quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Paltalk Satsang: A verdade é algo presente como a respiração agora acontecendo!



Satsang é um encontro onde nós focamos a realidade e significa “encontro com o que é”.  Mais uma vez nós aqui estamos neste encontro com “o que é”, falando sobre realização ou despertar. 

A palavra em si não importa muito, pois tudo pelo qual estamos interessados aqui, através de conceitos representados pelas palavras que estamos usando, serve para apontar para algo além disso, que é essa liberdade, paz, amor e felicidade inatos.

A recomendação aqui para você é: esqueça todas essas palavras. A coisa mais importante aqui não é a palavra.  Esses conceitos são usados,  apenas, como aquilo que no Zen é chamado “o dedo que aponta para a lua”; se você para no dedo, ou na ponta do dedo, você perde a lua. Assim, esqueça todas essas palavras e descubra o que é ouvir a vida, ouvir aquilo que se mostra, aquilo que se apresenta e que está diante de você.   Comece a ouvir, como você escuta o pássaro cantando; comece a ouvir o que “É”, que se mostra, que se apresenta, assim como você olha para um flor.  Isto é bem mais importante do que palavras, porque nós, aqui, estamos tratando da realidade presente neste instante, portanto é algo que você pode constatar por si mesmo.

Ouça a vida, sinta a vida, olhe a vida, assim como quando você anda e sente o chão debaixo dos pés, porque nesse caminhar você sente diretamente. Ouça o pássaro, olhe a flor, sinta o chão debaixo dos pés, o contato com a realidade, com a verdade presente.  Ocorre algo semelhante a isto, num dia de chuva, quando você sente o corpo sendo tocado pelas gotas de chuva. Há um sentir direto; você não pode teorizar sobre isto, assim como não teoriza sobre a chuva, pois ela cai e a água atinge o seu rosto, molha o seu rosto, suas mãos, seus braços e atinge todo seu corpo, havendo o experimentar direto dessa coisa chamada chuva.

Assim, perceba que estamos falando de algo presente nesse instante, enquanto palavras são conceitos, são imagens, que podem formar quadros sobre qualquer coisa, inclusive sobre isso. No momento em que emitimos sons, estamos colocando palavras, mas isto ainda não é a coisa em si; não é este ouvir o pássaro, olhar a flor, sentir o chão debaixo dos pés, assim como, não é a chuva caindo sobre o seu corpo.

Estamos em Satsang apontando para algo vivencial, algo que está aqui presente, a Verdade sobre sua natureza, única e verdadeira. Nós fazemos uso de palavras, de conceitos, para irmos além desses conceitos e palavras.

Há algo presente além das palavras, porque aqui a boca se abre e parece acontecer o fenômeno da fala. O problema com a mente é que ela se agarra a esses sons, se agarra a essas palavras, fazendo uma leitura, tentando descobrir o significado disso. Entretanto, aquilo que é tratado aqui é algo que a mente não pode agarrar, não pode capturar; é algo que é possível você vivenciar, mas não pode explicar. Não há como descobrir o significado disso, porque a mente não pode alcançar isso, só vai confundir você, logo, é preciso estar livre dessa confusão. Preste atenção ao momento exato, pois você não pode alcançar essa liberdade da confusão, embora seja preciso estar livre da confusão, nesse momento exato em que ocorre. É necessário que você aprenda a ouvir, a ver e a sentir, que aprenda a estar com a coisa, verdadeiramente, e, somente então, a Verdade se apresentará.

Você não pode aprender o que é presente anteriormente, sempre presente, pois somente quando a mente não está - esta mente que colore, traduz, interpreta; que tenta agarrar, encontrando um significado para o uso dela – a Verdade está presente. O problema é que, enquanto você me escuta e eu digo que é necessário estar presente esta liberdade da confusão, imediatamente a mente diz: eu preciso me livrar disso; então, você cria mais uma fórmula e a mente trava imediatamente.  Você precisa, imediatamente, perceber a realidade presente, mas, quando a mente diz “preciso me livrar dessa confusão”, a mente trava imediatamente.

Repare que estamos num ponto bastante delicado aqui: você precisa, de fato, soltar essa confusão, mas não pode fazer isso contando com o futuro. Repare como é sutil essa coisa. A mente adora o futuro, ela cria a ideia do futuro e, quando faz isso,  trava imediatamente todo esse constatar da verdade presente.

Deixarei isso bem claro para você: é preciso saber ouvir sem a mente;  ouvir sem a palavra, sem dar importância ao significado verbal dessas palavras. Há um modo de perceber isso, que é quando o coração está inteiro nessa coisa, onde há uma Presença capaz de fazer perceber isso, além da mente. Somente, então, é possível ocorrer o Satsang, que é essa constatação da verdade presente, sem o futuro ou passado. A verdade está presente neste exato instante.

