sábado, 4 de outubro de 2014

Somente na Presença do Mestre é Possível Olhar para Si Mesmo


Não há separação entre aquilo que é você, o Guru, Deus e a Graça....

O Guru é você mesmo do lado de fora, mas, este você, esta atenção presente em você, se confunde como sendo uma pessoa, separada do Guru, de Deus, do mundo, da Graça...

Esta atenção adquiriu uma "autonomia" ilusória e falsa, porque, mesmo não existindo separada da realidade, se vê separada desta realidade, como uma impressão presente no corpo, que se encontra inconsciente de sua Real Natureza. No Guru esta atenção não está confundida com essa ilusão de uma identidade presente.

A palavra Guru significa: Aquele que afasta as trevas da ilusão da ignorância...

O Guru liberta esta atenção em você, que não está separada Dele mesmo, desta ilusão primordial, que é o ilusório sentido da existência de uma entidade separada da vida, separada do todo, separada desta única realidade.

O Guru é parte do seu sonho. Mas ele é a única parte do seu sonho, que surge para perturbar o seu sono profundo. Ele surge para que esta atenção confundida como sendo uma pessoa, presente em você, possa despertar para a sua real natureza...

Esta explicação é inútil, como qualquer outra explicação, porque ela não tem lógica, não é provida de bom senso, e não acrescenta coisa alguma. Esta explicação apenas motiva você a descobrir o que é ficar quieto e olhar para si mesmo, estando junto da Presença da Graça do Guru, que é o único espaço onde esta autoinvestigação é possível.

Você não pode olhar para si mesmo estando sozinho nisso, entretanto só pode olhar para si mesmo estando sozinho. Isto é paradoxal. Só pode olhar sozinho porque você e o Guru são um só, mas não pode olhar sozinho estando distante da Presença do Guru, que é você mesmo em seu estado natural.

O real trabalho começa quando suas perguntas acabam e você descobre o que é ficar quieto, porque, somente estando quieto, você começa a descobrir o que é olhar para si mesmo. Antes disso, você está confundido com essa tagarelice e com esta farsa da mente - de que ela pode, por meio da sua habilidade, compreender a natureza da realidade. Não é através de perguntas e respostas que você irá descobrir como olhar para si mesmo, pois na pergunta você está olhando para a própria pergunta e, na espera de uma resposta, não fica espaço para olhar para si mesmo.

Para você olhar para si mesmo, é necessário que a Consciência, a Presença, possa começar a se assentar no corpo e, também, que as trevas da inconsciência se dissipem. Porém, enquanto não houver uma chama aí presente, que seja uma luz suficientemente forte para permitir você a olhar. Enquanto aí só existir uma fagulha de atenção, pulsando em ondas de pequenas faíscas, que surgem uma vez ou outra e que são muito valorizadas,  chamadas de insights ou inspiração, você estará envolvido por essas faíscas e será incapaz de olhar para si mesmo.

Por essa razão, Satsang é fundamental. Somente na presença do acordado, na Presença do Guru, diante da Luz de sua Graça, que é uma chama de Presença, na claridade dessa Luz, você pode olhar para si mesmo; somente em sua Presença existe autoinvestigação. Só assim, é possível olhar para si mesmo.

Você precisa descobrir o caminho do não-caminho, o caminho do não-saber, ou de querer saber se há um caminho. O caminho do aprendizado é como os números, que são infinitos; não termina nunca e, por essa razão, não conduz você a autorrealização!

Olhe  para  a  vida daquele que vive identificado com estados mentais: ele, ou ela, chega aos 70, 80, 90 anos de idade, ainda preocupado com problemas, ainda carregando mágoas, ressentimentos, desejos, inveja, ambição, ciúmes. Está é a vida para a qual você nasceu?

Um trabalho real é tudo de que necessitamos para conduzir-nos a verdadeira realização, que é a autorrealização. A autorrealização não é um trabalho nosso, é um trabalho da Graça, do sagrado, do Guru, da vida única que não se separa da Fonte, mas nós, como a Fonte de toda a realidade, precisamos reconhecer este convite e nos rendermos a este chamado!

A verdadeira felicidade só é possível quando não mais existimos como uma entidade separada do todo, quando não mais está presente este "mim", este "eu", dentro do corpo, batalhando dentro de um mundo, em busca de felicidade. A verdadeira felicidade só é possível no claro, direto e verdadeiro reconhecimento desta Única Presença, que é o Guru, que é Deus, que é o Ser, que é você em sua Real Natureza.

Satsang é o caminho mais curto para a autorrealização, porque aqui descobrimos como pararmos, como ficarmos quietos, como desistirmos de darmos continuidade a essa ilusão de ser "alguém" e, no silêncio, o reconhecimento de nossa Real Natureza nos olhos daquele que realizou Deus, na Presença daquele em que Deus se manifestou na forma.


Jaya Guru Deve meu amado Mestre Marcos Gualberto,

Tom de Aquino

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