas.

Imaginem os chamados tataravôs desses corpitchos, se eles não eram personagens históricos ninguém registrou seus grandes feitos, com certeza você não saberá dizer o que se passou com eles, porque eram apenas figurinhas.  Todos aqueles problemas, todas aquelas dificuldades, todo aquele  sofrimento evaporou, nunca existiram de fato e hoje nós acreditamos estarmos aqui, nós acreditamos que eles estavam aqui antes e que agora é a nossa vez de estamos aqui e inclusive "sabemos" porque estamos aqui.

Outra coisa, é com base nesse saber que nós sofremos, porque você acredita que está sofrendo por um ou por outro motivo, por falta disso ou daquilo. Esse seu saber só lhe permite saber disso, o que lhe incomoda, e lhe incomoda porque você sabe, pois do contrário, não se incomodaria com nada.  O não saber é uma bênção. Este não saber, simplesmente nos faz deslizar para o Estado Natural, que é o estado do não saber. É o estado da ausência de todos os estados, é apenas um olhar, de tão simples nos escapa. Não há como teorizar sobre isso, não há como falar sobre isso, não há como colocar isso em pilares, explicações e ensinos. Aquele que se encontra Acordado, em seu Estado Natural, compartilha o Ser e não um ensino. Se aproximar de um Mestre é se aproximar daquilo que É,  é aquilo que É  profundamente amoroso, profundamente acolhedor.

O Mestre quando olha para você não se sente separado daquilo que ele  É, ele não lhe vê maior ou menor, não lhe vê como uma ameaça, como um perigo, não lhe vê como uma pessoa com problemas, ele não vê separação entre Aquilo que ele É e Aquilo que é Você. Então quando você se aproxima do Guru, do Satguru, ele lhe abraça, lhe acolhe com um amor que só é possível nessa total ausência de medo, que só é possível nesse Estado Natural, que só é possível nesse não saber, se você sabe muito não pode amar. Quando você sabe muito, sabe o que pode lhe ameaçar, quando você sabe muito, você está com medo, e na presença do medo não há amor, há ataque e defesa.

O Mestre ao lhe acolher nessa presença amorosa, de forma misteriosa e inexplicável este amor faz queimar todos esses padrões presentes neste corpo, ele faz queimar todos esses incômodos, todo este conhecimento, todas as crenças, todo esse saber, todas estas conclusões, todas as certezas, ele te faz deslizar para este não saber, e ao deslizar para este não saber você desliza para este estado natural de Ser, de ser simplesmente este olhar, esta Consciência, esta Presença, que é a mesma  aqui nesse instante, que parece estar falando com você e que parece estar ouvindo aquilo que o outro diz, mas de fato só há esta Presença constatando.

Aqui as palavras surgindo e sendo ouvidas da mesma forma que aí, esta única Consciência, esta única Presença, muitas vezes, na maioria dos corpos, confundida com uma pessoa, confundida com histórias e dentro de um trabalho de Satsang, diante de um Mestre, se permitindo abrir mão de todas as defesas, de todos os medos e pesos, de toda arrogância e pretensão, abrindo mão de todas as exigências, deixando de exigir da vida aquilo que ela deve ser, porque simplesmente ela é o que É, e não o que você acha o que ela deveria ser.

Essa Atenção presente em você, ela vai se desvencilhando de toda essa ilusão, de toda essa identificação com este personagem que não é real, que não é Você, até que essa Atenção possa se voltar completamente para a sua fonte que é o Amor do Mestre, a Graça do Guru que é a Graça da Vida, que é a Graça presente em tudo, tudo é Graça.

Então neste momento está última relação acaba. O Mestre é a sua última relação, até que o seu contato com ele deixe de ser uma relação e essa simples constatação feita por esta atenção aí presente, reconhecendo no Mestre esta mesma Atenção presente, o mesmo mistério, a mesma Graça, o mesmo silêncio. Desta forma não há mais uma relação, há apenas uma profunda gratidão e você não sabe de quem é, mas surge aí em seu peito,  em seu coração, um reverenciar e um Namastê diante da Vida, diante daquilo que É, diante da Presença.

É isto... Tudo bem, pessoal?

Espero que de alguma forma este encontro tenha sido válido (risos), que possamos ter tirado proveito dele (risos). Não proveito no sentido de tirar alguma coisa, mas que ele possa ter nos ajudado a desistir de tirar proveito de tudo, que ele possa ter nos ajudado a aquietar um pouquinho mais, a parar, a voltar-nos para o silêncio.

Satsang é um convite para desistir da busca, desistir de ser alguém e permitir que a Vida seja aquilo que ela é, sem nenhuma interferência arrogante, de alguém que queira interpretar ou mudar esta grandiosidade que é a Vida.

Tom – É isso aí, agradeço a presença de todos, retornaremos na sexta feira ás vinte e duas horas, Namastê.

Fala transcrita a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 08 de Outubro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

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