Tenho uma coisa também para dizer para você: Eu percebo que aqueles que se aproximam desses encontros ficam, por um bom tempo, tentando o impossível, mas eu quero que você não se engane. Essa mensagem, essa fala, essa coisa singular chamada Satsang é algo muito ameaçador, pois aponta para o fim da mente e desse sentido de separação; o fim dessa interpretação e de todas essas classificações. O “ver” precisa ser imediato, o “sentir” precisa ser imediato, o “ouvir” precisa ser imediato, porque a Consciência é algo presente dentro desse imediato. Isso não requer tempo, requer Consciência. É preciso que vocês abracem isso, acolham isso, o fim dessa ilusão do ego, do “mim”, do “eu”, da mente egóica.

Percebam que a mente sempre quer fazer algo, por isso ela precisa do futuro.  Vocês vêm ao Satsang e dizem: eu já fiz isso e aquilo outro; assim levam as suas vidas, fazendo alguma coisa, mas o que ocorre é que esse sentido do “mim”, do “eu”, está sempre tentando fazer algo.  Eu quero convidar vocês para esse instante, neste momento, para que  vivenciem diretamente seu Estado Natural.

A Verdade é algo presente, como a respiração agora acontecendo, como este som chegando até você nesse instante, e isso não tem nada a ver com ensinamentos, com conhecimentos, com experiências condicionadas à identificação com a mente, que está sempre classificando, comparando, julgando, colorindo, interpretando.  Temos falado muito isso, tocando, repetidamente, nesse ponto com você: a Verdade é esse mergulho, essa imersão no desconhecido, naquilo que você já É. Este é o mundo real, o mundo em sua totalidade; esta é a vida real em sua totalidade. A mente não conhece isso, a mente tem medo disso, porque este é o seu fim.

A realidade é essa abertura, clareza e transparência, e isto não tem nada a ver com um “eu pessoal”, com alguém chamado “mim”, nem com a história deste “mim”.   Neste ouvir, sentir ou ver, ocorre algo que não está contaminado pela mente, que interpreta e classifica, dizendo: “gosto ou não gosto, isto é bonito ou é feio”.  Aqui estamos diante desse puro amor incondicional, que é a c de nossa Natureza Divina.

É evidente que, quando usamos essas expressões, parece ser algo que a mente conhece, agarrando esses conceitos e palavras, já que, para a mente, isto se torna uma crença maravilhosa, uma ideologia, alguma coisa que ainda pode usar a serviço dela mesma, mas não é nada disso. Isso requer uma abertura, sensibilidade, vulnerabilidade de ser, um espaço, que é esta Consciência. Fazemos uso de falas, de palavras, mas estamos apontando para o Silêncio. 

Neste do “mim”, neste “eu”, neste ego, nós estamos confiando em mudanças, algo que favoreça esse sentido de identidade separada. Assim, estamos desprezando a dor e abraçando o seu oposto, que é o prazer. Somos contra a guerra e abraçamos o seu oposto, que chamamos de paz; somos contra a raiva e abraçamos o seu oposto, que chamamos de amor; sem uma coisa não teremos a outra. Contudo, tanto uma coisa quanto a outra, para este sentido de identidade, para esse sentido pessoal, ainda é parte da mente.

O que eu quero dizer para você é que a dor, assim como o prazer, vem e vai, que a ira e a raiva, como o amor, vêm e vão, bem como a guerra e a paz; e que aquilo que julgamos, classificamos, interpretamos, ainda é parte da mente.   Há uma verdade além disso tudo, que eu chamo de amor incondicional, liberdade real, paz verdadeira. Estamos falando disso tudo que é presente nesse instante, além desses opostos, além daquilo que pode ser considerado paz e guerra, que está além desse sentido de identidade separada.  Somente nessa imaculada abertura, que é esse espaço  jamais tocado pela ilusão, a Verdade é vista diretamente.

Esse espaço, nós chamamos em Satsang, de Presença, Ser, Consciência, Deus, a Verdade de sua Real Natureza. Isso é algo que está presente agora, aqui, nesse instante, neste ouvir, sentir, neste ver diretamente.

Perguntas? 

Que bom que todos estão em silêncio. Bem, como também já ultrapassou nosso horário, vamos ficar por aqui!




                          Fala transcrita, corrigida e revisada a partir de uma fala do Paltalk no dia 15 de Outubro de 2014.
                   Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Baixem o Paltalk gratuitamente e Participem!


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